O CEO que Eu Paguei
78 Só Se For Para Dormir Com Você
Helena girava a taça na mão, observando a cor do vinho refletida pela luz quente da sala.
— É fácil gostar do seu mundo… — ela disse, distraída.
Heitor olhou na mesma hora, curioso.
— É?
Ela franziu o cenho, percebeu o que tinha falado e tossiu, tentando disfarçar.
— …porque tem… sofá bom. Vinho bom. Comida boa.
— Ahnnn. — ele riu. — Vai, termina. Fala o que você ia falar.
— Falei já.
— Falou não. Você ia dizer que gosta do meu mundo porque tem eu nele.
— Cala a boca, Heitor.
— Porr4… ganhei a quarta. Consegui até frase romântica. Cê não cansa de me surpreender.
— Eu retiro o que eu disse.
— Tarde demais, Helena. Isso já tá no arquivo confidencial do meu ego.
Ela virou de costas, fazendo cena.
— Você é insuportável. Grudento. E… ridículo.
Ele riu, entregou a taça dele pra ela e pegou a garrafa e a tábua com uma das mãos. A outra foi direto pra cintura dela.
— Vem. Vamos pra sala. Hora da parte mais importante da noite.
— Ver futebol de novo?
— Não, amor. Metflix.
Ela o olhou como se não tivesse entendido.
— Oi?
Ele deu um largo sorriso para ela.
— Netflix. E tu colada em mim.
Eles foram até a sala. Era enorme, o tipo de ambiente que parecia foto de revista: sofá de canto cinza-chumbo, gigante, com almofadas fofas, mantas jogadas com “descuido calculado”, uma televisão que mais parecia uma parede inteira.
Heitor colocou o vinho e a tábua sobre a mesa de centro e jogou duas almofadas no canto do sofá.
Estava só com o calção. O peito largo, os ombros largos, as pernas musculosas à mostra.
Helena, por outro lado, ainda usava só a sua blusa larga da Vans.
A calcinha e o short tinham ficado — em algum lugar — na garagem.
Ele esticou o braço pra ela, com um sorrisinho malandro.
— Senta aqui. Encosta em mim.
Helena o encarou, tentando manter a compostura. Mas o sofá parecia um convite impossível de recusar.
E o peito dele… mais ainda.
Ela foi. Sentou ao lado, depois encostou com cuidado.
— Isso. — ele passou o braço em volta dela e puxou. — Tá vendo como tu encaixa direitinho?
— Heitor…
— Tô quieto. Tô só vivendo um sonho.
Ele pegou a taça da mão dela, colocou na mesa com delicadeza e voltou a abraçá-la.
— E aí? O que quer assistir? Suspense, drama, ou uma comédia romântica pra você fingir que não gosta e depois ficar com cara de boba?
— Tem terror?
— Tem.
— Mas se tu se assustar, tem multa.
— Que multa?
— Vai ter que dormir colada em mim.
— E se gritar, beijo é obrigatório.
Ela bufou, mas sorriu.
— Então bota logo esse filme. Quero ver você sendo mais medroso que eu.
Heitor ergue o controle. Escolheu sem pressa. Mas o olhar dele estava mais nela do que na televisão.
Ali, no sofá, só de blusa, descalça, com a pele ainda quente da garagem… Helena parecia mais real do que tudo.
Ele deu uma olhada rápida no relógio da TV.
— Já é quase meia-noite. Vai querer dormir aqui comigo?
Helena nem olhou pra ele, mas respondeu com aquele tom que tentava — em vão — parecer firme.
— Claro. Não é justo só você dormir na minha casa. Equilíbrio, né?
Heitor soltou aquele sorriso lento, de canto de boca, que ele dava sempre que ela fingia que não estava se entregando.
— Gosto quando tu fala de equilíbrio. Mas então, liga pra sua vó e avisa, antes que ela ache que te sequestraram.
— Ah, ela já imagina. Mas vou ligar.
Enquanto Heitor passava o catálogo de filmes na Netflix, Helena pegou o celular e foi até um cantinho da sala, encostando na parede com o celular no ouvido.
— Oi, vó… Tá tudo bem, sim.
Dona Olívia atendeu com a voz já afetuosa e levemente desconfiada:
— Vai dormir por aí, né?
Helena mordeu o lábio e suspirou.
— Vou, vó. É mais prático, já tá tarde e…
— Uhum. Prático. Com aquele homem lindo, apaixonado por você… sei. Bem prático.
Helena revirou os olhos.
— Não é nada disso.
A risada da avó veio firme, aquela gargalhada boa, gostosa de ouvir.
— Helena… cê tem 29 anos, não 9. Vai aproveitar sua vida. Só não esquece de ser feliz, ouviu?
Helena engoliu em seco. A voz da avó sempre a desmontava.
— Tô tentando, vó. De verdade.
