O CEO que Eu Paguei
236 Dia Dos Pais - Parte I
POV HELENA
A noite foi longa, mas não por causa de Humberto ou da correria dos últimos dias. Foi longa porque Heitor simplesmente não conseguiu descansar.
Perdi a conta de quantas vezes acordei durante a madrugada e o encontrei virando de um lado para o outro na cama. Sempre que eu perguntava se estava tudo bem, ele respondia que sim, mas eu conhecia aquele homem bem demais para acreditar numa resposta tão simples. Havia alguma coisa incomodando ele, algo que continuava preso dentro da própria cabeça.
Nós ainda não tínhamos voltado a conversar sobre Ana Alice. Depois do depoimento dele, ela foi presa, mas aquilo não significava que o assunto tinha acabado. Pelo menos não para o Heitor. Bastava mencionar qualquer coisa relacionada àquela noite para eu perceber a mudança. Ele ficava mais quieto, desviava do assunto ou respondia apenas o necessário. Era como se ainda existissem partes daquele episódio que ele não conseguisse organizar dentro de si.
E eu entendia.
A simples ideia de alguém ter dopado ele ainda fazia meu estômago embrulhar. Sabia-se Deus o que aquela mulher pretendia fazer. Sabia-se Deus o que poderia ter acontecido se ele não tivesse percebido a fotógrafa antes de apagar ou se eu tivesse chegado um pouco mais tarde. Era um daqueles pensamentos que eu evitava alimentar porque sempre terminavam no mesmo lugar: um medo enorme que não servia para nada além de me deixar angustiada.
Por isso parei de insistir. Quando ele quisesse falar, falaria. Até lá, eu preferia apenas estar ali.
Mesmo assim, nós acabamos criando um combinado depois daquela confusão. Talvez parecesse exagerado para qualquer outra pessoa, mas eu não me importava. Nenhum dos dois aceitaria comida, bebida ou convite de ninguém sem avisar o outro antes. Não importava quem fosse. Não importava a situação.
No meio da madrugada, Humberto acordou para mamar. Ainda me impressionava a forma como meu corpo parecia saber antes de mim. Poucos instantes antes do primeiro chorinho sair do moisés, meus seios já começavam a doer, como se existisse algum tipo de ligação invisível entre nós dois.
Mal ouvi o som e senti o colchão se mover ao meu lado.
— Eu vou lá.
Virei o rosto imediatamente. Heitor já estava sentado na cama, passando a mão pelos cabelos.
— Monteiro, deita.
— Helê...
— Deita.
Ele me lançou aquele olhar de quem claramente pretendia argumentar, mas não estava encontrando energia suficiente para isso. Eu quase ri. Aquele homem enfrentava empresários, políticos, jornalistas e qualquer problema que aparecesse pela frente sem piscar, mas continuava tomando bronca da própria mulher às três da manhã.
— Descansa. Amanhã vai ser um dia longo.
Ele suspirou e voltou a se deitar, embora eu tivesse quase certeza de que continuou acordado.
Porque, no fundo, eu sabia que aquela inquietação não tinha nada a ver com Ana Alice.
O problema se chamava Dia dos Pais.
O primeiro Dia dos Pais dele.
Fazia semanas que Heitor não falava de outra coisa. Às vezes era uma brincadeira. Às vezes um comentário aleatório durante o jantar. Às vezes ele simplesmente aparecia do nada para perguntar se eu achava que Humberto já entendia que ele era o pai. Eu ria, mas também achava bonito. Existia alguma coisa muito sincera no jeito como ele amava aquele menino, como se estivesse descobrindo uma parte de si mesmo que nunca imaginou que existia.
Acabei voltando a dormir depois disso e nem me preocupei em colocar despertador. Não queria correr o risco de acordá-lo. Além disso, Humberto costumava despertar cedo e meu corpo já estava completamente condicionado aos horários dele.
Mesmo assim, acordei antes.
Abri os olhos, olhei o relógio e percebi que ainda faltava um pouco para o horário habitual do Humberto. Fiquei alguns segundos observando o quarto silencioso antes de me levantar com cuidado, tentando não fazer barulho. Foi então que olhei para a cama e encontrei Heitor me observando.
Estava com a cabeça levemente erguida e os olhos completamente abertos.
No instante em que percebeu que eu tinha visto, voltou a se deitar e fechou os olhos numa velocidade tão suspeita que eu precisei morder o lábio para não rir.
Meu Deus.
Ele estava mesmo animado.
Resolvi colaborar e fingir que tinha acreditado. Se o Monteiro queria brincar de estar dormindo, quem era eu para estragar?
