O Casamento do Meu Melhor Amigo
2 Capítulo 2 - O plano
Notas iniciais
Quando chegamos no apartamento que eu morava, percebi que estava tudo uma bagunça, roupas pelo chão, pratos de comida ainda sujos pela mesa. Fiquei um pouco envergonhada pelo estado dele, mas era o Gerard que eu estava recebendo, então, pra quem era tava bom * He he he *. Nem com o Mikey eu nunca me preocupei com isso.
O apartamento que eu vivia era bem simples, apenas dois cômodos: havia uma sala que era ao mesmo tempo um quarto e uma cozinha (aquelas americanas q tem uma parte de concreto pra separar a cozinha da sala q eu não sei o nome He he he), e um banheiro. Por sorte a tal sala não era tão pequena, então dava pra se viver bem.
K: senta. – disse pendurando minha bolsa no cabideiro.
G: onde? – perguntou ironicamente.
K: peraí. – juntei as roupas em cima da cama e joguei-as no chão. – pronto.
G: nossa, você é bem organizada e prática.
K: engraçadinho. – tirei meu vestido na frente dele já que estava com um short por baixo e um top e depois fui até o banheiro prender meu cabelo. – o que será que ela tem e eu não tenho?
G: organização? – respondeu ele lá do outro cômodo.
K: babaca!
G: mas de corpo você ganha. – fui até o outro cômodo coloquei as mãos na cintura e o olhei toda risonha.
K: você acha?
G: com certeza.
K: então me diz. o que ela faz? Estuda? Malha numa academia?
G: ela trabalha.
K: trabalha? Lógico, Com um pai rico, deve trabalhar com ele.
G: na verdade não.
K: então como o que? Atriz, modelo, cantora...?
G: ela é enfermeira.
K: enfermeira?
G: é. Foi assim que o Mikey a conheceu. Ele não estava se sentindo bem num dos nossos shows e tivemos que chamar alguém pra tirar a pressão dele e ela o atendeu. Era a enfermeira do local.
K: mas ela diz que estuda pra ser pediatra.
G: sim, é o que ela quer ser quando terminar os estudos.
K: por que ela tem que ser assim em?
G: assim como?
K: assim: trabalhar, estudar...por que não se diverte a custa do pai e etc...
G: nem todo mundo gosta de ser “vagabunda”. – disse fazendo aspas com as mãos.
K: está insinuando que...?
G: não disse nada.
K: ok, eu admito que sim, sou um pouco...
G: muito. – disse me cortando.
K: ok, sou muito relaxada...o que eu posso fazer que não preciso trabalhar pra ter dinheiro? Meu pai é rico, me dá de tudo, o que mais eu quero? Tenho meu próprio apartamento, tenho minhas roupas, jóias, carro...não preciso de
nada.
G: precisa de dinheiro pra pagar o táxi e gasolina pra andar de carro.
K: ah! Meu pai não quis me dar dinheiro por fora da mesada, eu gastei tudo numa bolsa e roupas...mas ok...
G: gastou quase mil reais em roupas e bolsa?
K: sapatos também.
G: puta que par*%$#.
K: é que eu estava nervosa, sem ter o que fazer.
G: agradeço por não ser seu pai.
K: ok, vamos parar de falar de mim? Ta...agora precisamos achar o ponto certo, o que chamaria a atenção dele pra mim?
G: nada mais, ele já foi caidinho por você.
K: mas não o bastante...peraí! – de repente aquilo era óbvio. – mas é claro que é isso Gerard, um emprego. Se eu arrumar um emprego, eu o tenho de volta. É isso.
G: e vai trabalhar de que “senhorita não faz nada”?
K: vou ser enfermeira como a Michelle.
G: o que? – e ele começou a gargalhar. – ta maluca? Você enfermeira?
Coitado do hospital que você for trabalhar...
K: cala a boca! É isso e acabou. Tenho outro plano também: como enfermeira, vou ser amiga dela. Como diz o velho ditado, você tem que manter os inimigos próximos.
G: esse é o ditado?
K: não me lembro dele, mas é mais ou menos assim.
G: ok. E como fará isso?
K: você vai conseguir pra mim o endereço do hospital que ela trabalha e o horário que ela estará lá.
No dia seguinte já tinha tudo nas minhas mãos. Coloquei uma roupa bonita e fui pro tal hospital. Chegando lá encontrei Michelle andando pelo corredor conversando com um homem que parecia ser algum doutor. Quando ela me viu se despediu do homem e veio até mim me cumprimentar toda sorridente.
M: tudo bom? – e nos beijamos no rosto. – Karen né?
K: sim. E como está o clima por aqui?
M: ta tudo bem, graças a Deus. E você o que faz aqui? Veio visitar o lugar?
K: não e sim. vim conversar com você posso?
M: é claro. Vamos pro refeitório que lá dá pra conversar melhor.
E nos dirigimos até o tal do refeitório onde outras pessoas de branco conversavam sentadas à mesa.
M: e então?
K: eu queria te pedir uma ajuda.
M: ok, em que posso te ajudar?
K: é que eu sempre tive o sonho de ser médica.
