O CEO que Eu Paguei
81 Se For Para Doer
POV Helena
O quarto estava em silêncio.
Mas dentro de mim era barulho puro.
As palavras dele rodavam na minha cabeça feito tempestade.
Aquelas coisas que ele disse…
Sobre me amar inteira.
Sobre querer tudo.
Sobre mim. Por completo.
Era bonito.
Assustador pra caralho… mas bonito.
Eu não esperava aquilo.
Não mesmo.
Era demais.
Pra mim.
Pra agora.
Pra tudo.
Ele saiu do quarto com um sorriso educado.
Seco.
Falso.
E por mais que eu quisesse acreditar que ele tava bem…
Eu sabia.
Eu senti.
Aquilo não era o que ele esperava ouvir.
Ele tava demorando.
E a verdade bateu seca no meu peito:
Eu falei merda.
Fiz merda.
De novo.
Levantei.
Fui até o banheiro, vesti um roupão e segurei uma toalha nas mãos.
A pele gelada.
O corpo mole.
O arrependimento quente.
Comecei a andar pela casa, com os braços cruzados, tentando me aquecer.
Ou… me consolar. Nem sei mais.
Cheguei na cozinha.
Nada.
Abri a geladeira como se aquilo fosse me dar alguma resposta.
Peguei um iogurte, só pra fazer alguma coisa com as mãos.
E aí, o vi.
Parado.
Sozinho.
Na porta da varanda.
De costas.
O roupão aberto no peito.
A cabeça levemente abaixada.
Não era o homem que tr4nsou comigo horas atrás.
Não era o mesmo olhar seguro, cheio de desejo e promessa.
Era um silêncio.
Um homem segurando o próprio coração com os dentes.
Eu andei até ele, sem saber o que dizer.
Sem saber se devia dizer.
Cheguei perto.
E fiquei ali.
Só parada.
Com a toalha nas mãos.
Com o peito apertado.
Ele não virou.
Nem falou.
Só ficou olhando o nada, como quem pedia socorro sem emitir som.
Foi aí que eu percebi:
Ele tava tentando me proteger até da dor que eu causei.
E isso doeu mais do que qualquer coisa.
Aproximei mais um pouco.
Estiquei o braço e coloquei a toalha sobre os ombros dele, devagar.
Ele não se mexeu.
Mas eu senti.
O corpo dele tremeu.
— Tá frio aqui fora… — eu disse, baixo.
Ele continuou calado.
Então eu dei mais um passo. Encostei a cabeça nas costas dele.
Fiquei ali.
Não pedi desculpa.
Não prometi nada.
Só… fiquei.
Porque talvez, agora, isso fosse o suficiente.
E mesmo se não fosse…
Pelo menos ele não tava mais sozinho.
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