O CEO que Eu Paguei

106 Feita para mim


Ela ainda estava tremendo, o corpo mole sob ele, os olhos fechados e a boca entreaberta, tentando recuperar o ar. Mas Heitor não parou. Ele a olhava como se estivesse decorando cada expressão — os cílios grudados de suor, a pele quente, os cabelos espalhados no travesseiro.

— Tô fodido, Helena… — ele murmurou com a voz carregada. — Agora que eu vi isso, como é que eu vou passar dias longe de você?

Ela mal conseguiu responder, só levantou os olhos para ele com um meio sorriso, ainda ofegante.

E foi ali, naquela curva da boca dela, naquela expressão toda entregue, que ele perdeu a noção de qualquer controle.

Ele se apoiou com mais força nas mãos, o quadril batendo com mais firmeza contra o dela, como se quisesse se enterrar dentro dela pra sempre.

— Caralho, olha como você aperta… — ele rosnou baixo, o tom abafado entre os dentes. — Sua buceta tá me sugando, porra. Parece que sabe que é a última vez antes de eu viajar.

Ela gemeu em resposta, ainda sensível, mas rebolando levemente, incentivando, segurando firme os ombros dele com a pontinha das unhas.

— Isso… me come… me come todinha, Heitor. — ela sussurrou, quase em provocação.

Ele grunhiu, o corpo inteiro em tensão.

— Você quer, né? Quer meu pau assim, fundo, forte… quer sentir que é minha antes de eu ir.

Ela ia responder, mas ele não deixou. Puxou o rosto dela para perto e murmurou contra os lábios dela:

— Recebe toda a minha porra. — A voz era baixa, rouca, carregada. — Vai sentir meu gozo por dias. Quero ver se arruma coragem de dormir de calcinha enquanto eu não tô.

Os músculos dele começaram a se contrair. O maxilar apertado, os olhos fechando, o quadril travando num último impulso profundo.

— Caralho, Helena… — ele arfava. — Tô… tô gozando… porra, é muita coisa… — Ele gemeu contra o pescoço dela, o corpo tremendo.

E ele gozou forte.. Com tudo que tinha guardado — o desejo, a saudade que já batia, o medo de partir, a certeza de que ela era dele.

Ficou ali, dentro dela, ainda se mexendo devagar enquanto voltava a respirar. Depois deixou o corpo cair com cuidado ao lado dela, o peito subindo e descendo rápido.

Esticou o braço e puxou ela para o peito.

— Tu acabou comigo, sabia? — ele falou entre um riso e um suspiro. — Agora vou ter que sair daqui em coma.

Helena soltou uma risada abafada.

— Drama.

— Não é drama não, Helê. É constatação. Sua buceta foi feita pra mim.

Ela bateu de leve no peito dele.

— Cala a boca, Heitor.

Ele sorriu satisfeito e beijou a testa dela com carinho. A mão grande fazendo carinho nas costas nuas dela, já mais calmo. Mas o olhar dele, aquele brilho… ainda estava ali.

Heitor ficou ali deitado, meio de lado, o peito subindo e descendo devagar enquanto tirava a camisinha com um suspiro indignado.

— Puta que pariu… eu gozei tanto que a porra ficou toda presa aqui. — Ele segurava o preservativo com uma cara de luto. — Isso é uma sacanagem com o homem, sabia?

Helena deu uma risada abafada contra o travesseiro e virou o rosto pra ele, ainda deitada, com aquele brilho debochado nos olhos.

— Aham, super injusto mesmo.

— É sim, caralho. — Ele se apoiou no cotovelo, ainda olhando pra ela com aquela cara de homem revoltado com a vida. — Eu sou seu namorado, Helena. Seu homem. A gente devia tá transando sem camisinha sempre. Pele com pele, tesão com tesão.

Helena levantou a sobrancelha, o sorrisinho cínico aparecendo.

— Ué, não era você que falava que respeitava os limites? Mudou de ideia agora que ficou mal acostumado?

Heitor bufou e jogou a camisinha no lixo ao lado da cama.

— Claro que mudei. Você me viciou. Depois daquele dia lá na casa da sua avó, tu me amarrou, Helena. Aquilo não foi só transa, foi possessão.

Ela riu e virou de lado, apoiando a cabeça na mão, encarando ele com preguiça e malícia nos olhos.

— Eu nunca pensei em fazer sem, Heitor. Nem era uma coisa que passava na minha cabeça. Mas… — ela desviou o olhar, depois voltou pra ele. — …você faz tão gostoso… tão diferente. Eu quis sentir você. De verdade.

Os olhos dele brilharam.

— Porra, fala de novo.

— Não.

— Fala, Helena. — Ele se aproximou mais, colando os corpos, o braço envolvendo a cintura dela. — Fala, vai. Diz que quis me sentir.

Ela riu.

— Tá carente hoje, é?

— Tô. — Ele não disfarçou. — E mais puto ainda porque tu tá no período fértil agora e eu vou ter que ir pro Rio. Isso não é certo, porra. Isso é castigo.

Helena suspirou com a expressão quase culpada.

— Eu até liberei uns dias, você deu sorte… mas não dá pra ficar fazendo sempre. A gente tem que ter cuidado, sim. Meu ciclo é certinho, mas ainda assim…

Heitor encostou a testa na dela, aquele jeito dele de meio rir, meio se conformar.

— Tu é toda certinha e ainda assim… — Ele segurou o queixo dela com carinho. — A única coisa que não é certinha é o jeito que sua buceta me vicia.

