O CEO que Eu Paguei

38 Relaxa, tá tudo certo


Helena ainda estava deitada sobre o peito de Heitor, sentindo o coração dele bater forte contra o seu. Os corpos ainda colados, suados, quentes. Ela arfava baixinho, o rosto virado de lado, os lábios ainda entreabertos. Ele ainda estava dentro dela, e a sensação era… boa demais pra querer se mexer.

A mão dele fazia um carinho lento nas costas dela, subindo até os fios molhados de suor da nuca. Os dedos passavam devagar entre os cabelos volumosos dela, e o outro braço a envolvia com firmeza — como se ele não estivesse com a menor intenção de deixá-la sair dali.

Heitor olhava pra ela como se estivesse tentando entender o que, exatamente, tinha acontecido com ele. Mas uma coisa era certa: tinha sido a melhor transa da vida dele. De longe.

Helena, sem levantar o rosto, murmurou com os olhos fechados:

— Por que você tá me olhando assim?

Heitor continuou passando a mão nas costas dela e respondeu com a voz grave, baixa, mas carregada de verdade:

— Porque você me fodeu inteiro, Helena.

Ela riu, abafado no peito dele.

— Ah, para… — resmungou, sem conseguir segurar o sorrisinho.

— Tô falando sério — ele insistiu. — Desde o dia em que você me puxou para aquele quarto de hotel e achou que eu era garoto de programa, eu não consigo tirar você da cabeça. Mas hoje… hoje eu entendi. Você é diferente. Diferente de tudo que eu já tive. E agora caralho, eu não consigo nem lembrar meu nome.

Ela se apoiou com os cotovelos no peito dele, se afastando só o suficiente pra encarar o rosto dele de perto. Os olhos azuis estavam brilhando. Ele a olhava como quem queria decorar cada detalhe.

— Garanhão... vai com calma — disse ela, tentando quebrar o clima, mesmo com o rosto começando a corar.

Heitor sorriu, mas não recuou.

— Eu tô indo com calma. Calma até demais. — Ele passou a mão pela cintura dela e apertou de leve. — Mas eu quero você. Comigo. De agora pra frente.

Helena congelou um pouco. O coração disparando. A expressão brincalhona cedeu para uma confusão interna.

— Heitor… — ela começou, tentando manter a razão. — Foi só uma transa.

O olhar dele mudou. Ficou sério. Revoltado. Sentido.

— Claro que não foi só uma transa. Você sabe disso. Isso aqui... — ele passou a mão pela coxa dela, ainda sentada no colo dele — isso foi outra coisa. A gente se entregou inteiro. Caralho, Helena. Eu tô completamente ferrado por você. E não tô com medo de dizer.

Ela desviou o olhar, o rosto vermelho, quente de vergonha — e de medo. Heitor levantou uma das mãos e passou o dedo polegar de leve no queixo dela, fazendo com que o rosto voltasse a encontrar o dele.

— Eu vou cuidar de você agora. Você não precisa se preocupar com mais nada.

Ela se afastou levemente, ainda no colo dele, com o vestido levantado e as pernas abertas sobre as coxas dele, e soltou:

— Sério mesmo que eu só precisei cavalgar desse jeito no seu pau pra você ficar assim, apaixonado?

Heitor ficou vermelho na hora.

— Caralho, Helena… — ele riu, encostando a cabeça no banco. — Você não presta.

Ela mordeu o lábio, o olhar divertido. Mas ele logo voltou a ficar sério. A mão grande subiu devagar pelas costas dela, firme, quente, protetora.

— Eu só não quero que falte nada pra você. Nunca. Nem carinho, nem respeito, nem proteção. E principalmente… eu nunca vou faltar.

Helena engoliu seco. O sorriso sumiu devagar, transformado numa expressão mais suave, mais… tocada.

— Você tá falando sério? — perguntou ela, os olhos castanhos presos nos dele. — Ou só tá zoando com a minha cara?

Heitor se inclinou devagar, abraçou ela de novo, dessa vez com ternura. Um abraço cheio. De peito aberto.

— Eu nunca mentiria pra você. Principalmente pra você.

Helena fechou os olhos por um segundo, se deixando afundar naquele abraço. O peito dela batia acelerado. O dele… também.

E, ali, no banco de trás daquele carro, entre o cheiro de desejo e a respiração ofegante, eles entenderam que tinham atravessado uma linha da qual não dava mais pra voltar.

Helena estava deitada sobre o peito de Heitor, os olhos fechados, o corpo ainda colado ao dele. A respiração começava a se acalmar, mas o coração... esse ainda pulsava como se não tivesse aceitado que tudo já tivesse acabado.

