O CEO que Eu Paguei

62 Quando ela tá brava


A porta bateu atrás deles com o estrondo abafado do interior da casa. A luz da sala iluminava os móveis antigos e o tapete gasto que Helena jurava limpar toda semana.

Heitor tirou o blazer com força, jogando por cima do encosto da cadeira.

— Você vai me matar ainda, sabia?

Helena jogou a chave sobre a mesinha com mais força do que devia. Se virou para ele e ergueu as mãos com os dedos tensos, em garra, como se quisesse o esganar ali mesmo, até a morte.

— Eu vou matar você, Heitor Monteiro! Que tipo de maluco pula o portão da casa da mulher porque ela não atendeu o celular?

— O tipo de maluco que ficou o dia inteiro se matando em reunião pra proteger ela, e termina a noite cercado pela PM achando que ia tomar tiro no peito! Eu nunca tinha sido enquadrado na vida! — respondeu bem ofendido pela reação dela. Parecia que ela não entendia por tudo que ele passou. O dia de cão que teve, tudo por ter aquele negócio no peito por ela.

— Eu pedi pra você ser discreto! Pedi pra gente resolver isso do meu jeito, com calma! — Helena pensava que não era possível que Heitor não tivesse ouvido UMA palavra sequer do que ela disse.

— E eu resolvi. Do meu jeito. Porque enquanto tu tava sei lá onde com o celular desligado, eu tava segurando tua barra, Helena!

— Minha barra?! Eu não pedi pra você fazer isso!

— Mas precisava! Ou tu acha bonito ficar ouvindo piadinha no café, cochicho no corredor, deboche de gente que não sabe nem metade do que tu vale?

— E você acha que isso melhora alguma coisa? Agora todo mundo sabe! Agora vão me olhar como a funcionária que deu pro chefe!

— Não! Vão te olhar como a mulher que o chefe se apaixonou!

O silêncio bateu seco.

Helena piscou, o peito arfando, o maxilar travado.

Ele também. O olhar azul faiscando como se o ar entre eles tivesse pegado fogo.

— Eu não… — ela começou, mas a voz falhou. — Eu não pedi amor, Heitor.

— Mas ganhou mesmo assim. Quer devolver?

Ela bufou, virou de costas, passou a mão nos cabelos como quem procurava um ponto de escape.

— Você sempre faz isso… sempre passa por cima das coisas pra bancar o herói.

— Eu só fiz o que qualquer homem faria se soubesse o gosto da tua boca, o jeito que tu geme, como tu treme quando goza. Tu acha que depois daquilo eu ia fingir que não era nada?

Ela virou, os olhos faiscando.

— Aquilo foi incrível. Mas isso aqui, Heitor... isso aqui é real. E o real assusta. O real cobra. E se eu quebrar no meio disso tudo?

Ele deu dois passos à frente. Ficou a menos de um palmo dela.

— Eu seguro. Se você quebrar, eu colo. E se você fugir, eu corro atrás. Mas se tu me olhar de novo com essa boca aberta e esse olho brilhando de raiva... eu te beijo até você esquecer por que tá brava.

Helena mordeu o lábio. O corpo dela já tinha traído toda a razão. Estava arrepiada. O coração disparado. A respiração acelerada.

— Eu te odeio. — ela disse, com a voz baixa.

— E eu.. — as palavras ficaram presas na garganta, como se o coração segurasse o último fio de lucidez que ele tivesse — …quase te amo. Algo bem perto disso. — ele respondeu, sem tirar os olhos dela. — O que quer que seja... é teu.

Ela enfiou os dedos no cabelo dele com força.

— Você é insuportável.

— E você é gostosa demais quando tá puta.

Helena virou o rosto, tentando afastar aquele furacão que era o Heitor Monteiro.

Mas era inútil.

Ele reduziu a distância entre os dois, firme, devagar, o peito subindo e descendo como se segurasse um incêndio por dentro. Estava perto o suficiente pra que o calor do corpo dele fosse mais forte que qualquer argumento.

— Eu só fiz o que precisava. — disse, a voz mais baixa, arrastada. — Tu não quer ninguém te olhando torto, né? Pois agora, quem olhar... vai saber que tem dono.

Ela arqueou as sobrancelhas, os olhos ainda faiscando.

— Eu não sou propriedade sua.

— Não. Você é problema meu. E eu cuido dos meus problemas até o fim.

Silêncio.

Ele ergueu a mão e passou devagar pelo rosto dela. Os dedos firmes, mas cuidadosos, traçando a curva da bochecha, o contorno da mandíbula, o canto da boca. O polegar roçando de leve no queixo, como se estivesse limpando qualquer resto de dúvida.

— Você tem noção do que tu faz comigo?

Ela não respondeu. Só ficou ali, respirando com força, os olhos grudados nos dele.

E então, ele segurou o rosto dela com as duas mãos.

Aproximou a boca, sem pressa.

E a beijou de novo.

Não foi beijo de desculpa. Nem de reconciliação. Foi beijo de posse. Beijo de urgência. Beijo de um homem que não tava disposto a perder. De um homem que havia começado a enfrentar o mundo, por uma mulher.

O corpo dela colou no dele com naturalidade. O beijo foi ficando mais intenso, mais quente, mais desesperado. Helena segurava a barra da camisa dele como se o puxasse pro abismo. Heitor a prensou contra a parede, uma das mãos já descendo pelas costas dela, a outra enroscada no cabelo.

Ela gemeu entre os beijos, ofegante.

— Eu ainda tô brava. — disse contra os lábios dele, a respiração quente.

Ele sorriu com aquele jeito torto e canalha de sempre.

— E eu ainda tô com o pau duro por tua causa, porra. A gente que lute.

Ela tentou rir, mas foi cortada por mais um beijo.

As mãos dele já deslizavam pela lateral da coxa dela, puxando o tecido do vestido.

A dela subia por dentro da camisa, arranhando de leve o abdômen, sentindo os músculos contraírem sob o toque.

Eles se comiam com o beijo, com o toque, com a forma como o corpo se encaixava de novo como se o mundo lá fora não existisse. Como se não estivessem novamente na sala da casa da vó dela.

— Você vai me enlouquecer, mulher. — ele sussurrou, encostando a testa na dela, os olhos fechados, o corpo colado. — Um dia tu vai me quebrar no meio.

— E você vai merecer. — respondeu, mordendo o ombro dele com vontade.

— Merecer… e pedir mais.

Ele a ergueu com força, fazendo as costas dela tocarem a parede, as pernas já se enrolando na cintura dele.

Beijos. Mordidas. Pressão. Tesão.

Na parede da sala.

Na casa da avó.

Na terça-feira mais caótica da vida deles.

Eles podiam discutir o quanto quisessem. Podiam discordar, brigar e explodir.

Mas no fundo?

Só se entendiam assim: pele na pele. Boca na boca. Coração na linha de tiro.