M: você? – ela perguntou e começou a rir.
K: o que foi?
M: é que o Mikey me disse que o seu sonho era ser modelo.
K: modelo? Eu? Imagina, não tenho nenhuma aptidão pra isso.
M: como não? Tem tudo pra se tornar uma. Eu que não tenho lá jeito pra essas coisas. E também não gosto muito de ser o centro das atenções.
K: jura? Com um pai famoso, isso é quase impossível né?
M: é, mais ou menos...mas então, o que você quer saber?
K: eu queria que você me mostrasse como é o trabalho por aqui pra eu
aprender.
M: você quer um estágio, é isso?
K: é. Seria legal.
M: eu posso te arrumar sim, você tem que pedir um histórico da sua faculdade.
K: faculdade? Ok.
M: é. você faz uma faculdade não é?
K: lógico que sim.
M: então, depois você me procura que eu vejo pra você.
K: ta bom.
M: eu peço desculpas à você, pois eu queria mesmo te conhecer mais, mas
eu preciso estar atenta. Tem muito que fazer hoje. – disse se levantando da mesa.
K: ok, não vou te atrapalhar mais.
M: mas podemos marcar uma saída de só nós duas juntas.
K: será ótimo.
M: ok, até outro dia. – nos despedimos e ela seguiu rumo ao trabalho.
K: tchau.
Quando cheguei em casa liguei pro meu pai que não acreditou no que estava ouvindo.
K: mas eu quero ser doutora pai. – e ele ficou falando do outro lado que eu estava pirando. – será até melhor pra você por que não vou mais te perturbar com dinheiro...ok, vou perturbar sim, mas bem menos pai. Por favor, me inscreve numa faculdade, por favor.
Depois de minutos tentando convencê-lo acabei conseguindo o que queria. Estava numa faculdade. Na semana seguinte já tinha tudo pronto e Michelle me arrumou um estágio no hospital que ela trabalhava. Estava tudo dando certo enfim. Por enquanto...
Até que não era tão ruim assim, eu só arrumava camas, entregava comida pros pacientes, coisas bem light.
Estava arrumando uma das camas do hospital quando ouvi alguém falar meu nome atrás de mim quando me virei era o Mikey.
K: oi.
M: ué, o que houve? – disse na porta do quarto que eu arrumava.
K: to arrumando as coisas.
M: você? Por que? – perguntou sem entender encostando-se na porta.
K: eu trabalho aqui agora. Michelle não te falou? – respondi continuado meu serviço.
M: como é que é?
Mi: oi amor. – ela chegou dando-lhe um beijo e depois me olhou sorridente. – como está indo no seu primeiro dia?
K: tranqüilo.
M: não sabia que Karen trabalhava aqui agora.
Mi: é, consegui uma vaga pra ela. Eu não te contei?
M: não.
Mi: ando meio esquecida esses dias. muito trabalho...eu vou me trocar ok? – e deu um beijo no Mikey e saiu.
M: não sabia que queria ser...
K: enfermeira?
M: enfermeira...é...
K: nem eu.
M: pra mim você queria ser modelo.
K: isso é passado. Agora quero uma coisa de verdade. Você não acha o máximo?
M: lógico. Fico muito surpreso pelo seu interesse pela medicina.
K: to fazendo faculdade também.
M: faculdade? – perguntou fazendo careta.
K: é.
M: nossa!
K: é Mikey, um dia percebemos que a vida não é só cama, balada, shopping...há muitas outras coisas a se fazer.
M: é sério? – perguntou ele cruzando os braços e com um sorriso maroto no rosto.
K: sou outra mulher agora.
M: ou melhor, agora sim eu vejo uma mulher por que antes eu via uma menina mimada pelo pai. – disse ele rindo.
K: não esculacha infeliz!
M: to brincando. – disse parando de rir. – fico feliz em vê-la fazendo isso.
K: obrigada.
M: boa sorte. – ele se aproximou de mim e me abraçou. Um abraço tão aconchegante. Com a cabeça em seu peito suspirei ao senti-lo novamente, deslizei minhas mãos nas costas dele apertando-o mais e mais contra meu corpo. Foi então que michelle apareceu na porta.
Mi: interrompo? – disse entrando toda sorridente não percebendo minha malícia.
M: estava parabenizando ela pela excelente escolha.
Mi: é muito bom mesmo ver que alguém se interessa pela medicina. Temos muito mais coisas em comum né? – disse ela olhando pra mim esperando uma resposta no qual só consegui responder “é...”.
M: vamos? mamãe está esperando.
Mi: tá.
M: Karen temos que ir, vamos sair pra um jantar com a minha mãe.
K: ah é mesmo? Ok – estava surpresa com a mãe dele. Ela nunca aceitou jantar quando a chamávamos pra sair e agora ela estava em todas.
Mi: tchau. – disse ela me abraçando e depois os dois saíram abraçados do quarto.
Me sentei na cama e peguei o travesseiro que estava jogado nela e o abracei. Eu estava perdendo o mikey, tinha que fazer alguma coisa. Só não sabia o que...mas pelo menos a historia de enfermagem parecia estar dando certo.
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