O CEO que Eu Paguei

232 O Fim da Ilusão


O quarto parecia menor agora.

Isaac ficou parado no meio dele por alguns segundos, sem saber exatamente para onde olhar. Era como se tudo tivesse perdido o lugar. O que tinha acabado de acontecer lá fora ainda ecoava, mas não como uma cena clara — vinha em pedaços. A voz da Helena. O tom do Heitor. O choro da Ana Alice. As palavras se misturavam, se atropelavam, e nenhuma delas se encaixava direito.

Ele levou a mão ao rosto, apertando os olhos com força, tentando empurrar aquilo para longe. Não adiantou. Pelo contrário quanto mais tentava não pensar, mais claro ficava. Mais sentido começava a fazer.

Foi quando sentiu o toque, a mão dela na dele.

Ele abriu os olhos.

Ana Alice estava ali, mais perto, o rosto ainda marcado, mas com aquele mesmo jeito doce que sempre desmontava ele.

— Amor… — disse, baixa, quase cuidadosa — eu queria ter feito uma surpresa… mas eu tô preocupada… levei muitos golpes…

Isaac olhou para ela e, pela primeira vez, aquilo não tocou nele. Ele puxou a mão de volta devagar, como se precisasse de espaço para pensar.

— Para… — disse, a voz baixa, mas firme — para com isso.

Ela franziu o cenho, como se não tivesse entendido.

— Com o quê?

Ele respirou fundo, tentando manter o controle.

— Com isso tudo. — apontou de leve para ela, para o choro, para o jeito. — Para de me tratar como se eu fosse idiota.

O rosto dela mudou.

— Isaac…

— Não. — ele cortou, firme — não tenta virar isso agora.

Passou a mão pela nuca, começando a andar pelo quarto, inquieto, a respiração já mais pesada.

— Grávida? — soltou, desacreditado — você me olha na cara e mete essa?

Virou de novo para ela.

— Seu ciclo acabou segunda. Você toma remédio. — a voz dele foi ficando mais dura — e eu uso preservativo. Sempre. Mesmo quando você dizia que não precisava.

Deu um passo à frente.

— Você achou que eu era um burro, é isso?

Não tinha mais dúvida ali. Isaac viu na pausa dela e no jeito que ela desviou o olhar por um segundo.

— Me desculpa… — disse por fim, mais baixo — eu menti.

Aquilo não veio como surpresa.

Mas doeu.

Mais do que ele esperava.

— Eu sei. — respondeu, sem levantar o tom.

E esse “eu sei” carregava mais coisa do que qualquer grito.

Ele passou a mão pelo rosto, sentindo o cansaço bater de uma vez.

— Por quê?

Ela não respondeu de imediato.

E ele insistiu.

— Por que você fez isso comigo?

A voz saiu mais fraca agora, menos controle, mais verdade.

— Eu só queria me defender… — ela tentou — a Helena tava alterada…

Isaac soltou um riso curto, sem humor.

— Eu não tô falando disso. — ele deu um passo mais perto. — Eu tô falando do que ela disse. Você tava flertando com ele?

Ela não respondeu.

Não negou na hora.

E aquele atraso… foi pior do que qualquer resposta.

Isaac sentiu o estômago afundar.

— Você tava flertando com ele? — repetiu, agora mais baixo.

— Não foi assim… — ela começou.

— Então como foi?

A voz dele subiu um pouco, sem ele perceber.

— ME EXPLICA, ANA ALICE. PORQUE EU TÔ TENTANDO ENTENDER.

Ela deu um passo atrás.

— Não grita comigo…

Ele riu, desacreditado, passando a mão pelos cabelos.

— Eu não tô gritando… — murmurou, mas já não soava tão firme — eu tô tentando entender POR QUE VOCÊ FEZ ISSO COMIGO.

A garganta dele começou a apertar. De um jeito que ele não estava esperando.

