Notas iniciais
Boa noite meeeus amores, estou muito feliz que estejam acompanhando mais uma FIC, e já quero dedicar essa cap as meninas que favoritaram ♥ Lih Andrade Isabella Fabri DannySantana CullenGrey TharyEvora KathSteeleGrey Mell Grey Nikki Becker Samia Gaby Obg por favoritar, suas lindas ♥ Boa Leitura ♥

Anastásia Steele

Ele levanta a cabeça e tudo o que vejo são lindos olhos cinzas. O bebê fica me encarando enquanto o homem olha para o teto. Ele suspira e eu o encaro preocupada.

—Senhor... você está bem?

—Não. Eu acho que não. —Ele sussurra com a voz embargada e eu sinto o cheiro de whisky.

—O que houve, você precisa de ajuda?

O homem gargalha e abaixa a cabeça virando-a em minha direção. Perco o folego com seu olhar cinza escuro e ele me fita parecendo surpreso. Umedeço os lábios com a língua e vejo seu olhar acompanhar o gesto, então rapidamente desvio o olhar para Alice que me lança uma careta.

—Eu não quis assustar vocês... eu só... —Ele começa a dizer, mas para olhando para o bebê que ainda está chorando.

—O que ele tem?

—Eu posso dizer o que ele não tem. Ele não tem uma mãe. Ele não tem leite. E ele... ele precisa de um banho. —Diz torcendo o nariz e Alice gargalha.

—Eu posso ajudar... se você quiser.

—Você sabe... bem...

—Sei. —Digo rindo e encaro o menino de olhos cinzas. —Me diz seu nome primeiro.

—Eu sou Christian Grey.

—Certo. —Digo me levantando e ajudo Alice a levantar.

Voxê... está tisxi? —Alice perguntando se aproximando de Christian que a olha confuso.

—Ela quer saber se você está triste. —Murmuro colocando a mão no ombro de Alice.

—Talvez um pouco... —Ele confessa olhando o bebê.

—Eu podo gividi meu cuco de nananja com voxê. —Alice diz e eu tenho que me conter para não rir.

—Deixa eu ajudar ele primeiro. —Curvo-me para pegar o bebê, mas acabo ficando a centímetros do rosto de Christian. Minha respiração acelerada e eu sinto minha boca secar, automaticamente começo a morder o lábio inferior e vejo o olhar de Christian escurecer ainda mais. —Eu... posso...

—Claro. —Ele diz me entregando o bebê meio sem jeito.

Sorrio envergonhada e me afasto rapidamente. Encaro o bebê e ele se espreguiça sorrindo.

Voxê é minha! —Alice diz cruzando os braços. Sorrio e encaro Christian se levantar. —Eu sou Anastásia Steele, e essa aqui é a Alice.

—Ela é minha. —Alice semicerra os olhos para Christian enquanto aponta o indicador.

—Entendi. —Christian diz levantando as mãos.

—Ela é meio possessiva, não se preocupe.

Abro a porta e dou espaço para Alice entrar; fico esperando Christian passar, mas ele para novamente a centímetros de mim e eu perco o folego novamente, ele fita meu rosto com cuidado e então balança a cabeça antes de entrar e olhar a sala com cuidado. Entro e chuto a porta com o pé enquanto meus batimentos voltam ao normal.

—Você pode sentar. Alice. Você pode ir por seu pijama. —Murmuro caminhando até o balcão da cozinha.

—Eu podo axissir Jack Fost, mamãe? —Alice pergunta e eu suspiro

—Uma única fez, agora saí!

Alice balança a cabeça rindo e corre em direção ao quarto. Reviro os olhos e encaro Christian que está me olhando de forma curiosa.

—Ela é sua filha? Você tem quantos anos?

—Eu tenho 17, e não. Ela não é minha filha. É minha irmã. Sua vez. —Murmuro caminhando até o armário e pego uma mamadeira de Alice.

—Eu tenho 24, e ele é meu filho. —Murmura e eu me viro vendo-o encolher os ombros.

