O Cara do Apartamento ao Lado

5 Eu juro, solenemente, cuidar de você


Notas iniciais
Desculpem a demora meninas, estou muito sem tempo, e ainda não consegui responder os comentários, mas farei assim que possível ♥

Christian Grey

Encaro Anastásia se levantar e me entregar Arthur, então ela pega Alice e praticamente corre para fora do quarto fazendo a raiva começar. Respiro fundo e troco um olhar com Kate, então encaramos Elliot.

—Mais uma de suas amiguinhas? —Ele pergunta com sarcasmo e eu me contenho para não rir. —Você não toma jeito, não é? Vai brincar com uma criança agora?

—Elliot, não diga assim. —Kate diz e eu sei o quanto ela está ficando nervosa.

—Você não tem responsabilidade nem com seu filho, acha que vai saber lidar com uma garotinha e sua irmãzinha? Se ela for mesmo irmã, não é?

Sinto a raiva me tomar por completo nesse momento. Elliot pode ser meu irmão, mas ele acabou de passar de todos os limites. Se ele acha que vai agir como um babaca falando sobre Ana e eu vou aceitar calado, ele está completamente enganado. Eu jamais vou permitir isso.

Cerro meus punhos, mas antes que eu me levante vejo Katherine levantar e estapear o rosto de Elliot.

—Eu proibido você de falar assim dela, ela é só uma garota, e já tem problemas demais para um idiota como você vir querer falar mal dela!

Katherine se aproxima e pega Arthur dos meus braços, ela empurra meu irmão e sai pisando fundo do quarto. Sorrio e me levanto encarando-o então soco seu rosto e ele tomba para trás caindo no chão.

—Eu quero que você ponha na sua cabeça, que se eu ouvir você falando qualquer coisa sobre a Anastásia, eu vou quebrar todos os seus dentes, e eu sugiro que você saia da minha casa, e não volte tão cedo.

Ele me olha completamente surpreso e eu apenas ajeito meu blazer antes de sair do quarto. Eu preciso conversar com Anastásia. Ela percebeu como Elliot é babaca, e eu não quero que se sinta incomodada. De uma forma estranha eu gosto dela, e já percebi como ela é negativa sobre si mesma, então eu não vou deixar nenhum idiota ferir os sentimentos dela fazendo com que a mesma se sinta ainda pior.

Anastásia já foi abandonada pela mãe, e o idiota do pai é ausente. Eu jamais me perdoaria se ela ficasse mal por falta de atenção. Se for preciso eu dou toda a minha atenção para ela. Eu a conheço a pouco tempo, mas o jeito que ela mexe comigo. É tão confuso... eu só quero tê-la por perto. Eu quero cuidar dela.

—Christian. —Ouço Kate gritar e sinto meu coração disparar.

Ando rapidamente até a sala e encontro a porta aberta e Kate em pé no meio da sala falando com Taylor.

—Onde ela está? —Pergunto com a respiração já acelerada.

—Ela saiu, senhor. —Taylor murmura. —Eu a vi pelas câmeras pegando o carro e saindo com a menina.

—Maldito Elliot! —Grito e ele entra na sala me olhando preocupado. —Eu vou matar você se alguma coisa acontecer com ela. Olha a merda da hora que é! Por que aquele desgraçado do pai dela a deixa sair essa hora? Maldito!

—Christian, calma. Tenta ligar para ela.

—Eu não tenho a porra do número dela, Katherine! —Grito e Arthur começa a chorar. Aproximo-me de Kate e pego o meu bebê. —Taylor, me consiga o número, e tente encontrá-la!

—Imediatamente, Sr. Grey. —Taylor sussurra e some para dentro do apartamento.

—Christian... eu sinto muito. —Elliot sussurra. —É que desde que a sua mulher morreu você...

—Olha Elliot, só cala a boca. —Digo impaciente enquanto tento fazer Arthur parar de chorar.

—Sr. Grey, consegui o telefone dela na recepção do hotel, aqui. —Taylor diz me entregando meu celular com o número já discado.

—Aqui, me dá ele. —Kate sussurra pegando Arthur e eu ligo para Anastásia.

O telefone toca... e toca... e continua tocando, por minutos intermináveis, e tudo que eu faço é encarar Elliot sentindo vontade de soca-lo novamente. Ela deve ter ouvido, com certeza ouviu ele falando mal dela, mas que merda! Ele é igualzinho aos nossos pais. Acha que pode mandar na minha vida, e dizer com quem eu tenho, ou não, que ficar.

Enquanto esse idiota é o filho perfeito! Como eu queria bater nele até a merda sair! Nada me daria mais prazer.

—Alô. —A voz suave de Alice do outro lado faz meu coração disparar, mas me deixa em alerta.

