O CEO que Eu Paguei

43 Precisamos de respostas!!


— Tá, mas... — Hugo ajeitou-se na poltrona, cruzando as pernas como quem estava prestes a fazer uma pergunta de tese — ...o pau dele é grande daquele jeito mesmo? Porque olha, na calça, parece que ele guarda uma garrafa térmica.

— Hugo! — Júlia fingiu indignação. — Mas assim... super pertinente você perguntar isso, amigo. Vai, Lêlê. Dá o relatório.

Helena quase caiu pra trás.

— Vocês tão loucos? Eu não vou comentar isso! Que tipo de gente vocês acham que eu sou?

— A que some a noite inteira, volta cheia de chupão e com as pernas bambas — Hugo contou nos dedos. — E ainda por cima, transa com o CEO e finge que tá tudo normal no dia seguinte.

— Eu tô passada! — Júlia dramatizou. — A gente lá desesperado, ligando sem parar, e você? Dando. Com força.

Helena resmungou, cruzando os braços.

— Foi um momento de fraqueza, tá bom? Eu tava... alterada. Tinha bebido.

— Ah, entendi. — Hugo assentiu com falsa compreensão. — Bebeu e caiu de bunda. Quem nunca?

— Vão se foder vocês dois.

— Já foi feito, né? — Júlia riu. — Literalmente.

Helena bufou, mas o rosto já estava num tom vermelho tomate que nem a maquiagem conseguiria disfarçar.

— Mas então me explica uma coisa — Hugo se inclinou para frente. — Por que que o bonitão tá nesse grude todo se vocês só foram pro fight agora? O cara tá agindo como se você fosse a última goiabada do estoque da Colombo.

— Porque ela é safada. — Júlia respondeu como se fosse óbvio. — Deve ter feito o serviço completo. O homem perdeu a alma.

— Eu não sou safada! — Helena rebateu, indignada.

— É sim. — os dois disseram juntos.

— Gente... eu juro que não entendo aquele homem. Ele é insuportável. Irritante. Aquele tipo que sempre tem a última palavra. Mas aí ele sorri... e pronto. Fudeu.

— Literalmente. — Hugo reforçou, de novo. — Mas voltando ao ponto mais relevante da conversa: o membro imperial. É ou não é aquilo tudo?

Helena cruzou os braços, virando o rosto.

— Não é nada exagerado assim... — murmurou.

Silêncio.

Silêncio absoluto.

Hugo e Júlia se entreolharam com um brilho no olhar.

Helena piscou. E percebeu.

— Ai, merda.

— CAAAAAAAARAMBA! — gritou Hugo, levantando as mãos como num gol de Copa do Mundo. — ELA MORDEU A ISCA, JÚLIA! ELA MORDEU!

— Isso é uma confissão oficial. — Júlia anotou imaginariamente no ar. — Testemunhado e registrado.

— Eu vou matar vocês dois.

— Não antes de você pegar um atestado. — Júlia falou, solidária. — Você tá com cara de quem ainda tá vendo estrela, Lêlê.

— Ele te destruiu mesmo, né? — Hugo sorriu malicioso. — Quebrou a Helena igual encanamento velho.

— Olha... — Helena apontou com o dedo, tentando manter a autoridade. — Eu não tô brincando.

— A gente também não. — Júlia sorriu doce. — Inclusive, se ele tiver um irmão... primo... eu aceito currículo.

— Ah, não... — Helena afundou o rosto nas mãos.

— Não foge, amiga. — Hugo sussurrou. — Agora você é a celebridade do nosso grupo.

— Com o CEO, ainda por cima. — Júlia completou. — Se fosse com um analista qualquer, tudo bem. Mas você foi direto no cargo de confiança.

Helena soltou um resmungo incompreensível.

— E ele ainda é gostoso. — Hugo suspirou, teatral. — Que injustiça.

— Tá bom, acabou. — ela se levantou. — Saíam da minha casa.

— E nos deixar sem saber como foi a pegada? — Hugo disse, fingindo ofensa. — Que tipo de amizade é essa?

Helena só apontou a porta.

— Saem. Agora. Ou eu jogo a camisinha que sobrou na bolsa de vocês.

Júlia levantou as mãos.

— Tá bom, tá bom. A gente já foi longe demais.

— Mas... — Hugo cochichou, enquanto se retirava. — Depois você me conta, né?

Helena trancou a porta do quarto com os olhos pegando fogo.

Mas por dentro?