Fui até o berço e encontrei Humberto acordado. Assim que me viu, abriu um sorriso enorme e começou a balançar braços e pernas numa animação que me desmontava inteira todas as vezes.
— Aaaah... ooo...
Não consegui segurar o sorriso. Era impressionante como aquele menino conseguia melhorar qualquer manhã apenas existindo.
— Shhh... — sussurrei, inclinando-me sobre o moisés. — Não vamos acordar o papai, tudo bem?
— Oooh! Aguu!
A resposta veio imediata e cheia de entusiasmo, como se ele tivesse entendido exatamente o que eu disse e discordasse profundamente da proposta. Ri baixinho antes de pegá-lo no colo e deixar um beijo demorado em sua testa. Humberto respondeu com uma gargalhadinha gostosa e continuou sua conversa muito séria comigo, balançando os braços enquanto emitia uma sequência de sons que, para ele, provavelmente faziam todo sentido do mundo.
— Ai, ai... você é falador igualzinho ao seu pai.
Balancei a cabeça, divertida, enquanto o acomodava melhor nos braços.
— Vem comigo.
Saí do quarto devagar, tomando cuidado para não fazer barulho. Não que o Heitor estivesse realmente dormindo. A simples lembrança me fez sorrir enquanto caminhava pelo corredor.
No quarto do Humberto, sentei-me na poltrona para amamentá-lo. A casa inteira ainda parecia adormecida, envolvida naquele silêncio confortável das primeiras horas da manhã. Do lado de fora, a luz começava a invadir os vidros devagar, tingindo tudo com aquele tom dourado que sempre me fazia lembrar das manhãs na casa dos meus avós, lá em Minas Gerais.
Humberto foi ficando sonolento aos poucos. Primeiro os balbucios diminuíram, depois os movimentos dos braços ficaram mais lentos até que os olhinhos começaram a pesar. Quando terminou de mamar, já estava praticamente dormindo.
Troquei sua fralda, passei um pouco de creme e então peguei a roupinha que havia deixado separada dias antes. Assim que li a frase estampada no tecido, senti meu coração aquecer de novo.
Primeiro Dia dos Pais com o Meu Pai.
Parecia uma coisa tão simples.
Uma roupinha.
Uma frase.
Mas eu sabia o quanto aquilo significaria para o Heitor.
Vesti meu bebê devagar, ajeitando cada detalhe, e depois fiquei alguns minutos apenas observando-o. Às vezes eu tinha a impressão de que o universo havia simplesmente decidido copiar Heitor e transformá-lo em uma versão miniatura. O mesmo formato dos olhos, a mesma expressão concentrada quando estava quase dormindo, o mesmo biquinho emburrado quando alguma coisa não saía exatamente como ele queria.
Meu Deus.
Como eles eram parecidos.
Acomodando-o no bercinho, passei os dedos por seus cabelinhos macios e senti uma pontada estranha no peito ao lembrar que, em apenas três meses, ele passaria oficialmente a dormir naquele quarto.
Era o plano.
Era o normal.
Era o esperado.
Mas eu ainda não sabia se estava preparada.
Gostava de acordar durante a madrugada e encontrá-lo ao lado da nossa cama. Gostava de ouvir seus barulhinhos, de levantar apenas alguns passos para pegá-lo no colo, de saber exatamente onde ele estava. A razão me dizia que aquela mudança seria boa para todos nós, mas o coração parecia ter uma opinião completamente diferente.
Resolvi não pensar muito nisso.
Ainda tinha tempo.
Depois fui para o banheiro. Já havia deixado tudo separado na noite anterior, então só precisei tomar banho, me arrumar e escovar os dentes. Quando desci para a cozinha, encontrei o carrinho exatamente onde tinha deixado. Acomodei Humberto ali com cuidado e fiquei alguns segundos observando-o dormir antes de começar os preparativos.
E foi nesse momento que a felicidade realmente me atingiu.
Porque eu estava preparando o café da manhã do primeiro Dia dos Pais do Heitor.
Só de pensar nisso, alguma coisa dentro de mim ficava leve.
Na tarde anterior, eu e minha avó passamos um tempo na cozinha fazendo as massas das quitandas. Tínhamos preparado pão de queijo, rosquinhas de nata e separado tudo para assar pela manhã. Também encomendei alguns queijos da minha região porque, por mais tempo que eu passasse longe de Minas, continuava convencida de que nenhum queijo do mundo chegava perto dos de lá.
Era um fato.
Pelo menos para mim.
Enquanto colocava as formas no forno, o cheiro começou a tomar conta da cozinha e eu senti um sorriso escapar. Também havia feito um bolo de fubá com erva-doce, um dos favoritos do Heitor, além do doce de leite que eu e minha avó tínhamos preparado juntas.
