Notas iniciais
Olá, meninas ♥ ♥, desculpe-me por não poder responder os comentários, eu ando sem tempo, mas estou lendo todos ♥ Capítulo dedicado a GRCA e JusAGirl, obg por favoritarem ♥ Boa leitura ♥

Anastásia Steele

Remexo-me na cama e suspiro ao sentir Alice grudada e mim. Por mais que eu conviva com essa criaturinha há três anos, eu jamais vou estar preparada para as noites de febre. Ela fica bem chatinha, só durante essa noite acordou uma quatros vezes, e ela estava tão mal, que pediu para tomar remédio. Eu jamais pensei que poderia ver uma criança pedindo para tomar remédio.

Abro meus olhos lentamente e sorrio envergonhada ao encontrar Christian sentado ao meu lado me encarando. Ele sorri e estica o braço acariciando meu rosto.

—Bom dia.

—Bom dia. —Sussurro rouca. —Onde está o Arthur?

—Com Gail, mamando.

—Hm... eu poderia continuar aqui. —Remexo-me e Alice se agarra ainda mais.

—Com a Macaquinha? —Ele pergunta sorrindo e eu apenas fecho os olhos. —Eu tenho que ir para casa. Meu pai provavelmente já foi embora.

—Vocês podem ficar aqui comigo. Eu gostaria disso.

—Sim, seria maravilhoso, mas é melhor irmos com calma. E eu tenho aula. A Alice também.

—Certo, mas eu posso levar vocês a aula?

—Claro que sim. —Digo sorrindo e me sento ajeitando Alice em meus braços. —A febre abaixou.

—Ela está cansadinha. —Christian acaricia o rosto de Alice e logo ela abre os olhos. —Oi docinho.

—Oi. —Diz timidamente indo para seus braços.

—Hora do seu remédio. —Pego o remédio na cômoda e Alice abre a boca para eu pingar as gotinhas.

—Mamãe, eu não quéia ir pana escolinha.

—Neném, você precisa ir, a tia Marcela não vai poder ficar com você hoje. E você já está melhor.

—Eu posso ficar com ela se você quiser... eu não tenho que ir para a empresa hoje. E ela está cansada.

—Tem certeza que quer ficar sozinho com a Alice e o Arthur? —Pergunto arqueando a sobrancelha.

—Talvez... Gail me ajude.

—Com certeza. —Levanto-me e me empreguiço enquanto Christian me observa. —Tudo bem, ela pode ficar, mas assim que eu chegar da aula nós vamos para casa. Certo Alice?

—Sim.

—Certo, Christian?

—Certo. —Ele murmura revirando os olhos.

Curvo-me e dou um beijo em Alice e outro em Christian, pego as chaves da minha casa no criado mudo e saio do quarto. Sorrio ao entrar na sala e encontrar Gail dando mamadeira para Arthur.

—Bom dia, Gail. —Sussurro sorrindo.

—Bom dia, menina. —Ela diz com carinho. —Já está indo?

—Me preparar para o colégio... Gail, a Alice precisa tomar o remédio, e o Christian quer ficar com ela...

—Certo, eu dou o remédio.

—Você é a melhor. Obrigada. —Dou um beijo em Gail e outro em Arthur e saio antes que ele comece a chorar.

Entro em casa e assusto-me ao ver meu pai no meio da sala falando ao celular. Ele está de costas, mas quando penso em me virar, sou pega no flagra.

—Annie? —Ele pergunta confuso. —Onde está a Alice?

—Hã... —Balbucio tentando pensar em alguma coisa. —Está na casa da minha amiga.

—Amiga?

—É, a Marcela não estava em casa, eu fiquei com uma amiga que mora no décimo andar.

Essa é pior mentira que eu já disse. Eu nem sei quem mora no décimo andar. E por que diabos eu estou dando satisfações a ele?

—Eu só vim pegar umas coisas, pensei que você já tinha ido. —Passo por ele e vou até o quarto sendo seguida.

—Eu já estou de saída, Annie. Você precisa de alguma coisa?

—Eu tenho dinheiro, o que mais poderia precisar de você? —Pergunto de forma fria e ele me olha chateado.

