O CEO que Eu Paguei

68 Se For Filho, Vai Ser Nosso


Helena virou de lado, o corpo ainda colado ao de Heitor.

Mas o pensamento já estava quilômetros longe.

O quarto estava em silêncio, só os dois deitados entre os lençóis bagunçados, com o cheiro deles grudado no ar.

Ela encarava o teto, os olhos abertos, a mente em alerta.

— Heitor... — a voz dela saiu baixa, ainda um pouco rouca. — A gente transou sem camisinha.

Ele não respondeu de imediato.

Só passou a mão pelas costas nuas dela, como se isso fosse resolver qualquer coisa.

— Foi do jeito que tinha que ser. — ele murmurou, calmo, como se estivesse falando de um plano traçado com antecedência. — Sem filtro. Sem freio. Como sempre teve que ser entre a gente.

— Heitor, não… — ela virou o rosto, a expressão mais séria. — Isso não pode acontecer. E se eu engravidar?

Ele travou por um segundo.

E então… olhou nos olhos dela, com aquela intensidade que sempre vinha antes das palavras que mudavam tudo.

— Se você engravidar... Eu vou ser o homem mais feliz dessa porra de mundo.

Helena piscou.

— Para de brincar. Isso é sério.

— E eu tô falando sério. — ele apoiou o cotovelo no colchão, encarando ela de cima. — Você acha que eu já quis ter filho com alguém antes?

Ela mordeu o lábio. O coração acelerou.

— Nunca quis. Nem pensei. Porque filho, pra mim, é continuação. É você multiplicado no mundo. E eu só quero isso com você.

Ela desviou o olhar.

Estava vulnerável demais pra ouvir aquilo.

— Heitor...

— Não tô te pedindo nada agora. Só tô te dizendo… que se vier, eu tô contigo. Pra tudo. Com nome, sobrenome, berço e teto. Eu não fujo, Helena. Nem quando tu me ignora. Nem se você vier grávida.

Ela respirou fundo, tentando processar.

— A gente tem que comprar a pílula do dia seguinte. Isso que aconteceu… foi muito.

Ele franziu o cenho.

— Não. Se você tiver engravidado... eu não quero que tire o nosso filho.

Helena virou de lado, segurando o lençol contra o peito.

— Ainda não tem filho nenhum, Heitor. A gente nem tá junto de verdade.

Heitor se ergueu mais no colchão, apoiando os dois braços, com o semblante endurecido.

— Claro que estamos. A gente tá junto sim, porra. Você é minha. E eu sou seu.

Ela bufou, esticando o corpo pra pegar o celular no criado-mudo.

— É fácil falar isso aí deitado depois de gozar.

— Fácil? — ele riu, sem humor. — Helena, o que eu tô dizendo vem da minha alma, caralho. Se fosse fácil, eu falava com qualquer uma. Mas eu só falo contigo.

— Dramático demais.

Ela desbloqueou o celular e abriu um aplicativo.

Heitor, curioso, se aproximou mais.

— Que porra é essa?

— Minha tabelinha. — ela respondeu, sem nem olhar pra ele. — Eu anoto aqui meu ciclo. Sei exatamente quando tô fértil.

Ela deslizou o dedo na tela, conferindo os dias. Suspirou aliviada.

— Não tô no meu período fértil. Ainda bem.

Heitor arqueou uma sobrancelha.

— Cê sabe isso com certeza?

— Sei. Minha menstruação é reguladinha. Eu sei quando ovulo. Eu acompanho tudo aqui.

Ele se inclinou sobre ela, espiando a tela como se tivesse acabado de descobrir o mapa de El Dorado.

— Quer dizer que a gente pode transar sem camisinha quase sempre?

— Não é assim que funciona. — ela respondeu, rolando os olhos.

— Mas tem tipo… uns dias livres?

— Tem… mas tem que ter cuidado, Heitor. Isso não é cem por cento.

Ele passou a mão no queixo, pensativo.

— Tá. Mas isso aqui... — ele apontou pra tela — o que é esse coração com cadeado?

Helena travou por um segundo. Depois respondeu, encabulada:

— Marca os dias que eu tive relação.

Ele ficou em silêncio.

Olhou pra tela.

Contou os coraçõezinhos.

— Tá muito pouco isso aí. Isso aqui tá fraquíssimo, Helena. A gente vai ter que resolver isso.