Tomara que ele goste.
Não que eu tivesse dúvidas.
A verdade era que ele provavelmente comeria até carvão se eu dissesse que tinha feito para ele.
E só de imaginar isso acabei sorrindo outra vez.
Enquanto esperava as quitandas terminarem de assar, peguei o celular apenas para conferir as horas e acabei abrindo a última conversa com a minha avó. Eles já estavam em Campos do Jordão.
Soltei um suspiro e massageei as têmporas por alguns segundos.
Toda vez que eu pensava naquela viagem, a primeira imagem que surgia na minha cabeça não era nem a da minha avó.
Era a cara do Heitor.
Meu Deus.
Até agora eu conseguia lembrar daquele sorrisinho.
Mas não. Não tinha nada a ver com o que ele estava pensando.
Ou pelo menos era isso que eu escolhi acreditar.
A verdade era que eu queria Paulo no almoço.
Queria mesmo.
Por mais estranho que aquilo pudesse parecer para algumas pessoas, eu gostava dele. Já fazia muito tempo que tinha parado de enxergá-lo apenas como o homem que se casou com a minha “mãe”. Ele fazia parte da minha família e, naquele dia, parecia errado deixá-lo de fora. Era Dia dos Pais. O primeiro do Heitor. Renato estaria lá. E, gostando ou não, aquele momento também pertencia ao Paulo.
O problema era minha avó.
Ou melhor, o quanto eu não queria vê-la desconfortável.
Foi justamente por isso que Afonso se ofereceu para viajar com ela.
A lembrança me fez sorrir enquanto eu retirava as frutas da geladeira.
Eu até tinha comentado que era Dia dos Pais. Tinha perguntado se ele realmente queria viajar justamente naquele fim de semana.
E Afonso, com a maior cara de pau do mundo, respondeu que faria aquele enorme "esforço" pela família.
Esforço.
Balancei a cabeça enquanto lavava alguns morangos. A palavra ainda parecia absurda. Principalmente porque minha avó não parecia exatamente contrariada com a ideia.
Nem um pouco.
Fechei a torneira e fiquei alguns segundos observando a água escorrer pelas frutas.
Não.
Nada a ver.
Absolutamente nada a ver.
Eles eram apenas...
Parei no meio do pensamento.
Antigos amigos.
Sim.
Era isso.
Antigos amigos que continuariam amigos.
Peguei uma tábua e comecei a cortar as frutas para a bandeja, mas a verdade era que nem eu mesma parecia muito convencida daquela explicação.
O cronômetro do forno interrompeu meus pensamentos antes que eu pudesse insistir mais naquele assunto.
Abri a porta e o cheiro do pão de queijo me envolveu imediatamente. Sorri sozinha enquanto retirava as formas e colocava as rosquinhas de nata para terminarem de dourar. Em seguida peguei o doce de leite que eu e minha avó tínhamos feito juntas e coloquei uma porção em um potinho de cerâmica.
A cozinha inteira estava com cheiro de casa, cheiro de Minas Gerais. E talvez fosse exatamente por isso que eu estava tão feliz.
Coloquei a água para esquentar e comecei a preparar o café. Só de pensar na reação do Heitor, precisei segurar um sorriso.
Ele implicava demais com o jeito que eu fazia café. Dizia que eu estava cozinhando o pó.
Renato então era ainda pior.
Até hoje não perdia a oportunidade de contar que tinha feito um curso na Itália e que aquilo não era a forma correta de preparar café. Falava sobre temperatura, extração, acidez e mais um monte de palavras que eu esquecia dois minutos depois.
Eu apenas concordava e continuava fazendo exatamente do mesmo jeito.
Porque foi assim que meus avós fizeram a vida inteira.
E porque, sinceramente, eu nunca provei um café melhor.
Quando tudo ficou pronto, comecei a montar a bandeja com cuidado. Coloquei as quitandas ainda quentinhas, as frutas, o doce de leite, o café e os pratos novos que tinha comprado especialmente para aquela ocasião. Eram azuis, a cor favorita do Heitor.
Afastei a bandeja alguns centímetros e a observei por um instante.
Era engraçado.
Realmente engraçado.
Se alguém tivesse me contado alguns anos atrás que eu estaria preparando um café da manhã especial de Dia dos Pais para o meu antigo chefe, eu teria dado risada.
Uma risada bem alta.
Porque o homem que eu conheci naquela época era arrogante, convencido, mandão e completamente impossível.
Agora eu estava ali, escolhendo pratos da cor favorita dele, preparando o café que ele fingia não gostar e esperando ansiosamente para ver sua reação.
