Ele tava dentro dela de novo.

Fundo. Quente. Cru.

E dessa vez... mais faminto.

O corpo de Heitor se movia com força, mas também com precisão absurda, como se soubesse exatamente quantas vezes ela podia aguentar antes de se perder por completo.

Cada estocada era medida. Cada investida vinha com intenção.

— Olha pra mim. — ele disse, com a voz grave, o corpo colado no dela.

Helena tentou fechar os olhos, o prazer vinha em ondas, em espasmos, já arrebatando cada centímetro dela. Mas ele segurou o rosto com uma das mãos, obrigando-a a encará-lo.

— Eu disse pra olhar. Me olha quando tu gozar. Quero ver tua cara de mulher fodida de verdade.

Ela arfava. As mãos dele estavam cravadas na cintura dela, guiando os movimentos.

O quadril dele batia com força.

A pele fazia barulho. O quarto inteiro já tinha o cheiro dos dois misturado no ar.

— Tu sente como você me aperta mais agora? Seu corpo me quer até quando você tenta fugir. Tu foi feita pra isso aqui. Pra mim. Pra meu pau. Pra minha mão te segurando desse jeito.

Helena soltou um gemido alto, os olhos piscando como se estivessem desabando.

Ele sorriu.

— Vai gozar de novo, né? Só com a pressão. Só com o som da minha voz e meu corpo te rasgando por dentro.

Ela tentou responder, mas gemeu em vez disso.

O corpo todo tremendo.

As pernas se abrindo mais.

O quadril se jogando contra o dele.

— Pede… Pede pra gozar.

— Posso…? — ela sussurrou, os olhos vidrados nos dele.

— Agora sim. Goza pra mim, Helena. Me mostra quem manda no seu corpo.

Ela estremeceu inteira, um grito preso na garganta, as mãos se agarrando no lençol, as pernas enlaçando as dele como se o mundo estivesse acabando.

O orgasmo veio rasgado, molhado, sem vergonha.

Veio como a confirmação de que ela era dele. Inteira.

Heitor a segurou forte, o quadril ainda se movendo com mais intensidade.

Ele tava no limite.

— Caralho... Cê goza como quem reza, sabia? Como quem acredita que só eu posso te salvar. E na real, só eu posso.

Helena ainda tremia, mas balançava a cabeça, dizendo que sim, mesmo sem voz.

— Porra... eu vou gozar de novo. Tu me deixa doente, mulher. Você não sai da minha cabeça. E agora... não vai sair do meu corpo também.

Ele afundou mais uma vez, os dedos pressionando os quadris dela com força, os olhos fechados.

E então, entre um gemido longo e um palavrão abafado…

Ele gozou.

Fundo e forte.

O corpo inteiro dele contraído. A respiração entrecortada. O som rouco do nome dela escapando por entre os dentes.

— Helena...

O mundo parou.

E os dois caíram juntos no meio do lençol bagunçado.

Corpos entrelaçados e suor grudado.

A respiração ainda demorava pra voltar.

O suor secava devagar.

E o quarto… cheirava a sexo, pele e paixão.

Heitor tava deitado de lado, um braço jogado pela cintura dela, a perna entrelaçada nas dela como se estivesse certificando que ela não ia fugir.

O rosto colado no cangote dela, o peito ainda arfando.

— Tu quer me matar, né?

Helena riu, fraca, quase sem força pra abrir os olhos.

— Eu que te matei? Porque quem teve duas mortes aqui foi meu quadril.

Heitor soltou um som rouco, meio riso, meio gemido.

— Tu não tem noção do que fez comigo.

— Fiz pouco. Se tivesse deixado eu dormir hoje, amanhã fazia mais.

Ele passou a mão pela barriga dela, preguiçoso, mas ainda tão dono de cada curva como se o corpo fosse dele por direito.

— Dormir é o caralho.Você acha que depois de gozar sem camisinha eu consigo dormir? Tô aqui… acordado, suado, feliz pra p0rra e com a alma fora do corpo. Isso não tem nada de sono. Isso é possessão. Possessão sexual.

Helena se virou com dificuldade, empurrando o peito dele com o dedo.

— Você é muito dramático, Heitor.

— E você é perigosa. Desse jeito aí, nua, com essa cara de cansada e satisfeita… Devia ser proibida.

Ela riu e se encolheu nos lençóis. Ele a puxou de volta com o braço pesado, colando ela no peito.

— E eu vou ser sincero, hein… Tu tá fodendo meu psicológico.

— Desde quando? — ela murmurou, de olhos fechados.

— Desde a primeira vez que você revirou os olhos gemendo meu nome. Desde o momento que tu pediu pra eu g0zar dentro… Desde que tu empinou pra mim como se tua alma estivesse assinando contrato de posse.

Helena sorriu, os lábios contra o pescoço dele.

— E tá achando ruim?

— Tô achando é bom demais. Só tô dizendo que, se você fizer isso de novo, eu começo a pesquisar a aliança.

Ela arregalou os olhos e soltou um riso alto.

— Tá maluco.

— Tô. E a culpa é sua.

Ficaram em silêncio por um momento. Só o barulho leve do ventilador no canto. Os corpos ainda colados. Ele passou a mão pelo cabelo dela, com cuidado.

— Ei. — ele chamou, num tom mais baixo. — Fica perto de mim essa noite, tá?

— Tô aqui, né? — ela respondeu, a voz baixa também.

— Não. Não tô falando só do corpo. Tô falando do resto.

Ela olhou pra ele por alguns segundos.

O olhar tava mais macio agora, menos armada, menos Helena cheia de muralhas.

— Eu tô aqui, Heitor.

Ele assentiu com a cabeça, apertando de leve a cintura dela contra ele. Depois resmungou:

— Mas se amanhã você sumir de novo e não responder minhas mensagens… Eu pulo o muro da casa da sua vó pelado. Com Totó me mordendo e a polícia em live.

Helena riu tanto que teve que esconder o rosto no travesseiro.

— Você é impossível.

— Não. Sou seu.

Ela parou.

O peito apertou um pouquinho.

Mas ela não falou nada.

Só sorriu.

E virou pra ele.

E pela primeira vez naquela noite… foi ela quem beijou com calma.

Só porque precisava.