O CEO que Eu Paguei
93 Experimente o Que Te Deixa Gostoso
Depois da joalheria, o shopping ainda tinha muito pra oferecer. Helena nunca tinha ido em um antes, era enorme e cheio de tantas coisas.
Heitor segurava as sacolas douradas com naturalidade, como se andar com elas nos braços fosse algo rotineiro.
— Quer ir embora? — ele perguntou.
Helena ajeitou a alça da bolsa no ombro e negou com a cabeça:
— Ainda quero aproveitar enquanto você tá pagando de vitrine ambulante.
Heitor riu.
— Eu pago até de carro, se você quiser.
— Então vamos nessa. — Ela sorriu maliciosa. — Quero ver você em roupa casual. Vai que eu me apaixono mais?
Heitor não respondeu de imediato, mas parou por um segundo.
O sorriso ainda no rosto… mas os olhos? Os olhos dele disseram tudo.
Um brilho diferente. Um silêncio que falava alto.
Como se aquela frase tivesse acertado em cheio, e ele quisesse guardar aquilo pra si, como um segredo precioso.
Ele só estendeu a mão pra ela, com naturalidade.
Mas o toque…
Veio mais firme.
Mais longo.
Como quem segura algo que não pretende soltar.
E sem dizer nada, seguiu em frente.
O olhar seguro. O queixo erguido. E o peito estufado.
Como se, por dentro, já tivesse declarado guerra contra qualquer coisa que tentasse tirar dela o que ele acabara de ouvir.
Na loja seguinte, ele já tirava a camisa com a segurança de quem sabe que tem o corpo em dia.
Helena estava sentada no sofá de prova, com o celular na mão fingindo distração, mas o olhar… seguia cada movimento do peitoral, dos ombros largos, das costas definidas.
Ele apareceu com uma camiseta verde musgo e uma bermuda de linho clara.
— E aí? Aprovado?
— Tá aprovado pra me levar pra casa. Mas quero ver com outra. A preta.
Heitor voltou ao provador e riu:
— Tá me tratando como boneco?
— Boneco de luxo. Vamo ver a próxima.
Ele saiu com outra.
Depois outra.
E mais outra.
Ela levantou, deu a volta nele, ajustou a gola, baixou a barra, encostou a ponta dos dedos no tecido sobre o abdômen.
— Essa aqui realça seu tórax. Essa, sim.
— A senhorita Helena RIbeiro Campos é exigente.
— Só com quem eu deixo encostar em mim.
Ele sorriu.
De um jeito que fez ela corar.
Após fazer o pagamento, eles saíram.
A vitrine da loja de roupas de praia brilhava sob a luz do teto, com manequins bronzeados vestindo biquínis ousados e saídas de praia longas como véus de noiva pra dar a falsa sensação de recato.
— Tava pensando… A gente podia ir numa cachoeira amanhã.
Helena arqueou a sobrancelha, desconfiada.
— Aqui tem?
— Tem. Lugar lindo. Bem escondido. A estrada não é tão ruim, consigo ir com o carro. Mas precisa de roupa de banho decente, né?
— Tá dizendo que minha calcinha não serve?
— Tô dizendo que, se você for de calcinha, eu não deixo ninguém mais olhar. Nem os peixes.
Helena soltou uma risada abafada.
— Você é ridículo.
— Sou. Mas vou comprar a sunga mais feia da loja, só pra você me elogiar mesmo assim.
Heitor parou na porta, olhou pra dentro e depois pra ela.
— Entra comigo.
— Eu ia entrar de qualquer jeito.
— Mas agora a missão é séria — ele disse, já abrindo a porta. — A gente vai escolher a roupa em que eu vou te ver molhada amanhã.
— Heitor…
— Eu gosto de planejar minha própria morte.
Ela riu.
Eles entraram
A loja era ampla, perfumada com cheiro de tecido novo e óleo de coco. Uma música instrumental suave tocava, mas era ignorada por completo no clima que existia entre os dois.
Helena foi direto para o setor feminino, olhos percorrendo os cabides como se escolhesse uma arma. Sabia que qualquer peça dali ia virar munição contra o homem que vinha logo atrás dela.
— Escolhe o que quiser — ele falou. — Mas vou avisando: eu tenho exigências.
Ela virou o rosto, arqueando a sobrancelha.
— Ah é?
— Tem que ser o tipo de peça que me mate. De preferência, lentamente.
— Você quer que eu morra de vergonha?
— Não. Quero morrer de vontade. Vontade de te trancar num lugar onde só eu possa ver isso aí. Ou melhor… me trancar dentro de você.
Helena sentiu as bochechas esquentarem, mas sustentou o olhar.
Com um leve desafio, pegou dois modelos.
Um maiô preto com recortes angulados nas laterais e um decote profundo.
E um biquíni vermelho de tiras tão finas que pareciam feitas pra causar confusão em fila de casal na praia.
— Qual você prefere?
Heitor nem fingiu que tava sendo educado.Os olhos percorreram ela devagar, depois baixaram pras peças.
