O CEO que Eu Paguei
13 Troco
O andar estava silencioso.
A copa da empresa estava vazia. Era tarde. Tarde demais pra estar ali. Mas Helena precisava de cinco minutos e um Nescau com leite antes de explodir.
O expediente já tinha acabado há quase duas horas, mas o atraso no relatório, somado à crise existencial que vinha se arrastando desde a chegada de Heitor, tinha prendido ela na mesa.
A máquina zumbiu com o barulho familiar, e ela ficou ali, de braços cruzados, esperando o copo encher, tentando não pensar em como o dia inteiro tinha sido um caos por causa dele.
Ouviu passos lentos no piso de vinil.
— Olha só... — disse uma voz atrás dela com aquele chiado carioca derretendo as consoantes. — A calcinha veio me procurar antes do que eu esperava.
Helena travou. As mãos se fecharam automaticamente. Virou devagar. E, claro, lá estava ele. Heitor.
Aquela postura relaxada irritante. As mangas da camisa ainda dobradas até os cotovelos, o peito largo marcado pelo tecido, a barba por fazer, o cheiro — maldito cheiro amadeirado que fazia o estômago dela revirar. E o olhar dele era um deboche em forma de azul.
— Eu não vim te procurar — ela disse, firme. Tentou manter o olhar reto, mas o corpo traiu. Um arrepio subiu pela espinha quando ele se aproximou.
— Claro que não. A Helena funcionária ideal jamais faria isso, né? Mas tá aqui, depois do expediente, sozinha... e com a mesma boquinha que gemeu o meu nome. Coincidência?
Ela respirou fundo. Não ia cair nessa.
— Você é doente.
— Ué. Só tô interpretando os sinais.
— Quer que eu desenhe, Heitor? Eu não tô interessada. Não tô disponível. Não quero papo.
Ele se aproximou ainda mais com calma, como quem tem todo o tempo do mundo.
— Mas sua boca tá dizendo “não” e seu olho tá quase pedindo “vai”.
Ela riu. Seca.
— Sabe o que vai acontecer se você tentar qualquer gracinha comigo? Eu juro que exponho o seu segredo.
— Ihhh — ele riu, cruzando os braços. — Agora fiquei curioso. Que segredo é esse?
Ela se aproximou só um passo. O olhar firme. A voz baixa, como uma ameaça suave.
— Que você tá no site de garoto de programa.
Por um segundo, o silêncio entre eles estalou.
E então ele riu. Alto. Livre. Um riso rouco, cheio de prazer.
— Caralho… Agora tudo faz sentido — ele disse, passando a mão pela barba. — Fiquei mó tempão quebrando a cabeça, pensando como tu me reconheceu. Mas você me confundiu. Eu nunca estive em algo assim, coração.
Ela empalideceu. O coração disparou.
— Não tenta mentir.
— Que mentira, Helena? Você me abordou na rua, me chamou de outro nome, me levou para um quarto de hotel e ainda montou no meu colo como se tivesse reservado. Tu achou que eu era outro cara.
— Eu…
— E foi a sorte da minha vida. Porque, puta que pariu… — ele abaixou o tom, olhando direto nos olhos dela — ...que mulher. Que corpo. Que gosto. Eu devia te agradecer pelo engano.
Helena sentiu o rosto esquentar. O corpo reagiu sem permissão. Os mam1los endureceram sob o sutiã, e ela cruzou os braços pra disfarçar. O calor entre as coxas apareceu como um golpe traiçoeiro.
— Acha que isso me envergonha?
— Não. Mas te excita. E isso te apavora.
Helena ergueu o queixo. O coração batia como um alarme.
— Você é nojento — sussurrou, tentando não demonstrar o que acontecia dentro dela.
— E você é gostosa demais pra se fingir de ranzinza — ele retrucou, com um sorriso predador. — O seu corpo me contou mais do que sua boca, princesa.
— Não me chama assim.
— Por quê? — Ele se aproximou ainda mais, encurralando-a contra a parede da copa. O corpo dele colado, sem encostar. — Porque te molha?
Ela mordeu por dentro da bochecha, a respiração começando a falhar. Mas manteve o olhar firme. Ele não podia saber.
— Eu sou só uma funcionária.
— Minha funcionária você não é.
— E eu preciso desse emprego. Então se você tiver qualquer noção de ética...
— Ética? — ele interrompeu, com a voz mais grave. — Você me pediu “mais” no ouvido, esfregou a bucetinha toda no meu colo, saiu do quarto me devendo um sexo gostoso e agora quer falar de ética?
Ela travou. O olhar preso no dele. A respiração falha.
— Eu não sou qualquer mulher, Heitor. E você não é o centro do meu mundo.
— Não? — Ele se inclinou. O nariz quase roçando o dela. — Então por que a tua pele arrepia quando eu chego perto?
— Porque você é um problema. Eu não gosto de homem problema. E eu não tenho tempo pra joguinhos.
— Já que é assim. — Ele tirou do bolso de trás da calça um maço de dinheiro dobrado. O mesmo que ela tinha deixado na cômoda ontem. — Então toma. Tô te devolvendo isso aqui. Mas ainda tem o troco.
Helena piscou. O estômago afundou. O coração bateu no pescoço.
— Eu não quero seu dinheiro.
— Claro que não quer — ele respondeu, a voz mais baixa agora, quase um sussurro rouco de pecado. — Cê quer outra coisa.