—Eu comprei um celular novo... e uma boneca para Alice. Dê um beijo nela por mim.

—Olha, Ray, a Alice não sabe quem você é. Entendeu? Ela acha que eu sou a mãe dela. E eu não quero que ela pense de outra forma. —Digo encarando-o. —Eu cuido dela, e você e aquela vadia ficam longe!

—Não diga assim da sua mãe!

—Ah, sinto muito se ela fugiu com outro homem. Vadia. —Murmuro me virando. —Agora me dê licença.

—Eu não queria que as coisas fossem assim...

—Não? E por que você me deixou, Ray? Por que você foi embora e ficou longe de mim por tanto tempo?

—Eu só não sabia como agir... eu não percebi que você precisava de mim.

—Ah, não me venha com essa! Só vá embora logo.

—Annie...

—Olha, você está perdendo seu tempo. É melhor você ir.

Dou as costas para ele novamente e não ouço mais nada. Prendo as lágrimas e quando me viro ele já não está mais lá. Apenas ouço a porta batendo. Suspiro e empurro meus travesseiros para o chão jogando-me na cama. Eu não vou chorar por isso. Não vou. Ele não quis ficar comigo, e isso não importa mais. Eu não posso chorar por ele. Não mais.

Levanto-me e vou tomar um banho e me arrumar para o colégio.

➳➳➳➳

Saio do closet e caminho até minha penteadeira pegando meu gloss labial e meu rímel. Caminho até o espelho e começo a passar.

—Anastásia eu... —Viro-me assustada e me deparo com Christian na porta do quarto boquiaberto. —Você vai assim para o colégio?

—Alguém problema? —Pergunto voltando minha atenção para o espelho.

—Essa sai está muito curta.

—Você não está com ciúmes, está? —Encaro Christian através do espelho e vejo seu olhar escurecer.

Com cuidado ele se aproxima e se coloca atrás de mim; seu olhar preso ao meu através do espelho, então com cuidado ele toca meu ombro com as pontas de seus dedos e os arrepios evidentes estão lá, enquanto ele escorrega sua mão pelo meu braço e logo alcança a bainha da minha saia, fazendo meu coração disparar.

—Ciúmes de alguém olhar para suas pernas? —Ele sussurra em meu ouvido e eu jogo a cabeça para trás sentindo o desejo crescer. Sua mão direita começa a subir por debaixo da saia, enquanto ele usa a esquerda para me manter presa. —Então alguém poderia chegar aqui.

Solto uma pequena exclamação de surpresa quando sua mão invade minha calcinha sem esforço algum, mas eu não recuo ou fujo, apenas deixo acontecer. Lentamente seus dedos vão de encontro ao meu clitóris. Sua barba roçando levemente em meu pescoço enquanto ele brinca comigo de forma lenta.

Sinto meu corpo entra em combustão. Arrepios atrás de arrepio. Sua respiração tão próxima ao meu ouvindo, então ele puxa a mão e eu abro os olhos assustada.

—Sem ciúmes, Srta. Steele. Te espero lá em casa. Eu só vim pegar uma roupa para Alice, e a mamadeira.

Christian sorri e me dá um beijo na nuca antes de se afastar e sair do quarto deixando-me completamente desconsertada. Mordo o lábio e caminho até a cama para me sentar um pouco, completamente atordoada. Esse homem deveria ser um crime. Respiro fundo várias vezes antes das minhas pernas – que parecem mais gelatinas – voltarem ao normal. Termino de me arrumar, calço meu sapato e pego minha mochila.

Suspiro ao chegar a sala e ver o celular e a boneca que Ray comprou. Pego o celular e guardo na minha bolsa, então pego a boneca e saio fechando o apartamento com a chave. Entro no apartamento de Christian e sorrio ao vê-lo sentando no chão com Alice brincando de LEGO. Aproximo-me e sento ao lado de Alice.

—Filha, isso é para você. —Sussurro entregando a boneca. —Foi o papai que deu... sabe, nosso pai?

