O CEO que Eu Paguei

175 Efeitos Colaterais


Era madrugada, mas Jonas não tinha pregado os olhos.

O quarto estava mergulhado na penumbra azulada da luz do ar-condicionado, e o som suave da respiração de Suellen preenchia o silêncio.

Ele se virou devagar, o braço apoiado no travesseiro, observando-a por um instante.

Dormia profundamente satisfeita.

O lençol caía pelas curvas dela, o perfume ainda pairava no ar.

Jonas deixou escapar um sorriso preguiçoso, quase um sussurro:

— De nada.

Sabia que tinha feito um ótimo trabalho.

Não que fosse esse o propósito inicial da noite… mas, convenhamos, ninguém precisa sofrer durante uma investigação.

Suellen era revisora-chefe de uma das redações mais influentes do país — e, nos últimos dias, vinha publicando tudo o que os Fortenelle queriam que o público acreditasse.

Um “encontro casual” num coquetel de imprensa, duas taças de vinho e um charme bem dosado depois…

Jonas havia encontrado uma fonte com acesso direto aos bastidores da manipulação midiática.

Levantou-se com cuidado, procurou por alguns minutos a cueca boxer jogada pelo quarto, quando a achou a vestiu devagar.

Andou até a porta sem fazer barulho, parando apenas para olhar o relógio de pulso.

3h27 da manhã.

O apartamento de Suellen era elegante, muito bem decorado e com cheiro de velas aromáticas. Jonas caminhou pela cozinha, em silêncio, até o corredor que levava ao pequeno escritório.

A luz do monitor piscava na penumbra.

— Bingo. — murmurou.

Encostou a porta atrás de si, acendeu apenas o abajur de mesa e sentou-se diante do computador.

A senha?

Se estivesse vindo após essa noite, apostava sua porsche que a senha seria Jonas, o deus do sexo. Mas, por enquanto era o nome da cadela dela, “gigi”.

As pessoas bonitas sempre cometem os mesmos erros.

O e-mail estava aberto, e no topo da caixa de entrada, um assunto chamava atenção:

“Entrevista Fortenelle — aprovação final / Dossiê de bastidores.”

Jonas estalou a língua, satisfeito.

— O que você andou escondendo, Suellen…?

Abriu o arquivo.

As primeiras linhas o fizeram recostar na cadeira, um sorriso de puro deleite se formando no rosto.

“Trecho revisado conforme pedido de assessoria.

Incluir menção à ‘criança sem pai’.

Remover referência à agressão prévia no restaurante.

Reforçar expressão de vulnerabilidade (‘ele só queria conversar’).

Afirmar que Helena está em silêncio — dá força ao tom de injustiça.”

Jonas balançou a cabeça, entre incrédulo e admirado.

— Então é assim que fabricam um mártir.

Deslizou o dedo no touchpad e continuou lendo.

Mais abaixo, um anexo: “Roteiro de perguntas — autorizado pela Fort Group.”

No rodapé, o nome do repórter.

O mesmo que havia aparecido no Jornal da Noite.

Jonas deu um sorriso lento, satisfeito.

— Peguei vocês.

Fechou o arquivo, anexou tudo e enviou para o próprio e-mail — duas cópias, por segurança.

Depois, apagou os rastros com a destreza que parecia que já tinha feito isso vezes demais.

Ia sair quando algo piscou na tela.

Um e-mail parado na caixa de saída.

O título cintilava como uma isca perfeita:

“Conheça Helena Campos: a mulher por trás da guerra dos bilionários.”

Jonas arqueou uma sobrancelha.

— Ah, olha só... o golpe abaixo da cintura. — murmurou, clicando.

A tela começou a carregar.

E então — clac! — o som da porta se abrindo.

O coração dele gelou.

Por um segundo, sentiu o estômago despencar.

Virou-se devagar, o sorriso mais falso do mundo colado no rosto, ensaiando mentalmente um “não é o que parece” para o caso de Suellen estar ali.

Mas não era Suellen.

Era uma bola de pelos de vinte centímetros, com uma coleira rosa cravejada de pedrinhas douradas, parada na porta como um mini guarda imperial.

Jonas piscou.

— Ah... claro. A Gigi. — suspirou, passando a mão no rosto. — Jesus amado, quase tive um infarto por causa de um pompom com pernas.

A Lulu da Pomerânia inclinou a cabeça, o pompom da cauda tremendo como um espanador elétrico.

Jonas a observou com os olhos semicerrados.

— Vai me entregar pra sua mãe, é?

A cachorrinha soltou um espirro minúsculo, e Jonas levou a mão ao peito.

— Meu Deus do céu! Não faz isso, Gigi. Quase me matou do coração.

Ele se abaixou devagar, estendendo as mãos.

— Olha só, a gente pode resolver isso de forma diplomática, tá bem? Esse é o momento decisivo de toda mulher: ser fiel à sua dona... ou se render a um homem irresistível. O que vai ser, hein, mocinha?

Gigi manteve o olhar desconfiado. Ela não era tão fácil assim.

Jonas arqueou a sobrancelha, trocando o tom para uma voz infantil exagerada:

— Vem cá, coisinha mais linda e fofa do universo! Vem cá, amorzinho do papai, vem!

