O CEO que Eu Paguei
92 H de Helena. E de Heitor.
O carro desacelerou na beira da estrada, entre um campo dourado e o céu azul de Minas.
Heitor desceu primeiro, óculos escuros no rosto, câmera do celular já pronta.
— Desce aí. Tá perfeita nessa luz.
— Ah, não… — Helena murmurou, cruzando os braços. — Agora você quer fazer sessão de fotos?
— Quero registrar esse momento histórico: Helena Ribeiro Campos de boné, shortinho e com cara de mulher apaixonada por mim .
— Cala a boca, Heitor.
Mas ela desceu.
E no meio da reclamação, riu.
Fizeram fotos bobas, engraçadas e sérias.
Dentro do carro, ele tirou uma dela rindo com a boca suja de suco.
Fora do carro, uma em que ela tentava parecer brava com o sol no rosto e ele dizia “essa vai pro porta-retrato da minha mesa”.
Chegaram em Uberlândia ainda no início da tarde.
Heitor parou em frente ao hotel com fachada imponente e portas automáticas em vidro fumê. Olhando a arquitetura, Helena nunca se sentiu mais deslocada, como se ela não tivesse autorização para estar ali. Heitor repousou a mão na cintura dela, encorajando a se mover.
Helena arregalou os olhos.
— Você reservou aqui?
— Achei que você ia preferir uma barraca na praça, mas fiquei com medo da sua avó me bater.
Ela bufou.
— Tá de brincadeira.
Entraram de mãos dadas no saguão.
O cheiro era de luxo, era parecido com a “casa” de Heitor, um cheiro que mesmo ela escaldando a própria casa, nunca cheiraria igual.
— Sejam muito bem vindos! — a recepcionista disse em pé.
— Obrigado. Tenho uma reserva. No nome de Heitor Monteiro.
A recepcionista pareceu mudar um pouco o semblante, como se estivesse genuinamente feliz.
— É um prazer tê-lo aqui senhor Monteiro. Qualquer solicitação que desejar, pode me sinalizar. — o gerente completou, seus olhos brilhavam igual ao seu sorriso.
— Agradeço. Fizemos uma longa viagem, gostaria de descansar com minha namorada.
— Com toda certeza — se virou para Helena — Nome da senhorita, por gentileza? — perguntou a recepcionista com simpatia.
Helena entregou o RG sem soltar a mão dele.
Quando sentiu os dedos de Heitor entrelaçarem os dela com firmeza, não teve como não sorrir.
Ele apertou leve.
E ela entendeu que estava tudo bem.
Helena entendeu também o porquê deles estarem agindo assim com tanto cuidado com eles, não era só porque era um hotel de alto padrão, era porque Heitor era sócio da rede de hotéis. Um projeto de expansão que estava nas mãos da Monteiro Inc. desde os tempos do pai de Heitor.
O quarto era mais uma suíte presidencial do que qualquer coisa que ela já tinha visto na televisão.
Cortinas imensas, cama gigante com lençois de seda egípcia branca impecáveis, uma varanda com vista para a cidade.
Helena ficou parada na porta, impressionada.
Heitor olhou por cima da armação:
— O que foi? Nunca viu um lugar digno de princesa?
— Só em novela.
— Bom… agora você tá dentro de uma.
Ela mostrou a língua.
Ele riu, se aproximando enquanto retirava os óculos escuros.
— Bora almoçar, Helê. A fome tá grande e a companhia tá melhor ainda.
— Espero que a comida esteja no mesmo nível da companhia.
— Tá ótima. Mas eu tô adorando mesmo é o visual.
Helena sentiu o rosto queimar. Aquela proximidade, aquele momento… Tudo com Heitor parecia maior do que devia. Mais quente, mais fundo, mais certo.
— Ninguém nunca me chamou de Helê — ela disse baixo, quase num sussurro, segurando a mão dele com carinho e apertando o dedo indicador, como se dissesse “fica”.
Heitor sorriu — largo, sincero e com aquele brilho nos olhos que ela só tinha visto nele quando falava do Fluminense ou da avó.
Mas agora… era por ela.
Ele levou a outra mão até o rosto dela, devagar, como se tocasse algo precioso. Acariciou a bochecha com o polegar, firme, presente, como quem queria limpar um vidro embaçado.
— É que eu sou um cara bem único… e quero que você saiba que é única também.
Helena sorriu, abaixando o olhar por um segundo. O rosto ainda apoiado na mão dele.
— Você é insuportável… — murmurou, com um meio sorriso — O meu insuportável.
Foi a vez de Heitor perder o ar.
O rosto dele corou.
Os olhos ficaram sérios.
E então ele se aproximou.
Sem pressa.
Sem medo.
Como se já soubesse que aquele momento era só deles — e era grande demais pra fingir que não era.
Ele a beijou com todo o carinho que sentia.
Mas junto com o carinho… veio o apego.
O jeito como os dedos dele se fecharam levemente no rosto dela.
Como a mão na cintura a puxou mais perto, como se dissesse “fica aqui, não vai a lugar nenhum.”
O beijo começou macio, quase tímido. Mas logo virou algo mais intenso, mais profundo.
Um beijo que dizia: você é minha.
Mas não com pressa.