Balancei a cabeça, descrente.
A vida realmente tinha um senso de humor peculiar.
Mas, olhando para aquela bandeja, para o sol entrando pelas janelas da cozinha e para meu filho dormindo tranquilamente no carrinho ali perto, percebi que não me importava nem um pouco com isso.
Porque, pela primeira vez em muito tempo, eu estava exatamente onde queria estar. E, se alguém me oferecesse a chance de voltar no tempo e mudar qualquer coisa daquele caminho, eu não mudaria absolutamente nada.
Ainda bem que tínhamos elevador, porque a ideia de subir escadas carregando um bebê, uma bandeja de café da manhã e um carrinho de serviço parecia uma excelente maneira de transformar uma surpresa romântica em uma visita ao ortopedista.
Quando finalmente cheguei ao andar de cima, parei por alguns segundos para recuperar o fôlego e olhar tudo mais uma vez. A bandeja estava intacta, o café não tinha derramado e Humberto continuava dormindo no carrinho, completamente alheio ao esforço logístico que aquela manhã estava exigindo de mim.
Me inclinei sobre ele e afastei uma mechinha de cabelo que tinha caído sobre sua testa.
— Filho...
Ele demorou alguns segundos para reagir. Primeiro franziu a testa. Depois abriu um olho. Em seguida o outro. A expressão de profundo descontentamento surgiu quase imediatamente e eu precisei segurar uma risada.
Eu precisava admitir.
Aquilo vinha de mim.
A mesma expressão indignada que eu fazia quando alguém me acordava antes da hora.
— Nada disso, mocinho. — Ri, pegando-o no colo. — Hoje é um dia importante.
Humberto respondeu com um biquinho dramático que me fez rir ainda mais.
Meu filho era tão expressivo que às vezes parecia impossível ter apenas alguns meses de vida.
— Ah, então é assim?
Dei alguns beijinhos barulhentos na barriga dele e toda aquela marra desapareceu. Uma gargalhadinha escapou e os bracinhos começaram a se mexer animados.
— Assim que eu gosto. — Dei mais um beijo em sua bochecha. — Vamos lá.
Empurrei o carrinho para dentro do quarto enquanto o segurava em um braço só. O sol da manhã já entrava pelas frestas da cortina, espalhando uma luz dourada pelo ambiente, e bastou uma olhada para a cama para eu quase rir de novo.
Heitor estava exatamente onde eu o tinha deixado. Dormindo profundamente, ou pelo menos tentando muito parecer que estava.
Porque aquele homem podia enganar muita gente.
Eu não.
— Amooor... — cantei baixinho ao entrar. — Bom dia, papai.
Nenhuma reação.
Impressionante.
Merecia um Oscar.
Me aproximei da cama e sentei na beirada do colchão com Humberto nos braços. Nosso filho observou o pai por alguns segundos e, para minha absoluta diversão, pareceu entender imediatamente o que precisava fazer.
Os olhinhos azuis brilharam e as mãozinhas se esticaram.
— Gaa! Guuu!
As risadinhas vinham entre os balbucios enquanto ele tentava alcançar Heitor. Depois ainda virou o rostinho para mim com uma expressão tão orgulhosa que parecia dizer: "Tá vendo? Tô ajudando."
— Isso mesmo, Humbertinho. Chama o papai.
A gargalhada gostosa voltou imediatamente.
— Fala assim: é Dia dos Pais, pai!
Humberto não repetiu nada parecido, mas pareceu bastante satisfeito consigo mesmo. Inclinei-o um pouco mais para frente e ele imediatamente agarrou a barba do Heitor.
— Isso mesmo, Humbertinho. Chama o papai.
Humberto respondeu com outro balbucio animado e continuou a exploração científica. Seus dedinhos afundavam nos pelos do rosto de Heitor, puxavam de leve, soltavam, voltavam, enquanto ele observava tudo com a concentração de quem estava fazendo uma descoberta revolucionária.
— Uuuuh...
A surpresa estampada em sua expressão me fez rir.
— Pois é. Muito barbudo.
A barba de Heitor estava maior do que o normal. Não muito, mas o suficiente para se tornar um objeto fascinante para um bebê de poucos meses.
Então aconteceu.
Da forma mais teatralmente exagerada possível, Heitor resolveu acordar.
Primeiro mexeu um ombro.
Depois o outro.
Depois fez aquela expressão dramática de quem tinha acabado de despertar de um sono profundo e restaurador.
Humberto ficou tão animado que começou a bater as mãozinhas no rosto dele.
Tive que segurá-las rapidamente.
