Notas iniciais
♥ , espero que gostem, ♥

Anastásia Steele

Abro meus olhos lentamente e encaro a menina pálida no espelho com olhos grandes demais para o rosto. Suspiro e antes que perceba começo a morder meus lábios enquanto tento arrumar meus cabelos. Finalmente consigo arrumá-los do jeito que gosto sem ter que prendê-los num rabo de cavalo.

Coloco as mãos nos quadris e me encaro de cima abaixo. Eu estou num jeans claro de cintura alta e a camisa da escola sem nenhum amaço. É isso. Viro-me e encaro a pequena criaturinha de vestido rosa e All Star preto. Reviro os olhos e sorrio.

—Alice, eu não acho que essa roupa combine com seu All Star. —Murmuro e ela começa a morder os lábios e me encara.

Tombina sim!

—Não, não tombina, não. —Digo imitando sua palavra. Franzo o nariz e me curvo.

—Você. É. Uma. Buxinha! —Alice diz pausadamente antes de cruzar os braços.

—Alice... nós vamos nos atrasar. —Digo indo pegar minha mochila.

Começo a arrumar meus livros dentro da mochila e pelo canto do olho posso ver Alice parada ao lado da porta da sala de jantar.

—Mamãe... minha roupinha não tombina? —Ela pergunta fazendo beicinho e eu tenho que me segurar para não rir.

—Ah, Alice, é claro que combina. Eu estava apenas enchendo o saco, será que você pode desculpar sua irmã?

—Mamãe. Minha mamãe. —Alice sussurra vindo me abraçar.

—Irmã. —Digo bagunçando seu cabelo. —Agora pega sua mochilinha.

Agola não. —Alice diz rindo.

—Então eu vou sem você.

—Você não fania isso.

—Não mesmo.

Balanço a cabeça rindo e me curvo pega Alice no coloco. Ela sorri antes de enroscar as pernas na minha cintura e me abraçar. E eu sei que ela não vai me soltar mais. Desde que minha mãe nos deixou, o que foi quando Alice tinha acabado de nascer, eu cuido da minha irmãzinha. Nós somos bem apegadas, e, é ela é meu maior motivo de estar aqui.

Afasto as lembranças e pego minha mochila e a de Alice, saio do apartamento e tranco a porta pondo a chave no meu bolso. Enquanto caminhamos para o elevador eu percebo que alguém está mudando para o apartamento ao lado. Deixo isso para lá e aperto o botão para a garagem. Coloco Alice no chão assim que chegamos ela abre os braços e sai correndo.

Balanço a cabeça ao ver ela ir cumprimentar um homem que ela nem se quer conhece. Por quê? Por que Deus minha irmã faz isso com todo mundo?

—Senhor, me desculpe. —Murmuro puxando a mão de Alice.

—Não tem problema, ela é uma graça.

—Você é novo por aqui? —Pergunto e ele ri.

—Sou Taylor, motorista do Sr. Grey. —Taylor diz estendendo a mão.

—Olá, Taylor. Eu sou Anastásia Steele. E eu não sei quem é Grey. —Franzo o nariz risonha e Taylor sorri.

—E eu sou Anice. —Alice murmura sorrindo.

—Ah, muito prazer, e eu adorei o abraço. —Taylor diz enquanto bagunça os cabelos de Alice.

—Nós precisamos ir, foi um prazer.

Taylor apenas dá um leve balançar de cabeça e eu sorrio indo para o carro.

—Tchau, tchau Taynor. —Alice grita acenando.

Abro o carro e coloco-a sentada na cadeirinha, depois de prendê-la eu entro e saio em direção à casa da babá. Estaciono o carro em frente à casa e sorrio ao ver Marcela já esperando. Ela é a única que consegue cuidar Alice sem que ela fique chorando e me chamando por horas e horas.

—Ei, baixinha. —Marcela sussurra se curvando na janela do carro. —Oi Ana.

—Tia Chela. —Alice diz abrindo os braços.

—Oi, ela é toda sua. —Digo sorrindo. —Eu vou passar na ONG, talvez eu chegue lá pelas sete...