Ela aceita a boneca, mas me olha sem entender nada, simplesmente me ignora e volta a brincar com os LEGO, suspiro e encaro Christian que me oferece um sorriso de canto, mas desvio o olhar rapidamente. Minhas bochechas queimam só de lembrar o que houve lá no quarto.

—Certo, neném. Agora eu vou levar sua mamãe para a escola, e depois vou voltar para passar o dia com você. —Christian abraçando Alice que gargalha de felicidade. —Vamos, me dê um beijo.

Alice sorri vergonhosa e planta um beijinho rápido nos lábios de Christian. Sorrio meio abobalhada com a cena. Ela adora ele. E isso mexe muito comigo. Recebo Alice em meus braços e ganho um beijinho também, depois ela me abraça e torna a brincar. Despeço-me e saio com Christian.

Ele segura minha mão firmemente no elevador, e eu juro que posso quase tocar toda a eletricidade que percorre o pequeno espaço que estamos. Mas ele nem se quer me olha, e começo a achar que ele está fazendo de propósito. Droga. É por causa da saia. Eu sei que é. Eu deveria ter colocado a merda de uma calça.

—Vamos? —Diz me fazendo acordar e eu percebo que já chegamos na garagem. Balanço a cabeça e sigo com ele até seu carro, ele me oferece um sorriso e eu sinto minha respiração falhar. Num passo ágil ele me recosta na lateral do carro e se aproxima, eu fecho os olhos, mas tudo que ele faz é abrir a porta. —Srta. Steele?

—Obrigada, Sr. Grey. —Sussurro forçando um sorriso e entro no carro, mas faço questão de deixar a saia subir um pouco e abrir mais a perna. Seu olhar fica escuro e ele bate porta me fazendo rir.

—Eu preciso do endereço. —Pede de forma fria e eu me curvo um pouco deixando o decote da minha blusa ainda mais evidente. Digito o endereço no GPS e me afasto oferecendo-lhe um sorriso.

—Você sabe que está brincando com fogo, não é?

—Eu pensei que estava indo para a escola. —Sussurro me fazendo de inocente e franzo o nariz risonha.

—Claro. Escola. —Murmura arrancando com o carro.

Não trocamos nenhuma palavra no caminho até o colégio. Vamos apenas ouvindo música, e vez ou outra Christian dá um leve apertão no meio joelho, sempre subindo um pouco a mão, mas como ele gosta de brincar, eu finjo não ver. Suspiro quando estacionamos em frente ao colégio e eu vejo tantas pessoas.

Ah, o fim de semana foi tão bom. Eu só queria continuar em casa com Christian. Pela primeira vez eu sinto isso, essa vontade de ficar o dia todo abraçada a alguém. Alice é quem teve sorte, mas ainda acho que ela consegue tudo por causa do seu jeitinho fofo e aqueles olhinhos.

—Te pego mais tarde? —Christian pergunta e eu suspiro balançando a cabeça.

Aproximo-me dele com cuidado e o vejo enrijecer, então apenas dou um beijo casto em sua bochecha. Ele solta um riso abafado e eu me afasto fazendo-me de inocente.

—Até mais tarde, Sr. Grey. —Sussurro sorrindo e desço do carro. Fecho a porta e aceno antes de me virar e ir em direção ao prédio.

—Anastásia. —Sorrio ao ver José correndo na minha direção e me abraçar de forma apertada. Ele me põe no chão e eu vejo o carro de Christian parado, mas ele logo arranca... e pela forma que faz isso, acho que está furioso. —Tudo bem?

—Hã... sim. —Digo mordendo o lábio. —Como você está?

—Bem. Eu passei na ONG ontem, você não estava. —José murmura enquanto andamos.

—Eu estava... —Começo a falar, mas suspiro ao ver meu celular tocar. É Christian. —José, me dá um minuto.

—Certo.

Afasto-me um pouco e atendo o celular.

—Quem é ele? —Christian pergunta de forma ríspida do outro lado e eu suspiro.

—Apenas um amigo. —Sussurro e então ele desliga sem dizer mais nada. —Droga.