— Calma, filho! O papai é resistente, mas também não precisa testar.
Heitor abriu os olhos devagar.
Piscou.
Olhou para mim.
Olhou para Humberto.
Olhou para o teto.
— O quê? — perguntou com uma atuação digna de novela das nove. — O que está acontecendo?
Eu quase bati palmas.
— Feliz Dia dos Pais!
Minha animação foi tão grande que Humberto acabou rindo junto. E aquilo tornou tudo ainda melhor. Heitor arregalou os olhos numa surpresa completamente falsa. Depois levou a mão ao peito.
— Caraca...
Olhou para o próprio filho.
Depois para mim.
— Eu sou pai, né?
A felicidade na voz dele era tão genuína que me desarmou completamente. Vi seus olhos azuis marejarem e senti a garganta apertar na mesma hora.
Aquele homem tinha esperado tanto por aquilo. Talvez mais do que eu tivesse percebido.
— Ah, amor…— minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia.
Ele abriu os braços imediatamente.
— Vem cá vocês dois.
E nós fomos.
Ou melhor, fomos sequestrados.
Porque, no instante seguinte, Heitor tinha me puxado para perto, distribuindo beijos sem critério algum. Um na minha testa, outro na minha bochecha, depois no topo da cabeça de Humberto, depois em mim de novo.
Senti o cheiro do creme dental dele e precisei morder o lábio para não rir.
Então era isso.
O carioca tinha acordado antes de nós, escovado os dentes e voltado para a cama para fingir que estava dormindo.
A mão dele deslizou para minha cintura e, mesmo depois de tudo o que já tínhamos vivido juntos, aquele simples toque continuava causando o mesmo arrepio.
— Eu tô tão feliz… — a voz saiu rouca e emocionada.
Ele encostou a testa na de Humberto antes de depositar um beijo no alto de sua cabeça.
— Meu primeiro Dia dos Pais com a minha família.
Durante alguns segundos ninguém falou nada.
Nem eu.
Nem ele.
Porque algumas felicidades eram grandes demais para caber em palavras.
— Vem cá, campeão.
Pegou Humberto no colo e imediatamente começou a encher o rosto dele de beijos.
— Eu amo tanto você...
Outro beijo.
— E amo tanto a sua mãe.
Mais um.
— Sempre sonhei com isso.
Precisei desviar o olhar.
Porque, sinceramente?
Estava ficando difícil não chorar.
Talvez porque eu soubesse exatamente o homem que Heitor era.
Talvez porque soubesse quantas pessoas passavam a vida inteira procurando alguém assim.
Ou talvez porque, naquele instante, olhando para ele com nosso filho nos braços, eu tivesse a certeza absoluta de que tinha escolhido o parceiro certo para construir uma família.
Levantei da cama antes que minhas lágrimas resolvessem me entregar.
Foi um erro.
Porque bastou eu dar dois passos para que dois pares de olhos me acompanhassem imediatamente.
Os de Heitor.
E os de Humberto.
Meu filho, inclusive, estreitou os olhinhos como quem já suspeitava de alguma coisa.
Ciumento.
Igualzinho ao pai.
— Onde você vai, Helê? — perguntou Heitor.
E, como se a pergunta precisasse de reforço, Humberto soltou um protesto baixinho e estendeu uma das mãozinhas na minha direção.
Eu não consegui segurar o sorriso.
Nem o amor que senti naquele momento.
— Vou buscar o seu presente. Depois você toma café da manhã na cama como um pai de família respeitável.
Me inclinei para dar um selinho nele, mas Heitor segurou minha cintura antes que eu pudesse me afastar.
— Aquele café da manhã? — perguntou com uma entonação completamente sugestiva.
Revirei os olhos na mesma hora.
— Não, Monteiro.
— Tem certeza?
— Absoluta.
Apontei para o carrinho de serviço.
— Além disso, não está sentindo o cheiro?
Ele finalmente olhou para o lado e o sorriso aumentou.
— Senti. Só estava tentando tirar uma casquinha.
— Claro que estava.
— Vai que cola.
Balancei a cabeça, fingindo indignação, enquanto caminhava até a cômoda.
A verdade era que eu não fazia ideia do que comprar para um homem como Heitor. Ele tinha praticamente tudo o que podia querer. Relógios, ternos, carros, viagens e experiências. Qualquer presente parecia pequeno quando comparado à vida que ele levava.
Mas também conhecia Heitor o suficiente para saber que ele nunca foi um homem apegado a objetos.
Ele gostava de significado. Gostava de histórias.Gostava de sentimentos. Por isso tinha tentado escolher coisas que lembrassem aquele dia.