—Querida, sou eu, Christian. —Murmuro.

Chlis! —Grita com animação e eu sorrio abobalhado.

—Docinho, onde você e a mamãe estão?

—Shii... —Ela sussurra. —A mamãe já nanou.

—Querida, você pode deixar eu falar com a mamãe?

—Ela tá nanando! —Alice diz brava.

—Onde vocês estão?

—Está chovendo Chlis. Eu tenho medo dos tovões.

—Neném, olha, fala para mim onde vocês estão que eu vou pegar vocês, eu cuido de você a noite inteira e nenhum trovão vai te assustar.

—Eu não sei... a mamãe estava dinigindo, depois ela panou... agona ela está mimindo. —Alice explica pacientemente. —Eu cobi ela, tá bom?

—Está bem, docinho. —Sussurro sentindo meu coração se partir. —Você pode fazer um favor?

—Sim.

—Você sabe trancar o carro?

—Sei.

—Que garotinha esperta. Eu quero que você tranque o carro. E não deixe ninguém entrar. Ok? Converse com a sua mamãe, tente acordá-la.

—Tudo bem.

—Eu já vou chegar. Você me espera?

—Sim.

Desligo o telefone sentindo meu coração em pedaços, então encaro Kate que está com lágrimas nos olhos e Taylor que está com a preocupação estampada em cada fibra do seu corpo.

—Taylor, eu vou atrás dela, tente rastreá-la. Eu acho que ela pode ter desmaiado, eu não tenho certeza. —Sussurro me sentindo um lixo.

Encaro Elliot por alguns segundos e simplesmente me viro saindo. Caminho até o elevador e ele parece demorar uma eternidade para chegar, depois outra eternidade para descer até a garagem. Assim que chego, corro para o meu carro e saio cantando pneu.

Começo a andar em direção ao hotel mais próximo que conheço, então, quando chego a uma estrada mais deserta avisto um carro parado. É o carro dela. Envio uma mensagem a Taylor avisando que a encontrei e peço que ele venha pegar o carro. Desço do carro e me aproximo, bato na janela e então, mesmo no escuro, posso ver os olhinhos de Alice brilhando, ela abre a porta e praticamente pula nos braços.

—Querida, fique no carro, está chovendo. —Sussurro, mas ela se recusa a me soltar.

—Eu tiquei tom medo.

—Oh, neném. Eu estou aqui. —Meu peito está queimando com sua proximidade, mas tudo que eu quero é cuidar dela.

Suspiro ao ver o carro de Taylor se aproximando com os outros seguranças. Ele desce rapidamente e se aproxima com um guarda-chuva. Entrego Alice a ele, e sinto uma pontada de ciúmes quando ela vai de bom grado. Me contenho apenas nesse momento e dou a volta no carro para abrir a porta de Anastásia.

Ela está caída sobre o banco do motorista e do carona, e com certeza ela está desmaiada. Puxo-a com cuidado e a trago para os meus braços. Caminho o mais rápido que posso para o meu carro, para evitar que ela se molhe tanto, então a coloco sentada e a prendo com o cinto.

Alice já está no carro e eu apenas entrego a chave do carro de Anastásia a Taylor e vou embora com elas. Quando chego em casa, Anastásia ainda está desacordada, e Alice está super assustada no banco de trás. Ela realmente tem medo de trovões. Desço do carro e tiro Alice, então ela gruda na minha perna. Tiro Anastásia e tenho que carregá-la; eu poderia ficar feliz por ela ser tão leve, mas isso me incomoda um pouco. Ela é leve demais para uma garota de 17 anos.

Suspiro e sigo para o elevador com a macaquinha grudada na minha perna e a bela adormecida em meus braços. Quando chego no meu apartamento Kate está na sala com Arthur nos braços e Elliot está ao seu lado. E pela sua cara, ele realmente está mal.

—Ah, meu Deus, como ela está? —Kate pergunta se aproximando e acaricia o rosto de Ana.

—Ela desmaiou, deve ter passado por emoções fortes. —Digo encarando Elliot.

—Você acha que ela ouviu? —Elliot pergunta e eu balanço a cabeça. —Merda! Me desculpe, Christian. Eu agi como um trouxa. Eu só estava preocupado com você.

—Certo, Elliot, apenas peça desculpas a ela.

—Alice, docinho. Que tal a gente assistir Jack Frost? —Kate sugere e Alice me encara preocupada.

—Eu prometi que ia ficar com ela. —Sussurro. —Eu vou pôr a Ana na cama, e já pego o Arthur. Vocês podem ficar no quarto lá em cima.

—Está bem. —Kate sussurra.

Sigo para o meu quarto com Anastásia e Alice vem atrás ainda grudada na minha perna. Caminho até a cama e coloco Anastásia deitada. Suspiro ao ver sua roupa toda molhada.

