Notas iniciais
Se ficarem em dúvidas podem falar!

Novembro de 1942, Noite, Cidade de Guaraná, Posto Médico da Shindo

Yuuchi dormia no leito, e a porta se abriu revelando seu irmão, Tsurugi Kyosuke, arrependido, com uma das tortas de maça feitas por Kinako.

_ Yuuchi..._ Ele sussurrou, se aproximando da cama, onde olhou com tristeza ao seu irmão_ Me desculpe!_ Ele andou até a escrivaninha do quarto e colocou a torta ali, e se virou olhando a enfermeira.

_ Ele está bem!_ Aki falou se aproximando do garoto e olhando para Yuuchi_ Vai se recuperar em breve, mas não deverá mais andar na vida.

Kyosuke ficou espantado e encarou Aki profundamente.

_ Isso não pode ser verdade!_ Ele segurou ela e começou a sacudi-la_ Façam novos exames, eu quero ter certeza! Pode ser que ele ande ainda!

_ Não será possível, Kyosuke, já realizamos todos os exames_ Aki o encarou com tristeza.

Kyosuke começou a chorar.

~X~

Novembro de 1942, Trem, Linha São Paulo-Guaraná

Akane, Shindou e Kirino estavam a caminho da cidade Guaraná, e conversavam no trem sobre Okatsu.

_ Sabe Shindou, eu e Kirino achamos melhor você despejar Okatsu da sua casa!_ Akane falou segurando na mão do garoto, que olhava a paisagem.

_ Não, ela é mãe do meu filho e se tudo ocorrer como eu espero, vou me apaixonar por ela, é o preço por ter entrado aqui ilegalmente_ Ele respondeu.

_ Você o que?_ Akane gritou_ Shindou, você está ficando maluco?

_ Akane!_ Kirino repreendeu a garota_ Venha comigo!

Ele a levou para o vagão das bagagens, que se mostrava todo empoeirado.

_ Ficou louca?_ Kirino suava muito_ Ele pode desconfiar de tudo.

_ Você acha Kirino?_ Ela perguntou_ Shindou, muitas vezes ele é desligado.

_ Akane, foco!_ Ele estalou os dedos na frente da garota_ Se esse é o seu objetivo, eu disse que te ajudo, mas se não, quero que você fique comigo!

Akane corou um pouco e Kirino percebeu, beijando-a de leve. Akane lutou e parou o beijo, dando um tapa em Kirino que o deixou vermelho.

_ Eu vou voltar com Shindou para o Japão depois que esse filho dele nascer!_ Ela ofegava_ Se você quiser, fique com Okatsu.

_ Akane, eu estou falando sério!_ Kirino segurou o braço dela, encarando-a em sinal de alerta_ Não brinque comigo.

_ E nem você comigo!_ Akane repetiu_ Ah, e diga para sua amiga freira que em breve, Guaraná pegará fogo.

Akane saiu do vagão de bagagens checando sua bolsa e conferindo se portava o canivete.

_ O que você quer dizer com isso Akane?_ Ele perguntou de longe.

~X~

Novembro de 1942, Cidade de Guaraná, Galpão da Shindo

Kurama estava amarrado por uma corda e sendo vigiado por dois soldados da Shindo.

_ O que vocês vão fazer agora?_ Kurama perguntava.

_ Não é de seu interesse!_ Um deles respondeu.

_ Mas o que vocês vão fazer?_ Ele voltou a perguntar.

_ Já dissemos que não é de seu interesse_ Outro soldado falou mais calmo.

A porta do galpão se abre e Shinsuke entra acompanhado de Taiyou.

_ Bom dia Kurama_ Falou o garoto mais baixo.

_ Bom dia nada, você ainda me mantém refém, seu anão de jardim!_ Ele falou para Shinsuke.

_ Sabe Kurama, eu era muito amigo seu, até conhecer a verdade que mascara nossas vidas_ Shinsuke falou para o garoto.

_ Que verdade?

_ Bem, de acordo com nossos tradutores, os brasileiros dizem que nós estamos perdendo a guerra, quando na verdade, a Shindo consegue jornais originais de Tokyo que dizem o contrário. O Japão está para ganhar a guerra com a bomba de hidrogênio, entende_ Shinsuke fala.