Ele respirou mais rápido, tentando conter as lágrimas que insistiam em se formar. Amava tanto Ana Alice. Tinha dado tudo de si por ela. Sempre encontrava um jeito de ajustar o horário abusivo do banco só para estar presente. Preferia trabalhar de madrugada a abrir mão de passar a noite ao lado dela. Foi carinhoso, respeitoso, presente. Então, qual foi o problema? Ele nunca faltou. Nunca deixou de estar ali. Tudo o que ela queria, ele fazia questão de dar.

Ele olhou para ela, os olhos já marejados.

— O que faltou? — a voz dele saiu dolorida.

Ela não respondeu.

E o silêncio respondeu por ela.

Isaac desviou o olhar, respirando fundo, mas o ar não vinha direito.

— Eu não fui suficiente? — perguntou, quase para si mesmo.

As lágrimas vieram sem pedir.

Ele passou a mão no rosto rápido, incomodado.

— Que merda… — murmurou.

Ana Alice começou a chorar também, mas ele não se moveu.

— É por causa dele? — perguntou, sem olhar — porque ele tem dinheiro? porque ele é… aquilo tudo?

Ela balançou a cabeça.

Mas não falou.

E aquilo doeu mais.

Isaac soltou um riso fraco, sem vida.

— Então foi tudo mentira…

Ela avançou e o abraçou com força. Isaac sentiu repulsa.

— Me solta… — disse, baixo.

Ela não soltou.

— Eu te amo, Isaac…

Ele fechou os olhos, sentindo aquilo apertar ainda mais.

— Me solta.

Ela apertou mais e foi ali que ele perdeu a paciência.

— Me solta, Ana Alice.

Nada.

— ME SOLTA!

Ele a afastou com mais força do que queria.

Deu um passo para trás, respirando pesado, como se o ar estivesse faltando.

— Isaac, eu te amo! — a voz dela veio quebrada, desesperada, como se ainda pudesse segurar alguma coisa que já tinha escapado.

Mas ele não parou.

— Você nunca me viu como seu parceiro. — a frase saiu dura, seca — você só queria o Heitor.

Ele virou e entrou mais para dentro do quarto, como se precisasse de espaço, de ar, de distância dela. Ana Alice foi atrás na mesma hora, quase tropeçando nos próprios passos.

— Não, Isaac! Me escuta, por favor!

Ele continuava andando, passando a mão pelo rosto, tentando tirar aquela sensação de sufoco do peito. Tinha algo preso ali, incomodando, queimando, e não saía.

— Você mentiu pra mim. — disse sem olhar — você só sabe mentir.

— Não! — ela rebateu, chorando — me deixa falar, pelo amor de Deus!

Ela tentava se aproximar, e ele ia afastando com as mãos, sem agressividade, mas com uma rejeição clara, o toque dela o machucava.

— Como você explica isso? — ele virou de uma vez, encarando — você não me respeita! Você tava planejando seduzir outro homem!

A voz subiu.

— Isso é traição! Você traiu a minha confiança!

— Isaac, me perdoa! — ela disse entre soluços — eu não vou mentir mais, eu juro! Me deixa contar a verdade!

Ele ficou olhando. Como se já tivesse ouvido tudo que precisava, mas ainda assim quisesse se machucar mais um pouco.

Sentou na beira da cama, os cotovelos apoiados nas pernas, passando a mão pelo rosto.

— Então fala… — a voz saiu mais baixa — me fala onde foi que eu errei.

Aquilo não era só pergunta.

Era dor.

Ana Alice chorava mais forte agora, as palavras saindo atropeladas.

— Você nunca errou, Isaac… a culpa é minha! Eu… eu nunca tive nada bom na minha vida… além de você… e eu não soube lidar… parecia errado… bom demais…

Ele soltou um riso curto, sem humor, olhando para as próprias mãos.

— Então eu devia ter sido pior? — murmurou — você queria alguém que te tratasse mal?