Abri um pouco mais as cortinas e a luz da manhã invadiu o quarto. Quando me virei, encontrei dois pares de olhos azuis me observando.
Pai e filho.
Os dois igualmente curiosos.
Os dois igualmente interessados no que eu carregava nas mãos.
Era tão fofo o quanto se pareciam.
— Aqui.
Entreguei a caixa para Heitor. Ele a pegou imediatamente e a balançou de leve. Foi então que vi a expressão dele mudar.
Os olhos se arregalaram.
Muito.
Por um segundo.
— É o quê...
A frase morreu no meio do caminho.
Ele me olhou.
Depois olhou para a caixa.
Depois voltou a me olhar.
E eu conhecia aquele homem bem demais.
Conhecia mesmo.
Meu rosto esquentou antes que ele sequer abrisse o presente.
— Monteiro...
— O quê?
— Nem pensa nisso.
Ele começou a rir.
Mas abriu a caixa rapidamente mesmo assim.
Quando viu o conteúdo, piscou algumas vezes.
Depois pegou a caneta.
— Ah.
Eu imediatamente senti o coração afundar.
— Eu pensei que você fosse gostar.
Ele ergueu os olhos na mesma hora.
— Amor...
— Está escrito "De Humberto para o Papai". É para você assinar documentos importantes e...
Nem consegui terminar.
Porque Heitor começou a rir, não era uma risada debochada e sim, uma risada genuína. Daquelas que fazem os ombros balançarem.
— Helê, eu amei.
— Não pareceu.
— Parece que você esqueceu quem é o seu noivo. — ele segurou a caneta com mais cuidado e passou o polegar sobre a gravação. — Eu só achei que você estava me entregando outra coisa.
— Eu sei exatamente o que você achou.
O sorriso dele ficou ainda maior.
— Culpa sua.
— Minha?
— Você já fez isso uma vez.
Agora fui eu quem começou a rir.
— Não era um teste de gravidez.
— Eu sei. — ele suspirou teatralmente. — Mas por meio segundo eu achei. — acariciou a gravação novamente. — E por meio segundo eu fiquei muito feliz.
Meu coração se aqueceu. Não havia cobrança na voz dele. Só o desejo sincero de construir mais coisas comigo.
— Mas eu realmente amei isso aqui. — levantou a caneta. — Vou carregar comigo todos os dias.
Aquilo me fez sorrir.
— Ainda bem.
— Agora esse outro.
Entreguei a segunda caixa.
Humberto, que acompanhava tudo como se estivesse assistindo ao evento mais importante da humanidade, fazia bolinhas de saliva e observava cada movimento do pai.
Heitor abriu o pacote e dessa vez não falou nada. Apenas ficou olhando.
Virou a capa, abriu a primeira página, depois a segunda e depois a terceira.
Observei enquanto os olhos dele percorriam cada fotografia.
As nossas.
As da gravidez.
As primeiras fotos no hospital.
As do Humberto.
Os textos que eu tinha escrito.
As pequenas lembranças.
Os motivos pelos quais ele era um pai incrível.
Vi quando seus olhos começaram a brilhar. Vi quando ele parou por alguns segundos numa página específica. Vi quando passou a mão pelo rosto rapidamente. Como se ninguém fosse perceber. Mas eu percebi.
— Que lindo, Helê… — a voz saiu mais baixa e rouca. — Você caprichou.
— Você merece.
Ele continuou olhando mais algumas páginas antes de fechar o álbum devagar.
Depois colocou Humberto deitado na cama, cercado pelos travesseiros, e me puxou para perto sem aviso.
O abraço veio forte. Aquele abraço inteiro dele.
— Eu amo você demais.
Esfregou o nariz no meu pescoço. Do jeito que sempre fazia.
Sorri imediatamente.
— Eu também amo você.
— Não. — Ele me apertou mais. — Você não entendeu.
Ri.
— Ah, não?
— Não.
Levantou o rosto para me olhar.
Os olhos ainda estavam vermelhos.
— Eu amo você num nível que nunca existiu antes.
Antes que eu pudesse responder, ele me puxou de uma vez.
Caí na cama soltando uma gargalhada.
— Ei!
— Vem cá.
Ele ficou sobre mim, apoiado nos braços, e se inclinou para me beijar.
Aquele beijo lento.
Preguiçoso.
Cheio de carinho.
Mas que ainda conseguia provocar exatamente o mesmo frio na barriga de quando nos beijamos pela primeira vez.
— Eu amei os presentes.
Beijou minha boca novamente.
— Acertou em cheio.
Outro beijo.
— Agora eu já recebi os presentes do Humberto.