Voltaram pros olhos dela.
Fixos. Famintos.
— O biquíni.
— Mas você vai provar os dois. Porque eu vou precisar de justificativa pra escolher. Mesmo sabendo que nenhum tecido esconde o que é meu.
— Prepotente.
— Realista.
Ela segurou as peças e andou em direção ao provador. Ele foi atrás, sem pressa, com um sorriso no canto da boca.
Quando ela entrou, puxou a cortina… mas não completamente. Uma fresta ficou aberta.
Ela sabia.
Sabia que ele ia ficar ali. Sabia que ia provocar.
E ele ficou.
Encostado na parede, com uma mão no bolso e a outra passando pelo cabelo. Os olhos fixos na cortina como se ela fosse a única coisa viva no mundo naquele momento.
— Helê…
— Hm?
— Me deixa entrar aí com você.
— Heitor… — a voz dela veio em alerta, mas estava doce. Quase rendida — Só pra ajudar. Juro que nem encosto. A menos que você me peça.
— Você quer me comer dentro do provador.
— E você quer deixar.
Silêncio.
Ela não respondeu.
E isso já era resposta o suficiente pra ele insistir.
— Vai dizer que nunca teve essa fantasia?
— Nunca.
— Eu só quero encostar. Nem vou tirar a roupa, eu deixo com você essa parte.
— Você é impossível.
— Você me quer assim.
Helena apertou o maiô na mão. O coração batia rápido. As pernas... um pouco fracas.
Ela estava perdendo.
— Se você entrar aqui, eu juro que vou te deixar pelado no meio da loja.
— Aí quem perde é o mundo. Porque se eu fico pelado, ninguém mais entra.
Ela segurou a risada.
E também a cortina.
— Senta, Monteiro. E espera.
— Posso ao menos imaginar?
— Imagina o que quiser. Só não me encosta com esse olhar.
— O olhar eu não prometo.
Helena mordeu o lábio.
Mas respirou fundo.
Fingiu que ele não estava mexendo em tudo dentro dela — de propósito.
E então começou a se trocar, com a certeza de que aquele homem lá fora…
Já tinha entrado em muito mais que o provador.
Já estava dentro dela.
No corpo, nos pensamentos.
E, perigosamente, no coração.
Ela virou levemente o rosto, já sorrindo.
Do lado de fora, Heitor sentou no pufe de madeira estofado e passou a mão pelo rosto. O joelho balançava, impaciente. Os olhos fixos na cortina.
Quando ela saiu, estava com o maiô preto.
Cabelos soltos, uma mão no quadril, olhar entediado fingido.
— E aí?
Heitor engoliu seco.
— Parece ilegal.
— Maiô é comportado.
— Você não é.
Ela riu, mas deu meia-volta, voltando pro provador. A cortina balançou.
Ele passou a mão pela nuca, respirando fundo.
Quando ela saiu de novo, veio com o biquíni. O vermelho. As tiras finas, o corte cavado, a alça passando por cima dos ombros como se nada ali fosse feito pra esconder — só pra atiçar.
Ele levantou.
Foi até ela.
Não disse nada.
Só passou a mão devagar pela cintura dela, os olhos presos nos dela.
Depois se aproximou do ouvido.
— Esse. E se você sair do hotel assim amanhã… eu vou ter que te foder no carro antes de chegar na cachoeira.
Helena mordeu o lábio.
Mas não respondeu.
O corpo todo arrepiado, o coração acelerado demais pra ironia.
Ela só olhou pra ele.
E naquele olhar… estava tudo.
Ele sabia.
Sabia que ela gostava daquela versão dele.
Do homem que não escondia, não media, não disfarçava.
Que tocava como quem tinha certeza.
Heitor a puxou pela nuca e encostou a testa na dela.
— Eu vou comprar esse biquíni para você. A gente vai pra essa cachoeira amanhã… E você vai sair de lá sabendo que o que tem entre a gente não é só sexo.
Ela piscou devagar.
Os olhos brilhando.
Ela não achava mais isso, porém queria descobrir o que ele iria fazer.
— Então vá logo provar seu calção. Porque eu também quero sair de lá sabendo.
E ele sorriu.
Um sorriso de homem apaixonado, disfarçado num rosto de cafajeste.
Mas só ela sabia a verdade.
Só ela conhecia o homem por trás do desejo.
O homem que, mesmo querendo o corpo dela…Tava apaixonando pela alma também.
Ele puxou a tirinha da lateral e soltou com estalo.
Heitor comprou os biquínis e maiôs que ela escolheu, e umas saídas de praia que ele se esforçou muito para ela aceitar experimentar. Também comprou um calção para ele. Helena queria que ele usasse uma suga, mas ele não aceitou.
E enquanto caminhavam pelo shopping. Heitor disse:
— Você percebeu que hoje foi só a gente sendo gente?
Helena olhou pro lado.
— Sim.
E eu gostei muito disso.
Ele segurou a mão dela.
— Eu também.
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