— Não! — ela respondeu rápido — mas é o que eu conheço… você é diferente… você é a chance que Deus me deu de ser diferente… e eu estraguei…

O silêncio caiu por um segundo.

E então ela continuou.

— Eu… eu tô sendo chantageada…

Isaac levantou o olhar devagar.

— O quê?

— Um ex… — ela disse, apertando as próprias mãos — ele disse que ia te contar coisas minhas… coisas do meu passado… e eu fiquei com medo… eu não queria te perder…

Ela respirou fundo, como se estivesse se preparando para justificar o que vinha.

— Eu queria ajuda… eu pensei em pedir ajuda pro Heitor… porque ele tem… recursos… influência… ele poderia resolver isso sem expor a gente…

Isaac ficou olhando.

Sem reação por um segundo.

Como se não tivesse entendido.

Ou como se não quisesse entender.

— Espera… — disse devagar — você tava com um problema… e decidiu pedir ajuda pra ele?

A voz dele não subiu.

Mas ficou mais pesada.

— Por isso você tava flertando?

Ela assentiu rápido, desesperada.

— Foi só por isso! Eu juro!

Aquilo bateu pior do que tudo.

Muito pior.

Isaac passou a mão pelo rosto, rindo sem humor, incrédulo.

— Você não me vê como homem…

Falou mais para si do que para ela.

— Pra você, o homem é ele. Não eu.

Ana Alice correu até ele e se ajoelhou na frente da cama, segurando o braço dele.

— Não fala isso! Eu não queria que você me odiasse! — disse, aflita — o Heitor tem como resolver essas coisas sem respingar na gente… eu só queria proteger o nosso relacionamento!

Isaac olhou para ela.

De cima.

E aquilo… doeu de um jeito diferente.

Não era mais só traição.

Era desrespeito.

Era comparação.

Era substituição.

Ele limpou os olhos com a mão, respirando fundo, tentando manter algum controle.

Mas a dor já tinha virado outra coisa.

— Existem dois tipos de mulher… — começou, a voz baixa, firme — a mulher de valor… e a mulher de preço.

Ela congelou.

— Eu cresci rodeado de mulher de preço. — continuou, olhando direto — achei que você fosse diferente.

Ele se levantou devagar.

E agora não tinha mais dúvida no olhar.

Só frieza.

— Com o PIX caindo, elas fazem qualquer coisa.

Ela balançou a cabeça, em choque.

— Isaac, não…

— Eu não imaginei que você fosse assim.

Ele deu um passo para trás, criando distância de vez.

— Você tem até amanhã pra sair do hotel. Eu não vou bancar mulher de preço.

A frase saiu limpa.

Sem tremor.

Sem volta.

— Até porque… — completou, com um sorriso amargo — nem dinheiro pra isso eu tenho, né?

— Isaac, espera! — ela levantou rápido — não faz isso comigo!

Mas ele já não estava mais ali emocionalmente, ele estava magoado e ferido demais.

Ele tirou a aliança do dedo.

Olhou por um segundo.

E jogou no chão.

O som seco bateu no quarto.

— Vende isso. — disse — deve pagar pelo menos um dia comigo.

Ela começou a chorar mais alto.

— Isaac, por favor—

Ele virou de costas.

— Acabou, Ana Alice. Vou de Uber. Vai embora com o motorista.

E saiu.

Sem olhar pra trás.

Ana Alice ficou parada no mesmo lugar por alguns segundos depois que a porta fechou.

Não era nem silêncio, era um vazio estranho, como se o quarto tivesse engolido o som e deixado só o eco do que tinha acabado de acontecer. Ela olhou para a porta, esperando, quase automática, como se ele fosse voltar. Como se aquilo tivesse sido só um impulso, uma briga feia que terminava com ele respirando fundo e voltando para ela.

Ele não voltou.

