O CEO que Eu Paguei

29 Noite de Solteira


A rua estava lotada. Luzes coloridas cortavam o céu como lasers em câmera lenta. Gente por todos os lados, música vibrando no asfalto, cheiro de perfume caro e suor misturado com expectativa no ar.

Helena saiu do carro com cuidado, ajeitando a alça fina do vestido enquanto tentava não tropeçar nos olhares que já vinham de todos os lados.

Clara ao volante com o carro desligado, postando storys marcando eles.

— A boate nem abriu e já parece um festival. — comentou Júlia, descendo animada.

— Vai ser um festival de rebolado, isso sim — disse Clara, ajeitando o cabelo e batendo os cílios como se fosse lançar feitiço com eles.

Os quatro seguiram rumo à fila, que serpenteava pela calçada com passos impacientes e conversas altas. Hugo olhou aquela multidão e revirou os olhos.

— Eu não nasci pra ser plebe.

Esperem aqui.E lá foi ele — saltitante, desinibido, elegante com sua calça de alfaiataria e camisa de seda estampada — direto até o segurança. As três ficaram observando.

— O que será que ele vai fazer? — perguntou Clara.

— Chantagem? Suborno? Desespero? — arriscou Júlia.

— Magia negra — sugeriu Helena.

Dois minutos depois, o segurança se afastou da corrente de isolamento e acenou para o grupo.

— Pode passar.

As meninas se entreolharam.

— Que porra foi essa? — perguntou Helena.

Hugo voltou com um sorriso vitorioso e fez um discreto gesto com a mão perto da boca, simulando um boquete bem-humorado.

— O poder do convencimento, minhas amigas. Nunca duvidem da minha garganta diplomática.

— Você é podre — murmurou Clara, tentando não rir.

— E vocês estão bem-vindas — respondeu ele, dando um giro dramático e entrando.

Lá dentro, a boate era um delírio visual.

Luzes dançavam no teto, estrobos piscavam, o bar reluzia com garrafas coloridas e uma multidão já suava na pista de dança como se estivessem em transe. O grave da música batia no peito como um segundo coração e fazia até o corpo tremer.

Helena se posicionou com as amigas perto de uma das ilhas de bar, pegou o copo de bebida que Júlia empurrou na mão dela e deu o primeiro gole como se estivesse limpando a alma. Gelado, doce e colorido, mas libertador.

— Hoje eu vou me acabar — decretou Júlia, já rebolando os ombros no ritmo da música.

Clara se juntou com as amigas e gravaram um story provocante.

Hugo já dançava. Rodava, se agitava, sensualizava com tanta naturalidade que parecia nascer da música. E não demorou até um rapaz bonito — com um piercing no lábio inferior, sorriso aberto — se aproximar e entrar no ritmo com ele.

Dois minutos depois, estavam se beijando no meio da pista, intensos, cheios de sede. A luz azul cortando o rosto dos dois.

As meninas aplaudiram.

— Pelo menos alguém vai transar hoje — disse Clara, rindo alto.

— Acho que eu devia ter ficado em casa — resmungou Helena, dando mais um gole.

— Foco, Lêlê — gritou Júlia. — Hoje você é a gostosa da noite. A que escolhe.

Helena olhou em volta.

Muitos olhos. Muita gente. Mas ainda nenhum que fizesse o coração dela acelerar como aquele que ela não queria mais pensar.

Então, ela sorriu. Um sorriso amargo, bonito, com batom vermelho e brilho no olhar.

— Então vamos dançar.

E foram.

Saltos batendo firme no chão, quadris soltos, descendo até o chão, copos erguidos. A noite estava viva.

O chão da boate tremia.

A batida do funk explodia nos alto-falantes como uma ordem — desce, requebra, empina.

E elas obedeciam.

Helena, Júlia e Clara estavam no centro da pista, dançando até o chão como se a semana inteira tivesse sido varrida ali, no suor dos corpos e na risada que escapava sem censura.

— Vai, Helena! Mostra que essas coxas não tão aqui de enfeite! — gritou Júlia, rindo, com o copo na mão.

Helena rebolava. Jogava o cabelo. O vestido colava no corpo suado. A calcinha quase sumia com o movimento.

Era liberdade. Era alívio. Era quase verdade.

Vários olhares se voltaram pra ela. Dois caras se aproximaram em momentos diferentes, dançando perto, tentando puxar assunto. Ela sorriu educadamente. Negou com a cabeça. Não queria. Estava se divertindo. Só isso.

Ou pelo menos… tentando.

Até que, no canto da boate — perto do camarote elevado — ela o viu.

Heitor.

