O CEO que Eu Paguei
2 Gostosa
O silêncio no quarto tinha peso.
Helena parou no meio do cômodo. O clique suave da porta se fechando atrás de si ainda ecoava em sua mente. O som dos chinelos dele contra o piso era o único detalhe que cortava a tensão entre eles. Sentia o coração no pescoço, a blusa colando nas costas, o sangue quente demais para o pouco que tinha acontecido.
Virou devagar.
E lá estava ele. Heitor.
Parado junto à parede com aquela calma irritante e sexy. Mãos nos bolsos do calção branco, corpo grande ocupando espaço demais sem pedir licença. O boné ainda na cabeça. O olhar… curioso, divertido, perigoso. Ele a devorava em silêncio, de um jeito que Helena nunca tinha experimentado. E aquilo só fazia o desejo aumentar.
Ela sentiu a pele formigar. Estava ali, tão nua emocionalmente quanto estaria fisicamente em instantes. Havia algo nele que desarmava. E despertava. Um tipo de magnetismo silencioso que não pedia permissão. O cheiro do perfume dele já começava a se espalhar pelo quarto — limpo, amadeirado, envolvente.
Helena umedeceu os lábios. Precisava falar qualquer coisa. Que fosse.
— A viagem foi tranquila? — soltou, mais baixo do que queria.
Ele sorriu de leve. Só um canto da boca. Como se estivesse achando graça da tentativa. Aquele tipo de sorriso que vicia.
— Foi sim — disse, com a voz carregada de calor. Grave, macia, embriagada de desejo. O sotaque carioca escorria pelas palavras, um sussurro com gosto de pecado.
Ela quase sorriu de novo. O sotaque dele era perigoso. Do tipo que você lembrava em noites solitárias.
— Você é do Rio? — perguntou, dando mais um passo.
— Sou. Mas já morei em outros cantos.
Ele não explicou. E ela não perguntou. O mistério era parte do pacote. E, naquele momento, ela não queria saber mais — queria sentir.
Ela mordeu o lábio, distraída. Ele parecia tão relaxado, tão seguro, tão... pronto. Mas sem pressa. Esse era o perigo: ele não corria. Ele fazia você vir.
— Seu jeito de falar... — disse ela, passando a mão no próprio braço. — É do tipo que fica na cabeça. Difícil de esquecer. — Ela olhou para baixo e depois para ele. — Achei delicioso.
Heitor se endireitou e deu dois passos em direção a ela. Ele era grande. Parecia tampar todo o ambiente. A olhou por cima, com aquele brilho de desafio nos olhos e um sorriso de canto malicioso. Como quem dizia: “E o que mais?”
Helena caminhou até ele. Perto o suficiente pra sentir o perfume. Tocou a barra da camiseta azul com os dedos, sentindo a malha, a leveza. A distância entre eles se esgotou.
— Essa camiseta combina com você. Mas acho que ficaria melhor sem.
— Então tira — ele disse, baixo, a voz embargada de tesão. — Vem ver… o que tem por baixo, gostosa.
Ela obedeceu.
Puxou devagar. A cada centímetro, revelava mais pele. Peitoral largo, abdômen quase definido, ombros marcados. Ele não era um modelo de revista. Era homem. Firme. Real. Quente.
Ela jogou a camiseta de lado e deslizou as mãos pela pele dele.
O corpo dele respondeu. O volume ficou mais evidente. Ela passou os braços pelo pescoço dele, puxando-o para baixo. As mãos dele vieram até a cintura dela. Firmes. Grandes. Quentes. Que pegada deliciosa. Como se dissesse: “Você é minha”. Helena estremeceu.
O olhar de Heitor prendia o dela com uma força bruta e calma. Ele não se mexia, mas era como se ocupasse tudo. A barba por fazer, os olhos azuis baixos e firmes, aquela calma estava enlouquecendo ela.
— Vai continuar me comendo com os olhos... ou vai me comer de verdade? — ela sussurrou, rouca. Nem parecia ela falando aquilo.
Ele sorriu. Aproximou o rosto, o hálito quente roçando o dela. Subiu uma das mãos e segurou seu queixo com firmeza.
— Olha só você… Que safada. Toda cheia de moral… mas tá molhadinha, né?
A outra mão estava na cintura dela — e subiu devagar, explorando as costelas até as costas nuas. Helena fechou os olhos, tremendo por dentro. Ele a puxou mais perto. Tão perto que o volume dele pressionou sua coxa. O corpo dela estremeceu. Ele sentiu.
— Tava pedindo um homem de verdade, né, Camila? Fica tranquila, princesa. Agora tu tem.
Por um instante, ela se esqueceu de que, para ele, ela era Camila — o nome falso que usou tanto no site quanto na recepção do hotel. Um disfarce conveniente. Quase esquecido... até ele usar. Mas, ela preferiria estar ouvindo Helena saindo da boca dele.
— Você fala demais. Eu tava gostando mais antes — ela provocou, tentando beijá-lo. Mas ele recuou de propósito.
Ele deu um sorriso largo. Aquilo foi a senha.
O beijo começou com um toque suave — como se ele testasse a entrega dela. Mas Helena já tinha se rendido. Ela puxou a nuca dele e aprofundou o beijo, como se precisasse daquilo pra respirar.
Ele gemeu contra seus lábios. Um som rouco, involuntário. Primitivo. Que fez ela tremer.
Heitor desceu a mão pelas costas dela, agarrou firme a parte de trás da coxa e puxou contra o corpo dele. O beijo cresceu. Lábios famintos. Línguas se enroscando. Respirações que se perdiam na urgência que tomava conta.
Ela mordeu o lábio inferior dele. Ele respondeu apertando ainda mais sua coxa. Os corpos se ajustavam como se fossem feitos um pro outro.
Ele puxou o quadril dela com precisão. Ela sentiu o volume, quente, pulsando entre suas pernas — e gemeu contra a boca dele. Quase perdeu o equilíbrio. E mesmo assim apertou a coxa naquele volume.
Os olhos dele brilhavam de vontade. Se aproximou mais, mas ela subiu a mão e encostou nos lábios dele.
Heitor a olhou surpreso. Ela sorriu provocante, se afastou um pouco e segurou no antebraço dele, puxando-o para a cama.
No começo, ele a seguiu.
Mas então parou.
Antes que ela olhasse para trás, ele a pegou por trás, com força.
— Vai empinar assim pra mim, é, gostosa? — ele disse no ouvido dela, roçando o quadril no dela com aquele jeito sacana que só quem cresceu no Rio tinha.
Ela gemeu gostoso. Fechou os olhos. Mordeu o lábio. Nunca ninguém a tinha chamado assim. Ela olhou por cima do ombro, provocante.
— Aqui quem manda sou eu. Você só obedece.
Ele riu. Surpreso. Safado.
Os beijos dele desceram pelo pescoço dela, molhados, lambidas lentas que a faziam arrepiar por inteiro.
Ela foi o conduzindo assim até a cama, sentindo o volume colando nela o que a deixava ainda mais molhada.
— Olha o que tu fez comigo — ele murmurrou, esfregando com firmeza. — Agora sobe aqui. E mostra se essa boca geme o meu nome do mesmo jeito que se arrepia com ele.
A voz dele saiu rouca, faminta. E Helena soube...
Ela não ia sair daquele quarto do mesmo jeito que entrou.
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