O CEO que Eu Paguei
94 Se for para mostrar, mostre
No final do dia, o banho foi longo.
Mas não por pressa. Na verdade, era o contrário.
Eles não tinham nenhuma.
Helena entrou primeiro, com a pele ainda quente, as pernas moles e o cabelo grudando na nuca.A água caiu forte, morna, espalhando vapor pelo box.
Heitor chegou logo depois — nu, suado e ainda ofegante.
Encostou atrás dela como quem sabia exatamente onde pertencia.
Passou os braços pela cintura e encostou o rosto no pescoço dela.
— Tô achando que você me deixou viciado.
— E eu achando que era só um banho...
Ele riu, pegou o sabonete líquido e começou a ensaboar as costas dela com calma.
Deslizava os dedos pelos ombros, pela lombar, e deixava a mão escorregar mais do que o necessário.
— Heitor…
— Oi. — respondeu, com a cara mais cínica do mundo.
— Tá me provocando...
— Eu tô cuidando de você. Tem que esfregar direitinho.
Mas “direitinho”, na linguagem de Heitor, significava a palma da mão firme descendo até a bunda dela, apertando com gosto. Depois cada mão pegou um rumo, uma na coxa, a outra na lateral do seio.
— Tá vendo? Tudo isso aqui precisa de atenção.
— Você é ridículo.
— E você é toda minha.
Ela tentou se afastar, mas ele a puxou de volta, colando o corpo nu no dela.A água escorria entre os dois, quente, abafando os sorrisos e esquentando de novo o que nem tinha esfriado.
— Vai tomar banho ou vai me comer de novo? — ela perguntou, com o olho fechado, encostando de leve o quadril no dele.
— Tô me segurando. Mas você com essa voz, esse cabelo molhado, essa bunda… tá pedindo.
Ela pegou a esponja com calma e virou pra ele.
— Então eu lavo você.Começou a esfregar o peitoral dele com movimentos lentos e circulares, quase inocentes.
Quase.
— Vai tomar banho ou me provocar, Helê?
— Vai que é uma ameaça, Monteiro?
Desceu a esponja até a barriga dele. E depois... mais um pouco.
Ele gemeu baixo, prendeu o pulso dela com uma mão só.
— Continua… — aproximou a boca da dela — eu vou te prensar nesse box e olhar a sua cara de safada ali no espelho.
Ela sorriu, mas mordeu o lábio.
— Parece… tentador…
Ele a encostou na parede fria do azulejo, passou a boca pelo queixo dela, depois desceu até o ombro.
Dava pra sentir o pau dele encostando na coxa dela, rígido, quente, pulsando de novo.
— Tá vendo o que você faz comigo?
— Tô sentindo. — ela respondeu, como quem não quer entregar demais.
Ele se abaixou, passou a língua pela barriga dela, roçando devagar.
— A gente não devia.
— Mas eu quero.
Ela gemeu baixinho.Mas segurou o rosto dele.
— Heitor…
— Fala.
— Se você meter em mim aqui dentro, eu vou gritar. E o andar inteiro vai saber que o quarto 907 virou bagunça.
— E tu acha que eu ligo?
Ela piscou devagar.
— Eu acho que você gosta da ideia.
Ele subiu e colou a testa na dela.
— Pior que gosto mesmo.
Beijou a boca dela com vontade, como se quisesse recomeçar tudo.
Mas ela riu, puxou o rosto dele e disse:
— Anda. Lava logo. Senão eu vou querer de novo. E eu não sei se sobrevivo.
Ele pegou o sabonete e riu junto.
— Helê, tu é um perigo.
— E você é um homem molhado e excitado no meu banho. Agora lava.
Heitor suplicou uma chupada para ela. E ficou com um sorriso bem largo quando percebeu que ela iria fazer.
Depois do banho, vieram os toques mais calmos.
Toalha dividida.
Um beijo rápido na barriga.
Uma mordida no ombro.