Por que ele está com raiva de mim? Eu não fiz nada, e não imaginaria que José iria me dar um abraço assim. Aliás, José quase nunca me abraça. Sinto um leve toque e me viro vendo José.

—Vamos? —Ele diz sorrindo.

—Olha só, vai indo na frente, eu preciso ligar para alguém. —Sussurro encolhendo os ombros.

José sorri e se aproxima tentando me beijar, mas eu o empurro, assustada. Ele sorri ainda mais e me olha de cima a abaixo. Mas que diabos! Ele está dando em cima de mim? Logo agora? Inferno! Encaro-o sair andando e de repente me sinto insegura. José nunca foi assim, por que simplesmente resolveu agir como um babaca?

Fico parada por segundos até discar o número de Christian.

—Anastásia? —Ele sussurra do outro lado, e realmente acho que esteja bravo.

—Christian. —Sussurro tentando soar mais natural possível. —Você pode vir me buscar? Por favor. Eu quero ir para casa.

—O que você tem?

—Nada. Eu só quero ir para casa.

—Anastásia, você precisa ficar na aula. Eu estou ocupado agora. Não tenho como pegar você.

—Mas...

—Mas?

—Nada. Desculpe. —Desligo o celular e guardo no bolso sentindo meu coração se apertar.

Ele me rejeitou... eu não posso acreditar nisso. Ele acabou de me rejeitar. Sinto as lágrimas vindo de forma incontrolável e apenas corro para dentro da escola em direção ao banheiro. Tranco-me em um dos boxes e escorrego até o chão sentindo tudo doer. Ele me rejeitou. Como meu pai fez. Como minha mãe fez. Eu não posso acreditar. Não posso.

Fico por minutos chorando e só para quando o sinal toca, levanto-me secando as lágrimas e saio do banheiro me deparando com uma garota morena.

—Você está bem? —Ela sussurra preocupada.

—Estou. Eu só tenho que ir para a aula. —Murmuro limpando a maquiagem borrada na frente do espelho.

—Você estava chorando... aconteceu alguma coisa?

—Não. Só problemas bobos. Eu vou ficar bem. Até logo.

Forço um sorriso e caminho para a saída, mas posso notar seu olhar de preocupação. Por algum motivo ela até me lembra Christian... alguém que eu não quero lembrar. Caminho em direção a minha sala e me apavoro um pouco a ver José. Ele está parado na porta da minha sala.

Droga! Ele não vai me deixar em paz?

Continuo caminhando e tento entrar na sala, mas ele segura meu braço e eu tenho que me controlar para não gritar com ele.

—José, me solta. —Peço impaciente.

—Adoro quando você fica assim, nervosinha.

—Qual o seu problema, garoto? —Pergunto puxando meu braço e o empurro para entrar na sala.

Caminho até a minha mesa e me sento abaixando a cabeça sobre a mesma. A aula logo começa a eu posso ouvir a professora falando, mas não consigo simplesmente levantar a cabeça, por algum motivo eu estou me sentindo horrível. Tudo está doendo. Eu ainda não consigo acreditar que Christian não quis vir. Ele não pode estar aqui quando eu precisei.

Eu realmente deveria ter me policiado mais. Eu acho que estou indo rápido demais com tudo isso. Talvez seja melhor me manter longe. Eu não posso simplesmente derramar todas os meus medos em cima de uma pessoa que acabei de conhecer. Isso nunca vai dar certo. Sem contar, que talvez, eu nunca consiga entender a forma como ele ficou com raiva de mim sem eu ter feito nada. Se ele for assim, eu simplesmente não vou conseguir lidar.

—Srta. Steele? —Levanto a cabeça e percebo a professora e toda a classe me olhando. —Você está bem, querida?

—Eu posso sair? —Pergunto tentando não chorar.

—Claro... vá tomar uma água.

Levanto-me rapidamente e pego minha mochila saindo da sala o mais rápido possível. Corro pelos corredores da escola até o ginásio. Eu sei que ele está vazio essas horas, e tudo que eu preciso é ficar sozinha. Caminho até a arquibancada e me sento em um dos degraus.