—Ela vai tica tipada. —Alice sussurra e eu sorrio.

—Vamos achar algo para ela vestir, e você também.

Abaixo-me e pego minha neném, caminho até o closet com ela e pego um dos meus casacos, que ela escolhe. Depois voltamos ao quarto e ela me ajuda a tirar a roupa de Anastásia, mas me faz fechar os olhos porque a mamãe dela é menina. Por Deus, por que eu só encontrei essas duas garotas agora?

Deixo Anastásia dormindo e procuro uma roupa na bolsa de Alice, ela escolhe um pijama e eu não consigo evitar sorrisos. Ela é completamente fofa.

Vou com Alice pegar Arthur, depois vamos para a sala de TVs e colocamos seu desenho favorito. Alice fica quietinha aconchegada em meus braços, assim como Arthur, ambos muito concentrados no desenho. É tão... diferente. Eu nunca tive uma ligação forte com Arthur..., mas desde que Ana chegou, é como se essa conexão sempre estivesse ali.

Talvez Alice tenha algo a ver com isso. Ela despertou algo em mim, e agora tudo que eu quero é proteger essas duas crianças e proteger Anastásia. Eu nunca me senti assim sobre ninguém. É assustador.

Suspiro e viro para a porta quando sinto alguém me olhar, então lá está ela. Recostada sobre o batente da porta usando apenas meu casaco. Suas pernas são absolutamente lindas, e ela parece ainda mais encantadora com sua carinha de sono.

—Como você me encontrou? —Anastásia pergunta ainda parada e eu sorrio.

—Eu sou Christian Grey, sempre acho o que procuro. —Murmuro e ela apenas força um sorriso.

—Eles dormiram faz tempo?

—Acho que sim. —Sussurro olhando os dois nenéns nos meus braços.

—É melhor coloca-los na cama.

—Na nossa? —Pergunto e ela me olha surpresa.

—Na sua. —Anastásia diz encolhendo os ombros.

Ela se aproxima com cuidado para pegar Alice e eu suspiro. Droga! Eu não quero que Elliot ou alguém dos seguranças a veja assim, em tão pouca roupa. Levanto-me com Arthur e seguro em seu braço levando-a novamente para o quarto enquanto ela me encara confusa.

Coloco Arthur no centro na cama e depois Alice deitada ao seu lado. Seguro a mão de Anastásia e a levo até a varanda.

—Você ouviu, não foi? —Pergunto e ela balança a cabeça envergonhada apoiando-se no parapeito. —Ele não estava certo sobre você, e eu não quero que você fuja toda vez que alguém disser algo ruim sobre você, eu estou aqui para te defender dessas pessoas.

—Por quê? Por que você quer me defender?

—Porque eu me importo com você. Eu não quero que você fuja de mim.

—Você me confunde.

—Você também me confunde, mas eu não quero simplesmente fingir que não sinto nada, você é a primeira garota que eu gosto de verdade. E eu jamais vou negar isso. Entendeu?

—Sim... —Ela sussurra e eu sorrio puxando-a para mais perto.

—Não fuja de mim, nunca. Entendeu?

—Sim, Sr. Grey.

—Ótimo...

—Christian, posso te perguntar algo?

—Claro. —Afasto-a um pouco e encaro seu rosto sereno.

—Quem eram aqueles homens? Atrás de você...

—Eu não sei... ainda não descobri, mas isso não importa. Você não precisa pensar sobre isso. Nada vai acontecer com vocês.

—Eu que salvei você. —Ela diz rindo e eu faço uma careta.

—Eu não quero você perto de uma arma de novo. —Sussurro com um nó na garganta.

Ela não tem que passar por isso. Eu jamais me perdoaria se alguém a machucasse, e eu a quero longe de toda essa merda. Anastásia não precisa de uma arma enquanto eu estiver aqui, porque eu daria a minha vida para mantê-la em segurança. Puxo-a novamente para meus braços e mesmo com toda a dor, com todas as lembranças ruins, é aqui que eu a quero, porque desde que a tive pela primeira vez em um abraço, eu costumo me sentir vazio quando ela não está aqui.

➳➳➳➳

Anastásia Steele

Remexo-me com cuidado sobre a cama sentindo o corpinho de Arthur sobre o meu corpo. Ele dorme como um anjo, mas quando está com fome vira uma fera. Mas eu confesso, foi ótimo passar a noite com ele, Christian e Alice. Eu nunca dormi tão bem, e enquanto Christian me abraçava e me embalava com cuidado, eu me senti a garota mais sortuda do mundo. Eu nunca me senti tão protegida dessa forma, não há explicações.

Abro meus olhos e vejo que estou apenas com Arthur, então me levanto com cuidado e ele acorda me encarando com seus lindos olhos cinza.