Esquece, ela era fácil sim A cachorrinha se aproximou trotando, com aquele ar convencido de quem sabe o próprio valor.

Jonas conteve uma risada.

— Isso mesmo, nenhuma mulher resiste a esse aquariano nato. Seja humana ou não.

Pegou Gigi no colo e a apoiou na perna, acariciando a cabeça dela.

— Pronto. Agora somos cúmplices, tá bom? — disse em voz baixa. — Vamos ver o que sua mamãe anda aprontando.

E lá foi ele, o ‘espião’ mais charmoso e inconsequente do país, pronto para ler uma matéria com uma Lulu da Pomerânia no colo.



Conheça Helena Campos: a mulher por trás da guerra dos bilionários

Por Suellen Prado – Dossiê Exclusivo

“Algumas mulheres sobem na vida com talento. Outras com estratégia. Helena Campos parece ter nascido com ambas — e um talento especial para estar sempre no centro do furacão.”


Do interior mineiro aos holofotes corporativos

Filha de Henrique Campos, sargento da Polícia Militar de Minas Gerais, e de Lorena Ribeiro, uma jovem de origem simples da zona rural, Helena nasceu cercada por controvérsias. Documentos e relatos obtidos por nossa equipe sugerem que a relação de seus pais começou quando Lorena era menor de idade. O caso teria sido abafado na época, e o próprio sargento — homem de reputação ilibada até então — acabou cometendo um trágico ato contra a própria vida poucos meses depois do nascimento da filha.

Helena foi criada pelos avós paternos e, até onde se sabe, nunca teve contato com a família materna. Moradores antigos da região afirmam que “a menina cresceu cercada de bons costumes, mas sempre sonhando com algo maior”.


A juventude: ambição precoce e gosto pelo luxo

Colegas de escola descrevem Helena como uma jovem reservada, inteligente e determinada. Outros, menos generosos, dizem que ela “sabia muito bem o que queria — e quem poderia dar isso a ela”. Tentou se aproximar de filhos de políticos locais, mas foi rejeitada.

Com a morte do pai, herdou a pensão militar e uma casa modesta, que vendeu. O dinheiro “sumiu sem deixar rastros” — segundo vizinhos, foi gasto em viagens e cursos rápidos. Ela optou por cursar faculdade a distância, mesmo tendo condições financeiras para estudar fora.


A ascensão corporativa

Helena iniciou a carreira na Plano & Forma, empresa do ramo de engenharia, como terceirizada. Seu desempenho técnico era considerado excelente, embora colegas a descrevessem como “competitiva ao extremo” e “pouco ética”.

Durante esse período, prestou serviços para a Monteiro Inc., uma das maiores construtoras do país. Foi ali que, segundo fontes internas, Helena teria chamado a atenção do herdeiro da companhia, Heitor Monteiro.

Relatos de funcionários sugerem que o primeiro contato entre os dois foi “no mínimo caloroso”. Testemunhas afirmam que ela o teria recebido com abraços e risos, e que os dois permaneceram a sós até tarde da noite revisando relatórios. No dia seguinte, curiosamente, o setor terceirizado foi transferido para uma sala de vidro de frente à diretoria — e a mesa de Helena passou a ser diretamente voltada para a de Heitor.


O romance proibido

Pouco tempo depois, começaram os boatos: olhares, risos cúmplices e caronas no carro da empresa. Um colaborador que pediu anonimato relata:

“A moto dela pegou poeira depois que ele apareceu. Nunca mais ninguém viu o veículo. Era só ele aparecer que ela esquecia o horário de sair.”

Fontes afirmam que Heitor chegou a presenteá-la com chocolates importados e, após um beijo presenciado por colegas, foi obrigado a tratar do caso com o jurídico e o compliance da empresa — o que levou à formalização do relacionamento.

A partir daí, Helena passou a chegar tarde e sair acompanhada exclusivamente de Heitor. O que para alguns parecia amor, para outros era o início de uma escalada social meticulosamente planejada.


Entre dois impérios

Algumas semanas depois, Helena teria conhecido Antônio Fortenelle, herdeiro da rival Fort Group, durante um seminário em Uberlândia. Foi o bastante para reacender rumores sobre um possível triângulo amoroso entre dois dos maiores nomes da engenharia e jurídico-tecnológico nacional.

Fontes afirmam que sua transferência para o Rio de Janeiro — onde ficava a sede da Monteiro Inc. — foi articulada por Heitor. Mas logo Helena mudou de empresa, assumindo cargo estratégico na Fort Group. Coincidência ou cálculo?


A mulher por trás da tempestade

Desde então, dois impérios entraram em colisão direta, e o nome de Helena está no centro da crise. Para uns, é uma profissional competente e injustiçada. Para outros, uma mulher ambiciosa e disposta a tudo por poder e status.

Registros consultados indicam ainda a existência de um e-mail atrelado ao codinome “Camila F.” em plataformas adultas, embora não haja comprovação oficial de que pertença a ela. “Pode ser só alguém tentando difamar”, diz uma fonte. Mas a dúvida já bastou para alimentar fóruns e colunas de fofoca.


Família, fortuna e reputação

Pessoas próximas à família Monteiro afirmam que os pais de Heitor jamais aprovaram a relação, considerando-a “imprudente e de risco para a imagem da companhia”. Fontes da alta sociedade carioca dizem que a presença de Helena em eventos empresariais causa desconforto entre investidores — “ninguém sabe se ela é vítima, estrategista ou algo pior”.