— Então tenta com vontade. E depois ocê me conta o que ele cozinhou no café da manhã.
— Vó!
— Boa noite, minha filha. Gosto de ver sua voz assim. Mais leve. Beijo.
— Beijo, vó. Te amo.
Ela desligou o celular com o coração aquecido, e quando se virou, viu Heitor encostado no sofá, controle ainda na mão, olhando pra TV — mas claramente escutando tudo.
Só que, dessa vez, ele não comentou.
Não provocou.
Não sorriu.
Só pegou a taça dela de novo, encheu com mais um pouco de vinho, e disse, com a voz baixa:
— Vem. O filme tá começando.
Helena se aproximou devagar, sentou ao lado dele e aceitou a taça.
Mas não encostou de novo.
Não ainda.
Ficou ali, sentindo o silêncio confortável entre os dois, o som leve do início do filme e o jeito de Heitor respeitar o tempo dela, mesmo sabendo que ela já era dele.
E talvez fosse exatamente isso…
O que fazia ela querer ficar.
O filme terminou com os dois ainda no sofá, pernas entrelaçadas, taças quase vazias sobre a mesa.
Heitor olhou pra ela, os olhos ainda preguiçosos do vinho e do conforto, e soltou:
— Tava pensando… Nesse fim de semana, vamos pra Uberlândia?
Helena ergueu as sobrancelhas, desconfiada.
— Uberlândia? Por quê?
— É cidade maior, tem mais coisa pra fazer. E eu queria… sei lá… Queria andar contigo por lá. Almoçar fora, caminhar no shopping, comprar besteira e te ver experimentando roupas que você não precisa.
Ela fingiu pensar, cruzando os braços e fazendo pose.
— Se for pra passear contigo… eu vou.
Heitor sorriu com gosto. Aquele sorriso de quem ganhou um troféu raro.
— Fechou. Mas agora… — ele se esticou no sofá — tá ficando tarde. Vamos tomar um banho?
Helena já ia levantar, mas ele completou, com ênfase:
— Juntos.
Ela revirou os olhos, rindo.
— Você não perde uma chance, né?
— Não perco mesmo. Tu é muito mulher pra desperdiçar água tomando banho separado de mim.
Ele levantou, estendeu a mão, e ela pegou.
Subiram de mãos dadas, ele indo um pouco à frente, indicando o caminho com naturalidade.
— Essa casa é sua também, viu? Pode abrir geladeira, andar descalça, mexer no que quiser.
— Pode tirar dinheiro do cofre também? — ela debochou, com um sorrisinho nos lábios.
— Se for pra comprar lingerie e usar comigo…Pode tirar o que quiser.
Ela deu um tapa leve nas costas dele.
Chegaram ao banheiro da suíte.
Helena parou na porta, encarando a bancada.
— Que porra é essa?
— Que foi?
— Por que têm vários kits de shampoos da Kérastase aqui?
Heitor olhou pra prateleira, inocente.
— Ué… Quando fui na tua casa, vi que tu tinha vários shampoos. Fui na loja e a vendedora disse que essa era a melhor marca. Aí eu não sabia qual tu ia gostar, comprei tudo.
Helena encarou ele em silêncio por dois segundos.
— Você comprou tudo?
— Ué, no seu banheiro tinham tantas embalagens diferentes, pensei que você gostaria de opções, né?
Ela ficou sem resposta. Só virou o rosto, tentando esconder o sorriso.
Heitor se aproximou por trás, encostou os lábios no ouvido dela e falou, com aquele tom malicioso:
— Tá com ciúmes, amor?
Ela virou o rosto na hora.
— Tá viajando já Heitor.
— Aham. Eu vi sua cara.
— Cala a boca.
— Tu ficou brava achando que outra mulher deixou shampoo aqui, né?
Ela deu um empurrão leve nele, rindo, mas com o rosto vermelho.
— Você é insuportável.
— E você me ama.
Ela deu de ombros, andou até a pia como se fosse dona do lugar. Abriu a torneira, checou a temperatura da água do chuveiro, depois olhou por cima do ombro:
— Vai ficar aí parado?
— Tô só admirando.
— Então para de olhar e tira essa roupa.
Heitor riu, levantando as mãos em rendição.
— Opa. Hoje quem manda é tu, né?
— Já devia saber disso faz tempo.
Ela tirou a blusa devagar, consciente do efeito que causava. Ele tirou o calção. Estavam os dois ali — um de frente pro outro — no limite entre provocação e rendição.
Heitor deu dois passos na direção dela.
Mas ela esticou a mão contra o peito dele.
— Não. Hoje… Você vai deixar eu fazer do meu jeito.
O olhar dele escureceu na hora.
Heitor Monteiro, o diretor, o dominante, o seguro de si…
ficou mudo.
Entregue.
Hipnotizado.
— Sim, senhora. — ele murmurou.
Helena sorriu.
E puxou ele pela mão pro boxe.
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