—Oi. —Murmuro toda boba e ele solta gritinhos enquanto tenta alcançar meu queixo com a boca. —Bom dia, meu amor.

Ajeito-o em meus braços e caminho para fora do quarto, chego até a sala e avisto, do outro lado do balcão a cozinha, Christian cozinhando algo, ele está com Alice em seus braços, e eu tenho certeza que jamais vou ver cena mais linda. Arthur solta um gritinho e Christian se vira com Alice.

—Bom dia. —Ele murmura e há um brilho em seus olhos que eu não sei explicar.

É diferente. Todos os dias, o único ‘bom dia’ que recebo é o de Alice, quando ela se lembra de falar, mas ter Christian falando isso enquanto prepara o café com Alice nos braços... é assustadoramente bom. Aproximo-me meio envergonhada e lhe dou um beijo nos lábios.

Alice comemora com palmas, mas Arthur apenas dá um gritinho, e acho que de ciúmes. Sorrio e me afasto indo me sentar em frente ao balcão. Sinto a alegria se esvair um pouco ao ver Kate e Elliot descendo as escadas.

—Bom dia. —Kate murmura sorrindo e se aproxima depositando um beijo na minha testa.

Deus! Eu não posso de jeito nenhum me acostumar com essas coisas. Eu não vou ter isso todos os dias, eu nunca tive.

—Bom dia... —Sussurro envergonhada.

—Anastásia... eu queria pedir desculpas. —Elliot sussurra me pegando de surpresa. —Eu falei coisas horríveis ao seu respeito, sem nem te conhecer... você pode me perdoar por isso?

—Claro... —Murmuro sorrindo com sinceridade. —É claro. Eu entendo que você estava preocupado com Christian.

—Eu estava, mas isso não me dá motivos para agir como um idiota. Eu realmente sinto muito, e aposto que vou adorar ter você como cunhada. —Elliot diz e eu sinto minhas bochechas queimarem.

—Ela fica tão fofa ruborizando. —Kate diz rindo e se aproxima tomando Arthur de mim, mas com o grito que ele solta, ela me devolve rapidamente. —Você não era assim!

—Ele só quer saber dela. —Christian diz rindo. Ele coloca Alice em cima do balcão para poder servir os pratos com ovos e bacon. —Vocês acreditam que ele passou a noite inteira grudado na Ana, e nem a Alice conseguiu se aproximar?

—Ah, isso é extremamente fofo. —Kate murmura sorrindo.

—Não, não é. —Alice diz séria e me encara. —Você é a minha, mamãe.

—Alguém está com ciúmes. —Christian sussurra em meu ouvido. —Ela está brava com você.

—Oh, Alice. —Murmuro segurando sua mão. —Meu amor, eu amo você. Mais que tudo. Você é a minha neném.

—Mas você nem me abaçou a noite. —Ela sussurra com os olhos marejados.

Suspiro e entrego Arthur a Christian, então me levanto e caminho até minha irmã pegando-a no colo.

—Eu amo a Anice mais do que tudo. —Sussurro abraçando-a. —E não é porque há outro bebê, que você tem que ficar brava. Você é o meu neném.

Anice ama mui a mamãe. —Ela sussurra vindo em meu colo.

—Ah, ela é tão fofa. —Elliot diz sorrindo. E Alice o encara.

—Você panece com o Chlis. —Alice murmura.

—Ele é meu irmão, querida. —Christian explica.

—A mamãe também é minha imã. Poque a outa mamãe e o papai, não quis a zente.

Sinto meu coração se despedaçar com sua declaração e a afasto para encará-la. Eu... eu não posso acreditar. Ela lembra disso?

As lágrimas automaticamente começam a escorrer pelo meu rosto e eu puxo Alice para os meus braços sufocando-a em um abraço... eu me sinto horrível. Ela só tem três, ela não tem que ter pensamentos assim... pensamentos de rejeição. É doloroso demais para ela entender.

—Alice, deixa o tio contar uma coisa para você. —Elliot sussurra ganhando a atenção de Alice e ela até vai para o coloco dele. —Você não precisa pensar sobre isso, sabe por quê? Porque você tem a sua mamãe aqui, e você tem o Christian, tem a tia Kate, e tem eu também. Até o Arthur. Nós somos uma família agora, e você nunca vai estar sozinha. Eu sempre vou levar você para tomar sorvete e brincar no parque.

Sorrio completamente emocionada quando Alice abraça Elliot. Ele pisca para mim e sussurra um ‘sinto muito’. Apenas balanço a cabeça. Christian me puxa para seus braços e eu sorrio tomando Arthur dele. Eu espero que isso não acabe, nunca. Eu acho que acabei de encontrar as pessoas mais especiais da minha vida.