O CEO que Eu Paguei
80 Te Amar Me Deixa Sem Defesa
POV Heitor
Saí do quarto sem pressa, mas também sem chão.
Peguei o roupão pendurado no banheiro, joguei por cima do corpo ainda quente — quente de tudo que a gente viveu ali naquela cama.
Quente da lembrança do corpo dela.
Quente da porra do amor que ela não quis ouvir.
Atravessei a casa grande e silenciosa até a cozinha.
Acendi uma luz.
E fiquei ali… parado.
O coração doía.
Não metaforicamente.
Doía mesmo.
Como se tivesse alguma coisa apertando o músculo no peito.
Me encostei na bancada fria e olhei pra minha mão aberta, o centro da palma estendida.
Os dedos relaxados.
O vazio entre eles.
Fiquei tempo demais encarando aquilo.
Pensando que era óbvio.
Óbvio demais.
Que caralho eu tava esperando?
Um “eu te amo” de volta?
Logo dela?
Suspirei fundo.
Senti os olhos começarem a arder.
Não chorei. Mas quase.
Aquele quase que já é demais pra um homem feito.
Abri a porta da varanda e fui pra fora.
O ar gelado bateu na pele molhada.
E mesmo assim não foi o suficiente pra apagar o incêndio por dentro.
Olhei a noite.
A calmaria lá fora.
O caos aqui dentro.
Não sou moleque.
A vida já me ensinou porrada demais pra isso.
Tenho quase 40. Já vivi coisa que Helena nunca sonhou.
E mesmo assim… to aqui.
Querendo ela como se fosse o primeiro amor. E como o último.
Apertei os olhos.
Engoli a dor.
Porque o mais foda é isso.
Não é só amar, é amar os defeitos dela.
O jeito duro, o olhar que desvia, o orgulho que protege o que ela sente.
E eu amo isso.
Porra, eu amo isso.
E isso me fode.
Fechei os olhos e, como um golpe, veio a lembrança.
Beatriz.
Me esforçei tanto e esperei toda a adolescência para ter uma chance com ela. E tive na festa dos calouros, onde como presente ela se entregou a mim.
Ela era um raio de luz no meio de tudo que eu não sabia dizer.
Ela ria das minhas manias, dizia que minha intensidade era bonita, não assustadora.
Mas, era aquilo. Apenas aquilo. Ela me tinha como um cachorro sempre que queria.
É apenas foi embora.
Me deixou no escuro.
No silêncio.
No trauma.
Faz tempo que eu não penso nela.
Mas agora…
Agora ela era a única memória que fazia sentido.
O único lugar onde eu conseguia encostar sem que doesse mais ainda. Porquê é uma dor conhecida, a dor da rejeição.
"Talvez tu nunca tenha sido amável, Heitor."
A voz dentro de mim sussurrava.
Olhei pro vazio da varanda e me perguntei se eu tava exagerando.
Eu era adolescente, porra. Ela não.
Mas alguma coisa em mim sabia: nunca ninguém me amou por inteiro.
E talvez ninguém possa.
Talvez eu só seja demais.
E tudo bem.
A vida é isso.
Me apoiei no parapeito.
O peito ardia.
A dor era física, não mais figurativa.
Mas eu precisava me recompor.
Chegar até Helena foi difícil demais.
Ganhar cada pedaço dela custou paciência, controle, silêncio.
Um passo errado… uma palavra errada… e ela se afasta.
Ela corre.
E eu perco.
Talvez eu devesse ter deixado ser só sexo.
Ser só prazer, gemido e cama.
Mas caralho…
Tinha alguma coisa nela.
Que quando eu olhei, eu soube:
Vai ser ela.
Mesmo que doa.
Mesmo que me arranque o couro.
Mesmo que ela nunca me ame do jeito que eu amo ela.
Eu escolhi.
E agora… tô pagando o preço.
Eu amadureci, mas no final, sou o mesmo cara.
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