Sorri.
— Recebeu.
— Mas e o seu?
Apontei para a bandeja.
— Vai esfriar, Monteiro.
Ele olhou para a bandeja.
Olhou para mim.
Olhou para Humberto.
— Acho que vou colocar o Humberto no moisés.
— Monteiro...
— De lá ele não vê nada.
— Monteiro!
Ele começou a rir. Daquela risada gostosa que eu amava ouvir. Então me puxou para outro abraço e enterrou o rosto entre meu pescoço e meu ombro.
Ficamos alguns segundos assim.
Só nós.
Até ele falar baixinho:
— Helê...
— Hum?
— Você é a melhor coisa que já me aconteceu.
Meu coração disparou.
— Graças a você eu sou pai.
Fechei os olhos.
Sentindo o peso daquela frase.
Sentindo a sinceridade dela.
Passei as mãos por baixo da camiseta dele e comecei a fazer carinho em suas costas.
— Você se esforçou bastante para isso.
A gargalhada dele vibrou contra minha pele.
— Eu?
— Sim.
— Foi tudo muito natural.
— Claro.
— Juro.
— Monteiro.
— Estou falando sério.
— Mentiroso.
— Tô sendo caluniado e injustiçado.
E eu ri outra vez, porque talvez aquela fosse a verdadeira felicidade: estar exatamente onde eu queria, com o homem que amava e o filho que nós dois amávamos mais do que qualquer coisa no mundo.
Ele ainda me roubou vários selinhos antes de finalmente me soltar. Como eu amava aquele homem.
— Agora eu vou comer esse café da manhã que você preparou para mim, porque o cheiro está maravilhoso.
Ele começou a se levantar, mas não sem antes me puxar para mais um beijo. Um beijo demorado de língua, daquele jeito que sempre fazia meu coração acelerar um pouco.
Ao nosso lado, Humberto começou a reclamar. Não porque estivesse acontecendo alguma coisa. Mas porque a atenção dos pais claramente não estava voltada para ele. E aquilo era inaceitável.
Sorri.
Meu filho era tão ciumento quanto o pai.
— Espera, amor. Eu pego para você.
Levantei antes que ele pudesse protestar.
Heitor sorriu imediatamente.
— Hmm... serviço completo é?
— Serviço completo.
Voltei com a bandeja e a coloquei sobre suas pernas. Ele olhou tudo com tanta atenção que parecia uma criança na manhã de Natal.
— Caraca...
Os olhos percorreram o bolo, os pães de queijo, as rosquinhas, os queijos, o doce de leite.
— Isso aqui está absurdo.
Passou a mão pelos lábios e me lançou um olhar desconfiado.
— Foi você que fez tudo isso?
— Eu e minha avó fizemos uma parte juntas. O resto foi comigo.
Sentei-me ao lado de Humberto e comecei a brincar com suas perninhas enquanto observava os dois homens da minha vida.
— Eu sou um sortudo do caralho.
Heitor serviu o café e cortou um pedaço do bolo.
Bastou a primeira mordida para seus olhos se arregalarem.
— Hmmm...
Mastigou.
Depois fechou os olhos.
— Puta merda.
Outra mordida.
— Tá muito bom.
Não consegui evitar o sorriso. Era uma coisa tão simples. Mas Heitor ficava genuinamente feliz quando eu cozinhava para ele. E, de alguma forma, aquilo me deixava feliz também. Talvez porque eu gostasse de cuidar dele. Talvez porque adorasse vê-lo daquele jeito. Ou talvez porque, no fundo, existisse algo muito íntimo em alimentar alguém que você ama.
— Não se faz mais quitanda assim.
Ele pegou outro pedaço.
— Tá bom demais.
— Que bom que gostou.
— Gostei?
Ele me olhou como se eu tivesse acabado de dizer um absurdo.
— Mulher, eu tô quase chorando aqui.
Acabei rindo.
— Você já comeu, Helê?
— Ainda não.
Imediatamente ele esticou um pratinho na minha direção.
— Come comigo.
Peguei um pão de queijo.
— Antes que eu coma tudo sozinho.
— Tem mais lá embaixo. — mordi o meu. — Acho que exagerei um pouco.
— Graças a Deus. — ele apontou para a bandeja. — Porque dá uma tristeza quando uma coisa muito boa está acabando.
— Não se preocupa. Tem bastante.
— Ufa. — pegou mais um pedaço de bolo. — Tá melhor do que eu imaginei.
Fingiu pensar por alguns segundos.
— Só ficaria melhor se eu tivesse ganhado uma coisa que começa com "A" e termina com "nal".
Cerrei os olhos imediatamente.