—Tudo bem, Ana, fica tranquila. —Marcela diz sorrindo e começa a tirar Alice do carro. —Nós esperaremos na sua casa.

—Certo. Alice, eu amo você. —Sussurro e Alice me olha sorrindo.

Anice ama mamãe. —Ela sussurra mandando beijinhos.

Sorrio e mando outro beijo para as duas antes de arrancar com o carro em direção a escola. O dia é a mesma coisa de sempre, eu cumprimento pessoas, participo das aulas e da reunião com o grêmio, ajudo nas aulas de reforço e lá pelas três, saio da escola diretamente para a ONG.

Assim que estaciono o carro vejo o pessoal do resgate saindo.

—Ana. —Paul diz correndo até meu carro. —Nós recebemos um pedido... parece que dois cachorrinhos foram jogando em um córrego, nós temos que tirá-los de lá.

—Tudo bem, eu sigo você.

Paul me oferece um dos seus sorrisos antes de seguir para o carro de resgate. Eles vão na frente e eu vou seguindo até a avenida principal. Já dá para ver uma pequena multidão de pessoas ao redor do córrego, ele não funciona, então está vazio, e quem jogou os cachorros deve ser uma pessoa horrível. Estaciono o carro do outro lado da avenida e tenho que atravessar correndo no meio dos carros.

As pessoas nos dão espaço para passar e eu vejo duas pequenas bolinhas pretas e sujas correndo assustadas pelo córrego enquanto latem e tentam escalar as paredes.

—Meu Deus. Isso é horrível. —Murmuro para Meg.

—Olha só, Aninha, hoje é a sua vez. Você é a mais leve, e eles sempre gostam mais de você. —Meg diz sorrindo e eu semicerro os olhos.

—Ana, nós vamos descer você na corda, você vai coloca-los em uma bolsa e pano e mandar para cá. —Paul explica.

—É, eu não tenho escolha. —Sussurro quando outra pessoa da ONG já começa a ajeitar a corda em mim.

Enquanto eles ajeitam a corda eu coloco as luvas e pego a bolsa de pano. Pulo para o outro lado da grade do córrego e fico de costas. Eu não sei exatamente em que momento da minha vida decidi que queria fazer isso, mas ajudar animais... isso é tão maravilhoso. Eu não tenho como explicar.

Começo a descer com o apoio da parede e vejo os cachorrinhos correndo desesperados na minha direção. Assim que chego embaixo eles começam a pular na minha calça. São apenas dois filhotes. Eles não têm raça, mas são uma graça. Porque alguém faria isso com eles?

—Ana, qual a situação?

—Dois filhotes, cerca de três meses, e um está com uma pata quebrada. —Sussurro enquanto me abaixo para brincar com os filhotes. —E eles são muito dóceis.

—Certo, manda eles para cá.

—Ok, pode jogar a corda. —Sussurro pondo os filhotes com cuidado na bolsa.

Enquanto eles sobem eu começo a olhar em volta e avisto algo que não sabia. Começo a me aproximar da entrada do esgoto e tudo que vejo são dois olhinhos assustados brilhando.

—Ana, nós vamos trazer você, o que você está fazendo? —Paul pergunta

—Espera. —Digo levando a mão. Abaixo-me e tiro um biscoito do bolso. —Oi docinho, vem aqui.

—Ana, o que você está vendo? —Meg grita preocupada.

—Acho que a mamãe está aqui. —Sussurro ainda com o biscoito estendido. —Tudo bem, eu não vou te machucar.

Caio para trás com o susto que tomo com o latido do cachorro, o grito de Meg e toda a multidão exclamando assustada. Fecho meus olhos pensando que vou ser atacada, mas tudo que ganho é uma lambida na cara e o biscoito é roubado da minha mão.

—Isso não foi gentil. —Sussurro afagando a cabeça da cachorra.

Ela também é preta e está completamente suja e ferida.

—Coitadinha de você. Que monstro fez isso? —Sussurro e ela começa a chorar como se estivesse respondendo. —Vamos lá, eu vou tirar você daqui.

