O Caminho De Seus Súditos
10 Gravidez
Notas iniciais
Dezembro de 1942, Cidade de Guaraná, Vilarejo Dolce Lar
Era uma noite fria, mas Aoi dormia coberta com vários Lençóis e cobertores, sendo observada por Kariya. Ele pensava no que havia ocorrido nos últimos dias na cidade. Kinako havia sido levada do lugar, Kyosuke havia aparecido com seu irmão em uma cadeira de rodas e três turistas se instalaram numa casa do vilarejo.
— Aoi?— Kariya percebia que ela estava se mexendo, mas a garota também começava a gemer.
— Kariya, eu quero vomitar. — Ela se levantou, e correu para o banheiro, começando a vomitar, e alguns minutos depois, ela saiu do banheiro deitando, enjoada, na cama.
— Aoi, você está passando bem? — Kariya checou a temperatura da garota e constatou que ela estava com febre.
— Médico, eu preci... — Ela sussurrou antes de desmaiar, obrigando Kariya a pedir ajuda de alguém no vilarejo.
~X~
Dezembro de 1942, Cidade de Guaraná, Igreja
Tenma estava saindo da Igreja naquele início de noite fria, quando avistou Hayami, um garoto que havia aparecido meses atrás na casa de Kurama, e que havia acordado depois de dormir por algumas semanas. Ele não falava com quase ninguém, só ficava vagando pela praça, e dormia em uma pousada, na qual o deixavam viver de graça.
— Boa noite!— Tenma cumprimentou Hayami.
— Matsukaze Tenma, o garoto que me traz comida às vezes. — Ele encarou Tenma, como se tentasse enxergar seu rosto melhor.
— O que foi? Parece que você não está enxergando bem?— Tenma notou os gestos do garoto.
— Meus óculos, eu os perdi há alguns dias, mas como infelizmente boas almas não aparecem do nada, eles já devem estar quebrados no meio de algum chão.
— Bem, se você quiser, eu posso comprar outro para você. — Tenma falou para ele.
— Obrigado. — Hayami soletrou para o garoto, e saiu correndo.
~X~
Dezembro de 1942, Cidade de Guaraná, Vilarejo Dolce Lar
Shindou estava lendo seus livros, quando ouviu batidas na porta e parou sua leitura para atender quem estivesse precisando.
Shindou havia chegado há alguns dias na Cidade de Guaraná, e não havia saído da casa em que estava por ainda organizar algumas coisas com Kirino e Akane.
Ao abrir a porta, ele encontrou com Kariya, já desesperado, mas não demonstrava isso.
— Desculpe a intromissão nessa hora, mas eu queria pedir sua ajuda, pois minha noiva está passando muito mal. — Kariya falou para o garoto.
— Eu não sou médico, mas posso ajudar no que for preciso. — Shindou saiu com o garoto até a casa do mesmo, e ali começou a ajudar a garota.
Meia-hora se passou e Shindou conseguiu ajudar Aoi a aliviar um pouco a dor, e a garota dormiu novamente. Com isso Shindou e Kariya começaram a conversar.
— Você é o novo morador do Vilarejo Dolce Lar, Shindou Takuto. — Kariya começou a falar. — Minha mãe vivia me dizendo que no Japão é uma família de gente rica, bem de vida.
— Sua mãe estava certíssima, somos uma família bem de vida, pelo menos, no Japão. Por aqui, investimos em alguns negócios em São Paulo, e por enquanto eles só nos dão prejuízos. — Shindou falou para o garoto.
— Realmente, e com a guerra, as coisas ficam piores. — Kariya falou para Shindou.
— Kariya, você é jovem? — Shindou perguntou.
— Sim, pelo visto você também Shindou. — Kariya afirmou, se levantando do sofá.
— Por falar nisso, tenho que ir. Amanhã, leve-a ao médico, pois pode ser uma doença grave. — Shindou falou.
— Claro, farei isso assim que o dia raiar. — Kariya respondeu ao garoto, que foi embora.
