O CEO que Eu Paguei

31 Queimando por você


O ar fresco bateu no rosto de Helena assim que cruzou a porta da boate. A música ficou abafada atrás deles, mas o coração seguia no mesmo ritmo, pulsando alto no peito, como se ainda estivesse na pista.

Ela puxou a mão da de Heitor com força, livrando-se do toque como quem arranca uma corrente do pulso.

— Tá maluco? — disparou, virando de frente pra ele. — Me puxar no meio de todo mundo assim?

Heitor parou. As luzes da rua refletiam nos olhos azuis dele, mas não havia brilho — só raiva.

— Maluco? EU TÔ PUTO!. Tô cego! Você se esfregando daquele jeito num cara qualquer!

— Estava me divertindo.

— Ah, para! — ele se aproximou de novo, as mãos gesticulando. — Tu queria que eu ficasse como? Sorrindo enquanto outro homem encostava naquela tua cintura que eu conheço como a palma da minha mão?

— CONHECE É O CARALHO, HEITOR!

— CONHEÇO, SIM! Conheço teu corpo mais do que eu deveria. E só por isso... você não vai fazer isso de novo.

— FAZER O QUÊ?! Me divertir como qualquer mulher solteira?

— Se esfregar em outro homem. NUNCA MAIS!

— Por que não? Enquanto eu te procurava com os olhos naquela merda de boate, você tava com duas mulheres penduradas no seu cangote! — ela deu um passo pra ele, o dedo quase encostando no peito dele. — Você não pensou em mim, nem por um segundo!

— PENSEI EM VOCÊ O TEMPO INTEIRO! — ele explodiu.

Helena parou. O grito ecoou como um trovão entre os carros estacionados.

Heitor passou a mão pelo cabelo, o peito subindo e descendo, a raiva misturada com outra coisa… mais crua.

— Você quer saber? — ele continuou, a voz rouca, fervendo. — Nem com duas mulheres esfregando a bunda em mim eu consegui ficar duro. Nada. PORRA NENHUMA! O pau não quis subir, Helena. Não por elas. Não por ninguém. Só sobe por você agora. Como se eu fosse um adolescente idiota.

Helena arregalou os olhos. A raiva deu lugar ao choque. E ao calor. Um calor que subiu pelas pernas e se alojou entre as coxas como uma lembrança.

— Você tá dizendo isso pra quê? — ela cuspiu as palavras, mas a voz já não era tão firme. — Pra me culpar? Me envergonhar?

— Tô dizendo isso porque é verdade! Porque eu tô aqui fora, te puxando pela porra do braço feito um idiota, e me perguntando: o que você fez comigo?

— Eu?! — ela riu, incrédula. — Eu não fiz nada! Você que me olhou daquele jeito desde o primeiro dia. Você que chegou na minha sala no trabalho me olhando como se eu fosse um brinquedo.

Heitor se aproximou de novo, e ela recuou um passo, mas ele foi junto.

— Você que fez comigo. — a voz dela saiu mais baixa, quase tremida. — Você que faz esse calor subir pelo meu corpo com um olhar. Você que faz meu peito doer e minha boca tremer. Você, Heitor. É você.

Ele parou diante dela. Muito perto. A respiração dele batia no rosto dela.

Helena encostou as duas mãos no peitoral dele, empurrou com raiva, mas ele nem se mexeu. Nem um centímetro.

— Sai da minha frente — ela disse, tentando manter a voz firme.

Ele não saiu.

Ela empurrou de novo.

— SAI, CARALHO!

Heitor pegou uma das mãos dela com firmeza. A outra mão foi para a cintura, puxando-a com um gesto rápido, decidido.

— Não precisa falar mais nada, Helena.

E então ele a beijou.

Foi um beijo urgente, quente, imprudente.

Ela gemeu baixo no começo, mas cedeu. Cedeu com raiva, com tesão, com a frustração de dias represados.

As mãos dela se agarraram no cabelo dele. A boca se abriu com sede. A língua encontrou a dele com fome, com saudade, com fúria.

O beijo era tudo que ela queria e não podia admitir.

Heitor colava o corpo dela no dele como se quisesse lembrar quem ela era. E Helena… queria esquecer tudo, menos aquele toque.

O calor da briga agora queimava entre as pernas.

A respiração entrecortada, os dedos dele marcando a cintura dela por cima do vestido.

— Você me odeia? — ele sussurrou contra os lábios dela.

— Sim… — ela desviou os olhos desconcertada — Mas…é só um pouco.

— Ótimo. Porque eu tô te querendo demais.

— Eu percebi.