As lágrimas começam a cair, e eu simplesmente deixo acontecer. Eu deixo toda dor sair, e fico assim por alguns minutos, até ver José entrando no ginásio. Suspiro e enxugo minhas lágrimas. Ele sorri e se aproxima sentando ao meu lado, muito próximo até. Tento me afastar, mas ele segura meu joelho apertando de uma forma que chega a me machucar.

—O que você está fazendo? —Pergunto encarando-o boquiaberta.

—Ah, vamos lá. Você sabe que eu sempre fui afim de você. —José diz sorrindo com malicia.

—Para! —Digo firme enquanto tento conter meu medo.

—Anastásia, não venha se fazer de santa. Você é a aluna mais popular daqui, já deve ter ficado com pelo menos metade da escola.

—Para com isso! —Não consigo me mexer pelo pavor, acho que estou travada. —José...

—Vamos lá, não vai doer. Eu vou ser bonzinho com você. —Ele sussurra enquanto sobe sua mão por debaixo da minha saia e eu só me sinto mais paralisada.

—Não. —Digo chorando e o empurro. Tento me levantar, mas ele segura meu pulso e nesse momento ouço um pequeno estalo vindo do mesmo e uma dor intensa. José se levanta e segura meu cabelo puxando.

—Não se faça de difícil, eu sei a vadia que você é! —Ele diz e eu me sinto horrível. Com nojo de mim mesma.

—O que você está fazendo? —Viro-me assustada e vejo a garota do banheiro com um menino ao seu lado.

Nesse momento José me solta e eu desço correndo da arquibancada deixando minha mochila para trás. Entro correndo na escola enquanto as lágrimas caem como um turbilhão. Eu me sinto horrível. Como nojo. Nojo de mim mesma. Ninguém nunca me tocou dessa forma. Dessa forma... tão doentia e assustadora. Nem sequer me tratou assim. Eu me sinto imunda.

Choco-me contra alguém e vejo que é a Sra. Cavalcante, diretora do colégio.

—Anastásia, querida. O que aconteceu. —Ela pergunta preocupada.

—Ele... —Sussurro soluçando de tanto chorar. —Ele me tocou...

—Quem fez isso? —Carol pergunta transparecendo sua raiva. —Quem tocou você?

—Eu... eu... —Tento dizer, mas minha cabeça está tão confusa que tudo que eu consigo fazer é chorar.

—Foi esse babaca aqui! —Viro-me apavorada e vejo José com a menina e o garoto.

—Não! —Grito recuando e caio no chão. —Não. Por favor. Tira ele daqui!

—Levem ele para a minha sala! —A diretora diz enquanto se abaixa tentando me acalmar. Ela segura meu rosto e eu a encaro com pavor. —Querida, por favor. Respira fundo, ok? Está tudo bem. Eu estou com você.

—Eu... eu quero ir para casa. —Peço soluçando.

—Está tudo bem, eu só quero levar você para a enfermaria e depois você vai para casa. —Ela sussurra tentando me acalmar e eu balanço a cabeça.

Carol me ajuda a levantar e eu vejo que estamos sozinhas no corredor, ela me leva em direção a enfermeira e eu percebo que olho constantemente para os lados, com o pavor ainda tão presente. Na enfermaria a médica cuida do meu pulso e diz que ele está apenas aberto e eu vou ter que usar uma órtese. Ela coloca em mim e assim que faz isso eu saio da enfermaria correndo.

Eu só preciso ir para casa, ficar com Alice, e tudo ficará bem.

—Anastásia? —Viro-me assustada e vejo a menina que pegou José, se aproximando com a minha mochila. —Toma.

—Obrigada. —Sussurro soltando pequenos soluços.

—Você vai para casa sozinha?

—Eu vou ficar bem. —Murmuro lhe dando as costas.

—Eu sou Mia. —Ela grita e eu apenas a encaro. —Se você precisar de alguma coisa... me preocupara.

—Obrigada, Mia. Eu vou ficar bem. —Sussurro querendo sair daqui o mais rápido possível.

