O CEO que Eu Paguei
98 Real Oficial
Helena ainda estava com os braços ao redor do pescoço dele, os dois dentro d’água, colados, respirando fundo depois de mais uma rodada de riso e beijo.
Ele encostou a testa na dela.
E ficou ali. Só sentindo.
Ela sorriu, os olhos fechados, a pele arrepiada.
— Por que tá me olhando assim? — ela sussurrou.
Heitor passou a mão pela nuca dela, afundando os dedos no cabelo molhado.
— Porque eu não tô com vontade de te largar. Nem agora. Nem amanhã. Nem semana que vem.
Helena mordeu o lábio, sem saber se sorria ou revirava os olhos.
— A água subiu pra sua cabeça?
— Subiu foi tu pra minha vida.
Ela soltou uma risada baixa, meio rendida.
— Heitor…
Ele ficou sério por um segundo.
Os olhos firmes nos dela.
— Fecha os olhos.
— Por quê?
— Fecha, Helê.
Ela fechou, rindo.
Ele encostou a boca na bochecha dela e falou devagar, com a voz rouca, quente:
— Quando tu abrir… a gente vai tá namorando.
Helena arregalou os olhos.
— O quê?
— É isso. Tu já manda em mim, já dorme na minha cama, já me faz sorrir sempre, já me deixa de pau duro sem encostar. E ainda por cima… tá comigo.
Ela apertou os dedos no pescoço dele.
— Isso é uma proposta?
— Não, Helena. Isso é uma constatação. Tu já é minha. Só falta botar nome na coisa.
Ela ficou olhando pra ele.
A água pingando do cabelo. O corpo quente, mesmo dentro d’água.
Os olhos dele estavam ali, completamente dela.
O peito dela subia e descia devagar.
— Então fala direito — ela disse, com a voz baixa. — Do seu jeito. Mas fala.
Heitor suspirou e enfiou a mão na água, segurando firme a coxa dela por baixo.
— Helena Ribeiro Campos… Quer ser minha mulher oficialmente? Me maltratar quando quiser, rir da minha cara, puxar minha orelha e dividir o cobertor? Quer andar de biquíni e óculos escuro do meu lado com pose de rica e cara de brava? — seus olhos azuis brilhavam com seriedade — Porque não tem nenhuma outra mulher neste planeta que possa ocupar essa função. Quer ser minha namorada?
Ela respirou fundo.
A resposta veio rápida e crua.
Como tudo entre eles.
— Já sou, Monteiro. Só não tinha assinado.
Heitor sorriu. Lento.
Um sorriso de quem sabia que, a partir dali, o mundo podia explodir, ele não soltava mais.
— Então assina aqui. — ele puxou o rosto dela com a mão molhada e beijou. Beijou devagar, firme, com a água batendo nos corpos e o tempo parando em volta.
Ali, entre o barulho da cachoeira e os dedos apertando com força a pele um do outro, não tinha anúncio.
Não tinha palco.Só tinha eles.
E agora… com nome.Ela encostou o rosto no ombro dele depois do beijo, respirando fundo.
Os olhos meio fechados, o coração batendo alto demais.
Heitor segurava a cintura dela com força, mas a mão afrouxou só um pouco — como se quisesse memorizar aquele instante com as pontas dos dedos.
— Tu tá rindo, né? — ele murmurou contra o cabelo dela.
— Não tô.
— Tá sim. Te conheço.
— É que… — ela deu de ombros, sem desgrudar dele. — Você me pegou de surpresa, só isso.
— Tu tá feliz, Helê.
— Eu não tô…
Ele afastou só um pouquinho o rosto, e levantou o queixo dela com um dedo.
— Cê tá com essa cara de quem quer rir e fingir que não tá. Tu é péssima atriz.
Ela tentou esconder o sorriso mordendo o lábio.
Falhou.
— Ridículo.
— Apaixonado, você quis dizer.
Helena deu um leve empurrão no peito dele, só de charme.
— Então era por isso, né?
— O quê?
— A aliança.
— Você me deu pra isso. Pra me laçar de vez.
Heitor sorriu, mas o olhar ficou mais sério.
— Eu comprei pra te marcar, sim. Mas também queria que, quando tu olhasse pra ela… Lembrasse de mim. Mesmo longe. Mesmo se a gente brigasse.
Ela ficou quieta por um segundo.
— Mas agora, tu vai olhar… E lembrar que sou teu namorado. Que sou o homem da tua vida.
Helena riu. Baixo.
Mas com aquele brilho nos olhos que ela odiava admitir que tinha.
— Arrogante.
— Realista. Você sabe que sou.
Ela olhou pra própria mão, girando discretamente o aro no dedo.
— Então quer dizer que agora… você é meu?
Heitor arqueou uma sobrancelha.
— Helena… eu sou seu há muito tempo. Tu que demorou pra aceitar.
— Pode parar, Monteiro.
— Minha namorada, pô.
— Não começa.
— MINHA. NA. MO. RA. DA. — ele falou, sílaba por sílaba, com aquele sorriso de quem sabe que venceu.
