O CEO que Eu Paguei
114 Vídeo, Voz e Vício
A imagem dela no celular tremeu um pouco quando Helena apoiou o cotovelo na cama.
— Heitor... — ela disse com a voz mais baixa, arrastada, como se o peso da saudade tivesse atravessado a tela. — Eu… tô com uma saudade de você, bem difícil de lidar .
Do outro lado da linha, o sorriso no rosto dele surgiu pequeno, desacelerando a alma.
Aquele tipo de sorriso que nascia no canto da boca e terminava nos olhos.
E, por alguns segundos, ele não disse nada.
Só ficou olhando.
Helena revirou os olhos.
— Fala alguma coisa, poxa.
— Eu tô tentando não me apaixonar mais. Só isso.
Ela riu e olhou pro lado, visivelmente sem graça.
Depois apontou pra tela, como se pudesse tocar o rosto dele.
— Tá faltando alguma coisa aí.
— Onde?
— Na sua cara. — Ela mordeu o lábio, encarando a tela com malícia. — Cadê a barba, hein?
Heitor passou a mão devagar no rosto liso, já com os fios escurecendo nas laterais.
Levantou o queixo com charme debochado e perguntou:
— Gostou?
— Uhum… — O som saiu mais lento, quase manhoso.
Ele sorriu daquele jeito que ela conhecia — o sorriso de quem tava prestes a fazer besteira.
— Fala mais. — a voz dele engrossou, levemente rouca. — Gostou como? Me explica.
Helena estreitou os olhos com aquele ar debochado típico dela.
— Tipo assim... me dá vontade de fazer coisa errada com você. — respondeu, sem abaixar o tom.
Heitor jogou a cabeça pra trás e riu baixo, safado, do jeito que ela adorava.
— Essa ligação vai ter que acabar antes que eu compre uma passagem pro interior agora.
— Tá fraco, Monteiro. Achei que tinha mais autocontrole.
— É que você bagunça tudo. Só sua voz já dá gatilho.
Ela riu, envergonhada, e mudou de assunto, mas ainda com o olhar aceso.
— Onde você tá?
Heitor virou a câmera rapidamente, mostrando a vista iluminada da varanda da mansão. As luzes do Rio, o contorno dos morros distantes e o céu sem nuvens.
— Tô aqui. No jardim da casa dos meus pais. Precisei respirar um pouco depois de uma conversa... pesada.
— Com a Marcela? — Helena perguntou, olhando diretamente pra ele agora.
Ele assentiu com o rosto, mas não parecia interessado em se prolongar. O olhar dele voltou pra ela, como se ela fosse o único refúgio possível naquela noite.
— Mas já passou. — disse com sinceridade. — Agora só queria estar com você aqui. Nesse jardim. Com essa lua. E esse seu shortzinho ridiculamente curto que eu adoro.
Helena sorriu, tirou a touca e passou a mão pelo cabelo.
— Ele é confortável. — respondeu.
— Aham. Sei. Só não é mais confortável que o meu colo. Vem logo pro Rio, mulher.
— Falta pouco.
Heitor olhou pra tela como se ela fosse uma miragem boa demais pra ser real.
— Quando você chegar, tudo melhora. Vai por mim.
Helena não respondeu de imediato. Só ficou olhando pra ele por um instante a mais, o suficiente pra deixar o silêncio dizer tudo.
A saudade.
A tensão.
A vontade.
E, do outro lado da tela, Heitor pensava:
Se ela pedir, ele larga tudo.
— Heitor…
— Repete que tá com saudade?
— Heitor…
— Repete. Vai. Só mais uma vez — ele pediu, olhando direto pra câmera.
Ela rolou os olhos com aquele jeito debochado, mas ele viu o canto da boca dela tremer num sorriso envergonhado.
— Falei que tô com saudade. Pronto. Feliz?
Heitor mordeu o lábio inferior e assentiu. Depois disse com uma voz grave.