Levanto-me e começo a andar, mas a cachorra fica parada, ela me olha algumas vezes e volta correndo para o esgoto.

—Ana, nem pense nisso! —Paul grita esbravejando e eu sorrio tirando a lanterna do bolso.

Começo a caminhar em direção ao esgoto e sorrio ao ver mais três filhotes todos escondidos atrás da mamãe. Bem, eu acho que aqueles dois lá fora só estavam pedindo ajuda. Sorrio e me abaixo pegando um super medroso que começa a latir, ou gritar, de medo. A mamãe rosna e eu a encaro.

—Tudo bem, eu vou tirar vocês daqui. —Sussurro acariciando a cabeça dela.

Sorrio e pego os três filhotes saindo do esgoto.

—Acho que agora foram todos. —Grito olhando para cima e as pessoas começam a comemorar.

Paul e Meg balançam a cabeça negativamente antes de descerem a bolsa e eu colocar os três filhotes. Prendo-me na corda novamente e me abaixo pegando a mamãe.

—Vamos lá, docinho, nós vamos cuidar de você agora. —Sussurro e ela começa a me lamber.

Sorrio e a abraço com cuidado e logo Paul começa a me puxar para cima junto com os meninos, apoio-me na pontinha assim que chegamos e entrego a mamãe a Meg, mas tudo o que vejo em seguida é Paul gritar antes da corda escapar da sua mão. Tento me segurar, mas tudo o que sinto é a minha cabeça se chocar contra o chão e tudo ficar um pouco turvo.

—Ana. —Meg grita e eu acho que está chorando. —Ana. Responda!

—Anastásia. Pelo amor de Deus! Responde. —Agora é Paul gritando.

—Alguém chama uma ambulância. —Alguém grita e dessa vez não reconheço a voz.

Elevo minha mão até a cabeça e sinto algo meio molhado, tento cheirar, mas sei que não é sangue, não há cheiro, é apenas água. Começo a abrir meus olhos de vagar e com cuidado me sento olhando em volta. Olho para cima e vejo todos me olhando com expectativa.

Não é tão alto, mas isso doeu muito.

—Você está bem?

—Eu vou ficar uma semana sem sentar depois dessa! —Grito sentindo minha bunda doer.

—Qual o problema de vocês? —Alguém grita e eu vejo todos se afastarem.

Não acredito no que estou vendo, mas é Taylor, e ele está furioso. Há outros homens com eles, e eles estão descendo, e eu acho que estou ouvindo uma ambulância. Eu não tenho certeza, tudo está meio confuso. Olho para frente e me deparo com Taylor já aqui embaixo.

—Srta. Steele, lembra de mim? —Ele pergunta e eu sorrio.

—Sim. Meu novo vizinho, motorista do novo vizinho. —Digo rindo e ele balança a cabeça.

—Eu vou tirar você daqui.

—Eu falei isso agora mesmo para uma cachorrinha. —Sussurro e Taylor me olha preocupado. —Eu estou bem. Só bati forte a cabeça.

Taylor suspira e me pega em seus braços. Ele parece um pouco meu pai, e devem ter a mesma idade, mas a diferença é que meu pai nunca me tratou assim, demonstrando que se importa, e Taylor... ele mal me conhece.

Eu estou cansada, minha cabeça dói um pouco, e quando sou tirada do córrego, sou levada diretamente para um hospital, o médico tira algumas radiografias da minha cabeça e diz que não ouve nenhuma contusão, que eu estou bem, mas que preciso descansar e tomar alguns remédios.

Quando saio do consultório Taylor está me esperando, e mais acordada, pergunto o porquê de ele estar aqui, mas ele não diz nada, apenas me leva para casa e diz que meu carro já está lá.

—Taylor... obrigada por tudo. —Sussurro assim que desço do seu carro. —Mas por que você fez tudo isso?

—Eu tenho uma filha, Srta. Steele, e meu chefe... ele sabe se colocar em perigo mesmo sem perceber. —Taylor diz rindo. —Eu apenas ia gostar que cuidassem da minha filha se ela se machucasse.

—Você é uma ótima pessoa. —Digo sorrindo e lhe abraço. —Obrigada.