O corpo ainda ardia no mesmo lugar que Heitor beijou.

E o sorriso... bem... esse ela não conseguiu segurar.

Helena sentou na beira da cama, tentando recuperar o fôlego depois do interrogatório infernal que foi a conversa com Hugo e Júlia. Puxava o ar com as mãos no rosto, os joelhos apoiados nos cotovelos, murmurando pra si mesma:

— Isso não tá acontecendo… Isso não tá acontecendo…

Foi quando ela ouviu.

Do outro lado da porta, no corredor:

— Dona Olívia… — era a voz de Hugo, carregada de teatrinho. — A senhora não tem ideia do que sua neta aprontou.

Helena congelou.

— Ah, meu Deus, não. Não, não, não...

— Mas ela tá aqui, né? — perguntou Júlia, curiosa.

— Claro que está — respondeu a avó, com um leve tom de implicância. — O colega de trabalho dela trouxe hoje de manhã. De carro.

— O quê? — os dois gritaram em uníssono.

— Um colega… homem? — Júlia reforçou.

— Veio trazer a Lêlê? — Hugo parecia indignado.

— E ainda ajudou a fazer o almoço! — disse dona Olívia, satisfeita. — Um rapaz muito gentil, educado. Bom de conversa. Um bom partido. Fez até oração antes de comer.

Helena, do outro lado da porta, afundou o rosto nas mãos e resmungou:

— Ah, não… ele não…

— O quê? — Júlia insistiu. — Ele ficou aqui?

— Passou a manhã inteira — respondeu a avó. — Conversamos bastante. Um moço ótimo, viu? O nome dele é… como é mesmo? Ah, sim. Heitor.

Silêncio.

E então um grito abafado de horror do lado de fora da porta.

— HEITOR?

— NÃO. PODE. SER. — Hugo berrava. — O CEO DA MONTEIRO, DONA OLÍVIA?

— Que CEO o quê, menino? É Heitor — ela disse corrigindo. — É o colega de trabalho dela. Um charme de homem.

Helena fechou os olhos. A testa suando. O sangue subindo como se a pele fosse pegar fogo. Ela chegou até a encostar o ouvido na porta, só para ouvir o desespero:

— Ele tava aqui? — Júlia parecia em choque. — Sentado no sofá da sua casa? Respirando o mesmo ar que a gente respira?

— Servindo almoço e lavando a louça — completou dona Olívia.

— Ai, meu pai celestial… — murmurou Hugo. — Ele lavou sua louça, Helena! Você deu e ele lavou a louça da sua avó. Isso é outro nível de relacionamento.

Bateu-se na porta.

— Abre isso aqui agora, sua desgraçada — gritou Hugo. — Como ele já conhece sua avó e a gente só foi saber agora? Você tá escondendo a relação oficial!

— Oficial, nada! — Helena respondeu do outro lado. — Ele é só um problema. Saiam da minha casa!

— Ele fez oração antes do almoço! — gritou Júlia, fingindo chorar. — Eu nunca nem vi um homem fazer isso!

— Abre, Helena! — Hugo insistia, batendo mais forte. — A gente é sua família! Você não pode esconder o genro da dona Olívia da gente!

— Vão embora! — gritou ela de volta, bufando, já de pé com os braços cruzados. — Se não forem embora agora, eu juro que coloco vocês dois como herança do Totó e deixo vocês presos aqui até o fim da vida.

— Não adianta fugir! — Júlia rebateu. — A gente viu os chupões, viu os arranhões e agora a gente sabe da oração!

— E eu vi a cara de apaixonado dele! — Hugo sussurrou com drama. — Eu sei reconhecer um homem fudido de amor…

Helena encostou a testa na porta. Respirou fundo. E murmurou só pra si mesma:

— Por que, meu Deus... por que eu fui dar pra ele?

Do outro lado, a resposta de Júlia veio imediata, como se tivesse ouvido:

— Porque é o Heitor, porra!

Helena, vermelha até os fios de cabelo, gritou:

— VÃO EMBORA!

E ouviu risadinhas se afastando, como dois gremlins satisfeitos, enquanto dona Olívia resmungava ao fundo:

— Que juventude maluca… mas olha, o tal do Heitor? Ele é diferente. Esse tem futuro.

Helena se jogou de costas na cama e cobriu o rosto com o travesseiro.

Ela estava lascada.

E o pior de tudo?

Ela sabia que ainda ia ver o nome dele no celular antes de dormir — e sorrir feito uma idiota.