— Heitor! — ela deu um tapa no braço dele, rindo.

— Tô falando sério. É científico, Helena. O corpo responde. Meu pau só quer você, não tem como lutar contra a biologia.

— Ah, então agora é ciência?

— Pura bioquímica. — Ele sorriu largo. — Hormônio, apego, conexão… amor. — Ele disse a última palavra num tom leve, mas cheio de verdade.

Ela baixou o olhar e mordeu o lábio, sem graça. Depois disfarçou.

— Isso não tem nada a ver, não. Namorado ou não, camisinha existe pra ser usada.

— Mas você me ama.

— Cala a boca, Heitor.

— Tu quer meu filho.

— Cala a boca, Heitor.

— Tu já tá vendo nome pra ele.

— Cala. A. Boca. Heitor.

Ele riu, a puxando com força pro peito dele. Helena relutou só dois segundos antes de se acomodar ali, enfiando o rosto na curva do pescoço dele.

— Só queria deixar registrado — ele disse por fim, a voz já mais baixa — que quando a gente fizer de novo sem… você vai me olhar daquele jeito. De novo. Igual naquele dia.

Helena não respondeu. Só mordeu de leve a pele do ombro dele, fazendo-o rir baixinho.

— Já tô até vendo — ele sussurrou. — Vou ter que te comer no espelho de novo. Pra ver sua cara inteira se rendendo pra mim.

Ela riu. Mas não negou.

E ele também adorava quando ela não negava.

A luz amarelada do abajur deixava o quarto com um tom suave e quente. Helena estava deitada de lado, a cabeça apoiada no ombro de Heitor, o braço dele envolvia sua cintura como se quisesse impedir o tempo de passar.

Os dois estavam em silêncio há alguns minutos. Mas não era desconfortável. Era aquele tipo raro de silêncio que dizia mais do que qualquer conversa longa.

— Tá pensando no quê? — ela perguntou, com a voz baixa, arrastada, os dedos fazendo círculos preguiçosos no peito dele.

Heitor demorou um pouco pra responder.

— Tô pensando que depois de amanhã eu acordo sem você.

Ela não disse nada. Só apertou de leve a mão sobre o peito dele.

— E que a cama vai parecer gigante, mesmo sendo a mesma.

Helena riu, mas o riso saiu curto, um pouco triste.

— Drama... — disse com a voz abafada. — Vai parecer gigante porque você é espaçoso. Dorme igual um urso jogado.

— E você fica toda encolhida... parece um gato debaixo do cobertor. — Ele virou o rosto e beijou o alto da cabeça dela. — Um gato com a unha afiada na língua.

Helena ergueu um pouco os olhos, o rosto ainda encostado nele.

— Vai ficar com saudade?

Heitor encarou o teto antes de olhar pra ela.

— Eu já tô com saudade. — A frase saiu baixa, sem floreios. — De ouvir sua voz falando besteira no meio do dia. De ver você andando pela casa, brava, me xingando de alguma coisa. Até do teu debochezinho nojento que me dá vontade de te colocar de castigo.

Ela sorriu, mas os olhos marejaram.

— Eu não vou chorar, tá?

— Nem quero. Você chorando me quebra. E amanhã eu preciso ser firme.

Ela o olhou, mais séria.

— Você vai ficar bem?

— Vou. — Ele respirou fundo. — Mas só porque sei que você vai me encontrar lá. E não importa se é aqui ou lá, no Rio. Ou em qualquer canto, eu vou ficar bem contanto que você esteja comigo.

Helena desviou o olhar.

— Você fala umas coisas que mexem comigo.

— Ué, não era isso que você queria? Mexer com você?

— É, mas eu achava que ia ser eu mexendo com você. Não o contrário. — Ela deu um sorrisinho de canto.

Heitor virou de lado e puxou ela mais pra perto, colando os corpos.

— Helena... você mexe comigo desde o dia que fez que não me conhecia com sua cara debochada de “eu sou superior a esse CEO babaca”.

— E eu ainda acho.

— Eu sei que você acha. — Ele deu um beijo leve no nariz dela. — Mas eu não ligo. Porque você é a mulher que eu escolhi pra ficar. E se isso significa ouvir sua boca afiada pro resto da vida… eu aceito. Desde que ela continue gemendo meu nome do mesmo jeito.

Ela deu um tapa leve nele, rindo.

— Estragou a cena romântica, id1ota.

— É que eu sou carioca, pô. Eu me declaro com sacanagem junto.

Helena encostou a testa na dele.

— Só promete que não vai esquecer que eu sou de verdade. Que eu sou isso aqui mesmo. Com as garras, com os medos, com a língua afiada… mas com o coração batendo por você, mesmo que eu não saiba lidar com isso ainda.

Heitor apertou os olhos por um segundo, como se aquilo tivesse sido mais do que ele podia aguentar.

— Não tem como esquecer você, Helena. Nem que eu quisesse. — Ele tocou o rosto dela com cuidado, como se ela fosse feita de luz. — Você é a mulher que bagunçou a minha vida inteira… e ainda assim, é a única coisa que dá sentido a ela.

Helena mordeu o lábio, os olhos marejando de novo.

— Falei que não ia chorar...

— Então vem aqui. — Heitor a puxou de novo, e os dois se abraçaram como se o mundo inteiro estivesse do lado de fora daquela cama. E talvez estivesse mesmo.

Naquele momento, só existia o calor entre eles. A pele. O cheiro um do outro. E o sentimento que eles não sabiam nomear do mesmo jeito — mas que crescia, cada vez mais impossível de esconder.