Conclusão: acaso, ambição ou manipulação?

O fato é que Helena Campos conseguiu o que poucas mulheres na sua posição alcançaram: poder, visibilidade e o coração (ou a ira) de dois bilionários. Se é coincidência ou talento, o tempo dirá.

Enquanto isso, os bastidores continuam fervendo — e a linha entre amor e destruição nunca pareceu tão tênue.




A barra de rolagem desceu devagar.

Cada parágrafo parecia mais podre que o anterior.

Jonas se recostou na cadeira, o cenho franzido, o maxilar travado.

— Ah, não… não… — murmurou, descrente.

O olhar percorria a tela como quem lê uma multa de trânsito.

“Conheça Helena Campos: a mulher por trás da guerra dos bilionários.”

A ironia do título o fez bufar.

— Mulher por trás da guerra? — ele repetiu em voz alta, indignado. — Vocês criam a guerra, filmam a guerra, e ainda botam culpa nela?

Continuou lendo.

Cada linha era um soco: o pai, a mãe, o passado distorcido, as insinuações sobre ambição, os boatos de relacionamento duplo, o maldito trecho sobre “plataformas adultas”.

— Que tipo de gente faz isso? — ele resmungou, apertando a ponte do nariz. — Isso não é jornalismo, é linchamento.

Gigi, que ainda estava no colo dele, soltou um latido pequeno, como se concordasse.

Jonas olhou para ela, a expressão entre o sarcasmo e a revolta.

— É, Gigi… é isso mesmo. A humanidade é uma desgraça ambulante.

Ela inclinou a cabeça, o pompom da cauda balançando.

Jonas apontou para a tela.

— Olha isso, mocinha. Falando da mãe do meu sobrinho, da mulher do meu irmão, como se fosse um personagem de novela. “Manipuladora, calculista, ambiciosa.” Eles deviam olhar no espelho antes de escrever isso.

A Lulu soltou outro latido, curto, indignado.

Jonas bufou.

— Pois é, nem você engole essa.

Voltou o olhar para o texto, os olhos faiscando.

— Não dá pra acreditar que eu dormi com uma mulher tão cruel. — disse, com um riso incrédulo. — A mulher tava pronta pra destruir a namorada do meu irmão e eu achando que tava numa missão de James Bond versão sexy.

Gigi encostou o focinho na mão dele, e Jonas suspirou fundo.

— É, pequena… a gente se mete com as pessoas erradas às vezes. — ele murmurou, passando os dedos pelo pelo dela. — Você devia sair dessa casa, sabia? Sua mãe é tóxica. Tem traços narcisistas,

Gigi soltou um ganidinho baixo, e ele continuou, num tom teatral:

— Você merece coisa melhor, um lar saudável, com tapetes limpos e gente emocionalmente estável. Alguém que acredite no amor. Alguém como eu.

A cachorrinha apenas o olhou, piscando devagar.

Jonas ergueu uma sobrancelha.

— Tá, talvez não exatamente eu. Mas você entendeu o ponto.

Jonas respirou fundo, os olhos ainda fixos na tela.

A raiva queimava em silêncio.

— Tá bom. Querem brincar de imprensa? Então vão conhecer o editor-chefe da VOGUE BRASIL, Jonas Medeiros. — resmungou.

Pegou o teclado, passou a mão nos cabelos e, sem pensar muito, começou a apagar cada palavra nojenta do texto.

“Lorena Ribeiro”, que coincidência, o nome da mãe dela era o mesmo da mãe dele. Daqui a pouco só faltava descobrir que são irmãos. Que viagem. Delete.

“Ambiciosa.” Delete.

“Sedutora.” Delete.

“Plataformas adultas.” Delete, delete, delete.

O cursor piscava na tela como um desafio.

Jonas olhou para Gigi, que o observava com o pompom da cauda balançando.

— Se isso der errado, a culpa é sua, tá? Você tava aqui como cúmplice.

A cachorrinha soltou um mini latido.

Jonas ergueu o queixo, como quem aceita a carga pesada de sempre ser o salvador.

— Fechado. Vamos lá, Gigi. Operação “Restaurar a Dignidade da Cunhada”.

Abriu um novo documento e começou a digitar, meio torto, meio empolgado.

Jonas digitou rápido, mastigando uma trufa da Lindt que achou num pote de vidro ao lado do monitor.

— Isso deve servir para inspiração. Acho melhor eu comer bastante. — murmurou.

Gigi olhou pra ele com os olhos arregalados, cheirando o ar.

Jonas hesitou.

— Cachorro pode comer chocolate?

Silêncio.

A cachorrinha inclinou a cabeça, fazendo a expressão mais trágica do mundo.

— Tá bom, tá bom. Só um pedacinho. Só não morra, tá?

Ela pegou a trufa com delicadeza, feliz da vida.

Jonas riu e voltou ao texto.

Ele parou por um segundo, pensativo.

— Isso… tá bom. É meio cafona, mas é verdade.

Digitou mais rápido, apoiando a cabeça na mão.

— Empurrar pra baixo, empurrar pro chão… tanto faz. O importante é que ela não caiu, né, Gigi?

