O Cara do Apartamento ao Lado
7 Pedido Especial
Notas iniciais
Christian Grey
Eu me sinto um idiota por sentir tanto ciúmes de Anastásia, e ainda mais por não ter ido busca-la. Eu estou na droga de uma reunião de última hora. Eu nem sequer pude ficar com Alice. Ela vai ficar chateada comigo, eu sei que vai. Eu odeio quebrar promessas que faço a ela.
Suspiro e encaro meu celular vibrando, é Taylor. Peço licença por um minuto e saio da sala de reuniões deixando Ross no comando.
—Taylor? —Digo ao atender.
—Sr. Grey, a Srta. Steele já está em casa.
—O que? Como assim? Ela deveria estar na aula. —Murmuro tentando me manter calmo. —Me deixa falar com ela.
—Ela não está aqui. A Sra. Jones estava saindo com a Alice, ela chegou, pegou a menina e não disse nada, simplesmente foi para casa, ela nem sequer veio aqui pegar as coisas. A Gail disse que ela não estava bem.
—Droga. Taylor eu estou indo para casa!
Desligo o celular e encaro Andrea que está me olhando preocupada.
—Tudo bem, Sr. Grey?
—Andrea eu vou para casa. Avise Ross, diga para ela me ligar se algo acontecer.
Maldita hora em que eu resolvi não buscá-la na escola! Mas que diabos pode ter acontecido? Ela deveria ter me ligado se algo estivesse errado..., mas ela fez isso. Eu sabia que não estava tudo bem, mas mesmo assim, eu deixei a raiva falar mais alto. Que droga! Tudo porque não consigo controlar a droga de ciúmes. Por que ela tinha que inventar de sair com aquela saia tão curta? Eu sei que não posso proibi-la, e eu jamais tentaria, mas eu me corroo por dentro só de pensar alguém olhando para ela.
Entro no meu carro rapidamente e saio o mais rápido que posso, correndo pelas ruas de Seattle até chegar na garagem. Quando estaciono fico surpreso ao ver o motorista dos meus pais aqui. Normalmente ele serve só para Mia. Eu não sabia que ela já tinha voltado da França.
Estaciono o carro e corro para o elevador sem nem pensar, e então quando chego no último andar encontro Mia tocando a campainha de Anastásia.
—Mia? —Pergunto confuso e ela e vira sorrindo.
—Christian? O que você faz aqui? —Ela pergunta se aproximando para me dar um beijo.
—Eu estou morando aqui. —Digo apontando para a porta. —Quando você voltou? E o que faz aqui?
—Eu voltei há alguns dias, e... eu estou atrás de uma... colega. —Ela sussurra encolhendo os ombros. —Ela deixou o caderno cair quando saiu correndo e eu vim trazer.
—Como assim? —Pergunto preocupado.
—Ah, um garoto maluco a pegou sozinha no ginásio. Ele assediou ela... e acho que talvez tenha tocado nela. A pobrezinha estava tão apavorada. Ela saiu desconsertada da escola. E a diretora pediu que eu viesse aqui para vê-la.
Sinto a raiva subir e borbulhar dentro de mim. Inferno! Isso é culpa minha! Eu deveria ter ido buscar ela. Se eu tivesse feito isso, nada disso teria acontecido. Eu vou matar o desgraçado que fez isso com ela. Caminho até a porta e tento abri-la, mas ela trancou com a chave. Pego meu celular no meu bolso e disco o número de Anastásia, ela atende, mas tudo que ouço de fundo é choro e os gritos de Alice.
—Alice? Docinho é você? —Pergunto enquanto Mia me encara preocupada.
—Mamãe! —Ela grita chorando em desespero e meu coração se quebra.
—Alice! O que aconteceu com a mamãe? —Pergunto extremamente preocupado.
—Não acoida. —Grita repetidas vezes.
Posso ouvir seus gritos daqui de fora, e isso preocupa ainda mais Mia que me encara tentando entender. Tento controlar a minha raiva, mas com apenas um chute que dou na porta ela se abre, e logo Taylor está ao meu lado. Corro para dentro do apartamento e vejo Alice no corredor do quarto olhando para dentro do quarto de Anastásia completamente apavorada.
