O CEO que Eu Paguei
27 Não Foi Só Desejo
O som da porta batendo ainda ecoava na mente de Heitor enquanto ele dirigia.
Ele a desejava. Mas não era só desejo. Tinha alguma coisa ali. Uma provocação que ele não sabia explicar — mas que latejava no fundo do peito e no meio das pernas. Uma curiosidade, um ímã maldito.
Abaixou o espelho do retrovisor e olhou para si mesmo.
— Parabéns, Heitor — disse em voz baixa. — Nunca teve uma mulher tão perto... e tão longe.
Passou a mão no rosto, tentando empurrar a raiva de volta pra dentro. Mas ela não ia. Porque a porra da raiva agora vinha misturada com frustração. E vontade.
Soltou o ar devagar… e riu.
Mas era um riso sem graça. Um riso que doía nos dentes.
“Eu não sinto nada por você!”
A frase passou de novo. E de novo.
Helena era cheia de pose, mas ele tinha visto a verdade escorrer na calcinha dela.
Tinha sentido no gemido, na pele quente, na forma como ela dizia que não queria — enquanto o corpo pedia mais.
Heitor apertou o volante com força. Como se fosse a única forma de não dar meia volta e ir atrás dela. De abrir o portão e invadir o mundo dela. Porque correr atrás era coisa que ele não faz. Nunca fez e nem precisou.
Mas essa porra dessa mulher... Ela não tinha jogado o charme clássico. Ela não mandou mensagem de madrugada. Não elogiou o perfume, nem se esforçou pra agradar.
Pelo contrário, ela xingou. Debochou. O rejeitou várias vezes .
E, ainda assim, tava impregnada nele. O gosto da boca dela ainda tava ali — na língua, na curva do lábio. Aquela respiração quente que batia contra o rosto dele. A forma como ela gemia mesmo querendo segurar. E aquela porra daquele olhar...
— Caralho, Helena...— Soltou baixo, com a voz rouca. Aquela mesma que ela dizia que deixava a molhada. E agora ele tava aqui. Sozinho. Puto.
Ela fez parecer que não foi nada. Como se aquele beijo na obra fosse só fogo de palha. Mas Heitor lembrava, do jeito que ela tremia, do jeito que agarrou os ombros dele e da respiração falha.
Ele não precisava que ninguém dissesse o que era verdadeiro. Ele sentia. Sentia no próprio corpo. Na pele. Na raiva. Porque ela podia mentir com a boca... Mas o corpo dela entregava tudo.
Apertou o volante. Quase quis socar. Mas não era ele isso. Não era impulsivo — não do tipo que perde a linha por qualquer coisa.
Só que Helena não era qualquer coisa. Ela tinha aquela voz meio cantada do interior. Aquela boca que xingava como quem beijava. Aquele orgulho desgraçado que deixava ele mais duro do que o normal.
E agora ela queria jogar tudo pro alto, como se ele fosse só mais um?
Não era. E ela sabia.
Heitor respirou fundo.
“Paciência.”
O orgulho dele era pesado. Mas o desejo...
Esse tava insustentável.
Olhou pro retrovisor. Os olhos azuis estavam escuros, o cabelo bagunçado, o olhar baixo.
— Tu ficou mal hein, irmão — disse pra si mesmo com deboche.
Porque, no fundo, estava mesmo.
Ele era um homem de controle. De autocontrole. Sempre foi. Mas aquela mulher…Aquela mulher quebrava tudo. Desde o primeiro dia. Desde quando o abordou na rua e o arrastou para o hotel — até parecia que ele não havia aceitado na hora.
As palavras dela chegavam como socos no estômago dele.
Ele tentou. Tentou ir devagar. Tentou respeitar o espaço. Tentou até ser leve — coisa que ele não era. Mas ela só revidava. Só mordia. Só erguia muralhas.
"Você quer me comer."
Ele queria, sim. Queria com a fome de um homem que sentiu a boca dela tremer na dele. Queria com a raiva de quem esperou o dia inteiro por um sorriso que não veio. Queria com quem está com o pau doendo de sempre ter uma foda interrompida.
Saiu do carro e começou a andar pelo centro. Os passos lentos, as mãos no bolso da calça social. Ele queria sentir o vento. Queria lembrar que tava vivo.
Foi então que viu os cones. A rua sendo fechada. Banners sendo pendurados. Uma estrutura de som sendo testada.
Chegou perto de um dos guardas municipais.
— Boa noite, irmão. Que que tá rolando aí?
— Inauguração da Boate Pulsar. Amanhã. Primeira noite. Tão esperando mais de mil pessoas.
Heitor riu de leve. Só com um canto da boca. O jeito dele de esconder o que sentia.
— Mil, é?
— Vai bombar. A galera da cidade toda e de fora vão vir.
Ele olhou pro céu escuro por um segundo, depois voltou o olhar pro guarda:
— Vou estar aqui.
— Vai vir sozinho?
Heitor passou a mão pela barba.
— Sozinho eu chego. Mas não prometo que volto.
O guarda riu como cúmplice. Heitor deu as costas, o orgulho tava sangrando por dentro, calado.
Mas Helena? Helena ainda tava dentro dele. E amanhã… ou ele esquecia.
Ou fazia questão de ser lembrado.
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