Ela começou a massagear o volume com firmeza, e ele deixou a cabeça tombar para trás por um instante, gemendo baixo, os dedos cravando na coxa dela.

Helena aproveitou. Beijou o pescoço dele, depois desceu lambendo o maxilar, mordeu de leve o canto da boca antes de tomar os lábios dele com mais fome.

Ele correspondeu. Com tudo.

O beijo virou embate. Língua, dentes, gemidos abafados. Ela se esfregava com vontade no colo dele, sentindo a dureza pressionando entre o fino fio da calcinha. Ele agarrou a bunda dela com uma pegada forte.

— Se você quisesse me enlouquecer, tá quase lá — ele disse entre os beijos.

— Quase? — ela provocou.

E então segurou a mão dele e a colocou entre suas pernas, por cima da calcinha fina.

— Sente.

Heitor pressionou. A respiração dele falhou. Ele mexia os dedos sentindo bastante o líquido lubrificante dela, um pouco pegajoso, e ouvindo o som que fazia.

— Tá molhada assim por mim?

— Não é por você — ela mentiu, cínica e com um sorriso insolente. — É por tudo que eu quero fazer com você.

— Você é maluca.

— E você adora — ela respondeu, mordendo o lábio inferior dele com firmeza.

Ele ia puxar a calcinha, a tensão no ar já quase cortando a pele… mas o celular vibrou.

Uma, duas vezes.

Ela travou. Ele parecia não ter percebido, os beijos pela pele arrepiada dela continuavam entre os seios.

Helena suspirou, inclinou o corpo e esticou o braço, pegando o aparelho no criado-mudo. A tela acesa mostrava o nome da supervisora. Trabalho. No seu dia planejado de folga.

Heitor ainda estava com a mão na cintura dela, beijando o seu corpo à medida que ela se esticava e apertando a bunda e a coxa com insistência. Mas ela levantou a palma da mão, gesto claro: espera.

Ele ficou parado, observando, a respiração ainda pesada. Parecia um pouco incrédulo.

— Oi? — Helena atendeu com a voz firme, baixa, como se estivesse no meio de uma reunião importante. — O quê? Não… não era pra fazer isso hoje. Tá, tô indo.

Desligou. Massageou as têmporas, respirou fundo e virou para ele.

— Me desculpa.

Ele não respondeu. Apenas a olhava com intensidade. Não parecia bravo. Parecia... intrigado. Ferido. E ainda visivelmente excitado.

Helena se levantou e subiu a blusa, cobrindo seu sutiã. Passou a mão pelos cabelos, arrumando-se com uma tranquilidade calculada. Foi até a cômoda ao lado da cama, abriu a bolsa e pegou um pequeno maço de notas dobradas.

— Não gosto de ficar devendo — ela disse, deixando o dinheiro em cima da madeira polida, como se fosse o pagamento por um serviço qualquer. — Mesmo que o serviço não tenha sido completo.

Heitor travou. A expressão mudou.

— Você tá me pagando? — ele perguntou, devagar, a voz mais grave, como quem tentava confirmar que tinha ouvido certo.

— É só um gesto educado. Considere como quiser.

Ele riu. Curto, quase sem humor. Passou a mão pela barba e olhou para a calça ainda armada entre as pernas, depois para ela, incrédulo.

— Camila… — falou com o sotaque carioca escorrendo pela voz. — O único pagamento que eu quero de você é você levando meu pau inteiro na sua buceta. Gritando meu nome. E pedindo mais. E se brincar vai falar até que me ama de tanto prazer.

Helena parou, como se absorvesse o golpe — e depois sorriu, lenta, debochada.

— Você é cheio de frases de efeito, carioca. Mas, no fim, ainda tá aí… sentado, com cara de quem foi deixado na mão.

— Tu tá de sacanagem comigo, né, Camila?

Ela ajeitava o cabelo, serena. A blusa ainda meio torta, a pele quente de desejo recém-interrompido. Não olhou pra ele.

— Só tô indo trabalhar, Heitor.

— Trabalhar? — ele riu de novo, descrente. — Comigo assim? Duro?

Ela virou só o suficiente pra encarar o volume entre as pernas dele. Depois, ergueu os olhos, impassível.

— Achei que um homem resolvia essas coisas sozinho. Ou o carioca só funciona com plateia?

Heitor passou a mão no rosto, respirou fundo, os olhos cravados nela.

— Sobe nessa cama de novo e eu juro... tu não anda até terça.

— Hmm... promessas demais pra um homem que nem conseguiu tirar minha calcinha.

Ele se inclinou pra frente, os cotovelos nos joelhos, a frustração exposta no rosto.

— Você gosta de provocar, né? Só quero ver a pose quando a gente se encontrar de novo. Se tiver alguém por perto, melhor nem olhar muito pra mim… porque eu vou lembrar de tudo. Cada detalhe de você.

— Acha que eu me importo? — ela provocou, já ajeitando os cabelos como quem se recompõe depois de uma reunião de negócios.

— Não sei. Mas essa calcinha molhada… essa aí me disse que você vai voltar.

Ela sorriu de canto.

— Eu sou boa no que eu faço. E isso aí — disse, olhando diretamente para a calça dele, ainda com o volume gritante — é a prova.

Heitor bufou, mordendo o lábio, sem saber se estava mais excitado, mais frustrado ou mais fascinado.

— Vai sair mesmo? Me deixando nessa situação?

Ela ajeitou a alça da bolsa no ombro e respondeu com ironia sutil:

— A parte boa de te deixar assim... é saber que ninguém vai conseguir resolver melhor do que eu.

— Cami... — ele chamou, o tom mais sério, o olhar cravado nela. — Não finge que isso aqui foi só diversão. A gente nem começou direito.

Ela parou com a mão na maçaneta. Virou o rosto só o suficiente pra deixá-lo com mais uma dúvida.

— Não precisa vir com esse papinho. Eu não quero te conhecer e nem quero que me conheça. Só quero que você lembre.

— Lembrar do quê?

Ela olhou por cima do ombro com um meio sorriso, fria e afiada como uma lâmina.

— De que não precisei de muito pra te deixar assim… cheio, latejando, e com cara de cachorro sem osso. Todo melecado.

E saiu.

Deixando o quarto com cheiro de pele quente e promessa quebrada.

Ele ficou ali. Sentado.

Sozinho.

E com o gosto dela ainda na boca.


Notas finais
Estou postando vários capítulos já de uma vez, porque já estão escritos, e como inicialmente eu fiz os capitulos para outra plataforma, eles são menores. Talvez tenha alguma palavra censurada, me perdoem por isso, o motivo é o mesmo que já falei anteriormente.