—Eu não estou falando disso. —Digo rindo. —O que aconteceu? Com você e o bebê?

—Isso é importante?

—Ah, talvez não... eu encontrei um cara estranho sentado numa porta ao lado da mim, meio bêbado, bebê chorando... assustador.

—Assustador... —Christian diz e posso ver a sombra de um sorriso. —Eu perdi minha mulher... acidente de carro. Eu nunca fui próximo desse carinha... então eu me vi sozinho com ele, eu não sei como agir.

—Você a amava? —Pergunto enquanto ponho o leite para esquentar.

—Não. Eu odiava ela. —Sussurra me pegando de surpresa.

—E por que você está triste?

Viro-me e encaro Christian. Ele balança a cabeça confuso e me encara.

—Por que eu estou conversando com uma adolescente?

—Ui, isso foi golpe baixo. —Sussurro me fingindo de ofendida. —Vamos lá, Chris. Eu não vou espalhar para o mundo que... você provavelmente tinha um casamento arranjado e não sabe nem trocar uma fralda!

—Ninguém me chama por apeli... que porra! Como você sabe disso? —Christian pergunta bravo e eu gargalho.

—Eu joguei verde, e você colheu. —Sussurro sorrindo e pego a mamadeira despejando o leite já quente. —Vem aqui me ajudar.

Christian suspira e se levanta se aproximando, entrego o bebê a ele e coloco a farinha láctea no leite, tampo a mamadeira e pego novamente o bebê. Caminho até o sofá e me sento começando a amamenta-lo. Encaro Christian e ele balança a cabeça negativamente enquanto nos olha.

—Qual o nome dele? —Pergunto agora encarando o bebê.

—Arthur. —Sussurra olhando para o chão. —Ele tem cinco meses.

—Ah, você é uma graça, Arthur.

Ganho um lindo sorriso banguela e meu coração simplesmente explode de amor, mas então sou pega no flagra por Alice. Ela semicerra os olhos e se começa a se aproximar.

Voxê não ama mais a neném? —Alice pergunta fazendo beicinho.

—Ah, mas é claro que eu te amo, neném. —Sussurro. —Eu só estou ajudando o Arthur. Você pode cuidar do Christian.

Você axissir comigo? —Alice se vira para Christian que a olha sem saber o que fazer.

—Eu... eu não conheço desenhos.

—Eu mosto pa voxê. —Diz se aproximando e segura a mão de Christian.

—Pode ir com ela, eu tomo conta dele. —Sussurro sorrindo.

Christian apenas balança a cabeça antes de ser arrastado por Alice... e eu penso em como deveria me preocupar sobre minha irmã de três anos levar um desconhecido para seu quarto. É, eu tenho um pequeno problema com isso, mas... eu sinto que Christian é diferente... eu pude notar em seu olhar. Eu não acho que ele seja um psicopata... ao menos eu nunca vi um que segura um bebê e não sabe o que fazer.

Balanço a cabeça e suspiro encarando Arthur.

—Você acha que eu sou louca por querer ajudar todo mundo? —Pergunto e Arthur apenas sorri. —É... eu também acho que não.

Fico mais um tempinho ninando Arthur e logo ele dorme, então pego sua bolsa que Christian largou no chão e troco sua fralda. Pobre Arthur... é difícil ficar sem mãe. E pobre Christian. Ele realmente não parece ter jeito com crianças. Que tipo de adulto não conhece desenhos? Isso é inaceitável. Bem... talvez eu seria esse tipo de adulta...

Eu nunca liguei para desenhos, então Alice me foi entregue de bandeja. Quando eu percebi tudo que eu sabia, ou fazia estava relacionado a ela. Os brinquedos pela casa... as fotos nas paredes... as nossas pequenas aulas de balé. Eu não posso entender esse amor tão forte, eu só sei que antes de vê-la eu já sabia que a amava, então quando eu a segurei pela primeira vez, também foi a primeira vez que meu coração foi completamente roubado. E hoje eu me apaixono pela mesma pessoa a cada novo dia.

