O CEO que Eu Paguei
192 Fundação
Depois de tantos abalos, a calmaria parecia, enfim, dar sinais de chegada. O furacão passou, e aos poucos, o mundo ao redor começou a se reorganizar ao redor do que realmente importava: Helena.
Heitor, incansável, finalmente teve o encontro com a renomada empresa internacional de lifestyle para gestantes de luxo. E a partir dali, a agenda de Helena se transformou. Duas enfermeiras particulares, escolhidas a dedo, passaram a revezar seus turnos, assegurando que ela nunca estivesse desassistida. O melhor nutricionista do país montava seus cardápios personalizados com ingredientes frescos e ricos em nutrientes essenciais. Uma fisioterapeuta pélvica a acompanhava com delicadeza e foco, guiando-a em exercícios seguros que fortaleciam seu corpo para a jornada que viria.
Uma doula experiente se tornou sua confidente nas dúvidas, nos receios, nas descobertas. A psicóloga perinatal, mais do que bem-vinda, transformou-se em apoio vital — um refúgio emocional, uma presença firme e gentil. Heitor sentiu-se frustrado por não ter descoberto antes os benefícios de uma fonoaudióloga e de uma acupunturista para aliviar os enjoos — recursos que poderiam ter feito diferença desde o início. Mas, como ele mesmo disse: antes tarde do que nunca. Se havia algo que ele não admitia era negligenciar qualquer detalhe da saúde dela — dela e do bebê.
Ele se desdobrava para estar presente na maioria das consultas, ajustando seus compromissos e reuniões como um rei que reorganiza seu império por amor à sua rainha. Quando não podia, Celina a acompanhava com carinho. Já Lorena… Helena não quis vê-la por esses dias. E Heitor respeitou. Respeitou o tempo dela, os sentimentos dela, como prometeu a si mesmo fazer.
Como se tudo isso não fosse o suficiente, Heitor foi além: comprou um sítio orgânico para garantir que o chef particular contratado por Renato Monteiro tivesse acesso diário aos melhores ingredientes. Hortaliças, frutas, ovos — tudo fresco, colhido ao amanhecer. Tudo para Helena. A maior luta, porém, não foi convencê-la de nada, foi ele próprio aceitar, que o café havia sido banido da dieta. O nutricionista proibiu cafeína e ela até aceitou numa boa, mas ele… ah, ele sofreu. Como todo bom parceiro que acredita que faz parte do papel de homem da casa, tentou resistir. Mas logo passou a preparar, com orgulho, o chá de abacaxi especial que o chef ensinou para substituir a antiga rotina matinal. E fazia com gosto, principalmente quando ela sorria após o primeiro gole.
O que ele nunca pensou que viveria — e estava adorando — eram as sessões de pilates e yoga para gestantes. Queria aulas particulares, claro. Discrição, conforto, foco total. Mas Helena foi categórica: ele estava exagerando. Heitor discordava profundamente — as aulas privativas eram infinitamente melhores, ela é que não entendia isso — mas respeitou. Resultado? Eles agora frequentavam juntos as aulas coletivas. Sim, eles. Helena morria de vergonha por ele ser o único pai entre um mar de barrigas, mas também adorava. Mesmo sem admitir. E ele, ah… ele se destacava. E não demorou muito para alguns outros pais aparecerem lá também. Aquele homem imponente, de terno e pasta de reuniões, agora estendia tapetinhos ao lado de gestantes e respirava fundo durante posturas, sempre com os olhos atentos à sua mulher.
Mas o amor também sabia ser proteção. Fortenelle ainda não havia sido preso, e isso mantinha Heitor em estado de alerta. Por isso, contratou uma equipe particular de segurança especializada. Discreta, eficiente, treinada. Helena, para sua surpresa, não resistiu. Disse apenas que não queria que nada acontecesse com o bebê. E isso bastou. Heitor engoliu em seco e garantiu, em silêncio, que nada aconteceria a nenhum dos dois — nem à criança, nem à mulher da vida dele.
Para Heitor Monteiro, poucas coisas eram mais desafiadoras do que entregar algo que não estivesse à altura do que ele julgava ideal. E agora, ele estava caçando um lar. Não apenas uma casa, não apenas um imóvel — mas um lugar que dissesse em cada detalhe: "Helena, eu te amo. E vou amar pra sempre."