As mãos grandes dele passeavam devagar pelas costas nuas dela, fazendo círculos lentos, quentes, que a deixavam com a pele arrepiada outra vez. Ele beijava de leve o topo da cabeça dela, como se estivesse marcando o momento.

O carro cheirava a sexo. A banco de couro quente, a perfume caro, a adrenalina que tinha passado da conta.

Mas, mesmo com tudo, o cheiro dele ainda era o que mais dominava. O perfume amadeirado, quente, viril. Aquele que ela reconhecia mesmo de olhos fechados.

E foi com os olhos fechados que ela sentiu um feixe de luz bater direto no rosto.

— Por que você acendeu a luz? — murmurou, ainda preguiçosa, a voz arranhada da noite inteira.

Heitor riu, a mão agora no cabelo dela.

— Eu não acendi nada, coração. Já amanheceu.

Ela arregalou os olhos. Rápido.

— Caralho! — Ela se levantou tão bruscamente que bateu o ombro no teto do carro. — A gente passou a noite inteira aqui?!

O corpo dela saiu do colo de Heitor, e a camisinha que ainda estava ali... saiu junto.

— Puta que pariu! — Ela arregalou os olhos ao ver o látex meio pendurado. — A camisinha! Heitor, porra!

— Calma... — disse ele, ainda deitado, a voz com aquela calma irritante de quem claramente não entendeu o desespero. — A parte aberta tá pra fora ainda, ó.

Ele puxou com cuidado, tirando de dentro dela.

— Tá tudo certo. Não vazou nada. — falou com um sorrisinho satisfeito. — Relaxa.

— “Relaxa”? — repetiu ela, respirando fundo, colocando a mão nos cabelos. — Você sabe o que acontece se isso vaza, né?

— A gente faz o teste, compra o remédio... ou a gente tem um bebê lindo.

Ela girou o rosto na direção dele com um olhar de puro pânico.

— Heitor...

— Brincadeira! — Ele levantou as mãos, rindo. — Brincadeira. Tá tudo bem, juro.

Helena bufou, ainda agitada, pegando o vestido e vestindo às pressas, como se o mundo tivesse recomeçado.

— Eu preciso ir. Tipo... AGORA.

Ela pegou o celular no chão do carro, ligou a tela e o mundo quase acabou.

73 ligações não atendidas da Vó Olívia.

48 de Júlia.

33 de Hugo.

27 de Clara.

Ela empalideceu. O corpo inteiro gelou.

— Merda... merda, merda!

— O que foi? — Heitor ainda estava se abotoando, meio perdido.

— Eu tô ferrada, Heitor! Minha avó, meus amigos, todo mundo ligando! Caralho, que horas são?!

— Calma... respira, Helena— ele disse, ainda sem saber das notificações.

Ela olhou pra ele, quase com raiva — não dele, mas da situação.

— Eu realmente preciso ir.

E então ela fez algo inesperado. Ela se inclinou e o beijou. Um beijo gostoso, rápido, com gosto de pressa e desejo misturado. Quando separou, ele ainda estava sorrindo.

— Se veste, vai — disse ela, puxando o cabelo pro lado e ajustando a alça do vestido.

Heitor com aquela cara boa, relaxada, como se tivesse dormido num spa cinco estrelas. Ele passou a cueca no próprio pau, deu uma última olhada pra ela e vestiu a bermuda. Depois se inclinou e abriu a porta do motorista, arrumando o banco da frente.

— Você devia andar com uma muda de roupa extra. Só por precaução — provocou.

Helena não respondeu. Já estava no banco do carona, arrumando o cabelo no retrovisor.

Ele entrou no carro e olhou pra ela de lado. O sorriso dele... leve, bonito, daqueles que faziam ela querer esquecer a raiva do mundo.

Ele se esticou pra perto, invadindo o espaço dela de novo, e roubou mais um beijo.

Ela apoiou a mão no peito dele no meio do beijo e murmurou:

— Sério, eu tenho que ir.

— Eu sei — disse ele, sorrindo. — Mas eu queria mais uns cinco minutos.

Ela desviou o olhar, mordendo o lábio, disfarçando o sorriso.

Heitor digitou o endereço dela no GPS. Quando o carro deu a partida, ele tirou a mão direita do volante e pousou direto na perna dela. Com naturalidade. Como se fosse o lugar mais certo do mundo.

Helena olhou pra mão dele ali. Quente. Grande. Firme. E não teve coragem de tirar.

O silêncio entre eles era bom.

Pela primeira vez em muito tempo... era bom.