Já secos, ela apareceu com a calcinha de algodão e a regata lilás clara, aquela larga, que mostrava a lateral dos seios e enlouquecia ele.
Heitor vestiu uma samba-canção escura, com os cabelos ainda molhados e a barba por fazer.
Foram pra cama como quem sabe que o dia foi longo, mas o corpo ainda não descansou.
Se jogaram ali com as luzes baixas, o ar-condicionado zumbindo e a cidade inteira do lado de fora.
Heitor deitou de lado, puxou ela pela cintura.
Beijou a nuca, os ombros, como quem agradecia. Ele pegou o celular no criado-mudo e desbloqueou.
Mas antes de abrir qualquer coisa…Tirou uma foto dela deitada, com a bochecha amassada no travesseiro, o cabelo bagunçado e os olhos quase fechando.
— Se for pra mostrar… — ele murmurou, baixinho — Que seja com orgulho.
Helena abriu um olho só, sem se mover.
— Apaga isso, Monteiro.
— Nem morto.
— Eu tô descabelada. E praticamente pelada.
— Tá perfeita. Tá sem filtro. Tá toda minha.
E com isso…Ela sorriu.
Aquele sorrisinho que dizia: tô rendida, mas não vou facilitar nunca.
Ele amava aquilo.
— Olha aqui. — disse ele, mostrando a tela pra ela.
Era o plano de fundo novo.
Uma foto dos dois no restaurante mais cedo. Helena com um sorriso sincero, cabelo solto rebelde e olhos brilhando. Ele, com um braço ao redor dela, o rosto virado de leve, olhando como quem sabe exatamente a mulher que tem nos braços.
Helena arqueou uma sobrancelha, tentando disfarçar a satisfação.
— Viciado mesmo, hein.
— Total. — ele respondeu com aquele sorriso de canto. — E sem planos de me tratar.
Ele abriu o Instagram.
Helena viu o monte de notificações na aba dele.
— Eita, quanta mulher aqui.— Eita nada. — ele rebateu com a voz mais grave. — Mulher eu só tenho uma. O resto é barulho de notificação. Tu é silêncio de paz.
Helena riu, encostando a cabeça no ombro dele.
Heitor abriu a galeria, escolheu quatro fotos: uma dos dois sorrindo no restaurante, de mãos dadas com as alianças, uma da Helena em pé na sacada com o pôr do sol ao fundo, e uma dele beijando a testa dela.
Na legenda, ele escreveu:
"Sabadão de paz. De mãos que encaixam e olhares que não desviam. De corações que não se separam.E se perguntarem, sim: é por ela que eu beberia o mar inteiro de canudinho."
De música ele colocou: “...Por você eu bebo o mar de canudinho…E atravesso o Polo Norte de shortinho…Entro descalço no vulcão em erupção…Faço de tudo pra ganhar seu coração…” Por você eu bebo o mar de canudinho — Felipe Amorim
Helena leu, ficou quieta um segundo… depois ficou vermelha.
Muito vermelha.
— Você gosta de me testar, né?
— Gosto de te mostrar. Do meu jeito. Na frente de todo mundo, porque eu tenho muito orgulho de você.
Ela apertou o celular nas mãos, entrou na postagem dele, curtiu e comentou:
"De tudo que eu não esperava… você foi o melhor imprevisto."
Ele sorriu com os olhos.
— Agora é sua vez.
— A minha?
— É. Quero ser teu feed também. Não só o story que some, sabe?
Helena abriu a galeria. Escolheu com cuidado: uma foto dele rindo com o horizonte ao fundo. Outra dele no restaurante, ajeitando a manga da camisa, parecendo um CEO de filme. Uma dos dois juntos, sorrindo, meio boba, meio apaixonada. E a última: as mãos entrelaçadas, mostrando as alianças de compromisso “discretas”, mas imponentes.
Na legenda, ela escreveu:
"Tem gente que entra na sua vida e vira lar. Não porque promete ficar. Mas porque faz tudo ao lado valer a pena."