Gigi, lambendo a pata, levantou os olhos.

Jonas sorriu.

— Exatamente. Não caiu.

Jonas estalou a língua.

— E por ter mais cérebro que todos aqueles engravatados juntos. — acrescentou em voz baixa.

Ele apoiou as mãos no teclado, pensando por um momento.

— Se eu mandar isso pra redação da Suellen, ela tem um treco.

Deu risada, pegou outra trufa e jogou pra cima, tentando pegar com a boca. Errou. A trufa caiu no chão.

Gigi pulou do colo dele rapidamente.

— Ei, ei, não! Essa não! Você vai entrar em coma glicêmico, pequena suicida!

Ele pegou a cachorrinha no colo.

— Pronto. Agora você ajuda o tio Jonas. — disse, guiando as patinhas dela até a barra de espaço. — Isso, aperta aí. Mais um espacinho… isso, garota! Jornalismo colaborativo canino.

Jonas sorriu, balançando a cabeça.

— É, o meu irmãozão pode ser muita coisa, mas falso não é. Ele ama essa mulher de verdade.

— Isso, boa frase. Essa é digna de camiseta motivacional.

Jonas respirou fundo, com um ar quase emocionado.

— Tô ficando bom nisso, hein. Dá até pra abrir uma coluna no LinkedIn.

Ele sorriu, lembrando da imagem mental.

— Heitor de camisa branca aberta… Helena de biquíni vermelho… — ele riu sozinho. — Que casalzão da porra..

— É isso. — disse, batendo a tecla Enter com ênfase.

Jonas olhou para Gigi.

— Pronto. Isso é o que eu chamo de reparação histórica.

Ele relia o texto inteiro, comendo a última trufa do pote.

O documento agora parecia uma ode improvisada à decência.

Fechou os olhos, exausto.

— Tá pronto. Pode não ser Pulitzer… mas é justiça.

Gigi subiu na mesa, apoiou as patinhas no teclado e apertou sem querer Enter.

O arquivo foi salvo com o nome: “HelenaCampos_VerdadeFinal_DEUSMEAJUDE.docx”.

Jonas riu.

— Nome perfeito, parceira.

A Lulu latiu baixinho, e ele piscou pra ela.

— Amanhã o mundo acorda com uma nova manchete, Gigi. E, juro, essa vai ser linda.

Jonas terminou de revisar o texto e se recostou na cadeira, exalando um suspiro triunfante.

— E assim nasce… uma lenda.

Gigi o olhou do canto da mesa, com o focinho apoiado nas patinhas.

Jonas estalou os dedos para ela.

— Tá vendo isso, pequena? Hoje, o mundo ganha um novo tipo de herói. Um jornalista sem diploma, sem filtro… e sem roupa.

Ele abriu a caixa de saída, arrastou o arquivo para o e-mail que Suellen havia deixado pronto e anexou o texto revisado.

O ponteiro do mouse pairou sobre o botão enviar.

Por um instante, ele se sentiu como se estivesse prestes a apertar o botão vermelho que salva o planeta.

— Se eu tivesse superpoderes… — murmurou, sorrindo. — Eu seria o Tocha Humana. Bonito, quente, e absolutamente incapaz de ser discreto.

Deu um clique firme.

E-mail enviado.

Jonas girou na cadeira, erguendo os braços no ar como se o público imaginário aplaudisse.

— Missão cumprida, Gigi! A verdade foi libertada, a honra restaurada e a reputação salva!

A Lulu latiu uma vez, e ele apontou para ela, satisfeito.

— É isso aí, minha parceira de guerra.

O relógio na parede marcava 5h58.

A claridade começava a invadir pelas frestas da persiana.

Jonas se espreguiçou com preguiça de rei, o corpo dolorido, mas a mente fervendo de adrenalina.

Nenhum traço de sono.

Pegou Gigi no colo e se levantou.

— Hora do café da manhã dos campeões.

Saiu andando pelo corredor apenas de cueca e o cabelo bagunçado, com o ar de quem acabara de salvar o planeta e merecia uma estátua.

Na cozinha, colocou Gigi no chão e foi direto para a pia.

Lavou as mãos, abriu armários, vasculhou gavetas, e em poucos minutos já estava orquestrando um banquete digno de hotel cinco estrelas — ou de um criminoso muito talentoso.

Primeiro, o café preto bem forte. Amargo o suficiente pra acordar um morto.

Depois, o suco de laranja com hortelã — servido num copo gelado, porque ele acreditava que os detalhes eram o tempero do charme.

Os ovos mexidos vieram em seguida, cremosos, amanteigados, com sal rosa e pimenta-do-reino moída na hora.

As torradas? Pão artesanal dourado na frigideira com azeite.

Queijo brie, presunto cru, morangos, uvas e um fio de mel.

Um quadro de hedonismo matinal.

Jonas ajeitou tudo nas porcelanas mais elegantes que encontrou, o cabelo já caindo sobre os olhos, o sorriso satisfeito de quem tinha — em sua própria cabeça — equilibrado o destino da justiça e da libido no mesmo tabuleiro.

— Ah, Suellen… se o seu jornalismo não te fizer gemer de arrependimento, esse café vai. — disse, ajeitando a mesa como um maestro.

Gigi, sentada no tapete, observava em silêncio.

