O CEO que Eu Paguei

53 O Primeiro e o Único


Heitor estava sentado na beirada do sofá, observando Helena se vestir. A camisa polo ainda estava desabotoada no peito, o calção no lugar — mas o corpo ainda quente, ainda pulsando com tudo o que tinham acabado de fazer e dizer.

Helena puxava devagar o vestido soltinho vermelho com flores. Ele descia pelas coxas como uma malha viva, colando nas curvas deliciosas dela. E as marcas… as marcas que ele tinha deixado nela estavam ali, visíveis, nas laterais dos seios, na cintura, na parte de dentro das coxas. Uma lembrança desenhada no corpo dela que fez o pau dele latejar de novo, mesmo sem ele querer.

Chegou por trás. Abraçou a cintura dela com cuidado, como quem não queria que ela voltasse a vestir nada nunca mais. A boca dele encontrou o pescoço nu e ele começou a distribuir beijos demorados ali, como se fosse um ritual.

Ela se arrepiou toda. Tentou manter o tom firme:

— Você precisa ir.

Mas o corpo dela... dizia o contrário. Os olhos diziam o contrário.

— Sua avó tem o sono pesado, né? — ele provocou, com aquele tom de malandro que vinha no sussurro.

— Ainda bem. Se não, a gente tava morto.

— Morto e pelado. — completou, sorrindo contra a pele dela.

Helena se afastou e apontou pro canto da sala.

— E a camisinha, Heitor?

Ele ergueu uma sobrancelha.

— Vai querer guardar de lembrança?

— Para! Joga isso fora, pelo amor de Deus.

— Eu tenho que comprar mais pelo jeito... — disse ele, rindo, mas se aproximando para pegar.

Helena foi até o banheiro e trouxe papel higiênico.

— Não dá descarga aqui, vai que volta e a minha avó vê.

— Que desespero, Helena... — ele falou, rindo. — Tu é muito cagona.

— E você é muito relaxado. Vai!

Ele pegou com o papel, levantou e segurou como se fosse uma missão de guerra.

— Pode deixar. Vou enterrar isso longe daqui. — piscou.

Antes de sair, olhou o sofá. A manta estava bagunçada. E suja. Toda brilhante de fluídos úmidos e secos.

Ele passou a mão por cima e riu.

— Isso aqui não fui eu, não. Isso aqui é tudo você, Helena Ribeiro Campos.

Ela arregalou os olhos.

— Mentiroso! Cala essa boca, vai que minha vó acorda.

— Eu vou levar. Juro que vou lavar e devolver. Mas olha... vou precisar de outra dessa. Só pra garantir.

Helena bufou, tentando esconder o riso, e cruzou os braços:

— Você é insuportável.

— E você é perfeita. Quando tá ranzinza, então... quase gozo só de te ver bufar. — apontou em direção a ereção — já tô duro só de te ver assim.

Ela revirou os olhos. Mas ele viu. Viu o sorriso no canto da boca dela. E aquilo era tudo.

Heitor então se aproximou de novo, passou os braços pela cintura dela e encostou o queixo no ombro:

— Posso ficar hoje?

— Claro que não! — ela respondeu, empurrando de leve. — Minha avó vai me matar.

— Eu sou o primeiro, né? — disse, meio convencido, meio orgulhoso.

— O primeiro e, se continuar com essa sua cara de cachorro pidão, o único. — rebateu, já rindo.

— Eu aceito. — respondeu, com aquele olhar azul colado no rosto dela.

Ela mordeu o lábio inferior.

— Vai embora, Heitor. Tá tarde.

Ele a observava como quem registrava cada detalhe pela última vez. As sardinhas fofas espalhadas pelo nariz e nas maçãs do rosto. Os olhos castanhos com cílios grandes e a curvinha no canto da boca quando ela sorria de verdade. O cabelo ondulado com cachos soltos, bagunçados... e tão sexy que deixava ele doente.

Helena foi até o portão com ele. Heitor abriu, eles saíram, e ali, na calçada, com a noite fresca e o som distante dos carros passando, ele a puxou pela cintura e beijou de novo.

Um beijo demorado, quente, com gosto de tudo que eles estavam virando.

Quando se afastaram, ele respirou fundo.

— Amanhã eu não consigo te levar. Tenho uma coisa pra resolver logo cedo... Mas depois de amanhã, eu te busco. Beleza?

— Relaxa. Eu sei me virar. — ela disse, mas os olhos diziam: eu queria que você me buscasse amanhã.

Ele segurou o rosto dela com uma das mãos.

— Confia em mim. Eu vou cuidar de você. Isso tudo... é novo pra mim também. Mas você vai ser feliz. Eu não vou estragar tudo.

Ela sorriu. Um daqueles sorrisos que desmontam qualquer homem.

— Eu confio em você, Heitor.

E ouvir aquilo fez o estômago dele virar. O coração dele se apertar. A língua dele travar.

Ele engoliu seco.

— Eu quero você por inteiro, Helena. Suas partes boas, as difíceis, as que você acha que ninguém vai aguentar. Eu aguento. Eu tô aqui.

Ela ficou sem jeito, tentando fazer piada.

— Nossa, você tá romântico demais hoje.

Heitor sorriu.

— Te culpo por isso.

Ele deu um beijo calmo na bochecha dela, depois outro na boca — agora mais demorado.

Ela tentou resistir, mas se entregou. E no meio do beijo, gemeu baixinho. Ele sentiu o pau crescer de novo, mas respirou fundo.

— Outro dia, amor. — disse ele, com os lábios ainda encostados nos dela.

Ela riu. Um riso safado e doce.

— Vai logo. Antes que minha avó acorde e atire em você.

— Por você? Tomo até bala.

Eles se afastaram devagar. Helena entrou em casa. Quando virou de novo para dar o último tchau, ele ainda estava ali. Encostado no carro. Olhando como se ela fosse o centro do mundo.

E naquele momento, talvez ela fosse mesmo.