— Porra, nem imagina como eu tô sentindo a sua falta, amor. Só de ouvir sua voz já fico maluco. Imagina vendo isso aqui ao vivo — disse, apontando discretamente pra sua parte íntima com a câmera.
Helena abriu um sorrisinho sacana e abaixou a câmera. Só um pouco. O suficiente pra mostrar o moletom subindo, revelando a parte da coxa nua.
— Que foi? — ela perguntou, com falsa inocência.
— Tu tá de calcinha aí debaixo?
— Talvez — ela disse, os olhos cintilando.
Heitor se ajeitou contra a coluna do pergolado. O pau já começava a latejar dentro da calça . Ele afastou discretamente a câmera do rosto.
— Olha o que você faz comigo, Helena… — murmurou, mostrando o volume por cima da calça. A cueca preta já começava a contê-lo com esforço.
Ela olhou a tela e mordeu o lábio inferior.
— Você tá se masturbando, Monteiro?
— Tô me segurando. Aqui fora. No meio da festa da minha mãe. Rodeado de gente metida a Deus. E tu me liga desse jeito, com essa cara, essa voz, essa porra dessa saudade, e me mostra você se esfregando com moletom. Tu acha justo?
Helena soltou uma risadinha abafada. Mas ele viu nos olhos dela — ela tava querendo. Igualzinho a ele.
— Então por que você atendeu, hein?
— Porque é você. E por você, eu atendo até pelado no meio da Paulista.
Ela soltou um riso abafado e murmurou:
— Você é doente.
— Por você, sou mesmo — ele respondeu, passando a mão devagar pela ereção. A câmera tremia levemente nas mãos dele.
— Me mostra de novo.
Heitor focou na calça aberta, o volume mais evidente agora. Passou a mão devagar, os olhos fixos na tela.
— Cê não tem noção da falta que essa tua boquinha tá me fazendo.
Helena apertou os joelhos com as mãos, pressionando as coxas. Estava ficando quente.
— Heitor…
— Se eu estivesse aí, agora, eu te colocava de quatro nesse colchão e fazia tu esquecer o próprio nome. Ia deixar a tua vizinhança inteira sabendo que você é minha.
Ela ficou em silêncio por dois segundos. Depois disse, baixinho:
— E eu deixava.
Ele fechou os olhos, respirando fundo.
A luz da varanda era suave, refletia de leve na lateral do rosto de Heitor enquanto ele ajeitava o celular num ângulo que mostrava parte do peito coberto pela camiseta com os dois botões abertos.
— Tá vendo o que você faz comigo, mulher? — a voz dele saiu baixa, rouca, carregada de desejo. — Maldição boa essa sua... Tô com o pau duro desde que atendi essa chamada.
Do outro lado da tela, Helena apareceu mordendo o canto da boca, os olhos escuros faiscando. Estava deitada na cama, o cabelo solto e bagunçado, o moletom caído num dos ombros.
— Tô mesmo vendo, Heitor... E tô achando pouco. Vai fazer o quê?
Ele olhou para o lado, certificando-se de que ninguém o observava na lateral da varanda. Voltou a olhar para o celular com aquele sorriso de quem sabe o poder que tem — e que também está nas mãos dela.
— Vou fazer uma homenagem pra minha namorada. — Ele sussurrou como uma confissão quente. — Porque tu merece.
Helena soltou um riso baixo e provocativo, cruzando as pernas na cama.
— Isso porque você tá com saudade, né? Imagina se não tivesse.
— Eu tô é ficando maluco — ele respondeu, subindo um pouco a camisa com uma das mãos, a respiração começando a pesar. — Só de lembrar sua boca... sua voz quando goza…
Heitor passou a mão pelos cabelos e olhou pra câmera com aquele olhar debaixo, como se estivesse hipnotizado por ela.
— Tu tem noção do que fez comigo, Helê? Nem sua voz me deixa mais em paz.