Já haviam visitado três propriedades. Duas agradaram Helena, e isso por si só era perigoso — ela era fácil de encantar. Ele, não. Não queria algo só bonito. Queria o lugar certo. O lugar onde ela pudesse rir nas manhãs de sol, onde seus filhos corressem pelos corredores, onde o Natal coubesse toda a família, e o verão ecoasse em risadas no quintal.
Mas até agora, nada.
No banco de trás do carro de Emílio Rivera, corretor e amigo de escola do Heitor, Helena estava deitada no peito dele, acariciando a própria barriga enquanto ouvia Emílio tentar vender mais uma opção.
— Monteiro, é essa! Eu aposto meu nome — disse Emílio, animado.
— Cuidado com o que aposta — respondeu Heitor, com o braço em volta de Helena. — Você não anda me impressionando.
— Heitor, mas eu gostei daquela casa suspensa — disse Helena, erguendo um pouco o rosto para ele. — Você não gostou?
— É bonita. Mas não é a nossa.
Helena riu.
— A casa tinha uma garagem de vidro pra colocar os carros na sala! Como isso não é incrível??
Heitor apertou de leve o ombro dela contra o corpo dele.
— Amor, a nossa casa tem que ter alma. Tem que ter aquele "charme". Eu quero que você olhe e pense: "esse vai ser o lugar onde nossos filhos vão crescer". E onde a gente vai envelhecer juntos.
Ela sorriu. Deitou de novo. Murmurou:
— Até no apartamento dá pra fazer isso.
— Sim. Mas você merece mais.
Emílio virou o carro para uma via ladeada por montanhas.
— Agora é pra valer. Juntei tudo o que vocês gostaram das outras casas. A rua é larga e privativa. Vocês podem receber seus visitantes com conforto.
Helena passou a mão pela barriga.
— Nosso filho vai ter muitos amiguinhos… Eles precisam de muito espaço para brincar.
Heitor sorriu e beijou a testa dela.
— Nossa casa vai ser cheia de crianças. Exatamente como eu quero.
Passaram pela primeira guarita. Blindada. De dois andares.
— A paisagem é montanhosa, o que ajuda com a segurança. E conforme seguimos, ela abre pra uma planície. Espera pra ver.
Helena encostou no vidro. Seus olhos se arregalaram.
Era um campo vasto de grama verde. Uma planície infinita, sem obstáculos, sem ruídos. Pura calma e amplitude.
— Por que não tem árvores? — perguntou.
— O antigo dono era obcecado por golfe. São seis hectares livres.
— Seis?! — Heitor arqueou as sobrancelhas. — Isso é raro.
Emílio riu:
— Vocês vão ter espaço de sobra. Para festas. Eventos. E para criança correr até cansar. E olha ali o portão principal… — apontou Emílio.
Um portão de ferro forjado com desenhos clássicos surgiu, imponente. Com uma guarita ao lado. Emílio emendou:
— Já pensei: o brasão dos Monteiro bem no meio. Vai destacar mais que o portão da casa dos seus pais, Heitor.
— Isso eu gostei — Heitor admitiu com um sorriso de canto.
A travessia do portão revelou uma alameda encantadora, ladeada por ipês brancos floridos, parecendo cenas de filme natalino.
— Amor, imagina essas árvores todas com luzinhas no Natal… vai parecer um sonho! — Helena disse, olhos brilhando.
Heitor sorriu. Era exatamente esse tipo de reação que ele esperava ver nela.
Esculturas de mármore — corças, coelhos, raposinhas — surgiam delicadamente entre as árvores.
— Campos de Artêmis, é como o antigo dono chamava essa parte — explicou o corretor. — Com as esculturas de animais…
E então, entre as folhas, a casa surgiu. Devagar, majestosa. Primeiro o telhado clássico, depois as janelas altíssimas, até a fachada branca com colunas suaves, simétrica, imponente.
O jardim de entrada era em estilo francês. Arbustos esculpidos em formas geométricas, flores brancas que formavam desenhos em espiral. No centro, uma fonte de três níveis, com água clara escorrendo em camadas.
Helena desceu do carro encantada. A rua de pedra escura virava um caminho com filetes de mármore champagne.
— Isso aqui parece coisa de filme, meu Deus… — Helena comentou ao descer.
— Essa pedra é Travertino Navona — Emílio apontou — e os corrimãos são em ferro dourado envelhecido. Até o espaçamento é pensado: criança nenhuma prende a mão aqui.
— Bem pensado mesmo — disse Helena, puxando a mão de Heitor até o corrimão. — Imagina a gente aqui no inverno, com roupas bem bonitas… Ah, o Rio é tão quente, será que vai fazer frio em algum momento?