— Resolver como?

Ele a encarou com aquele sorriso safado no canto da boca.

— Fazendo amor. Todo. Santo. Dia.

Ela empurrou o ombro dele, rindo contra a vontade.

— Você é impossível, Heitor Monteiro.

— Não. Eu sou o problema que tu ama ter. E a solução que tu não vai mais largar.

Helena mal tinha terminado de suspirar quando sentiu os braços dele puxando-a de volta pro peito.

— Vem cá, mulher. Encosta aqui. Quero dormir com seu cheiro grudado em mim.

Ela se aninhou contra o corpo quente dele, a bochecha encostada no peito nu, sentindo o coração dele bater firme e lento.

Aquele ritmo que só homem satisfeito tem.

Silêncio confortável.

Paz.

Mas então…

Totó latiu.

E, em seguida, a voz inconfundível da Dona Olívia ecoou pela casa:

— Helena?

Ela arregalou os olhos, travando o corpo.

— Ah, não…

— Ih… deu ruim. — Heitor murmurou, rindo baixo.

— Helena, cadê ocê, menina? — a avó chamou de novo, batendo leve na porta do quarto.

— Tô aqui, vó! — Helena respondeu, encolhida, a voz embargada de puro pânico. — Eu… tô… já deitada!

— Eu vi o carro do Heitor ali fora. Cadê ele?

Silêncio mortal.

Helena olhou pro teto, depois pra Heitor, que já tava com um sorrisinho cínico nos lábios.

— Ele… tá aqui. — ela respondeu, baixinho.

— Aqui onde?

— Comigo. No quarto.

Um segundo de silêncio.

E então…

— Ahhh... — Dona Olívia soltou na voz um risinho discreto, maroto. — Tá certo. Então boa noite pros dois.

— Boa noite, vó. — Helena respondeu, morrendo de vergonha.

— Boa noite, vó! — Heitor respondeu firme, com aquele tom leve e debochado que deixava Helena doida.

Quando tudo se acalmou, ela afundou o rosto no travesseiro.

— Eu vou morrer.

Heitor riu, passou o braço em volta dela e a puxou de volta pro peito dele.

— Cê não vai morrer, não. Você acabou de nascer pra essa nova fase da sua vida. Comigo.

Ela soltou um suspiro, tentando manter o tom mal humorado:

— Você só foi entrando…

— Nem pedi. Quando vi, já tava aqui.

— Parece até que você instalou sua vida na minha sem autorização.

Ele segurou a mão dela — menor, delicada — com os dedos grandes dele.

Acariciou devagar.

Depois beijou o dorso com calma, como se estivesse selando um acordo que só eles entendiam.

— Foi você que abriu a porta. Eu só entrei.

Ela virou o rosto, mas não puxou a mão.

Deixou ele segurar.

Deixou ele beijar.

Deixou ele ficar.

Heitor continuou, mais baixo, mais íntimo:

— Isso aqui… Você me deixar dormir aqui, sua vó saber, você não me empurrar pra fora… Isso significa muito pra mim, Helena.

Ela ficou em silêncio por um instante.

O peito subindo e descendo devagar.

— Você é muito intenso. — murmurou, tentando disfarçar a emoção.

— Não sei ser de outro jeito.

Ela respirou fundo.

— E se eu não quiser isso tudo?

— Tu já quer. Só tá com medo de admitir. Mas seu corpo já grita por mim. E seu coração… já tá escolhendo.

— Convencido.

— Realista.

Ela riu, quase sem querer.

A cabeça ainda no peito dele.

A mão dele ainda segurando a dela.

— E se você me decepcionar?

Heitor virou o rosto e encostou os lábios na testa dela.

— A única coisa que eu quero agora é te dar paz. De tudo. Do passado. Das pressões. Das dúvidas. Eu tô aqui… pra ser seu refúgio, Helena.

Silêncio de novo.

Mas dessa vez… cheio de coisas que não precisavam ser ditas.

— Você fala bonito às vezes, sabia? — ela disse, quase num sussurro.

— Só quando vale a pena. E você vale. Cada p0rra de palavra.

Ela apertou os olhos, tentando não sorrir.

Mas sorriu.

E então…

Encostou o rosto melhor no peito dele.

E ficou ali.

Finalmente em paz.