E na música : “…Ô dengo…Me fala tudo sobre o mundo…Que eu não consigo debater…Me apresenta tuas opiniões…Deixa eu lhe convencer…Que tu é o ser mais bonito…Que eu tive a sorte de conhecer…E agora que tá aqui comigo…Não vai mais não…” Dengo — AnaVitória
Heitor curtiu no segundo em que postou.
E comentou: "Meu lar é onde você estiver. Sempre vou estar com você❤️❤️"
Os dois se olharam.
Sorriram.
E se abraçaram em silêncio, enquanto o celular escorregava do peito pra cama.
Dessa vez, eles não disseram mais nada.
Nem precisavam.
Porque, ali, no escuro aconchegante do quarto…o mundo inteiro era só os dois.
Os dois dormiram ali juntinhos.
Helena estava deitada, o celular ao lado, os olhos ainda meio sonolentos.
Tinha acordado antes de Heitor, coisa rara, e resolveu dar aquela conferida básica no Instagram. Notificações, curtidas, comentários de amigos, e então... uma DM.
@marcelatorres.rj.
Ela já sentiu o sangue esquentar antes de abrir.
Tinha reconhecido o nome na hora.
A foto de perfil? A mesma: a loira na cadeira de diretora de cinema.
Helena respirou fundo.
Abriu a mensagem.
Mensagem de: @marcelatorres.rj
enviada por DM às 06:38 da manhã
Oi, Helena.
Acordei com algumas notificações e vi sua postagem com o Heitor.
Tão curioso ver como ele repete certos padrões, né?
O jantar chique, as viagens de última hora, os anéis, as pulseiras…
Eu mesma tenho uma caixa só com as lembranças desses momentos.
Heitor é mesmo um homem marcante.
Quando a gente está com ele, parece que o mundo para.
Ele te faz sentir especial de um jeito que poucos sabem fazer.
Mas aí ele muda.Some. Fecha.E volta… quando quer.
Só quis te dizer isso porque eu sei exatamente onde você está agora.
Eu já fui “a única” também.Mas enfim, desejo sorte. De verdade.
Heitor tem fases, e você parece estar vivendo uma delas.
Estou torcendo pra ele voltar pro Rio logo.
Aqui tem gente que ainda acredita na história de vocês —mesmo com novos capítulos sendo escritos por aí.
Um abraço,
Marcela Torres 🌹
Leu.
Leu de novo.
E mais uma vez.
A cada parágrafo, o estômago dela parecia se revirar.
Não era ciúmes. Não era insegurança.
Era raiva.
Mas uma raiva fria.
Ácida.
Aquela que não explode — que ferve calada e te obriga a pensar em dez formas de dar o troco.
Helena se sentou na cama. O lençol escorregou pelas pernas.
Ela apoiou os cotovelos nos joelhos, o celular ainda na mão, a outra passando pelo rosto como quem tentava acordar de um pesadelo.
Mas não.
Estava ali mesmo.
Marcela, a ex, tinha enviado aquela porra de carta aberta disfarçada de gentileza, cheia de indireta, como se fosse a única mulher do mundo que conhecia Heitor.
Como se ela, Helena, estivesse apenas ocupando um lugar que não era seu por direito.
— “Uma fase…” — ela murmurou.
A boca dela se torceu num sorriso amargo.
Helena sabia que Heitor tinha passado por outras.
Sabia que já tinha amado antes — talvez até muito.
Mas essa mensagem?
Essa tentativa barata de desestabilizar, de pintar ela como uma substituta previsível, como uma repetição de um script já vivido?
Foi demais.
Ela levantou da cama.
Caminhou até o banheiro em silêncio, lavou o rosto.
Olhou o reflexo no espelho.
Ela agora estava ali e era ali que ela iria ficar. Porque ela queria ser a última e não a próxima.
Nada naquela mulher que Marcela descreveu se parecia com ela.
Helena não era uma fase.
Não era a “nova da vez”.
E se tivesse que mostrar isso para o mundo — e pra Marcela — que fosse com 'elegância'.