Jonas se abaixou, fitando-a com ar cúmplice.

— Ela pode ser cruel, pode até ter tentado destruir a Helena… mas, convenhamos, pequena, uma coisa não tem nada a ver com a outra.

A Lulu latiu, e ele sorriu.

— Exatamente. Somos adultos. Éticos? Nem tanto. Mas adultos.

Deu um último retoque no café, respirou fundo e se admirou no reflexo da janela.

Jonas Medeiros.

Salvador da cunhada.

Destruidor de calúnias.

E, em poucos minutos… o homem que ia conquistar a revisora mais perigosa do Rio novamente.

O mundo podia estar pegando fogo lá fora — mas ele? Ele estava se sentindo invencível.

O herói da madrugada. O Tocha Humana de cueca.

O vapor quente do chuveiro subia como um batismo.

Jonas passou o sabonete corporal de Suellen pelos ombros, o cheiro doce de frutas vermelhas invadindo o ar.

— Morango silvestre com toque de baunilha, claro que seria isso. — murmurou, rindo.

Pegou o shampoo — o dela também.

O rótulo dizia “hidratação intensa”, mas o que Jonas queria era uma “transa intensa”.

Esfregou o cabelo, cantarolando baixo, até que olhou para a escova de dentes na pia.

Deu um meio sorriso.

— É... parceria é parceria.

E sem hesitar, escovou os dentes com a dela.

— Nada de frescura. Afinal, se ela colocou a boca em mim inteiro… — ele fez uma pausa, rindo sozinho — ...acho que isso é o de menos.

Saiu do banho com a toalha pendurada no ombro e o cabelo pingando, o corpo ainda quente da água.

Abriu a porta do quarto em silêncio.

Suellen dormia de lado, os cabelos ruivos espalhados pelo travesseiro como fogo líquido.

A respiração calma, os lençóis bagunçados.

Jonas se aproximou devagar, deslizando o corpo ao lado dela, o rosto perto do pescoço.

Falou baixo, a voz rouca e provocante:

— Bom dia, princesa.

Ela resmungou algo inaudível.

Ele insistiu, com um sorriso torto.

— Dormiu bem, ruivinha?

Suellen se mexeu, abrindo os olhos devagar, confusa.

— Jonas… o que você tá fazendo?

— Tentando ver se essa manhã consegue superar a noite passada. — respondeu, deixando os lábios quase tocarem o pescoço dela.

Ela riu baixinho, ainda sonolenta.

— Sai daqui, eu tô com bafo.

— Não tô sentindo nada. — mentiu descaradamente, o nariz roçando a pele dela.

Ela desviou o rosto, rindo, mas ele entrelaçou as mãos dela, segurando-a contra o colchão.

— Deixa eu te dar um bom dia decente.

— Jonas… — ela riu, se contorcendo — Para com isso!

— Mas, eu nem comecei.

Ela empurrou o peito dele, ainda rindo.

— O que você tá tramando, hein?

— Eu? Nada demais. — disse com o sorriso mais satisfeito do universo. — Só fiz um café da manhã especial pra você.

Ela piscou, surpresa.

— Café da manhã? Achei que fosse só uma transa.

Jonas arqueou a sobrancelha.

— Foi tão boa que seria desperdício deixar só em uma.

Ela gargalhou, o cabelo caindo sobre o rosto.

— Você é um idiota.

— E um idiota faminto. Vem, antes que o café esfrie.

Ela se levantou, ainda rindo, indo até o banheiro.

Jonas foi atrás, apoiando-se no batente da porta.

— Cuidado, se olhar para mim pelo espelho por muito tempo, vai se apaixonar.

Ela revirou os olhos, escovando os dentes.

— Você tá me atrapalhando, Jonas.

Ele se aproximou por trás, abraçando-a pela cintura.

Os lábios encostaram no pescoço dela.

— Sou só um homem carente... querendo sentir uma mulher bonita de manhã.

— Para, eu tô quase caindo nesse papinho teu.

— Não é papo. É fato científico. — murmurou, beijando o ombro dela. — Testado e aprovado.

Ela terminou de escovar os dentes, virou-se para ele — mas antes que dissesse qualquer coisa, Jonas a pegou no colo.

— Jonas! — ela gritou, rindo. — Me coloca no chão!

— Sem chance. Heróis não deixam damas andarem sozinhas.

Gigi veio correndo atrás, latindo com o pompom abanando freneticamente.

— Viu? Até ela apoia. — disse, atravessando o corredor com Suellen nos braços.

O cheiro do café recém-passado já preenchia o ar.

Ela respirou fundo, surpresa.

— Hm... tá realmente cheiroso.

Jonas a levou até a cedeira, os olhos brilhando.

— Claro que tá. — sorriu. — Eu posso ser um desastre… mas no café da manhã, eu sou um gênio.

Ela olhou para a mesa arrumada, o brie, as frutas, o café, o suco.

E pela primeira vez naquela manhã, ficou sem palavras.

Jonas, satisfeito, piscou para ela.

— Pronto, ruivinha. O mundo pode ser cruel, mas eu sei como começar um dia direito.

Ele se recostou na cadeira, com o copo gelado de suco de laranja na mão e o olhar satisfeito de quem acredita ter descoberto o segredo da vida: café forte, mulher bonita e caos bem administrado.