—Alice. —Sussurro me aproximando e me apavoro ao ver Anastásia caído no chão do quarto enquanto se debate de forma incontrolável.
—Mamãe. Mamãe. Mamãe. —Ela grita desesperada.
—Taylor. —Grito antes de correr até Anastásia e segurar seu corpo. —Eu preciso de um médico.
Taylor rapidamente entra no quarto e eu vejo Gail ao seu lado, ela pega Alice e sai rapidamente. Ele liga para a ambulância enquanto eu a seguro. Meu coração está em pedaços. Ela deveria ter me procurado. A segurança que eu prometi passar, eu deixei de lado quando a raiva falou mais alto. Se algo acontecer a ela, eu nunca vou me perdoar.
O desespero se torna mais e maior enquanto os minutos não parecem passar, mas os paramédicos estão aqui, e logo eles me tiram de cima de Anastásia colocando-a na maca. Eles prendem uma máscara de oxigênio em seu rosto e tudo acontece de uma forma lenta, eu nem se quer posso ouvir os sons do lado de fora do meu corpo. Tudo o que ouço é a culpa dentro de mim.
Taylor segura meus ombros me chacoalhando e eu acordo. Ele está me chamando.
—Sr. Grey, vá com ela. —Taylor diz e eu percebo que estão levando-a.
Saio rapidamente seguindo eles sem nem pensar. Sigo-os até a garagem, mas vou no meu carro enquanto eles a levam na ambulância. Chegamos a um hospital próximo em minutos e eu estaciono o carro para ir junto com eles, mas sou barrado assim que eles a levam para a CTI. Sou encaminhando para a sala de espera, onde por minutos incessantes, fico sozinho, então Elliot e Kate chegam com Mia.
—Christian... eu não sabia... —Mia sussurra encolhendo os ombros. —Se eu soubesse que ela era sua namorada, eu teria te ligado.
—Tudo bem, Mia. —Murmuro com pesar.
—Como ela está? —Kate pergunta com os olhos marejados. —Christian eu sabia...
—O que? —Pergunto furioso.
—Eu a encontrei vindo para casa, ela pediu que eu não te contasse... se eu soubesse.
—Mas que merda, Katherine! —Rosno socando a parede e ela dá um pulo.
—Eu sinto muito. —Kate diz começando a chorar.
—Kate, você tem a minha idade, e age como uma menina! Você deveria ter me falado. —Murmuro entredentes.
—Christian se acalme. —Elliot sussurra e eu suspiro.
Caminho até um dos bancos e me sento abaixando a cabeça, mas levanto rapidamente quando a porta da CTI se abre. Um médico sai de lá.
—O responsável por Anastásia Steele?
—Sou eu. —Murmuro me levantando.
—Certo. Ela está bem, está acordada. Ela tomou um remédio, que lhe causou uma reação alérgica, e então uma convulsão. —Explica o médico. —Eu vou mantê-la aqui até a noite, ela está tomando soro para limpar o organismo.
—Eu posso vê-la? —Pergunto ainda preocupado.
—Claro. Ela está no quarto 21, é só seguir pela porta.
—Obrigado. —Murmuro passando por ele.
Assim que passo a porta avisto o quarto, ando rapidamente até lá e avisto Anastásia deitada com uma intravenosa em seu braço esquerdo. Ela está pálida, e sua boca está ressecada. Essa cena acaba comigo. Eu me sinto tão culpado. Se eu tivesse ido pegá-la, eu poderia ter impedido isso.
Suspiro e percebo que ela está me encarando com curiosidade, então me aproximo. Sento no banco ao lado da cama e seguro sua mão. Eu ainda estou com raiva dela, e de mim mesmo. Mas ela deveria ter me contado. Eu quero que ela confie em mim.
—Por que você não me contou? —Pergunto simplesmente e logo ela está com os olhos marejados.
—Você me rejeitou... —Ela sussurra deixando as lágrimas caírem. —Eu... eu não tenho nada com aquele garoto. Ele me abraçou, e eu não esperava aquilo... eu jamais poderia imaginar que ele...
—Foi aquele desgraçado? —Pergunto e ela apenas balança a cabeça. Levanto-me sentindo o ódio falar mais alto.
—Não, não me deixe. —Anastásia sussurra segurando minha mão.