Com certeza.
A boca dele se moldava à dela com reverência. Como se estivesse agradecendo por poder tocá-la.
Mas o jeito como ele a segurava…
Dizia o contrário.
Dizia que não aceitava soltar.
Quando o beijo acabou — se é que acabou — os dois ficaram ali, com os rostos colados, olhos fechados, respiração entrecortada.
— Eu não vou a lugar nenhum, Helê. — ele murmurou contra a boca dela — E você também não vai. Porque agora... você é minha casa e eu sou a sua.
E ela acreditou.
Porque, naquele instante, era exatamente isso que ele parecia ser também: O lugar onde o coração dela queria morar.
O restaurante era daqueles de revista.
Ambiente clean, garçons de luva, menu com nomes em francês e cover de piano clássico ao vivo.
Helena pegou o cardápio e franziu a testa.
— Ceviche de Saint-Jacques com emulsão cítrica e crocante de amêndoas... Que porra é isso, Heitor?
Ele riu.
— É tipo um sashimi fresco com limão e noz. Confia em mim. Eu peço. Se não gostar, eu como.
— A parte do “eu como” não me surpreende.
Ele piscou.
— Nem a parte do “confia”.
Aos poucos, ela relaxou.
Com ele explicando os nomes com paciência e ironia, o ambiente foi ficando menos assustador.
Tiraram selfies, riram.
Helena conseguiu registrar uma foto linda dele olhando pro horizonte da varanda — e outra em que ele, do nada, virou o rosto e a olhou com aquele sorriso safado e satisfeito que só ele tinha.
Ela salvou ambas.
“Favoritas.”
Mais tarde, no shopping, Heitor a levou até uma joalheria que intimidava Helena só de olhar as atendentes.
— Pode escolher o que quiser.
— Heitor…
— Sem discussão.
A atendente, vestida com um tailleur preto, os atendeu como se estivessem ali todo sábado.
— Vamos começar por pulseiras? — sugeriu ele.
Helena experimentou, sem jeito.
Mas quando viu a primeira pulseira brilhar em seu braço, o olhar dela mudou.
Ele percebeu.
— Falei que era coisa de princesa.
— Eu tô... muito brilhante. — ela comentou, ajeitando o cabelo.
— Tá deslumbrante.
Escolheram brincos e colares.
Ele ia comentando, sorrindo, se divertindo.
E quando ela tirou o boné e ajeitou o cabelo para colocar os brincos:
— Agora sim. A minha princesa mineira de ouro.
Ela revirou os olhos, mas o coração dela… estava em festa.
Heitor viu um colar com pingente rosé, delicado, com a letra “H”.
— Esse aqui é a sua cara. H de Helena.
Ela arqueou a sobrancelha.
— Ou H de Heitor.
— Serve pros dois. Mas quando alguém te perguntar, você diz que é de “homem da sua vida”.
— Nossa. Que humildade a sua.
Ele riu.
— Só tô sendo honesto.
Quando ele pediu pra ver anéis, Helena sentiu o coração parar por um segundo.
— Heitor…
— Relaxa. Só um mimo. Pra quando você olhar pra mão direita, lembrar que é minha.
Ela ficou vermelha.
Mordeu o lábio.
E disse, baixinho:
— Então quero que você tenha um também.
A atendente quase suspirou em voz alta:
— Vocês formam um casal lindo. Com licença, vou buscar os modelos da nova coleção.
Heitor se achou.
Helena quis se enfiar numa sacola.
Escolheram juntos os aneis. Coleção da Pandora em ouro branco 18k.
O dela — delicado, com cristal vermelho em forma de coração, realçado com suas zircônias brilhantes.
O dele — sóbrio, mas com a mesma assinatura discreta nas laterais: You & Me, além dos detalhes que mostravam que eram do mesmo conjunto.
Quando colocaram nos dedos um do outro, não disseram nada.
Mas os olhares… falaram tudo.
Heitor estava com um olhar tão apaixonado, Helena não tinha um pingo de dúvida dos sentimentos dele por ela.
— Pode olhar as vitrines, vou ali pagar — disse ele, pegando as sacolas dela das mãos.
Helena ficou sozinha.
Olhou o reflexo no vidro.
Ela.
De tênis de marca, com joias, o cabelo bonito e brincos de ouro.
Colar com a inicial deles.
E anel de compromisso no dedo.
Era ela mesma?
A Helena que morava com a avó na casa de esquina em bairro simples? A que contou moedas pra pagar absorvente no fim do mês?
Olhou discretamente a etiqueta do mesmo colar na vitrine exposta.
R$ 24.880,00
— Quê?
Quase caiu pra trás.
Literalmente.
— Tá tudo bem? — perguntou Heitor, voltando guardando o cartão na carteira..
— Tá. Só me perguntando se essa letra H no meu pescoço significa H de hipoteca.
Heitor riu.
— Agora é H de “honrada”. Vai andando, princesa. Que a sua carruagem tá te esperando.
E ela foi.
Com as bochechas vermelhas, o coração a mil.
Mas com uma certeza nova crescendo dentro dela.
Talvez ela tivesse nascido pra mais do que sempre acreditou.
Talvez... ela tenha nascido pra ser dela.
E dele também.
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