Suellen pegou um pedaço de pão artesanal, colocou os ovos mexidos e soltou um leve gemido de aprovação.

— Tá bom demais. — disse, surpresa. — Eu nunca pensei que você soubesse cozinhar.

Jonas ergueu uma sobrancelha, fingindo modéstia.

— Eu não sei. — respondeu, cortando uma fatia de brie. — Mas sempre fiz o café da manhã. Sou profissional nisso. Só nisso, pra ser sincero.

Suellen riu, aquele tipo de riso rouco.

— É… eu tô vendo. Profissional mesmo.

Ela tomou um gole do suco e apoiou o cotovelo na mesa, olhando pra ele com curiosidade de jornalista.

— Como é que se sente sendo o filho do governador… e, ano que vem, talvez do presidente?

Jonas sorriu, aquele sorriso preguiçoso e perigoso que vinha antes de uma resposta insolente.

— Ah, eu aceito o peso dessa coroa. — disse, dramatizando. — Alguém precisa manter a beleza da monarquia, né?

Ela gargalhou.

— Que vaidoso.

— Apenas sincero. — retrucou ele, inclinando-se um pouco. — Meu pai lida com poder, eu lido com charme. Todo império precisa dos dois.

Ela mordeu o lábio, interessada.

— Falando nele… como é o seu pai?

Jonas desviou o olhar por um segundo, a expressão ficando mais fechada.

— Agora não é o momento pra falar dele. — respondeu rápido, levando a mão até a coxa dela e começando a subir devagar. — A gente pode falar de coisas mais leves.

Suellen riu, semicerrando os olhos.

— Leves, é? Isso parece outra coisa.

— Exatamente. — murmurou, os dedos já brincando na pele dela.

Mas o som do celular interrompeu o clima.

Ela suspirou, pegando o aparelho.

Jonas arqueou a sobrancelha, curioso.

— O trabalho chamando cedo demais?

— A equipe não entendeu o último texto que eu aprovei. — respondeu, franzindo o rosto. — É sempre a mesma história, ninguém lê direito o que eu escrevo.

Abriu o gravador de voz, a postura mudando — o tom agora era o da jornalista profissional, segura e fria.

— “Gente, a cliente pediu pra ser publicado assim, eu aprovei a revisão final, essa é a versão definitiva. Podem postar.”

Ela parou, olhou a tela.

— Ah, ótimo. Não enviou. Minha internet tá horrível esses dias. Funciona quando quer.

Tirou o Wi-Fi, ativou os dados móveis e regravou o áudio, enviando de novo.

— Pronto. Agora vai.

Jogou o celular na mesa e respirou fundo.

Jonas, por instinto, se levantou e foi atrás dela.

As mãos dele pousaram sobre os ombros dela, firmes e quentes.

— Você devia relaxar. — disse, massageando devagar. — Essa tensão toda dá rugas.

Ela riu baixo.

— Eu devia, mas não sei mais como.

Jonas inclinou-se, os lábios tocando o ombro dela, subindo devagar.

— Posso te ensinar.

Ela continuou falando, mesmo enquanto o corpo começava a responder aos toques.

— Não faz muito tempo que eu consegui esse cargo. Eu sempre tive que me provar. Sempre tinha algum velho escroto me subestimando, ou tentando passar a mão. — suspirou. — Foi difícil pra caramba chegar aqui, principalmente antes dos trinta e sendo mulher.

Jonas ouvia — ou fingia ouvir — enquanto deslizava os lábios até o pescoço dela.

— Hm. A injustiça do mundo. — murmurou, distraído.

Ela deu um meio sorriso cansado, mas continuou.

— Agora eu quero viver. Trabalhei demais, Jonas. Me neguei tudo por causa da minha carreira. Agora quero sentir as coisas, entende?

— Eu entendo perfeitamente. — respondeu, a voz baixa, os lábios quase encostando no ouvido dela.

Ela inclinou a cabeça para trás, deixando-o ter espaço. O perfume do sabonete dela ainda na pele dele.

Olhou pra ele de lado, o olhar firme, mas o sorriso aberto.

— Sabe... eu adorei te conhecer. — disse. — Você apareceu no momento certo.

Jonas sorriu, os olhos castanhos brincando com os dela.

— É o meu dom, ruivinha. — sussurrou. — Aparecer no momento certo… e causar o caos perfeito.

Quando o beijo começou, Jonas a tirou dali rapidamente. O sofá virou testemunha silenciosa da química deles.

O beijo começou calmo, curioso — mas logo ficou urgente, carregado daquele tipo de atração que parece inevitável.

Os corpos se encaixaram naturalmente, como se já se conhecessem há anos. O cheiro do café e o gosto leve de hortelã ainda estavam no ar quando eles se perderam um no outro.

Algum tempo depois , o sol já estava mais alto.

Suellen dirigia com uma mão no volante e outra brincando com o cabelo, o olhar disfarçando a saudade recente.

Jonas, no banco do carona, com o mesmo sorriso de sempre — o sorriso de quem sabe que não devia, mas faria tudo de novo.

Ela parou o carro perto do gabinete onde ele “trabalhava”.

Virou-se pra ele, o cabelo ruivo acobreado refletindo a luz da manhã.