Deixo os pensamentos de lado e decido ir ver minha irmã. Levo Arthur para o meu quarto e deixo ele sobre a minha cama colocando alguns travesseiros do lado para ele não rolar e cair, então vou atrás da minha irmã e do cara estranho da porta.

Paro na porta do quarto de Alice e vejo a cena mais linda do mundo; Christian sentado na poltrona de Alice e ela em sua perna. Minha princesinha está recostada em seu peito e eu posso notar que ele está meio enrijecido por isso, mas há algo em seu olhar...e ele parece estar gostando de tê-la em seus braços.

—Ela dormiu faz tempo? —Pergunto e Christian dá um leve sorriso de canto me pegando de surpresa.

Ele sabe sorrir, então?

—Eu acho que sim. Ela me mostrou todos os seus personagens favoritos, e me contou sobre a importância de acreditar em algumas coisas. —Christian diz balançando a cabeça.

—Eu não sei de onde ela tira isso. —Murmuro me sentando na cama de Alice. —Você está bem? Quer conversar?

—Eu não costumo fazer isso. Tudo que eu faço é dar...

—Ordens. —Completo e ele me encara curioso.

—Você me conhece?

—Não, você só tem carinha de mandão mesmo. —Digo e ele lá está seu sorriso novamente. —Foi difícil perde-la?

—Não. Eu nunca a amei, mas meus pais insistiram que nós deveríamos estar juntos. Ela sempre foi um porre! Eu sabia sobre traições, e nunca me importei.

—E por que você estava com ela?

—Eu não tenho certeza.

—Você precisa amar uma pessoa para estar junto. —Encolho os ombros e ele me encara.

—Isso não é verdade. Nem sempre o amor é real.

—Christian, o amor é real. Em todas as situações. Amor é amor, as pessoas que são falsas.

—Você acha mesmo isso?

—Eu sei disso.

—Provavelmente sua vida é um conto de fadas. —Ele diz com desdém.

—Bem... se ser abandonada pela mãe, ter o pai mais ausente do mundo, e ter uma irmãzinha que precisa de você para tudo, conta como conta de fadas. Então sim... é um conto de fadas ótimo, e eu tenho a melhor princesa do mundo. —Sussurro olhando para Alice.

—Eu não sabia... sinto muito.

—Eu não sinto. Minha mãe nunca gostou de nós duas, e eu tenho pena dela. Ela nunca vai poder compartilhar a companhia maravilhosa da Alice. E meu pai... está vivendo a vida dele, ele é General, então nunca está em casa, tudo que faz é mandar dinheiro toda semana. Nós não precisamos dele.

—Por que isso não parece ser verdade? —Christian pergunta encarando meus olhos e eu sinto o folego faltar no mesmo momento que começo a morder meus lábios.

Suspiro e desvio o olhar. Eu não preciso falar disso. Assim como não preciso deles. Nem eu, nem Alice.

—É verdade. —Digo desviando o olhar.

—Não é só porque você acredita em algo que torna isso verdade.

—Você não tem nada a ver com isso. —Falo de forma ríspida e tomo Alice de seus braços colocando-a na cama. —É melhor você ir embora.

—Você está brava comigo? Eu não fiz nada.

—Olha, seu bebê está no quarto do lado, só vai embora. —Murmuro tentando controlar a vontade de chorar.

—Ei... olha para mim. —Christian se aproxima e abaixa ao lado da cama segurando minhas mãos. —Eu não queria te ofender, ou tocar em algo tão pessoal, eu sinto muito. Você é bem sensível.

—Ah, você é um monstro. —Tento me manter séria, mas acabo sorrindo. —Certo. Você pode ficar mais um pouco. Eu posso te ensinar a fazer mamadeiras.

—Minha governanta faz isso. —Diz como se fosse óbvio e eu reviro os olhos.

—Então vamos fingir que somos amigos e conversar sobre qualquer coisa até você ir embora e eu me perguntar por que uma pessoa completamente estranha entrou na minha casa.