— Julho é frio. A gente ainda pode usar — ele respondeu, com os olhos fixos nela. — E você de bota curta e suéter é um perigo para mim.
Ela riu, ruborizada.
Chegaram à porta. Três metros de altura. Bronze escovado.
— Podemos talhar o símbolo da família Monteiro — sugeriu Emílio.
Heitor apenas assentiu. Os olhos ainda estavam nela. No jeito como ela deslizava os dedos pela madeira.
— É muito bonita. Parece… um palácio.
— Bem-vindos à nova casa de vocês! — anunciou Emílio. — Que tal entrarem com o pé direito?
Helena puxou Heitor pela mão, os dois riram como crianças e pararam bem no assoalho.
— No três. Um, dois, três... agora!
Entraram juntos, o som da risada dela ecoando pelo hall de pé-direito duplo.
O interior era ainda mais impressionante: mármores claros, escadaria curva, painéis de vidro, um lustre central digno de filme da Disney. Helena estava pasma.
— Meu Deus… parece sonho.
Heitor se aproximou por trás e a abraçou.
— Eu quero que você tenha tudo. O que nunca teve. O que quiser ter. Essa casa é só um começo, Helê.
Ela sentiu os olhos se encherem. Mas se conteve.
Foram explorando cômodo por cômodo: sala com lareira e televisão gigantesca.
— Imagina o Fla-Flu aqui, Monteiro! — brincou Emílio.
— Podemos colocar o cercadinho do Bebeto aqui — disse Helena, apontando.
— A lareira tem trava de segurança. E a parte da adega e chopeira fica fechada.
Heitor sentou no sofá, passou a mão pelo couro. Olhou para o espaço. Viu Helena com camisa do Fluminense, bebê no colo. Ele mesmo sentado ali, rodeado pelos filhos deles. A cena era clara demais. Ele já podia sentir.
Foram à sala de jantar com mesa para 18 lugares. A sala musical. O escritório de Heitor que fez ele lembrar da infância — da nota de dez reais que ganhava do pai quando ganhava na cacheta.
O escritório da “dona da casa” encantou Helena. Ela já imaginava todos os livros de administração enfim organizados. A janela dava direto para o jardim.
A cozinha era espaçosa, moderna, uma ilha extensa e tudo embutido. O segundo andar trazia a suíte master com closet gigante, ilhas de acessórios, banheira, duchas duplas. Heitor já tinha aquele olhar — e Helena revirou os olhos, rindo.
Mais suítes. Copa para bebê. Espaço para brinquedoteca.
Helena passeava com os dedos pelos móveis.
Heitor já não olhava mais nada. Olhava só para ela.
O quintal era o ponto alto. Uma visão aberta, quase infinita.
Um mar de grama baixa. Verde sem fim. Livre, seguro e iluminado.
No subsolo? Um paraíso para Heitor: garagem para 24 carros. Iluminação de museu. Sala de cinema.
— Bem na hora! Tô maratonando Revenge — comentou Helena.
— Essa série é horrível — reclamou Heitor. — Tá na cara que a Amanda não vai ficar com o Daniel.
— E eu nem lembro com quem ela fica, sabia? — respondeu ela, rindo. — Temos que continuar vendo para decidir.
Piscina aquecida, quadra de vôlei, lago ornamental, gazebo, horta gourmet, pomar toscano, caminho para carrinho elétrico, casas de hóspedes e da equipe, sistema de segurança, guarita blindada…
Era um sonho real.
— O antigo dono nunca morou aqui — explicou Emílio. — Construiu pra filha, mas ela casou com um britânico e foi embora. Resolveu vender.
— Isso só torna a casa ainda mais interessante — disse Heitor.
Helena, encantada, parou e o olhou nos olhos.
— A gente pode… morar aqui?
Heitor sentiu o rosto esquentar. Ela não tinha ideia do quanto ele amava quando ela pedia algo com aquela voz. Com aquele olhar. Aquilo era tudo o que ele queria ouvir.
— Claro que sim — ele disse com um sorriso largo. — Se você gostou... essa vai ser a nossa casa. Vai ser perfeita.
Emílio, sorrindo de orelha a orelha, cruzou os braços.
— Sabia que iam se apaixonar.
Helena olhou ao redor, depois para Heitor. A casa era incrível. Mas o que a tornava perfeita mesmo… era ele.
E o filho deles. E o lar que estavam construindo juntos.
Heitor havia colocado o mundo aos pés de Helena.
E faria isso quantas vezes fosse necessário.
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