O CEO que Eu Paguei

79 Eu Nunca Me Senti Assim


POV Heitor


Helena ainda tava deitada.

Os cabelos todos bagunçados no travesseiro, o olhar brilhando daquele jeito que só ela tem, meio desafiador, meio vulnerável. Como se ela quisesse me morder e fugir ao mesmo tempo.

E aí veio.

A pergunta.

Com a voz baixa, quase como quem não queria ouvir a resposta:

— Heitor… Você tá mesmo apaixonado por mim?

Aquilo me acertou como um soco.

No meio do peito.

Forte. Verdadeiro.

Do tipo que não se desvia — só sente.

Fiquei quieto. Uns segundos, talvez. Talvez mais.

Respirei fundo.

Tanta coisa pulsando aqui dentro…

Mas botar nome nisso era como marcar ferro quente no próprio peito.

Só que se fosse por ela…

Eu marcava. Com orgulho.

Sentei na cama. Passei as mãos no rosto. Olhei pra ela.

Pra mulher que bagunçou tudo.

E, ao mesmo tempo, fez tudo fazer sentido.

— Helena, eu… Eu não quero te assustar. Mas, eu gosto de você. Muito mais do que já gostei de qualquer pessoa na minha vida.

Suspirei.

Olhos presos nos dela.

Firme.

— Na real… eu amo seu sorriso. Seu jeito debochado de falar que sempre me faz rir, mesmo quando tá me xingando. O jeito que seus olhos apertam quando tu tenta esconder que tá emocionada ou quando sorri.

Engoli seco.

Passei a mão na nuca.

— Eu amo a sua cara de prazer quando eu te toco. A forma como você passa a mão no meu corpo… como teu corpo treme por mim. Suas curvas, sua cintura… sua buceta, porra.

Dei um riso baixo.

Mas não tinha brincadeira no meu olhar.

— Você inteira. Eu amo você por inteira.

Abaixei a cabeça um instante. Os dedos apertaram minha própria coxa, como se isso me ajudasse a organizar o que tava borbulhando.

— Eu não entendo como isso aconteceu… Mas eu quero você todos os dias. Quero saber como foi seu dia, mesmo quando tu diz que não aconteceu nada. Quero seu abraço quando o mundo pesar. Quero sua boca brigando comigo por besteira e sua mão me puxando depois.

Levantei o rosto e encarei ela de novo.

Sem escudo.

Cru.

Real.

— Eu quero tudo. Tudo com você. Eu quero você.

O silêncio que veio depois… não era desconfortável.

Era denso. Cheio. Como se o ar tivesse ficado mais grosso.

Passei a mão no cabelo molhado e deixei sair:

— Eu tô perdidamente apaixonado por você. O que eu sinto pode ser mais do que isso, até… Mas eu não quero colocar peso agora.

Me aproximei. Peguei a mão dela com cuidado, como se fosse o centro do meu mundo.

— Só quero que você se sinta confortável. Nada pressionada. Só… presente. Aqui. Comigo.

Me inclinei, peguei a mão dela e a beijei com os olhos fechados.

Abri os olhos.

E falei como se tivesse jurando.

— E se um dia tu quiser saber o que vem depois do “apaixonado”… Eu te mostro. Sentindo. No corpo, na alma… E nesse amor fodido que tu despertou em mim.

Ela ficou me olhando por um tempo, depois de tudo o que eu falei.

E eu, otário, ali esperando um milagre.

Um “eu também”.

Um “vem cá”.

Um toque. Um gesto.

Mas ela respirou fundo, desviou o olhar, e o que saiu da boca dela foi outra coisa.

— Você é muito. Muito intenso… muito denso. E eu não sei lidar com isso ainda, Heitor.

A voz dela veio num tom que tentava ser leve, mas eu ouvi a rachadura por trás.

— Eu não tô dizendo que não sinto. Só… não assim. Não desse jeito que parece que vai me engolir. Eu… gosto de você. Gosto real. Mas se você derramar mais um pouco de tudo isso em mim, eu fujo. E eu não quero fugir. Só… preciso do meu tempo. Do meu jeito.

Ela sorriu de canto. Como se fosse possível suavizar o que tinha acabado de dizer.

E eu?

Eu sorri também.

Com os dentes.

Com a boca.

Mas não com a alma.

Por dentro, foi como se ela tivesse arrancado meu couro e deixado meu peito exposto pra sala inteira.

Eu tinha me aberto de um jeito que nunca fiz com ninguém.

Tinha dado pra ela tudo o que tinha — o que sentia, o que queimava, o que não sabia nomear.

E ela devolveu com cuidado.

Mas com muro.

E em algum canto do meu coração…eu ainda acreditei que ia ser diferente.

Que ela me veria por dentro e escolheria ficar.

Mas talvez isso só existisse na minha cabeça.

Talvez Helena nunca vá se entregar por inteiro pra mim.

Talvez meu amor por ela seja sempre uma dança no limite do que ela permite.

Mesmo que isso doa.

Mesmo que abrir tanto tenha me machucado mais do que eu esperava.

Me estiquei na cama, sem saber onde enfiar meu coração.

A garganta seca.

A alma, pior.

Falei baixo, com aquele sorrisinho de quem aprendeu a disfarçar o que sente desde cedo:

— Entendi.

E me levantei.

Ela olhou pra mim com a testa levemente franzida.

— Onde cê vai?

Virei de costas. Melhor assim.

Não sei se conseguiria olhar pra ela e fingir mais um pouco.

— Pegar um iogurte. Essa agitação toda deu sede.

— Quer que eu vá junto?

— Não precisa. Vai ser rápido. Tu tem que descansar.

Saí do quarto sem ouvir mais nada.

Só o som do meu coração avisando que, dessa vez, ele tinha sangrado por inteiro.