Levanto-me e saio andando do quarto até a sala e sento-me no cantinho do sofá. Eu não entendo como pude ficar tão brava. Meus pais não se importam comigo, e eu não quero me importar com eles. Mas toda vez é isso, eu sempre acabo chorando e me perguntando o porquê de eles não estarem comigo. Não que eu não ame Alice, mas eu não escolhi ser mãe da minha própria irmã. Ela depende de mim para tudo, e todas as expectativas e sonhos dela estão em cima de mim. É assustador ter um serzinho tão dependente de você.

Toda hora eu penso em como posso falhar com ela, da mesma forma que meus pais falharam comigo. Ela não merece passar por isso.

—Você está bem, Srta. Steele?

—Ana... —Sussurro encolhendo os ombros. —Você acha que eu estou errada em sentir falta deles?

—Seus pais? Claro que não. —Christian bufa e caminha até o sofá sentando-se na outra ponta. —Pais deveriam cuidar dos filhos, não é?

—Eu não tenho certeza disso. Os meus nunca cuidaram de mim. Eu sempre tive babás... e às vezes sinto que estou fazendo o mesmo com Alice. Eu sempre fico longe dela... a babá dela a conhece melhor do que eu.

—Isso não é sua culpa... ela não deveria ser sua responsabilidade.

—Mas ela é, e eu estou falhando nisso. Eu não quero que ela cresça e se torne alguém como eu.

—Alguém como você? —Christian pergunta extremamente confuso. —Uma garota doce que ajuda as pessoas?

—Eu não sou doce... e eu ajudo as pessoas para suprir tudo o que meus pais não foram para mim. Olha, você realmente deve ir embora. Eu não vou chorar na sua frente. Saia daqui, por favor.

Levanto-me e dou as costas para Christian, mas logo sinto suas mãos segurando meus ombros segundos depois. Ele me vira com cuidado e toca meu rosto devagar. Sinto minha pele pinicar sobre seu toque e algo novo se acender dentro de mim. Ganho um sorriso de canto e para não devolver olho para o lado.

—Eu vou embora, não precisa implorar... e obrigada por me ajudar com o Arthur. Eu acho que ele gosta de você.

—É, tudo bem. —Nem ao menos o olho. Eu não tenho essa coragem com ele tão próximo.

Sei que ele está sorrindo, mas continuo olhando para o lado, então ele me solta e me dá as costas. Agora eu posso olhá-lo e o encaro ir em direção ao quarto e voltar minutos depois com Arthur nos braços e a bolsa do bebê pendurada no ombro. Viro o rosto novamente e posso ouvir um riso abafado.

—Boa noite, Srta. Steele. —Christian murmura ainda parado.

—Boa noite, Sr. Grey. —Sussurro e o acompanho com o olhar até a saída.

Caminho até a porta e fecho-a recostando-me sobre a mesma. Escorrego até o chão e abraço minhas pernas contra meu peito. Isso não é certo, uma pessoa não deveria desconsertar outra dessa forma. Encosto a cabeça na porta e respiro fundo. Por quê? Por que agora? Eu estava indo tão bem e ganho um vizinho desses? O que foi que eu fiz de errado para o mundo fazer isso comigo?

Na verdade, eu acho que Christian só está impulsionando todos os outros sentimentos. Mesmo estando em uma situação ruim, ele não deixou Arthur sozinho, e meu pai, bem, a primeira coisa que ele fez quando Carla foi embora, foi se ausentar, se ausentar ainda mais.

Eu não posso ser assim com Alice... talvez eu deva parar diminuir os dias na ONG. Talvez eu deva leva-la mais ao parque e fazer as coisas que ela gosta... ou talvez... eu deva começar a agir como a mãe dela. Porque é isso que eu sou.

Levanto-me e caminho até o quarto da minha irmã, sento-me em frente a sua cama e acaricio suas bochechas rosadas.

—Não se preocupe, neném. Eu estou com você para sempre. A Ana ama você. Muito.

—A Anice ama a mamãe. —Alice sussurra e eu sorrio com os olhos marejados.

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Arthur