Eles se encararam. Os olhos dela estavam dilatados, a boca vermelha e úmida.

Heitor ainda estava colado nela. O rosto a centímetros. Os olhos brilhando de raiva, desejo... e algo que Helena não sabia nomear. A respiração dele batia quente contra a pele dela, misturada ao cheiro de álcool, perfume amadeirado e suor fresco de fim de festa. O ar ao redor dos dois parecia mais denso, pesado, como se o mundo inteiro tivesse parado só pra assistir.

— Você tá bêbado — ela murmurou, com os olhos presos na boca dele.

— Então tô bêbado desde o dia que te conheci — ele respondeu, rouco.

Helena quase riu. Quase. Mas o olhar dele estava tão intenso que a vontade desapareceu.

— E você? — ele continuou, a voz baixa, puxando ainda mais ela contra o corpo dele. — Parece meio bêbada também. Por isso tava se esfregando em outro homem daquele jeito?

O sorriso que escapou dela foi involuntário — um sorriso bonito, com brilho nos olhos e a raiva pendurada num canto da boca.

— Cala a boca, Heitor.

Ele não calou. A mão dele desceu lenta, por entre o tecido do vestido colado ao corpo dela, acariciando a lateral da cintura, a curva do quadril... até alcançar a barra da roupa. Os dedos passaram de leve por ali, apenas o suficiente pra arrepiar cada centímetro de pele que estava abaixo do tecido.

Helena soltou um suspiro, curto e baixo. O corpo reagia antes mesmo que a cabeça aceitasse.

Heitor não a beijou ainda. Só olhava. Olhava como se estivesse decorando. E quando falou de novo, a voz parecia mais grave:

— Eu adorei esse seu vestido. Você tá... muito gostosa, Helena. Sexy demais. É um pecado você andar assim num lugar desse.

Ela ergueu o queixo com orgulho.

— Agora você quer controlar até minhas roupas?

— Não. — Ele deu um meio sorriso. — Só acho que eu posso te ajudar a aproveitar ela da melhor maneira possível... Foi feito pra você usar só pra mim.

Helena ficou sem palavras por um segundo. O coração disparava no peito. A pele toda quente. Os mamilos sensíveis demais, como se o vestido não existisse. Ela o puxou com uma das mãos devagar, os dedos fechando na gola da camisa dele, e o beijou.

Um beijo cheio de raiva. Um beijo cheio de vontade. De tudo que ficou entalado no peito nos últimos dias.

Ele respondeu com aquela pegada que ela adorava demais — uma mão na cintura, firme, possessiva, a outra nos cabelos, os dedos entre os fios, segurando o couro cabeludo como quem marca território. O beijo parecia ser mais que beijo.

Helena gemeu contra a boca dele quando sentiu o volume duro entre as pernas dela. Ele estava pronto. Pressionando, sem vergonha nenhuma, como se o corpo dele estivesse implorando o dela.

— Já tá tarde — ele murmurou contra os lábios dela. — Eu vou te levar pra casa.

Ela só assentiu com a cabeça. A voz não saiu.

Ele afastou o rosto só o suficiente pra olhar bem dentro dos olhos dela. Depois estendeu a mão, aberta, esperando a resposta.

Helena olhou a palma. O coração batia tão alto que ela jurava que ele podia ouvir. O rosto corado e o corpo fervendo. A respiração descompassada. Ela podia culpar a bebida… mas sabia que não era isso. Era ele. Só ele.

Mesmo assim, fingiu.

Mordeu o lábio, respirou fundo, e pegou a mão dele com a dela. Os dedos se entrelaçaram naturalmente. Como se fosse inevitável.

Caminharam assim silenciosos. Ele com a postura ereta, firme, como se estivesse escoltando a mulher mais preciosa do mundo.E ela tentando não tropeçar nas próprias pernas. O vestido colado, a calcinha úmida, o coração nas mãos dele.

Nem precisaram andar muito.

Helena avistou o carro dele estacionado na esquina. A Audi preta, imponente sob o reflexo amarelado do poste. Ele soltou a mão dela apenas para destravar as portas.

— Vem.

Acompanhou-a até o carona. Abriu a porta pra ela com aquele gesto de sempre — irritantemente elegante. Gentil do tipo que ela dizia não ligar. Mas que derretia ela toda por dentro.

Helena se sentou, os olhos desviando dele só pra não ceder tanto. Mas cedeu mesmo assim. Num sorriso de canto, pequeno e involuntário.

E pensou: “Você é um problema, Heitor Monteiro. E eu tô ferrada até o último fio de cabelo.”

Notas finais
Esse é um dos meus capítulos favoritos.