O CEO que Eu Paguei

11 O mais breve possível


— Como eu dizia… — começou a explicar, a voz saindo firme, mas o coração pulando. — O setor de riscos trabalha de forma transversal com todos os projetos. A gente antecipa os possíveis impactos e simula diferentes cenários de execução…

Heitor olhava pra ela como quem assistia a um show particular. Os olhos azuis percorriam o perfil dela com atenção criminosa. A forma como os fios se moviam com a respiração, os dedos longos finos digitando com rapidez, a postura concentrada tentando fingir que nada estava acontecendo.

Helena o olhou de relance, e ele estava sorrindo. Um sorriso largo, safado e dono.

Ela conhecia aquele olhar.

Conhecia porque tinha sentido ele ontem. Quando ele a puxou pela cintura e se esfregou nela as mãos e corpo faminto.

O arrepio veio no mesmo instante.

Mas ela não se deu por vencida.

Cerrando as sobrancelhas, vestiu sua expressão mais ranzinza. Aquela que usava quando queriam dar uma de engraçadinho no grupo de e-mail. Aquela que dizia “não enche meu saco se não for urgente”.

Continuou explicando com clareza, dominando o assunto. E, por fim, parou de falar.

— É isso — disse, olhando pra frente, sem ousar encará-lo outra vez.

Heitor não respondeu de imediato.

Mas ela sentia. Sabia.

Ele estava se divertindo horrores.

Heitor parecia não prestar o mínimo de atenção no que ela explicava — ou melhor, não nas palavras.

Prestava atenção nela.

No modo como os lábios se moviam. No jeito que ela franzia o cenho quando queria parecer indiferente. Na tensão nos ombros tentando manter a compostura.

Era como assistir alguém fingindo que não está tremendo por dentro.

E ele sabia disso. Sabia exatamente o efeito que estava causando.

Helena, por sua vez, estava com o slide intitucional da Plano aberto, tentava continuar a apresentação como se tudo estivesse normal. Mas a cada segundo com ele ali ao lado, tão próximo, era como se o corpo dela lembrasse tudo o que tinha sentido na noite anterior — e exigisse mais.

Tentou manter o foco na tela.

Tentou.

Mas seus olhos traíram sua vontade.

Percorreram o contorno largo dos ombros, a gola da camisa social azul clara com dois botões abertos, revelando parte do peito dele. As mangas dobradas até o antebraço destacavam os músculos do braço, que pareciam ainda mais definidos agora. A pele branca levemente bronzeada, o relógio elegante, aquela aura de comando natural que ele carregava sem esforço.

Ele era indecente de bonito — e pior, sabia disso.

O olhar dela desceu, só por um instante.

Mas foi o bastante para flagrar algo que a fez prender a respiração.

Mesmo com a calça social bem cortada, o volume marcava.

Como se o corpo dele também lembrasse.

Helena desviou o olhar na mesma hora, tentando manter o rosto neutro, mas a respiração ficou mais curta. O coração disparou, a mente se perdeu por um instante — e ela sentiu.

Molhada. De novo.

Como se o corpo todo tivesse memorizado o gosto dele, o toque dele, o som da voz dele.

Inferno.

“Se controla, idiota,” pensou, apertando as pernas sob a mesa numa tentativa inútil de conter o calor.

Heitor não olhou diretamente para ela naquele momento — mas sorriu. Um sorriso pequeno, no canto da boca. Como se tivesse percebido.

Como se estivesse esperando exatamente por aquilo.

Heitor se inclinou, devagar, invadindo mais uma vez o espaço de Helena como se aquele lugar fosse dele — e, por um momento, era.

Apoiou uma das mãos na mesa, os dedos longos, grossos e firmes ao lado do teclado dela. Os dois estavam tão próximos que era como se o mundo ao redor tivesse diminuído, se dobrado para caber dentro daquele silêncio.

O tom da voz dele veio baixo, carregado de malícia.

— Estou muito satisfeito com o que vi de você, Helena — ele disse, enfatizando o nome com aquele sotaque carioca que parecia escorrer por cada sílaba. — Tenho certeza de que, na próxima vez, você vai se sair ainda melhor.

A frase ficou no ar, cheia de significados.

Helena entendeu cada um deles.

Seu corpo inteiro entendeu.

Mas ela ergueu o olhar com firmeza, desafiando a pressão que ele exercia sobre ela, como se fosse uma batalha de vontades — porque, no fundo, era.

— Não precisa se preocupar com uma próxima vez — disse, com a voz seca. — Isso é tudo o que eu tenho pra mostrar.

A resposta veio firme, mas os olhos… aqueles seus olhos castanhos carregavam tensão demais. Porque ele estava perto. Perto o bastante para, se quisesse, arrancar cada botão da blusa dela ali mesmo. E o pior: ela sabia que ele sabia.

Heitor riu baixo. Aquela risada debochada, de quem já venceu.

— Pelo contrário… — disse, com o sorriso largo que misturava ironia e desejo. — Você vai me mostrar muito mais… e o mais breve possível.

Os dois se olharam.

Longamente.

Um duelo sem palavras, mas cheio de promessas. Ela tentando manter a pose. Ele... se deliciando com cada reação dela.

Por fim, ele se afastou. Com tranquilidade. O humor dele parecia ter se transformado completamente.

Caminhou até Clara e Gaspar, com o ar de quem já estava no controle de tudo.

— Gostei bastante de conhecer o setor de vocês — disse, ajustando as mangas da camisa enquanto falava. — O trabalho aqui está sendo imprescindível pra Monteiro Inc, principalmente na parte de gestão de riscos. Evitar rombos financeiros silenciosos é uma arte que poucos sabem fazer — ele lançou um olhar sugestivo para Helena — e eu pretendo trabalhar de perto com a equipe de vocês durante minha estadia.

Clara sorriu, radiante, ajeitando o cabelo com a mão livre.

— Ficamos muito felizes com isso, senhor Heitor. Muito mesmo. É uma honra.

— Agradeça à Helena — respondeu ele, virando o corpo de lado. — A explicação dela foi excelente. Me lembrou muito uma outra profissional que trabalhou comigo. Se chamava Camila.

O nome caiu como uma pedra.

Ele disse com a entonação carregada, e olhou diretamente para Helena com aquele sorrisinho canalha no canto da boca.

Depois virou as costas e saiu da sala. Rindo com Gaspar.

Deixando para trás um rastro de calor, olhares perdidos… e uma mulher prestes a explodir.