Kariya voltou para o quarto, e viu Aoi dormindo feito um anjo, e resolveu escrever mais um de seus poemas.
~X~
Dezembro de 1948, Cidade de São Paulo, lugar desconhecido
Kariya, Minamisawa, Kurama e o filho de Kariya estavam agora dentro do carro de Akane e Kirino.
— Os traidores estão aqui de novo, cadê o Tenma? Onde aquele vigarista foi com o dinheiro do Shin-sama? — Akane questionava os rapazes.
— Não sabemos, sua víbora. — Minamisawa respondeu.
— Aposto que ele traiu vocês também. — Akane forçou uma gargalhada. — Eu disse que isso ia ocorrer mais cedo ou mais tarde.
— Akane, você não sabe nem metade da metade da história, então, fica quieta. — Kurama falou para a garota.
— Fique quieto você, projeto de pessoa! — Akane respondeu ao garoto.
— Serpente! — Gritou Kurama.
— Anão! — Gritou Akane.
— Naja! — Gritou Kurama.
— Criado-mudo! — Akane berrou a ponto de assustar o filho de Kariya.
— Prostitua! — Kurama deu a cartada final, irritando Akane, ao ponto dela bater na cara do mesmo.
— Vocês querem parar com isso, o Taichi está assustado, quase chorando! Quando vocês tiverem o filho de vocês, vão ver o quanto pode ser assustador para uma criança de cinco anos, ver dois adultos brigando, desse jeito. — Kariya se revoltou.
— Disse aquele que fala porra na frente do filho. — Kurama falou.
— Fica quieto Kurama. — Minamisawa pediu ao amigo. — Nosso passado está voltando, e isso não deve acabar bem.
— Com certeza. — Kirino, que até o momento estava mudo, sem manifestou olhando para Kariya.
~X~
Dezembro de 1942, Cidade de Guaraná, Posto de Saúde
No posto médico comum da Cidade de Guaraná, Kariya e Aoi estavam esperando para a consulta, quando foram chamados para falar com o médico.
Depois de fazer alguns exames, eles apenas esperavam o médico terminar de ler os relatórios para saber o que Aoi tinha.
— Parabéns, senhorita Sorano, a senhora está gravida de três para quatro meses, e por enquanto tudo ocorrendo normalmente.
Kariya e Aoi ficaram paralisados coma notícia. No rosto de Kariya era possível ver o sorriso que estava estampado nele, enquanto Aoi tinha uma cara de choque, como se não esperasse a notícia que estava gestando o fruto do casal.
— Tem certeza doutor? — Aoi estava muito preocupada. — Isso é muito sério.
— Mais sério impossível, pois você está gravida. — Disse o médico para ela.
Kariya e Aoi saíram da sala e Kariya logo começou a falar sobre o bebê, enquanto Aoi se preocupava, afinal, ainda eram apenas jovens adolescentes. Noivos, quase adultos, mas ainda tinham essa fase no pensamento.
— Kariya, eu acho que eu não devo ter essa criança. — Aoi falou para ele.
— Por quê? — Kariya se surpreendeu com a fala da garota.
— Eu sinto que não estou preparada para isso. — Ela falou com os olhos começando a lacrimejar.
— Aoi, mas nós podemos cria-lo, temos condições para isso. — Kariya falou.
— Hoje, mas amanhã? Tem uma guerra explodindo no mundo e já estamos nela, não podemos fazer muitas coisas, somos quase leões em jaulas. Você lembra o que houve com a Kinako-sama? — Aoi perguntou para ele.
— Há quem diga que não foi por ela estar grávida que ela foi levada. — Kariya defende a ideia de que Aoi pode ter o filho.
— Eu não sei Kariya, nós somos jovens, e nunca tivemos essa experiência antes. — Aoi argumentou mais uma vez.
— Por mim, você terá esse filho, nós vamos cuidar dele bem. — Kariya falou.
— Kariya, isso não é hora para discutirmos sobre o bebê, vamos pra casa antes. — Ela pediu.
— Tudo bem, vamos. — Ele falou com a cara triste.
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