Solto Taylor e corro para o elevador, assim que chego em casa encontro Marcela e Alice brincando no sofá.

—Ah, meu Deus, Ana. Como você está? O Paul me ligou.

—Eu estou ótima. Tenho a cabeça dura. —Digo e ela revira os olhos.

—Você é maluca, sabia?

—Eu não sei. —Sussurro e ela gargalha.

—Eu tenho que ir, te vejo amanhã, e me liga se não estiver bem.

—Certo. O dinheiro está no envelope. —Murmuro lhe dando um beijo e vou me sentar com Alice.

—Bye, meninas. —Marcela diz sorrindo.

—Bye, tia Chela. —Alice sussurra mandando beijinhos.

Marcela sorri e pega o envelope na mesinha ao lado da porta antes de sair. Encaro Alice e ela semicerra os olhos me encarando com preocupação.

—O que foi?

—Você se maxicou?

—Um pouquinho, mas eu vou tomar uns remédios e ficar ótima. —Digo enquanto a recebo em meus braços.

—Mamãe... eu quenia só um piquinho de bolo. —Alice diz e eu reviro os olhos.

—Só um pouquinho? —Pergunto e ela balança a cabeça sorrindo. —E eu vou ganhar quantos beijos?

Mui bezos. —Alice grita antes de me atacar com beijos.

—Chega. Chega. Chega. —Digo afastando-a. —Você ganhou, vamos tomar um banho e ir comprar bolo.

—Eba! —Ela grita correndo para o banheiro.

Sorrio meio abobalhada. Ela está a cada dia mais esperta. E está crescendo rápido. É uma pena nossos pais estarem perdendo isso. Carla porque escolheu ir embora. Ela deixou claro que não queria uma vida assim, Alice tinha apenas alguns dias, e desde então eu cuido dela. E papai... bem, ele sempre está muito ocupado para nós. Mas isso vai mudar, assim que eu terminar a escola, eu vou embora com Alice, e eles não vão mais bagunçar nossa vida.

—Vem, mamãe. —Alice grita e eu sorrio.

—Eu estou indo. —Digo.

Quando entro no banheiro ela já está sem roupa e enchendo a banheira. Ela só esqueceu de fechar o ralo. Sorrio e faço isso enquanto ela pega seus brinquedos jogando na água. Jogo sabão na banheira e tiro minha roupa entrando com minha irmãzinha. Ela começa a brincar e eu fico olhando por algum tempo, até começar a lavá-la. Ficamos mais algum tempo para ela brincar mais e depois de vinte minutos finalmente consigo convencê-la a sair, apenas por causa do bolo.

Agasalho-a bem e nós saímos. A padaria não é tão longe então vamos andando. Eu vou escutando tudo o que Alice canta e diz, e fico apenas sorrindo meio abobalhada quando as pessoas olham encantadas para ela ou simplesmente brincam com ela.

Compramos o bolo que Alice escolhe e depois voltamos para casa do mesmo jeito. Alice sempre cantando e dançando no caminho todo. O porteiro abre o portão e Alice corre para abraça-lo antes de correr para o elevador. Dou um ‘boa noite’ e sigo-a antes que ela suba sem mim. Ela coloca sozinha o código do andar que moramos e eu me pergunto onde foi que ela aprendeu. E como eu não percebi isso antes?

Assusto-me quando as portas se abrem e eu vejo alguém sentado em frente a porta ao lado da nossa. Alice me olha preocupada e agarra minha perna. Começamos a caminhar e eu encaro o homem. Ele está usando um terno preto e está com a cabeça abaixada. Seus cabelos são meio grande e acobreados. É assustador.

Encaro preocupada quando ouço um chorinho baixo e percebo o bebê nos braços do homem. Alice me encara preocupada e começa a tremer o queixinho. Ela está com medo.

—Está tudo bem. —Sussurro afagando seus cabelos e seguro sua mão começando a me aproximar do homem. Sento ao seu lado e suspiro. —Oi... você está bem?

Ele levanta a cabeça e tudo o que vejo são lindos olhos cinzas.

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