Camisa de manga curta preta de botão, a gola meio aberta, que dava para ver uma corrente dourada no pescoço. Calção largo off-white até o joelho, tênis branco impecável. E um relógio dourado no braço direito.

O cabelo alinhado penteado para trás, a barba no ponto. Aquele ar de “não tô tentando, mas tô conseguindo”.

Ele estava com duas mulheres. Uma loira e uma morena. Rindo. Conversando. E, num segundo que durou demais, a morena se inclinou, passou o braço pelo pescoço dele e o beijou.

Lento. Familiar. Como quem já sabia o gosto. Ele não afastou. Não pareceu desconfortável. A mão dele até encostou de leve na cintura dela.

O estômago de Helena se revirou.

O suor gelou na pele. O batom pareceu mais pesado. A música ficou abafada. O chão mais mole. Ela desviou o olhar na hora, se virando como quem tenta não vomitar uma verdade.

Nunca houve nada. Nunca foi nada. E aquilo era a prova. Ela estava certa desde o início.

Foi até o balcão.

— Uma dose de tequila — pediu, seca. — Com limão, sem gelo.

O copo chegou. Ela virou de uma vez. Ardeu. Desceu queimando.

Mas era melhor do que o que queimava por dentro.

Ela se virou pra pista de novo.Respirou fundo. Colocou o copo de lado. E voltou a dançar.

Porque se fosse pra sofrer, que fosse com o quadril solto, com os olhos brilhando e com o corpo dizendo: eu não me importo.

Foi aí que ele apareceu.

Alto, forte, braços tatuados, um boné preto virado pra trás. Camiseta branca larga marcando o peitoral, cabelos castanhos claros bagunçados. E um sorriso de canto de boca.

Ele se aproximou por trás dela, mas respeitoso. Dançando junto. O calor do corpo dele vinha como uma nova batida no ritmo.

— Tá sozinha? — perguntou ele, quase colado ao ouvido dela, por causa do som.

Helena virou levemente o rosto.

— Tô com meus amigos.

— E o namorado deixou vir assim, gostosa desse jeito?

Ela olhou pra ele por cima do ombro, os olhos semicerrados.

— Se eu tivesse namorado, você acha que ainda tava inteiro?

Ele riu. Um riso rouco. Gostoso.

— Caralho… que sorte a minha. Já tô te olhando tem um tempo, essa sua boquinha deve beijar bem demais.

Helena fez que ia rir, mas segurou. A boca dela estava ainda com gosto de tequila e raiva.

— Helena — disse ela, se apresentando.

Ele chegou mais perto.

— Fábio. Já quero que decore esse nome.

Nisso, Júlia passou perto, indo pro bar pegar mais bebida. Ao ver Helena e o cara dançando colado, sussurrou no ouvido dela com malícia:

— Palmiteira safada. Tu não pode ver um branquinho tatuado que já se abre toda.

Helena segurou o riso, mas não negou. Um sorrisinho maldoso escapou.

Fábio puxou ela pela cintura, que pegada gostosa, Helena deu até um suspiro baixo. Eles começaram a dançar juntos, colados.

Ele a segurava com firmeza, mas sem forçar.

E ela rebolava devagar e provocante. De frente e de costas.

O vestido subia e ela sentia que um pouco da bunda já estava roçando nele. Esticou a mão para o puxar para baixo e sentiu a mão de Fábio a impedir. Sentiu o volume na calça dele roçar por trás das coxas dela.

Quando virou de frente, ele encostou a testa na dela.

— Me deixa te roubar um beijo?

Ela levantou o olhar com malícia, passou os braços no pescoço dele, uma das mãos foi até os cabelos e ela o puxou para um beijo de língua bem intenso.

Fábio a puxou pela cintura, ele terminou o beijo e foi com os lábios distribuindo selinhos até chegar no ouvido dela.

— Nossa, que beijo delicioso. Vamô pra outro lugar? — ele sussurrou com a voz carregada de tesão.

Ela sorriu e o puxou até a boca se aproximar da orelha dele.

— Achei que não ia pedir nunca. — e deu uma lambida na orelha dele.

Helena notou o jeito que ele a olhou depois e ela teve certeza que iria transar aquela noite.

Ela pegou um copo da mão dele e deu um gole na bebida rosa doce e depois entregou de volta para ele.

Ele sorriu de um jeito safado para ela, terminou de virar o copo e o colocou em uma bancada próxima. Ele foi conduzindo Helena pela mão até eles chegarem em um canto mais afastado, a mão dele era forte, mas segurava a dela com gentileza. Quando chegaram em um canto mais afastado ele já a puxa para um beijo gostoso.