O corpo dela não reagia direito. As pernas não respondiam, como se levantar fosse exigir mais do que ela tinha naquele momento. Então ela ficou ali, sentada no chão, sentindo o peso cair devagar, uma ficha depois da outra, até começar a doer de verdade.

Aquilo… não era uma briga qualquer.

Ela perdeu.

A percepção veio de um jeito seco, direto, sem espaço para se enganar muito.

Tudo o que ela tinha construído — ou achava que tinha — escorreu por entre os dedos em questão de minutos.

E ainda assim… uma parte dela se recusava a aceitar.

Isaac só precisava de tempo. Ele estava com raiva, ferido… claro que estava. Qualquer homem ficaria. Mas ele amava ela. Aquilo não acabava assim. Não com o jeito que ele olhava, não com o jeito que ele se entregava.

Ela ia consertar.

Não importava como.

Ficou ali por um tempo que ela nem soube medir, chorando sem conseguir parar, até o rosto começar a arder. Quando finalmente se levantou, foi direto para o banheiro, quase no automático. Precisava se limpar, se recompor, se ver.

O espelho devolveu uma imagem que ela não reconheceu de primeira.

O rosto inchado, marcado pelos vergões, os olhos vermelhos, pesados. O cabelo — que ela sempre cuidava com tanto zelo — agora embolado, desalinhado, caindo sem forma sobre os ombros.

Aquilo apertou o peito dela de novo.

E o choro voltou.

Mais baixo dessa vez, mais cansado.

Era injusto. Era isso que passava na cabeça dela enquanto tentava limpar o rosto, enquanto molhava a pele e via a água escorrer misturada com maquiagem borrada. Ela não queria perder o Isaac. Não queria mesmo. Ele era a melhor coisa que já tinha acontecido na vida dela. Era seguro, era constante, era… certo.

Então por que ele não entendia?

Ela só tinha tentado proteger aquilo.

Proteger o que eles tinham.

A culpa não era só dela.

Não podia ser.

A Helena… o jeito que entrou, o jeito que falou… e o Heitor ali, reforçando tudo… eles tinham virado aquilo contra ela. Tinham colocado o Isaac contra ela.

A ideia foi se formando como uma defesa automática, confortável o suficiente para ela não afundar de vez.

Ela precisava resolver.

Precisava agir.

Quando saiu do quarto, fez isso quase escondida, evitando cruzar com qualquer um. O som da festa já vinha de longe, mais forte, mais animado — risadas, música, gente vivendo como se nada tivesse acontecido. “Devem ter ido para o iate”.

Encontrou o motorista e pediu para ir embora.

No hotel, tomou um banho demorado, tentando tirar do corpo a sensação de tudo aquilo. A água ajudava, mas não resolvia. A cabeça continuava cheia, rodando, voltando sempre para o mesmo ponto: Isaac indo embora sem olhar para trás.

Ela não podia deixar assim.

Se arrumou rápido e foi até o prédio dele.

Era o lugar mais óbvio.

Onde ele voltaria.

Mas dessa vez foi diferente.

Na portaria, não deixaram subir.

Sem explicação longa, sem gentileza — só um “ele não autorizou”.

Aquilo a magoou mais do que ela esperava.

Ela tentou insistir, explicar, mas não adiantou.

Então ficou.

Sentada no saguão, esperando.

O celular na mão o tempo todo.

Mensagens.

Ligações.

Mais mensagens.

Ele não bloqueou.

Mas também não respondeu.

Nem visualizou.

As horas passaram arrastadas. O corpo começou a dar sinais de cansaço, de fraqueza. Ela quase não tinha comido nada o dia inteiro, e agora aquilo cobrava. A cabeça ficou leve demais, meio zonza, o estômago vazio apertando.

No fim, não aguentou.

Voltou para o hotel e pediu qualquer coisa para comer, mas mal sentiu o gosto. O coração apertava o tempo todo, um desconforto constante que não passava.

Porque, no meio de tudo, uma coisa era impossível de ignorar.

