O CEO que Eu Paguei

151 O Maior Presente da Minha Vida


Heitor destrancou a porta do apartamento, ainda com a cabeça cheia de estratégias — como começaria aquela conversa difícil com Helena? Mas a linha de raciocínio foi quebrada assim que entrou.

O silêncio o estranhou. Nem Mel correu abanando o rabo, nem Helena apareceu sorrindo no corredor. Em vez disso, o que encontrou foram balões brancos e transparentes espalhados pela sala, alguns flutuando, outros no chão.

Um sorriso cresceu no rosto dele.

Ela errou a data do meu aniversário.

O coração se aqueceu. Não tinha importância. Se a mulher da sua vida quisesse comemorar naquele dia, ele faria daquela data um segundo aniversário. O que importava não era o dia em si, mas o gesto. E só o fato de Helena ter preparado aquilo já valia mais do que qualquer presente caro.

Curioso, percorreu o apartamento em silêncio, procurando por suas garotas. Estariam escondidas na sacada? No quarto? Talvez tentando pregar uma peça? Mas o que o fez parar foi algo sobre a bancada: uma caixa branca, fechada com uma fita de cetim no canto.

Heitor se aproximou devagar. Um presente.

Os olhos dele brilharam. Era a primeira vez que Helena lhe daria um presente de verdade. O peito dele se apertou de alegria. O que será que ela pensou? Algo que ele precisava? Algo que ela mesma fez? Qual seria a ideia dela para deixá-lo ainda mais feliz?

Pegou a caixa com cuidado, as duas mãos firmes. Era leve. Leve demais. Isso o deixou intrigado. Aproximou o ouvido e deu uma leve balançada. Um barulho suave, algo solto lá dentro. O coração dele disparou, como se tivesse voltado a ser um garoto travesso prestes a descobrir um segredo.

Devolveu a caixa à mesa, respirou fundo e olhou para os lados. Nenhum sinal de Helena, nenhum sinal de Mel. Sorriu sozinho e puxou a ponta da fita, desfazendo o laço devagar, sentindo o peito vibrar de expectativa.

Heitor levantou a tampa da caixa sem pensar muito, ansioso como um garoto. Mas quando viu o que havia dentro, ficou atônito.

Colocou a tampa ao lado e franziu as sobrancelhas, confuso. Um par de sapatinhos brancos de tricô?

Ele piscou rápido, incrédulo. A mão forte, que nunca tremia nem diante dos maiores negócios, vacilou quando pegou um dos sapatinhos e o girou entre os dedos. Era tão pequeno… tão pequeno que caberia fechado dentro da própria palma.

O coração dele errou o compasso.

Olhou de novo para a caixa. Havia algo mais. Um pedaço de tecido dobrado. Ele puxou, a mão trêmula, e o ar escapou do peito quando percebeu o que era: um body de bebê.

No centro, em letras delicadas, lia-se:

“Mal posso esperar para te encontrar, PAPAI.”

O impacto foi tão forte que ele precisou apoiar a mão livre na bancada. O corpo inteiro ficou quente e frágil, como se não fosse dele. Foi como se todo o sangue do corpo dele corresse direto para o coração. O peito pulsava forte, lento, cada batida ecoando como um trovão. Ele riu — um riso curto, nervoso, embargado — e logo os olhos se encheram de lágrimas. Passou a mão pelos cabelos, pela boca, pelo rosto, tentando se recompor, mas não havia como.

O sorriso se abriu no rosto dele, largo.

— Meu Deus… — a voz saiu falha, trêmula. — Helena…

Abaixou o olhar de novo. Dentro da caixa havia um papel dobrado. Abriu com cuidado. Quatro testes de gravidez, todos com as mesmas duas linhas firmes. Ele respirou fundo, mas o ar parecia preso no peito.

No laudo médico, o nome dela. E logo abaixo, em letras pesadas, definitivas:

POSITIVO.

As lágrimas caíram de vez, silenciosas, quentes. E junto, a letra dela, escrita à mão:

“Meus parabéns! Você vai ser papai!”

Heitor deixou o papel escorregar devagar até a bancada e cobriu o rosto com as duas mãos. Chorou baixo, riu no meio do choro, como se não acreditasse que aquilo estava acontecendo com ele. Era alegria pura, desmedida, um amor que não cabia no peito.

Ele levantou o rosto, enxugando rápido as lágrimas, e chamou, rouco:

— Helena…

Deu um passo, olhou em volta, mais alto agora:

— Amor?!

A porta do quarto se abriu devagar.

Primeiro saiu Mel, abanando o rabo, com um balão preso à coleira. Nele, estava escrito em letras grandes:

“Irmã mais velha.”

Heitor sentiu a garganta fechar.

E então Helena apareceu atrás da cachorrinha. O rosto molhado, os olhos brilhando. Sorriu primeiro com timidez, como se pedisse desculpas pela surpresa. Mas quando o olhar dele se prendeu ao dela, o sorriso foi se alargando, e as lágrimas voltaram a descer pelas bochechas dela.