Mas firme.
Saiu do banheiro, voltou para o quarto.
Heitor ainda dormia, o braço jogado pra fora do lençol, a boca entreaberta, os cílios longos como sempre.
Tão ele. Tão dela.
Helena se sentou ao lado dele.Pegou o celular de novo.
Leu mais uma vez aquela maldita mensagem.
E então ela respirou fundo… Olhou para ele novamente.
Ele estava entregue.Ela observou por um instante.
Depois pegou o celular.
Abriu a câmera.
Silêncio.
Clic.
Uma foto perfeita.
Ele ali, nu até a cintura, coberto pelo lençol branco, uma aliança reluzindo na mão apoiada na barriga, o cabelo um pouco bagunçado — a imagem da paz que só alguém que transou, amou e venceu poderia ter.
Helena respirou fundo.
Foi até as DMs.
Abriu a conversa com Marcela.
Escreveu devagar e firme:
"Ele disse que o que vocês viveram foi especial.
Mas essa é a primeira vez que ele dorme sem roupa, aliança no dedo e com paz.
Espero que suas lembranças sejam tão boas quanto as minhas noites com ele."
E anexou a foto.
Sem legenda.
Sem dó.
Enviar.
Ela olhou a foto por alguns segundos.
E pela primeira vez desde que abriu aquela mensagem… sorriu de verdade.
Não era um sorriso feliz.
Era aquele sorriso de quem entendeu tudo.
De quem sacou o jogo antes da adversária mover a peça.
Um sorriso de quem tem o prêmio.
Marcela não queria respostas.
Ela queria se afirmar.
Queria que Helena se sentisse pequena.
Insegura. Substituível.
Como se aquele corpo deitado na cama fosse só mais um ponto num ciclo vicioso que ela conhecia melhor.
Mas Helena não era uma figurante.
E muito menos uma fase.
Ela era o agora. E, se quisesse, seria o sempre.
Porque enquanto Marcela colecionava lembranças, Helena colecionava entregas.
E nenhuma caixa de recordações podia competir com o que ela tinha acabado de viver com ele — com a intensidade de um homem que nunca fingia no escuro.
Não era só o sexo.
Era o jeito como ele dormia.
Como relaxava o corpo.
Como deixava a mão cair sobre a barriga com a aliança visível.
Como buscava ela no meio da noite mesmo dormindo.
Helena respirou fundo, mas não pensou muito.
O impulso veio, seco, calculado, frio e na medida certa.
Ela não ia discutir.
Não ia se explicar.Ia mostrar.
Como sempre faz.
Porque quando alguém tenta medir forças com uma mulher como ela…
Não ganha no grito.
Talvez nem no tapa.
O celular vibrou. Uma notificação. Chegou enquanto Helena estava de frente pro espelho, escovando os dentes. O nome dela de novo.
DM de @marcelatorres.rj
"Você é rápida, Helena.
Espero que esteja aproveitando a fase com intensidade — Heitor sempre valoriza isso.
Mas tome cuidado: ele se cansa rápido de rotina.O que hoje parece 'paz', amanhã pode parecer 'tédio'.
Ainda assim, obrigada pela imagem.
Ver ele dormindo assim… me trouxe boas memórias.
Um beijo. Marcela."
Helena parou de escovar.
A espuma na boca.
— Vadia sonsa — murmurou, o olhar firme no celular.
Ela não ia responder agora.
Marcela precisava viver com aquela imagem queimando na mente.
Com a certeza de que o corpo que ela conheceu um dia, agora dormia exausto de prazer nos braços de outra.
E não era qualquer outra.
Era ela. Helena.
A que ele escolheu mostrar pro mundo.
A que ele beijava com fome e com alma.
A que usava a porra da aliança.
Helena cuspiu a espuma na pia, enxaguou a boca, pegou o celular de novo, e só sussurrou:
— Pode mandar mais memórias, Marcela. Mas, venha pronta. Porque eu sempre estou.
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