— Então… foi só isso? — perguntou, com aquele tom entre a ironia e o receio. — Ou a gente pode continuar se vendo?

Jonas arregalou os olhos por um instante, pegando-a desprevenida.

— Eu… não tô pronto pra um relacionamento agora. — disse, tentando parecer natural.

Ela soltou uma risadinha, sem se ofender.

— Ninguém falou em relacionamento. Só em se conhecer.

Ele relaxou, o sorriso voltando.

— Nesse caso, eu topo. A gente pode se conhecer melhor. Eu te mando uma mensagem.

Suellen revirou os olhos, mas o canto da boca traía o riso.

— Eu conheço esse papo. — provocou. — Mas… foi ótimo, viu? Até a Gigi gostou de você. Aquela cachorrinha odeia homens.

Jonas deu de ombros, divertido.

— Todo mundo gosta de mim. Eu não esperaria nada diferente da Gigi.Ela precisa de uma figura masculina em casa.

Os dois se olharam — o tipo de olhar que fica em silêncio, mas diz tudo.

Ela suspirou e olhou o relógio.

— Tenho que ir. Já tô atrasada.

— Bom trabalho, ruivinha. — disse ele, a voz mais baixa.

— Pra você também. — respondeu, e antes que ele saísse, o puxou pela camisa e o beijou, um beijo lento, demorado, que parecia despedida, mas tinha gosto de promessa de retorno.

Quando ela se afastou, sorriu.

— Agora sim. Pode ir.

Jonas abriu a porta, mas hesitou. Um incômodo começou a crescer no peito — aquela pontada de culpa que vinha quando ele lembrava o que tinha feito com o texto dela.

Ele virou de volta pra ela.

— Suellen… qual é mesmo o nome da editora onde você trabalha?

Ela olhou confusa.

— Redação Brasil Livre. Por quê?

— Onde fica? — perguntou, tentando soar casual.

Ela riu, achando graça.

— No centro, perto da Avenida Mauá. Mas por quê? Vai fazer uma visita de fã?

— Pensando bem, acho que vou com você.

Ela arqueou uma sobrancelha, surpresa.

— O quê? Eu tava brincando, Jonas. Você não pode ir comigo.

Ele fingiu indignação.

— E por que não?

Ela ajeitou o cabelo, meio sem jeito.

— Porque… eu não levo pro trabalho o cara que eu conheci há um dia. Trabalho é coisa séria. Tenho uma reputação.

— Então você tá com vergonha de mim? — ele perguntou, meio rindo, meio magoado.

— Claro que não. — respondeu rápido. — Eu só não levo ficante pro trabalho. É… humilhante.

Jonas ficou quieto, o sorriso desaparecendo aos poucos.

— Entendi.

Abriu a porta e saiu sem olhar pra trás.

— Jonas! — ela chamou, mas ele já estava atravessando a rua, mãos nos bolsos, tentando disfarçar o desconforto.

Suellen respirou fundo, frustrada.

Olhou pra frente, para o trânsito que começava a se formar, e murmurou sozinha:

— Droga. Não queria que tivesse acabado assim.

Engatou a marcha e seguiu em direção ao trabalho, o gosto do café e dele ainda na boca — e a estranha sensação de que aquilo não iria acabar ali.

O celular vibrou no painel antes mesmo de ela desligar o carro.

“Diretor – Redação Brasil Livre.”

Suellen estranhou. O velho nunca ligava — sempre mandava mensagem seca ou deixava o coordenador resolver.

Atendeu na segunda chamada.

— Oi, chefe, tô chegando, acabei de estacionar.

A voz do outro lado veio como um trovão:

— Suellen, pelo amor de Deus, o que foi isso?!

Ela franziu o rosto, o corpo imediatamente em alerta.

— O que foi o quê?

— A matéria! — ele praticamente gritou. — A senhora Fortenelle acabou de ligar aqui dizendo que a gente destruiu a imagem da família dela!

Suellen piscou, incrédula.

— Hã… destruiu? — balbuciou, tentando entender. — A matéria que a gente publicou foi exatamente o que ela pediu!

— Você tá de brincadeira comigo? — a voz dele subiu um tom. — Isso aqui é um escândalo, Suellen! A manchete tá elogiando a mulher do Monteiro! “Força, lealdade e amor”? Que diabos é isso?!

O coração dela começou a bater forte.

— Espera. O quê? Como assim… elogiando?

— Você não viu o site? — ele estava fora de si. — Tá tudo lá! O texto inteiro foi alterado. O título, o subtítulo, o corpo. Tá parecendo uma carta de amor! Além de não ser nada profissional.

Suellen gelou.

Olhou pelo para-brisa, mas não enxergava nada. O estacionamento parecia girar.

— Isso é impossível… — murmurou. — Eu revisei pessoalmente, era a versão que a cliente mandou.

— Pois não era essa que foi publicada! — ele rosnou. — E a senhora Fortenelle tá ameaçando processo. Disse que vai destruir o portal, que vai “expor a farsa toda”.

Ela engoliu em seco, tentando raciocinar.

— Eu… revisei o texto ontem antes de sair de casa e enviei o email. Deve ter sido problema no sistema, na fila de publicação, talvez...

— Problema no sistema, uma ova! — interrompeu, furioso. — Eu quero saber o que você fez, Suellen! Foi você quem revisou e liberou a postagem!

