O CEO que Eu Paguei

88 O Primeiro Café da Manhã


Helena acordou devagar.

A luz entrava pelas frestas da janela, macia, gentil.

Mas o peito dela?

Pesado.

Sentou-se na cama, os cabelos um pouco bagunçados, o rosto ainda inchado.

Não lembrava que horas tinha dormido.

Só lembrava do que disse.

Do que sentiu.

E o lado dele da cama…

Vazio.

O estômago dela revirou.

O coração pareceu desacelerar por um segundo, como se tivesse entendido antes dela que talvez… ela tivesse estragado tudo de vez.

Vestiu o roupão com as mãos tremendo.

Desceu devagar, em silêncio, sentindo cada degrau doer no peito.

Foi quando sentiu o cheiro.

Cheiro de coisa boa.

Manteiga derretida.

O barulho da frigideira.

Helena se aproximou da sacada.Apoiou-se com cuidado.

E viu.

Heitor.

De costas, mexendo algo no fogão.

Sem camisa, cabelo bagunçado, as mãos seguras como sempre.

E ele…

Cantando baixinho.

— …Mesmo sabendo que é veneno… E vai me fazer mal durante meses… É com essa água que quero matar minha sede… Que quero sofrer às vezes… Já que todo amor faz mal e faz sofrer… Escolho esse…”

Ela engoliu seco.

O nó na garganta era um misto de alívio e vergonha.

Ele sentiu.

Virou o rosto e a viu.

E a olhou como sempre olhava.

Como se ela ainda fosse o centro do universo dele.

— Acordou, Helê? Tá aí toda com cara de quem sonhou que eu tinha fugido — ele disse com aquela voz rouca, o sotaque mais presente, mais dele.

Ela desceu rápido as escadas, sorriu pequeno.

A voz ainda tímida.

— Que que você tá fazendo?

Heitor desligou o fogo.

Secou as mãos.

E se aproximou com aquele jeito que era só dele.

— Tô fazendo o segundo café da manhã.

— Segundo? Você já comeu?

Ele parou na frente dela.

Aproximou-se mais um passo.

A mão dele encostou na cintura do roupão.

O olhar... direto nos olhos dela.

— Vou comer agora. Porque o primeiro... é você.

Antes que ela respondesse qualquer coisa, ele a pegou no colo pelas coxas.

Helena soltou um leve “Heitor!” em susto e riso.

Mas não resistiu.

Nunca resistia.

Ele a colocou sentada na mesa da cozinha, como se aquilo fosse o lugar exato onde ela devia estar.

— Tu não entendeu ainda, né? — ele murmurou, encostando o rosto no dela, o nariz roçando sua bochecha.

— O quê?

— Que você é minha rotina favorita. Meu bom dia preferido. E meu café da manhã, almoço e jantar.

Helena sorriu, embaraçada.

Cruzou os braços, tentando manter a pose:

— Você fala como se fosse fácil me amar assim.

Heitor passou os braços ao redor da cintura dela, o corpo colado, a testa na dela.

— É difícil pra caralho. Mas é a única coisa que eu faço com gosto.

Ela riu.

Um riso novo.

Um riso limpo.

Um riso de quem, finalmente, não precisa fugir.

E ele?

Ele sabia.

A mulher dele voltou.

Inteira.

Por vontade própria.

O cheiro do café ainda pairava no ar.

Mas agora era outro cheiro que tomava conta.

O dela.

Helena estava entregue, mas com aquela expressão orgulhosa que só ela sabia fazer:

Que dizia “me domina” com o corpo, e “tenta me dominar” com o olhar.

Heitor amava aquilo.

Amava que ela nunca se rendia fácil — nem quando já estava se abrindo inteira pra ele.

Ele passou a língua pelos lábios, os olhos colados entre as coxas dela, onde já brilhava o desejo escancarado.

— Tá vendo isso aqui? Nem é minha boca ainda. Nem meus dedos. E tu já tá toda escorrendo por mim.

Helena tentou manter o controle, mordeu o lábio, mas o gemido escapou baixo.

— Cala a boca, Heitor…

— Cê fala isso, mas rebola no meu colo como se fosse tua oração matinal — ele disse, subindo devagar e puxando a cadeira pra perto da mesa.

Colocou uma mão firme na nuca dela, puxando pro beijo.

Mas não foi beijo doce.

Foi quente, cheio de vontade.

De quem sentiu falta da língua, da boca, do gosto e dela.

Helena envolveu o pescoço dele com as pernas.

Fez pressão.

— Tu é safada mesmo, né?

— E você é pior.

— Te provo. Agora.

Ele a virou devagar, sem pressa.

Deitou ela de costas sobre a mesa, os cabelos espalhados entre colheres e uma xícara esquecida.

Passou a mão firme pela barriga dela.

Mordeu devagar o caminho até a virilha.

— Fica quietinha pra mim, Helena. Vou te fazer lembrar quem tu é. E pra quem tu goza.

Ela gemeu baixo.

Arfou quando sentiu a mão dele deslizar pela parte mais molhada dela.

Heitor ergueu os olhos, os dedos ainda trabalhando, e sussurrou:

— Isso aqui não tem comparação. Não tem concorrência. É só meu. Tu sabe.

Ela assentiu com a cabeça, sem conseguir responder com palavras.

Ele passou a mão pelo rosto dela, o polegar acariciando o canto da boca.

— E eu sou seu, mulher. Mesmo quando não sei lidar. Mesmo quando fico puto.

Meu corpo inteiro já sabe: você é minha casa.

Helena puxou ele pela camisa, os olhos brilhando, o peito subindo e descendo rápido.

— Então para de falar… e me mostra.

— Cê vai implorar pra eu parar.

— Então me faz implorar.

O sorriso que veio depois foi perigoso.

E completamente apaixonado — mesmo que nenhum dos dois dissesse.

Ele a segurou firme.

E fez.