Do outro lado, Helena mordeu o dedo, tentando não sorrir.
— Você é muito safado, Heitor.
— Só contigo. — Ele inclinou levemente a cabeça e completou com aquele sussurro que só ela conhecia: — E por sua causa.
Ele afastou um pouco o celular, o suficiente para que ela visse parte da calça dele abaixada até os quadris e a mão deslizando devagar, só por cima da cueca.
— Tá vendo o que me causa? — murmurou. — Agora vai me olhar. É tudo seu.
Helena ficou muda por alguns segundos, só o som da respiração dela denunciava que estava tão entregue quanto ele.
Heitor apoiou o celular num canto da mureta do pergolado, inclinou-se para frente e olhou diretamente para a câmera.
— Quero que fique gravado: a culpa é sua. Tu ligou, tu provocou, tu atiçou o inferno que carrego nas veias por sua causa.
A mão dele se movia lentamente, os olhos fixos nela.
— E agora... tu assiste até o fim.
Helena soltou um gemido abafado, mordendo os lábios, perdida nele.
A imagem tremia um pouco na chamada de vídeo, o rosto de Helena surgia emoldurado pelos fios rebeldes que ela tanto tentava domar — sem sucesso. Seus olhos escuros ardiam em desejo contido, mas ela mantinha a boca semicerrada, com um sorriso no canto como quem sabia exatamente o que estava fazendo.
Heitor estava encostado em uma das colunas laterais, parcialmente encoberto por uma planta alta, os sons da festa abafados pela parede de vidro atrás. A mão esquerda segurava o celular, a outra retirou o pau da cueca e o acariciou. O olhar estava colado na tela — nela.
— Você vai mesmo me deixar assim? — ele perguntou, a voz baixa, rouca, carregada daquele sotaque carioca que tremia na espinha dela.
Helena lambeu os próprios lábios devagar. A imagem escureceu por um instante, e então ela afastou um pouco o celular, só o suficiente para que ele visse o movimento da mão deslizando por baixo do tecido. Os dedos surgiram logo depois, úmidos, brilhando sob a luz fraca do quarto dela.
— Isso aqui é culpa sua. — ela disse, a voz arrastada, baixinha. — Olha o que você faz comigo, Heitor.
Ele prendeu a respiração por um segundo, como se aquilo tivesse arrancado o ar do peito.
— Caralho, Helena… — sussurrou, a cabeça tombando para trás. — Tu quer me matar, é isso?
Helena riu, maliciosa. A imagem tremia de novo, e agora ela voltava com o rosto mais próximo. Os olhos estavam escuros, quentes. As bochechas coradas. Ela parecia feita de fogo.
— Quero só que você se lembre do que tem aqui. E de quem é isso aqui.
Heitor mordeu o lábio inferior, o maxilar travado. Ele aproximou o celular do rosto, os olhos fixos nela. A respiração dele começava a ficar pesada.
— É tudo meu, né? — ele murmurou. — Essa boca… esse olhar safado… esse corpo que geme o meu nome quando eu tô dentro…
Helena interrompeu:
— Fica quieto, Heitor. Se continuar falando assim, eu vou…
— Vai o quê? — ele a provocou. — Vai gozar só com a minha voz?
Ela ficou muda por dois segundos. A boca entreaberta, as pálpebras meio fechadas. A resposta estava no silêncio. E ele sabia.
— Mostra pra mim. — ele pediu, a voz mais baixa. — Quero ver seu rosto, o que ele faz quando sente saudade de mim. Me dá isso.
Helena ergueu o celular devagar. O suficiente. O necessário.
E Heitor, do outro lado da linha, esqueceu por um instante do mundo, da mansão, dos trajes de linho, dos jantares elegantes. Ali, naquela varanda, com a cidade aos pés e o coração nas mãos, ele só conseguia pensar em uma coisa:
Ela.
A mulher que ele queria em todas as suas versões.
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