_ Sabe, eu acho que vocês estão certos, mas eu acho que a bomba de hidrogênio é de mais, não poderia ser uma mentira, ou alguém estar enganado?_ Kurama falou.

_ Você acha, que nossos líderes e compatriotas mentiriam Norihito?_ Shinsuke se exaltou.

_ Não sei_ Ele respondeu e recebeu um tapa no rosto de Shinsuke.

_ Eles não mentem_ Falou o garoto, saindo do local.

Taiyou que observava a cena foi checar a correspondência.

~X~

Novembro de 1942, Cidade Guaraná, Jornal

_ Fechar o jornal?_ Minamisawa ficou surpreso com a notícia de Endou_ Quem mandou?

_ O governo_ O dono respondeu_ Na verdade, como eles controlam o papel e ainda regulam as notícias, nós não temos mais como sobreviver.

_ Transforme a cidade de Guaraná em um anarquia, aí quem sabe, alguém possa tomar as rédeas e você possa fazer fortuna?_ Minamisawa foi ácido na réplica.

_ Cale-te Minamisawa_ Angelo mandou_ Nós vamos responder a isso tuto! De um jeito ou de outro.

_ Bem, eu vou sair por aí, quem sabe eu volto_ Ele falou.

Do lado de fora, o garoto percebeu uma movimentação estranha de policiais indo em direção ao Vilarejo Dolce Lar. Ele seguiu cada passo dos policiais até ver eles parando em frente a casa de Kinako.

_ A casa de Kinako_ Ele sussurrou para o vento_ O que eles vão fazer ali?

Minamisawa então viu um policial segurando a garota e levando-a para o carro da polícia. Ela gritava por ajuda, mas todos estavam olhando para ela sem saber o que fazer, e o carro foi embora.

_ Mas, para que prenderiam a Kinako? Será que é algo que ela cometeu?_ Ele pensou mais um pouco e pegou o caderno no bolso das calças e correu atrás do carro_ É hoje que eu descubro a verdade!

~X~

Novembro de 1942, Cidade de Guaraná, Delegacia de Polícia

Na delegacia da cidade, Kinako estava falando com o delegado sobre o porquê dela ter sido presa.

_ Delegado, de que crime eu estou sendo acusada a ponto de seis policiais terem que ir me buscar e me trazer para cá?_ Ela foi rápida.

_ Pode repetir?_ O delegado perguntou.

_ Não. Chame um tradutor de precisar_ Ela falou para o homem da lei, que mandou um tradutor imediatamente a sala dele.

Passados alguns minutos, Kinako levou um susto.

_ Me acusam de ser espiã para o governo do Japão?_ Ela se surpreendeu_ Amo e tenho fidelidade com a minha pátria natal, mas isso já é demais!

_ Senhora, cortamos relações nesse ano! Agora, temos que suspeitar de pessoas que não estão nas regras do governo!_ O delegado falou.

_ E que regras são essas?_ Ela perguntou.

_ Eu, e nem ninguém temos permissão de responder ou mostrar algo que comprometa a segurança nacional_ Ele disse.

_ Mas isso não vai comprometer a segurança nacional!_ Kinako gritou.

_ Senhora, só posso lhe dizer que, em breve você irá para o norte do país. Lá você ficará num alojamento especial até que a guerra acabe, eu espero_ O Delegado falou com Kinako.

Minamisawa, que escutava por um dos buracos na parede, já sabia para onde levariam a garota.

_ Campo de Concentração do governo_ Ele sussurrou novamente ao vento.

~X~

Dezembro de 1948, Cidade de São Paulo, lugar desconhecido

O carro de Akane e Kirino finalmente havia saído do atoleiro, mas agora eles haviam batido numa árvore e não sabiam para onde ir.

_ A culpa é sua Kirino! Sempre foi!_ Akane falou para ele.

_ Não Akane, a culpa é e sempre foi sua por não me amar!_ Ele replicou.

_ Quieto!_ Ela mostrou o canivete suíço.

_ Você não vai fazer o mesmo que fez com o Arusei, não é?_ Ele ficou com medo e recuou.

_ Me irrite mais uma vez e verá aonde esse canivete vai atravessar_ Akane falou.

_ Akane..._ Kirino acabara de ver algo surpreendente_ São o Kariya, o Kurama e o Minamisawa...


Continua


Notas finais
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