O CEO que Eu Paguei
86 Entre Raiva e Desejo
Helena foi empurrada de leve contra o encosto do sofá, os olhos fixos nos de Heitor.
Não era o mesmo homem dos outros dias.
O toque era o mesmo. A boca, também. Mas havia outra coisa por trás — como se cada beijo cobrasse o silêncio, como se cada mordida dissesse: “não faz isso comigo de novo.”
— Tu não tem noção do que eu passei esses dias — ele disse, com a voz arrastada, quente, cheia de uma raiva que beirava a devoção — Eu tentei me afastar. Eu tentei esquecer. Mas aí tu aparece aqui, vestida desse jeito… E eu não sou forte o bastante pra te mandar embora.
Helena não respondeu.
Mas os olhos, grandes e escuros, brilhavam.
Heitor puxou o vestido devagar, subindo até a cintura dela, revelando as coxas que ele conhecia de cor, mas agora pareciam novidade de novo.
— Isso aqui… — ele passou a mão firme pelas curvas dela, apertando. — Isso aqui ficou me assombrando. Toda noite. Toda porra de banho que eu tomava. Toda vez que eu passava pela minha cama e lembrava do teu cheiro no lençol.
Ela gemeu baixo.
Ele mordeu o maxilar dela.
Aperto no pescoço, na cintura.
Um beijo no ombro, no colo.
Mas os olhos… estavam feridos.
— Me fala… — ele pediu, a voz rouca, encostando a boca no ouvido dela. — Me fala que você pensou em mim. Que ficou com raiva de mim também. Que doeu. Fala, caralho.
Ela virou o rosto, olhou direto pra ele, e sussurrou:
— Eu não aguentei mais.
Aquilo foi o gatilho.
Heitor levantou com ela no colo.
Foi andando pelo corredor até o quarto como quem leva um vício nas mãos.
A respiração dele, quente no pescoço dela.
As mãos, segurando forte.
A urgência, clara.
Ele a deitou na cama com força controlada.
Tirou o vestido.
E ficou parado por um segundo, só olhando.
— Eu devia mandar você embora. Mas só de pensar nisso… parece que minha pele arranca junto.
Helena puxou ele pela nuca, beijando com mais força do que nunca.
Heitor tirou a camisa com pressa.
Encostou a testa na dela.
— Não é pra ser assim. Mas eu não sei fazer diferente. Quando é com você… eu só sei sentir.
A mão dele desceu pelas pernas dela.
Dedos firmes, precisos, impacientes.
Ele explorava como se estivesse marcando território de novo.
— Tá molhada pra caralho. Tu veio querendo isso, né?
Ela gemeu.
Mordeu o lábio.
Assentiu.
— Então toma. Mas não reclama depois se eu te deixar sem andar amanhã.
Ele se posicionou.
A penetração foi firme.
Cheia de tudo o que ele não conseguiu dizer.
Tudo o que ela não conseguiu assumir.
Os gemidos dela vinham entre palavras e suspiros contidos.
Ele prendia os pulsos dela acima da cabeça, o corpo colado, o olhar cravado no dela.
— Diz que é minha. Fala que ainda é. Mesmo depois de me deixar naquela porra de vazio.
— Sou sua — ela sussurrou, com a voz embargada — Eu não sei ser de mais ninguém.
E ali…
a mágoa virou tesão.
A ausência virou movimento.
O ressentimento virou ritmo.
E o amor que não tinha nome virou pele, corpo, gemido e perdão.
O quarto estava em penumbra, o lençol revirado, os corpos entrelaçados.
Helena se agarrava aos ombros dele como se ali estivesse a única âncora possível.
Heitor se movia com precisão — mas não com gentileza.
Era como se cada investida dissesse:
"Não me deixa de novo."
"Me sente.”
“Me grava.”
“Me aceita."
O suor escorria pelas costas dele.
Os dedos ainda seguravam firme os pulsos dela, até que ele soltou… e passou as mãos para a cintura, apertando como se quisesse colar os dois de novo.
Helena gemeu mais alto, os quadris se entregando ao ritmo.
— Tá sentindo? — ele sussurrou com a voz rouca, quase bruta. — Eu tô inteiro aqui dentro. Tô me deixando em você. Como sempre fiz.
Ela rebolou contra ele, os olhos semiabertos, corpo em chamas.
— Porra, Helena... — ele grunhiu, o controle escapando. — Assim eu não aguento.
— Continua... Me faz esquecer tudo. Menos você.
Ele acelerou.
O som dos corpos, dos suspiros, da cama batendo em descompasso.
E então ela arqueou as costas, os olhos apertados, a boca entreaberta.
Gozou dizendo o nome dele.
Gozou como se só ele soubesse o caminho.
Heitor se apoiou sobre ela, ofegante.
E mesmo depois, os quadris ainda se moviam, lentos.
Ele não queria sair.
Não queria o fim.
— Tu não tem ideia... — ele sussurrou no ouvido dela. — Do que é gozar dentro de quem eu pensei todos os dias. E ainda querer mais.
Ela tocou o rosto dele.
A carícia dizia o que ela ainda não conseguia dizer em voz alta.
E então ele chegou ao limite também.
Enterrou-se nela com força e gemidos abafados.
Um suspiro preso na garganta.
Um nome entre os dentes.
Uma entrega sem volta.
Silêncio.
Só a respiração dos dois preenchendo o espaço.
O coração dele batia tão forte que ela sentia contra o próprio peito.
Ele permaneceu sobre ela por mais tempo do que o necessário.
Só respirando.
Só sentindo.
Depois se moveu devagar, beijou o ombro dela, e a puxou contra o peito, virando de lado.
Ficaram ali.
Sem palavras.
Como se tivessem gastado tudo.
Heitor passou os dedos devagar pelas costas dela.
E quando ela achou que ele ia quebrar o silêncio com alguma provocação, ele apenas disse:
— Isso não foi só sexo.
Helena não respondeu.
Mas a forma como ela se encolheu contra ele… dizia tudo.
Ele fechou os olhos, ainda ofegante.
E pela primeira vez em dias, sentiu o corpo descansar.
Mas o coração?
Ainda batia em alerta.
Porque amar, pra ele, sempre foi uma guerra silenciosa.
E ela… ainda era o território mais perigoso.
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