Ela ficou imóvel, mas o corpo pulsava. Sentia o próprio cheiro subir, a calcinha úmida incomodar, a garganta seca de vontade. Ele a deixava assim. Mesmo parada. Mesmo furiosa.
— Eu não vou cair de novo. Foi um erro. Um erro que não vai se repetir.
— Vai não? — Ele encostou o braço na parede, prendendo ela entre o calor dele e o azulejo frio. A voz grave, baixa, irresistível. — Eu vou fazer tu implorar pelo meu pau. E só quando tu estiver tremendo, molhada, desesperada por ele... é que eu vou meter todinho nessa tua bucetinha gulosa
Ela mordeu os lábios com força. Os pelos do braço se arrepiaram. O quadril reagiu com um impulso sutil. Pequeno. Mas ele notou. O sorriso cresceu.
— Tá vendo? — Ele passou os dedos pela lateral do braço dela, sem tocar de verdade. — Tua pele arrepiou. Tu sente. Mas finge que não.
Helena ergueu o queixo, lutando contra o próprio corpo.
— Eu não sinto nada.
— É mesmo? — Ele roçou os lábios perto da orelha dela, sem tocar. O hálito quente. — Então por que tua respiração tá assim? Por que tu tá tremendo?
Ela não respondeu.
— Hein, Helena? — ele sussurrou. — Vai continuar negando? Vai dizer que não pensou em mim ontem a noite quando tava sozinha na cama?
Ela apertou os olhos, tentando respirar fundo. Precisava sair dali. Antes que o orgulho acabasse.
— Você não é meu tipo — ela disse, baixo. Mas o olhar dele dizia o contrário.
— Não? Até escolheu um cara parecido comigo para transar — ele continuou se divertindo — Então me descreve teu tipo.
Ela hesitou. Ele sabia que tinha vencido ali.
— Talvez a Ana Alice seja melhor pra você.
— Ah, claro — ele riu. — A gostosa da firma. Que tira a roupa para qualquer um. Não viaja, Helena. Quem me deixou com pau duro foi tu. E quem vai sentar nele… também vai ser você.
Ele deu uma risada curta, descrente. Se aproximou mais. A boca colada ao ouvido dela. A voz um sopro grave, com gosto de desafio.
— Tu tem mesmo essa mania de decidir por mim, né? Já escolheu que não sente nada, que não quer nada, e ainda quer escolher quem é meu tipo? Pois deixa eu te contar: meu tipo tem essa boca que desafia, esse olhar que me xinga enquanto me pede mais, e essa raba que treme quando eu chego perto. E, por acaso, tudo isso tá em você.
Ela engoliu em seco. Mas ergueu o olhar. Firme. Imponente.
— Eu nunca vou fazer isso.
— Tu é muito cheia de si, né? — ele murmurou, deslizando os olhos pelo corpo dela com descaramento. — Mas eu perdoo. Porque, porra... tu é saborosa demais.
— Você é muito nojento.
— Tu me chama de nojento com essa boca, mas acho que ela vai ficar linda me chupando. — ele a olha por cima com aquele jeito de quem sabe que é superior — Quer tentar? Prometo que nem cobro dessa vez.
Helena não respondeu, continuou olhando firme para ele. Heitor tira a mão da parede e pisa dois passos para trás, coloca a mão no queixo pensativo.
— Sabe... Helena soa bem. Bem grego, né? — ele fala debochando com a mesma entonação que ela usou quando o viu. — Mas combina contigo. Tem cara de mulher de guerra, de rainha que bota o mundo de joelhos… ou senta no trono com a perna aberta para o rei.
A presença dele não era algo para se ignorar. Ela via os ombros largos, o tronco largo e o membro marcando volume na calça, mesmo mole, ela não o viu, mas sabia que duro era bem maior, que visão deliciosa.
— E quer saber? — ele fala abrindo os braços gesticulando como se não tivesse opção. — Hoje, quando eu for bater uma, vai ser esse nome que vai estar na minha boca. Bem grego. Bem Helena. Bem seu. — ele coloca uma mão apoiada na própria coxa — Mas relaxa, princesa… — completou com um sorriso sacana — ainda vai sobrar leitinho pra você.
Heitor a olhou como quem saboreia uma provocação. Os olhos brilharam.
Helena apertou o copo com força. Queria tacar na cara dele. Queria arrancar a camisa dele com os dentes. Queria gritar. Fugir. Ficar. Tocar. Beijar. Transar.
Mas não fez nada disso.
Só se afastou. E saiu de fininho, o rodeando, sem responder. A calcinha colada no corpo. A pele acesa. O coração num ritmo de crime.
Mas a cabeça erguida.
Porque se tinha uma coisa que ela ainda controlava… era a própria boca.
Mas o corpo?
Esse já tinha sido entregue.
E Heitor sabia disso
— Dorme pensando em mim, Helena.
Ela continuou andando em direção a saída.
— Vai sonhar com meu sotaque dentro de você. Sei que acha delicioso.
Ela parou na porta. O olhar fixo no dele.
— Um dia você vai perceber… Que o que te deixou assim não foi a minha calcinha. Foi o fato de eu não ter tirado ela pra você.
— Tu pode fugir agora, fingir que não quer. Mas vai sonhar comigo essa noite. E amanhã, vai vir toda certinha pro trabalho, com a calcinha encharcada, fingindo que não foi minha voz que te fez gozar no banho hoje.
E ela saiu.
Deixando Heitor sozinho e sorrindo com enorme satisfação.
E a lembrança dela queimando em tudo o resto.
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