Ela sentia falta dele.

Falta real.

Do jeito dele.

Do cuidado.

Da forma como ele olhava.

E isso doía mais do que a briga.

Mais do que as acusações.

Mais do que qualquer coisa.

Ela deitou, mas não dormiu. Ficou virando de um lado para o outro, pegando o celular de tempos em tempos, tentando de novo, insistindo, como se em algum momento ele fosse responder.

Não respondeu.

A madrugada passou assim.

Arrastada.

Quando o dia começou a clarear, ela já estava acordada, cansada, com os olhos pesados e a cabeça latejando. Se levantou mesmo assim. Não ia trabalhar. Não naquele estado. Ela precisava resolver aquilo, precisava falar com ele de qualquer jeito.

Estava se arrumando, com a mente ainda presa nisso, quando o celular vibrou na mão dela.

Ana Alice olhou o nome na tela e sentiu uma irritação automática subir. Clara, sua supervisora da PLANO & FORMA.

Não era hora.

Nunca era.

Mas, naquele momento, parecia ainda pior.

Mesmo assim, atendeu.

— Alô?

— Bom dia, Ana Alice, como você está?

— Bem. — respondeu seca, sem esforço nenhum para disfarçar.

— Imagino que sim… o Rio deve estar sendo incrível, né? Um lugar ótimo pra passar uns dias, ainda mais depois de um bootcamp puxado…

Aquele tom, descontraído. Quase simpático. Irritou mais do que deveria.

— Clara, se não for sobre trabalho, eu não posso falar agora.

Do outro lado, um suspiro curto.

— É sobre trabalho, sim.

A pausa foi breve.

— A FORT GROUP encerrou o contrato com a Plano & Forma.

O mundo deu uma travada.

Pequena.

Mas suficiente.

Ana Alice não respondeu.

Nem conseguiu.

O estômago virou de um jeito estranho, pesado, como se tivesse caído alguns degraus de uma vez.

— Eu sei que é chato — Clara continuou, no mesmo tom prático — mas não tem nada a ver com o seu desempenho, tá? É uma mudança estratégica por causa da Monteiro Inc..

Aquilo só piorou.

Ela engoliu em seco, sentindo a garganta apertar.

— Mas, olha… não precisa se preocupar agora — Clara seguiu — você pode aproveitar mais essa semana aí no Rio antes de voltar pra Minas.

Como se fosse um presente.

Como se aquilo fosse bom.

— Como você fez um bom trabalho, a gente vai manter sua estadia por mais uma semana. Hotel pago e uma refeição por dia, certo? — continuou — só não são mais todas as refeições. O cartão corporativo não vai ser recarregado.

Ana Alice continuava em silêncio.

O celular pressionado contra o ouvido.

Sem reação.

— Alô? Você tá aí? — Clara insistiu.

Nada.

— Se te consola… o Hugo e a Júlia nem tiveram esse tempo extra depois do bootcamp. — ela acrescentou, tentando amenizar — quando o RH fechar sua passagem de volta, eu te aviso.

O silêncio do outro lado começou a incomodar.

— Qualquer coisa, pode me chamar, tá?

Nada.

— Ana Alice?

Nada.

— Poxa… pelo menos fala alguma coisa.

Ainda assim, nada.

— Quer saber? A gente se fala depois.

A ligação caiu.

Mas Ana Alice não tirou o celular do ouvido.

Ficou ali.

Parada.

Como se ainda estivesse ouvindo.

Como se, se se mexesse, tudo fosse piorar ainda mais.

Porque agora não era só o Isaac.

Não era só a briga.

Não era só o medo de ter perdido o que ela achava que era a melhor coisa da vida dela.

Agora… o resto também estava indo embora.

De uma vez.

Sem aviso.

Sem controle.

Como se tudo estivesse desmoronando ao mesmo tempo… e ela não tivesse mais para onde correr.