Heitor não conseguiu se segurar. Ele deu um passo, depois outro, até não aguentar mais e correr em direção a ela.

Ao se aproximar, puxou-a para os seus braços. Apertou Helena contra o peito com tanta força que parecia querer fundi-la nele, o rosto enterrado no pescoço dela.

Ria e chorava ao mesmo tempo, o corpo inteiro tremendo.

Heitor levou as mãos ao rosto dela, os polegares secando as lágrimas que não paravam de cair. Olhou-a bem de perto, tremendo de emoção.

— Ah, Helena… — a voz falhava, entre risos e soluços. — Você me deu o maior presente da minha vida.

Ela apertou os olhos, tentando segurar o choro, mas a voz saiu trêmula, quase uma súplica:

— Você tá feliz?

Ele riu, uma risada limpa, carregada de incredulidade e amor. Os olhos azuis brilhavam tanto que pareciam iluminar todo o apartamento.

— Porra, Helena… — disse ofegante, com o sorriso rasgando o rosto. — Eu nunca… nunca fui tão feliz na minha vida inteira!

Ele fechou os olhos e as lágrimas desceram ainda mais fortes. A voz saiu embargada, mas cheia de verdade:

— Obrigado… obrigado por ser o amor da minha vida. Por ser a mãe do meu filho. Eu te amo tanto, meu Deus, tanto…

Ele a puxou contra si, envolvendo-a num abraço apertado, protetor, quase desesperado. Helena encostou o rosto no peito dele, a voz abafada pela emoção:

— Eu também te amo. Você vai ser pai, Heitor. Vamos ter a nossa família…

Ele riu alto, soluçando, como se não coubesse dentro dele tamanha felicidade.

— Eu vou ser pai! Eu vou ser pai, Helena! E você… você vai ser mãe! — ele a ergueu nos braços, rodando pelo apartamento, como um menino que acabava de receber o maior presente do mundo.

O riso dele ecoava pelas paredes.

— Eu vou ser pai! PAIIIIII! — gritou, a voz embargada, mas cheia de vida.

Helena ria junto, agarrada a ele, o coração batendo no mesmo compasso.

— Um bebê, Helê! — ele rodopiou com ela no colo, os olhos marejados mas sorrindo como nunca. — A gente vai ter um bebê!

Ele a segurou mais forte, como se pudesse protegê-la de tudo. O corpo inteiro dele tremia, mas o sorriso não cabia no rosto.

— Esse… esse é o dia mais feliz da minha vida! — gritou, e então encostou a testa na dela, rindo e chorando ao mesmo tempo.

Heitor a abaixou devagar, os olhos azuis brilhando como se carregassem todo o céu dentro deles. O sorriso dele era tão largo, tão cheio de vida, que Helena sentiu as pernas fraquejarem.

— Eu posso… falar com o bebê? — perguntou quase num sussurro, mas com a empolgação de uma criança.

Helena corou de imediato. Ela mesma ainda não tinha encontrado coragem para conversar com o bebê. Mas diante do olhar dele, cheio de amor e esperança, apenas assentiu.

Heitor se ajoelhou na frente dela, o coração disparado. Com cuidado, ergueu a camiseta que ela usava, revelando a pele suave de sua barriga. Os olhos dele se encheram de lágrimas outra vez, e ele precisou inspirar fundo para não desmoronar de emoção.

— Oi, meu filho… — disse baixinho, sorrindo com ternura. — Ou minha filha… é o seu pai.

A mão grande dele pousou com delicadeza sobre a barriga, acariciando-a como se já pudesse sentir a vida ali dentro.

— Quero que você saiba que eu… o seu pai… e a sua mãe… estamos muito felizes por você existir. — a voz embargou, mas ele prosseguiu, chorando e tentando manter o sorriso ao mesmo tempo. — Você já é muito amado. Eu vou ser o melhor pai do mundo pra você. Prometo.

As lágrimas escorreram, ele apertava os olhos tentando se controlar.

— Eu tô aqui, e vou estar sempre. Eu prometo… vou proteger você e a sua mãe. Vou amar vocês até mesmo depois que a minha vida acabar.

Então, ele encostou a cabeça na barriga dela, fechando os olhos, e deixou um beijo demorado, cheio de reverência, como se consagrasse aquele instante para sempre.

Quando ergueu o rosto, olhou para Helena com o mais lindo dos sorrisos, um sorriso que se complementava ao olhar. E foi naquele momento que ela sentiu em cada fibra do seu ser: nunca tinha feito algo tão certo. Nunca tinha amado alguém tão certo. Heitor Monteiro era o homem da sua vida… e agora, o pai do seu filho.

Notas finais
O que eu chorei escrevendo esse capítulo, não tá escrito.