Ela fechou os olhos e balançou a cabeça, mas não conseguiu conter o riso.
— Se você falar isso em voz alta perto de alguém, eu te dou uma joelhada.
— Pode dar. Mas vou continuar falando. Porque agora tu é minha oficial. Assinada. Reconhecida. Carimbada com beijo molhado.
Helena pegou um pouco de água com a mão e jogou no rosto dele.
— Cala a boca, Heitor.
Ele puxou ela de novo. Beijou a bochecha molhada, o canto da boca.
— Agora tu se fudeu, Helena. Porque eu sou um namorado pegajoso.
— Não é nada.
— Sou sim. Vou postar foto nossa. Vou te chamar de "minha" no grupo da firma. E vou mandar mensagem dizendo “chegou bem?” como um velho apaixonado.
Helena riu alto.
E dessa vez, nem tentou disfarçar.
— Eu odeio você.
— Que nada, cê me ama, namorada.
Ela empurrou ele pela testa.
Mas depois puxou de volta.
E deu mais um beijo.
Porque agora era oficial.
Heitor saiu da água primeiro, subindo pelas pedras com a mão estendida pra ela.
— Vem, Helê. Cuidado aí.
— Se eu escorregar, tu que vai apanhar.
Ela colocou a mão na dele e ele puxou com firmeza.
No meio do movimento, ele segurou pela cintura e levantou no colo, como quem não queria que ela pisasse nem na pedra molhada.
— Que isso? Tá achando que eu sou princesa agora?
— Não. Tô achando que você é minha. E eu quero te carregar, pronto.
Helena cruzou os braços enquanto ele a levava até a toalha estendida na sombra de uma árvore.Mas o rosto? O rosto tava sorrindo.
Ele a colocou sentada com cuidado, pegou a mochila, ajeitou tudo com pressa de quem só queria deitar com ela.
Se jogou de bruços na toalha, com a cabeça no colo dela, o cabelo ainda pingando, os braços estendidos.
— Agora sim. Paz. Namorada e travesseiro de colo tudo no mesmo pacote.
— Você é muito folgado, Monteiro.
— SEU namorado folgado.
Ela pegou o cacho de uva que tava dentro da sacola térmica, tirou uma das frutas e encostou nos lábios dele.
— Abre.
— Vai me alimentar agora? — ele sorriu, os olhos fechados.
— Vai ficar sem se não calar a boca.Ele abriu. Ela colocou a uva.
— Tô vivendo um sonho — ele murmurou com a boca cheia. — Tomando banho de cachoeira, deitado no colo da mulher que eu amo, ganhando uva na boca…
Helena sentiu o rosto queimar de uma forma que nem o protetor de fato cinquenta conseguia segurar.
— Cala a boca, Heitor. Engole primeiro.
Ela deu outra uva.
— Agora que tu é oficialmente minha namorada, tem uma coisa que eu quero.
— Ah não. Lá vem.
— Um apelido.Helena arqueou uma sobrancelha, desconfiada.
— Que tipo de apelido?
— Sei lá. Um nome carinhoso. Um “meu” que só tu me chama.
Ela deu uma risada curta.
— “Heitor” e “Monteiro” já são nomes suficientes pra mim.
— Não. Quero um que só você pode usar. Tipo… “amor”, “vida”, “meu homem”, sei lá.
— Heitor…
— Pensa aí. Me chama de alguma coisa. Inventa um. “Mozão”, “cheiroso”, “deus grego”, “gostoso”…
Helena riu, balançando a cabeça.
— “Cansativo” parece bom.
— Aceito. Se vier da minha namorada, até “chato” vira mel.
Ela mordeu uma uva e fingiu ignorar.
— Tô falando sério, Helê. Quero um apelido. Um que só você usa. Porque agora tu é minha. E eu quero que o mundo saiba… mas também quero que só eu saiba quando você fala assim comigo.
Ela olhou pra ele.
O cabelo molhado, a barba por fazer, os cílios longos de quem parecia em paz pela primeira vez em muito tempo.
— Tá bom. — ela disse, passando os dedos devagar na linha da testa dele. — Eu vou pensar em um.
— Jura?— Juro. Mas se eu achar um ridículo, vou usar só pra te irritar.
— Pode usar. Se for tua voz me chamando… já ganhou.
Helena baixou os olhos, sorriu e colocou mais uma uva na boca dele.
— Toma, namorado exigente.
Heitor mordeu com gosto.E ficou ali, deitado no colo da mulher dele.
O corpo relaxado, o coração entregue.
E o mundo, enfim, no lugar.
Ele ia falar mais alguma besteira quando o celular vibrou na bermuda jogada perto da toalha.
Heitor esticou o braço, viu o nome na tela. “Pai”.
O corpo dele enrijeceu sem querer. Ele respirou fundo.
— Me dá um minuto, amor. — falou mais baixo, já se levantando.
Helena assentiu com a cabeça, tranquila.
Ele caminhou até uma parte mais afastada das pedras e atendeu.
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