Ando pelos corredores rapidamente e chego a saída. Enquanto ando olho para todos os lados, me sentindo a pessoa mais insegura do mundo. Eu tenho nojo de mim mesma. E a forma como ele me tocou... as coisas que ele me disse... isso não sai da minha cabeça.

Apavoro-me quando vejo um carro parando ao meu lado, e então, o vidro abaixa e eu encontro Kate.

—Ana? Você está bem? —Ela pergunta e de repente as lágrimas se tornam ainda mais fortes. —Entra no carro. Eu vou te levar para casa.

Respiro fundo e dou a volta no carro entrando ao seu lado. Encolho-me no banco e fecho os olhos repassando tudo que aconteceu novamente.

—Anastásia, eu estou preocupada, você pode me dizer o que aconteceu? —Ela pergunta e eu sinto-me suja novamente.

—Um garoto... —Sussurro enquanto meu coração acelera. —Eu estava sozinha no ginásio e ele entrou... ele começou a subir a mão pela minha saia.

—Ah, meu Deus! —Kate grita freando o carro e nos joga para frente. Ela me encara furiosa. —Ele tocou em você?

—Eu não queria, Kate. Não queria. Ele me disse coisas horríveis. Ah, meu Deus! Eu me sinto tão suja.

—Você contou a alguém?

—A diretora. Ela sabe.

—Por Deus! E Christian?

—Não! —Grito apavorada.

Eu não quero que ele saiba disso. Ele já me rejeitou uma vez. Se ele souber sobre José, ele pode me rejeitar novamente. A culpa é minha. Eu deixei José me abraçar daquela forma... nós éramos amigos, mas eu nunca... nunca poderia imaginar.

—Eu não quero que ele saiba, Kate. —Sussurro fungando. —Eu só quero ir para casa. Ficar com Alice.

—Ana... —Ela suspira e começa a dirigir novamente. —Você precisar contar a ele. E você tem que ir na delegacia. Isso não pode acontecer novamente.

—Eu só quero ir para casa.

Não trocamos nenhuma palavra até o caminho. Tudo que eu faço é ficar encolhida no banco tremendo enquanto as lágrimas caem. Se meu pai estivesse aqui, se ele fosse presente, ele iria me proteger. Eu ligaria para ele, seria a primeira coisa que eu iria fazer, então ele viria correndo e cuidaria de mim, mas isso nunca vai acontecer. Ele nunca vai ser presente na minha vida.

Seco as lágrimas quando Kate estaciona em frente ao edifício.

—Você tem que prometer que não vai contar a ele. —Murmuro encarando-a.

—Ana...

—Promete, Kate. —Digo firme e ela suspira.

—Eu prometo, mas amanhã, eu vou levar você na delegacia. E você não vai me fazer mudar de ideia.

—Eu vou pensar. —Sussurro depois de alguns segundos. Desço do carro e aceno até ela se afastar.

Viro-me rapidamente e entro no prédio apenas com a necessidade imensa de ficar ao lado da minha filha. Minha princesinha. Eu só quero abraça-la, para que ela saiba, que se um dia, alguém a tocar, ou falar coisas horríveis a ela. Eu vou estar ao lado dela para protege-la. Alice nunca estará sozinha.

As portas do elevador se abrem já no último andar e eu sinto meu coração acelerar ao ver Alice saindo da casa de Christian com Gail.

—Mamãe. —Alice grita e eu me sinto tão melhor.

—Srta. Steele... você não deveria estar na aula? —Gail pergunta, mas eu não consigo simplesmente responde-la.

Caminho até Alice e puxo-a para os meus braços, e como sempre, ela sabe que estou mal, porque ela me dá um dos seus super abraços. As lágrimas começam a cair, e mesmo com Gail me chamando, eu vou para casa, abro a porta e depois que entro tranco e vou para o meu quarto com Alice. Ela me encara preocupada e acaricia meu rosto.

—Mamãe está tisxi? —Ela pergunta com sua inocência.

—Eu só preciso de muitos abraços. —Sussurro tentando não chorar, mas é tão inevitável.

Alice sorri e se aproxima para me abraçar.

Não se preocupe Alice, ninguém nunca vai te ferir. Eu prometo.