—Anastásia eu não vou deixar você, mas eu quero que você confie em mim. Porra! —Exclamo tornando a me sentar. —Eu só quero que você confie em mim, é difícil entender isso?
—Eu confio em você. —Sussurra com a voz trémula.
—Confia mesmo? Porque você não me ligou, eu não sei. Eu estava bravo. Louco de ciúmes, mas se você me dissesse que alguém te machucou, eu nem pensaria duas vezes, eu iria até você. Eu estou aqui para te proteger, e quero que você confie em mim para isso. Você entende?
—Sim... eu sinto muito Christian... só não me deixe.
Suspiro e me levanto para acariciar seu rosto com cuidado. Lhe faço companhia, mas logo ela dorme e eu aproveito para deixar os outros a verem, e ligar para Taylor.
—Taylor, eu quero que você vá até a escola e pegue o nome do desgraçado que assediou Anastásia. —Murmuro e ouço sua exclamação de surpresa. —Depois você vai processá-lo, e então eu quero que você encontre ele e me diga. Eu vou ensinar a esse babaca que não se brinca com uma garota. Principalmente se ela for a minha garota.
—Sim, senhor. —Ele diz por fim e eu desligo.
➳➳➳➳
Anastásia Steele
Kate está sentada ao meu lado, segurando minha mão. Elliot está no sofá e Mia ao seu lado, e desde que eu acordei não vi Christian, apenas fiquei sabendo que ele teve que sair, e isso está me deixando preocupada. Ele parece um pouco estourado, e eu não quero que ele cometa nenhuma besteira.
—Quer dizer então que você e meu irmão estão namorando? —Mia diz e eu apenas sorrio.
—Não que eu saiba... ele nunca me pediu em namoro. —Sussurro encolhendo os ombros.
—Ah, mas está na cara que ele gosta de você. —Kate diz acariciando meu rosto. —Ele não bateria em Elliot por qualquer menina.
—Ele bateu em você? —Mia diz incrédula.
—Eu peguei pesado com a Ana. —Elliot diz rindo. —Fui um babaca, eu mereci, mas Kate tem razão. Ele adora você, e a Alice.
—Alice é a menininha que estava chorando? O que ela é sua?
—Minha filha... —Sussurro sorrindo com orgulho. —Irmã, mas filha... ela acha que eu sou a mãe dela, e não quero que ela pense ao contrário.
—Você é uma menina forte. —Mia diz sorrindo. —Valeu a pena socar a cara daquele babaca por você.
—Você bateu nele? —Kate pergunta incrédula e se vira para encarar Mia.
—Eu dei só um soco, você tinha que ver o Ethan. —Mia fala gargalhando e eu acabo sorrindo.
—Eu vou ter uma conversinha muito séria com meu irmão.
—Eu não sabia que você tinha um irmão. —Sussurro encolhendo os ombros. —Por falar nisso... eu realmente queria ver Alice.
—Ela estava bem assustada. —Kate comenta. —Mas o médico disse que logo você vai para casa.
—Será que Christian vai demorar a chegar?
—Bem... já são quase seis horas e...
—Eu estou aqui. —Ele diz entrando no quarto acompanhando de uma enfermeira.
—Srta. Steele, pronta para ir para casa? —Ela fala sorrindo enquanto se aproxima para tirar o soro.
Kate se levanta e dá lugar a Christian, e quando ele se aproxima e segura minha mão, eu posso ver os nós dos seus dedos machucados.
—O que foi isso? —Pergunto preocupado e ele apenas arqueia a sobrancelha. —Oh, meu Deus.
—Prontinho, Srta. Steele, você já pode ir para casa, não esqueça os remédios. —A enfermeira diz sorrindo e sai do quarto.
—Bem... é melhor nós irmos na frente. —Elliot diz se levantando com Mia. —Vemos vocês em casa.
Eles saem do quarto e eu encaro Christian esperando que ele diga algo.
—Aquele babaca, nunca mais, vai encostar em você. —Ele sussurra me ajudando a levantar.
—O que você fez?
—Eu ensinei que não se mexe com mulheres. Agora vá por sua roupa.
Suspiro e me afasto tirando a camisola sem cerimonias, me de repente sou tomada pelo pavor.
—Ei... —Christian sussurra e eu o encaro envergonhada. —Você não precisa ter medo de mim.
