O CEO que Eu Paguei
74 Onde o Meu Mundo Começa
Heitor ainda estava com Helena no colo quando sentiu outro olhar — e outro — e mais um.
Homens do bar encaravam Helena como se ela fosse a última mulher da terra.
E Heitor sentiu cada olhar como se fosse um empurrão no peito.
Ela percebeu também, porque ele a abaixou devagar e, com aquele olhar frio e direto, encarou dois deles de volta com um leve levantar de sobrancelha. O que os fez desviar o olhar, Heitor era um cara grande e forte, intimidava só com a presença.
Sem uma palavra, passou o braço por cima do ombro dela, puxando contra o peito largo, e deu um beijo demorado no topo da cabeça dela.
— Relaxa. — murmurou. — Já marquei território. Esse é o peso que carrego por ter a mulher mais gostosa do mundo. Mas, se alguém fizer gracinha, aí não serei nada educado.
Helena riu, sem conseguir esconder o arrepio gostoso que aquela frase causou.
Quando eles já estavam indo embora, alguns caras do bar, um grupo de torcedores empolgados, com bandeiras e camisetas, os abordaram:
— Bora fazer carreata!
— Buzinaço até o centro, vamos! É vitória do Flu, porra!
Heitor olhou pra Helena, um sorriso de menino no rosto.
— Vamo?
— Só se eu puder apertar a buzina — ela respondeu sorrindo.
— Tá decretado.
Heitor entrou no carro, deixou a janela aberta, jogou o braço por fora e gritou de volta:
— Tô levando minha mulher e a buzina! Partiu!
Helena ria, se ajeitando no banco.
Quando ele começou a dirigir, os carros seguiram em fila, com bandeiras e gritos, e ele virou pra ela:
— Vai, amor. Buzina!
— Agora?
— Agora!
E ela apertou. Uma, duas, dez vezes.
— MAIS! — ele gritava, empolgado. — Isso! VAI, MINHA CAMISA 10!
A carreata foi uma bagunça boa. Eles não conheciam ninguém, mas estavam ali, rindo, gritando, buzinando como se tivessem crescido todos no mesmo bairro.
Depois de algumas voltas por algumas avenidas da cidade, Heitor acenou pros caras:
— Valeu, galera! Até a próxima quarta!
— Flu neles! — responderam.
Helena ainda ria enquanto Heitor pegava outra rota.
— Isso foi muito aleatório. — ela disse.
— Aleatório é o caralho. Isso foi libertador. Comemorar gol é quase uma religião.
— Você é mesmo muito... isso.
— Isso o quê?
— Isso tudo. Intenso, louco e exagerado. E eu tô gostando.
Ele sorriu, passou a mão na perna dela e disse:
— Que bom. Porque hoje ainda não acabou.
Ela o olhou de lado, desconfiada.
— A gente não tá indo pra minha casa, né?
— Não. Tô levando tu num lugar legal. Confia em mim.
A estrada mudou. Os bairros ficaram mais afastados.
E então ela viu o portão enorme.
O nome do condomínio em letras douradas.
Residencial Vale do Horizonte.
Helena olhou pra ele, os olhos semicerrados.
— Que lugar é esse?
Helena morava ali desde quando nasceu, porém não conhecia aquele pedaço.
Heitor abaixou o vidro e se aproximou da guarita.
Falou com tranquilidade:
— Boa noite. Heitor Monteiro. Cadastre a Helena Ribeiro Campos como visitante, por favor.
Helena franziu a testa.
— O quê?
— Documento dela, por gentileza. — disse o segurança, cordial.
Ela entregou, ainda sem entender.
Viu o homem tirar uma foto dela com uma câmera pequena ao lado.
Flash.
Ela virou o rosto pra Heitor, brava, desconfiada e sem entender.
— Você comprou uma casa aqui?
Heitor soltou uma gargalhada, ligando o carro e passando pelo portão.
— Ainda não. Mas não é má ideia, hein.
Ela cruzou os braços.
— Você é muito misterioso pro meu gosto.
— Só com coisa boa.
As ruas internas pareciam outro mundo.
Casas grandes, jardins iluminados, ruas limpas, silêncio e luxo em cada esquina.
E então… ela viu.
O casarão.
Luzes acesas nas janelas, jardim impecável, garagem com vaga dupla. Fachada imponente, mas moderna.
Linda.
— Quem mora ali?
Heitor estacionou bem na frente.
Desceu com calma, deu a volta no carro, abriu a porta pra ela e respondeu com um meio sorriso no canto da boca:
— Eu. E… se você quiser... pode morar aqui também.
Helena travou no lugar.
— Como assim, “eu moro aqui”?
— Meu avô comprou esse imóvel faz um tempo, me ofereceu como base enquanto eu tô na cidade. Não tem dono na verdade, mas meu avô disse que eu podia ficar se quisesse. Eu nunca aceitei… Até conhecer alguém que fizesse isso aqui parecer... um lar.
Ela engoliu em seco.
Ele não tava pedindo pra ela se mudar.
Mas tava mostrando que ela podia fazer parte.
De verdade.
Do mundo dele.
— Você é impossível, Heitor.
— Só com uma mulher que me hipnotizam de short e tênis da Vans bordô.
Ela riu, mas sentiu o coração bater diferente.
— E você acha que vai me ganhar assim?
— Não acho. Eu tenho certeza que já ganhei.
Fale com o autor