— Eu aprovei o texto original! Eu juro! — ela apertava o celular contra a orelha, o som ecoando no estacionamento. — Eu revisei, mandei o email… minha internet estava caindo bastante, mas eu enviei!

— Então alguém entrou na sua conta. — disse o diretor, mais baixo, mas ainda tenso. — E mexeu nisso antes da publicação.

Suellen passou a mão no rosto, sentindo a pele arder.

— Isso não faz sentido, chefe. Minha senha é pessoal, eu... — a voz fraquejou. — Eu tava com o computador desligado.

Silêncio do outro lado, só a respiração pesada dele.

Depois:

— A senhora Fortenelle quer uma retratação imediata. — falou, firme. — E, até a gente entender o que aconteceu, você tá suspensa da revisão.

Ela sentiu o estômago despencar.

— O quê? Não, por favor… isso não é culpa minha!

— Não tô dizendo que é. — o tom dele amoleceu um pouco, mas o estresse ainda vibrava. — Só que até resolvermos, você fica fora. Vai pra casa, Suellen. E reza pra essa história não virar manchete também.

A ligação caiu.

Ela ficou ali, parada no carro, o celular ainda na mão, o som do próprio coração no ouvido.

Por um momento, não conseguiu nem respirar.

Olhou para o espelho retrovisor, o batom um pouco borrado, o pescoço marcado de leve.

E, de repente, tudo fez sentido — ou quase tudo.

— Jonas… — sussurrou, sentindo o sangue ferver.

O estacionamento parecia pequeno demais pra tanta raiva.

Abriu a página da redação e lá estava o texto e claramente não foi o texto que ela aprovou.




Helena Ribeiro Campos: força, lealdade e o amor que virou alvo

por Suellen Prado

“Por trás das versões distorcidas, existe sempre uma história que ninguém quis contar.

E esta é a de uma mulher que enfrentou o mundo com a própria coragem.”


Quem é, de fato, Helena Ribeiro Campos

Helena Campos é uma mulher que desperta opiniões fortes, mas poucas pessoas conhecem a verdadeira história por trás de seu nome.

Determinada, inteligente e leal, ela construiu sua trajetória com esforço e mérito — sem heranças, sem atalhos, sem depender de ninguém além de si mesma.

Colegas descrevem Helena como alguém de fala firme e coração grande, que nunca fugiu de um desafio, mesmo quando a vida parecia querer empurrá-la para o chão.


A profissional que conquistou respeito

Antes de ser alvo de rumores, Helena já era conhecida por seu desempenho exemplar em empresas do setor de engenharia e administração.

Trabalhadora e exigente, sempre foi respeitada pela competência. Pessoas que conviveram com ela afirmam que Helena “segura o que promete” e que “faz o que precisa ser feito sem passar por cima de ninguém”.

Mesmo quando enfrentou ambientes competitivos e desleais, manteve a ética e o foco no resultado. É reconhecida por sua dedicação e pela forma cuidadosa como trata colegas de trabalho e clientes.


Um amor que não nasceu de conveniência

Muito se falou sobre o relacionamento entre Helena Campos e Heitor Monteiro, herdeiro de uma das maiores construtoras do país. Mas o que poucos viram é que entre eles existe algo genuíno: parceria, admiração e afeto real.

Testemunhas próximas descrevem o casal como “inseparável, mas equilibrado”. Helena não é sombra de ninguém — ela é o tipo de mulher que caminha ao lado.

Os dois se conheceram no ambiente de trabalho, e o que começou como respeito profissional acabou se transformando em uma relação sólida, construída à base de lealdade e confiança.


O dia em que o amor se mostrou simples

Quem esteve presente nas últimas semanas em uma praia não muito frequentada do Rio de Janeiro pôde ver uma versão rara dos dois: longe dos ternos, das pressões e dos boatos.

Helena, risonha, de biquíni vermelho e chapéu de aba larga, parecia ter deixado o peso do mundo na areia.

Heitor, descalço e de camisa branca aberta, não disfarçava o orgulho de tê-la ao lado. Entre risadas, brincadeiras e provocações, os dois mostravam um tipo de intimidade que não se fabrica — a naturalidade de quem se ama sem precisar provar nada a ninguém.

Fontes que presenciaram o momento contam que, mesmo cercados de amigos, o casal parecia ter o próprio universo. “Ele cuidava dela o tempo todo”, disse um dos presentes. “Era bonito de ver. Um amor leve, de verdade.”


Mais do que uma história de amor

Por trás das manchetes e das versões deturpadas, existe uma mulher que se fez sozinha e que aprendeu a amar sem perder a própria identidade.

Helena Ribeiro Campos não é símbolo de escândalo — é símbolo de resistência.

E talvez seja isso que mais incomode: ver alguém que, mesmo sendo julgada, continua de pé, de cabeça erguida, ao lado de quem ama.


Conclusão

Helena Campos e Heitor Monteiro representam algo raro no mundo corporativo: duas pessoas que, apesar da exposição e dos ataques, seguem firmes, fiéis um ao outro e às próprias convicções.

O que existe entre eles não é manipulação, e sim lealdade.

E, às vezes, é exatamente isso — o amor sincero — que o mundo mais gosta de tentar destruir.