—Eu sei... —Sussurro começando a vestir minha roupa.
Eu me sinto horrível só por ter que vestir essa saia, e eu não queria me sentir assim. Eu queria ter o direito de poder vestir a roupa que eu quisesse sem passar por isso, mas, eu tenho a leve sensação que não importa a roupa que eu usar, um mal caráter, é sempre um mal caráter.
Termino de me vestir e sorrio quando Christian se aproxima me estendendo seu terno. Está frio, mas não é só por isso, eu me sinto mais segura usando seu blazer, ele cobre mais do que a minha roupa. Aceito sua mão estendida e nós saímos do quarto, e de repente eu sou preenchida por uma segurança absurda. Ele está aqui. Ele não me deixou... e ele foi atrás de José, por minha causa. Eu não quero tê-lo longe... talvez eu realmente precise de Christian por perto.
Vamos em silêncio no carro, e ele nem sequer me toca... ele sabe que estou mal. Eu me sinto tão segura ao lado dele. É meio assustador, porque eu nunca me senti assim nem com meu pai, mas como ele é tão diferente. Vê-lo brincar com Alice, ter Arthur também. Eu até sinto que ganhei uma família de verdade.
Desço do carro e seguro a mão de Christian estendida, ele fecha a porta e caminhamos para o elevador. Lembro-me de hoje mais cedo, o clima descontraído, a forma como estávamos nos provocando... eu realmente deveria ter ficado em caso com ele. Sorrio amplamente quando as portas se abrem já no último andar e encontro Alice com seu pijama de unicórnio nos esperando no corredor.
—Mamãe. —Alice grita dando pulinhos.
Solto a mão de Christian e sorrio mordendo o lábio antes de correr e recebe-la em meus braços.
—Você me deixou com mui medo. —Ela diz séria.
—Você pode perdoar a mamãe? Eu prometo que nunca, nunca mais vou fazer isso.
—Sim, mamãe. Eu amo voxê.
—E eu amo você, Alice. Para sempre.
Fico abraçada com ela por alguns minutos, mas logo tenho que soltá-la e nós entramos no apartamento de Christian. Fico mais feliz, ao ver Mia, Elliot e Kate já no sofá, e um menino que eu lembro da escola, acho que é Ethan, o irmão de Kate. Caminho até o outro sofá e me sento ainda abraçada com Alice, então logo vejo Gail entrando na sala com Arthur. Ele dá um gritinho quando me vê e eu simplesmente explodo de amor.
Gail se aproxima e me entrega o bebê, e dessa vez Alice dá espaço para ele e ainda fica acariciando seu rostinho. Pego Christian nos olhando com um sorriso gigante de menino, e nosso seu olhar há um brilho tão especial, e quando me viro, todos estão olhando para nós. Tudo que eu consigo fazer é sorrir e desviar o olhar por vergonha.
➳➳➳➳
É cerca de uma da manhã, e eu não consegui dormir. Eu estou na casa de Christian; eu pensei em ir para casa, mas pensar em ficar longe dele me causou um pavor absurdo, e ele pediu que eu ficasse. Alice está no quarto de Arthur, acho que agora ela gosta dele, e eles estão dormindo no mesmo berço, o que é a coisa mais fofa do mundo.
Christian está ao meu lado, ressonando baixinho, e eu nem sequer consigo fechar os olhos. Jogo a coberta para o lado e me levanto caminhando até a varanda. Há algumas luzes acesas, e a vista de Seattle é perfeita. O dia foi tão confuso, tão assustador. Eu acho que ainda não consegui digerir tudo, mas estou feliz por Christian estar ao meu lado.
—Acorda ainda, Srta. Steele? —Viro-me assustada e me deparo com Christian recostado na porta da varanda. Balanço a cabeça e volto a encarar a vista.
—O dia foi confuso, acho que não consegui digerir tudo... —Sussurro encolhendo os ombros.
—Sabe... eu queria te pedir algo, mas tenho medo que você não durma nunca mais. —Ele diz brincalhão e eu sorrio. Viro-me e o encaro.
—O que foi, Sr. Grey? O que você poderia me pedir que me faria ter menos sono?
—Namora comigo, Anastásia? —Ele sussurra estendendo um colar com um coração de cristal pendurado.
Oh, merda!
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