— Não força a barra, Monteiro.
Ele deu de ombros.
— Só estou deixando possibilidades no ar.
— Pois tire elas do ar.
— Nunca.
Balancei a cabeça, já rindo.
Era inacreditável.
O homem tinha acabado de receber um álbum que o fez chorar e, cinco minutos depois, já estava fazendo graça.
— E o que vai ter no almoço? — perguntou ele, servindo mais café. — Porque eu vou ajudar.
— Eu queria fazer tudo sozinha.
— Ah, não.
— Ah, sim.
— Helê, pensa comigo.
Apontou o garfo para mim.
— Você lembra quando o McDonald's colocou as funcionárias para trabalharem no Dia da Mulher?
— Lembro.
— É a mesma coisa.
Eu já estava começando a rir.
— Não é a mesma coisa.
— É exatamente a mesma coisa. — levantou o indicador. — Só que agora é a Helena colocando o pai do filho dela para trabalhar no Dia dos Pais.
Não aguentei.
Comecei a rir.
— Faz sentido para mim.
— Tá vendo? — virou-se para Humberto. — Filho, eu falo que o chicote estrala nessa casa e ninguém acredita.
Como se entendesse perfeitamente a conversa, Humberto soltou um balbucio animado.
— Exatamente! — concordou Heitor na mesma hora. — Você me entende.
Eu revirei os olhos.
— Coitado do meu filho.
— Coitado nada.
Heitor pegou um pedaço de queijo, colocou um pouco de doce de leite por cima e estendeu para mim.
— Sua mãe é uma ditadora, Humberto. Mas faz quitanda boa, então a gente releva.
Acabei rindo enquanto aceitava a comida.
E olhando para os dois daquele jeito, implicando um com o outro logo cedo, tive a sensação de que aquela era exatamente a manhã que eu tinha imaginado quando comecei a preparar tudo aquilo.
Depois do café, descemos juntos para a cozinha para organizar as últimas coisas do almoço e foi em algum momento daquele trajeto que uma sensação muito boa me atingiu.
Heitor carregava Humberto em um dos braços, completamente acomodado contra seu peito, enquanto mantinha a outra mão entrelaçada à minha. Descíamos devagar, sem pressa, como se tivéssemos o dia inteiro pela frente. Olhei para o meu filho e encontrei aqueles olhinhos azuis me observando. Assim que percebeu que eu estava olhando, abriu um sorriso tão bonito que meu coração quase derreteu dentro do peito.
Eu amava tanto aquele menino.
Apertei um pouco mais a mão de Heitor e senti seus dedos responderem imediatamente, apertando os meus de volta. Quando virei o rosto para ele, encontrei aquele sorriso largo que ele estava carregando desde que acordou. Era impossível não notar o quanto aquele dia significava para ele.
Heitor levou nossa mão entrelaçada até os lábios e depositou um beijo demorado sobre meus dedos antes de continuar andando como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
E talvez fosse.
Pela primeira vez na minha vida, eu sentia que estava exatamente onde deveria estar.
Na sala, passamos um tempo brincando com Humberto antes de começar os preparativos finais. Ou melhor, eu e Humberto brincávamos enquanto Heitor insistia em uma missão que, na cabeça dele, era perfeitamente possível.
Fazer nosso filho falar "papai" primeiro.
— Fala papai.
— Gaaa.
— Não. Papai.
— Aguuu.
— Quase.
Revirei os olhos.
— Monteiro, ele nem sabe o que você está falando.
— Sabe sim.
— Não sabe.
— Sabe porque é inteligente.
— Ele tem três meses.
— Exatamente. Um prodígio.
Acabei rindo.
Porque ele falava aquilo com tanta convicção que quase me convencia também.
E o pior era que Humberto parecia adorar a atenção. Ficava olhando para o pai como se estivesse participando de uma reunião entre os dois.
Quando finalmente fomos para a cozinha, a realidade bateu um pouco mais forte.
Nunca tinha cozinhado para tanta gente.
Nunca.
E, pelo olhar do Heitor para as panelas, ele também não.
Mas nós nos esforçamos.
E bastante.
Enquanto eu terminava os acompanhamentos, ele cuidava das carnes. Quando eu precisava de alguma coisa, ele já estava pegando antes mesmo de eu pedir. Quando ele esquecia onde tinha colocado alguma coisa, eu encontrava. No fim, funcionávamos melhor juntos do que qualquer receita.
Humberto observava tudo do carrinho.
Ou pelo menos tentava.
Segurava o cheirinho perto do nariz daquele jeito adorável de bebê e lutava bravamente contra o sono. Os olhinhos começavam a fechar, mas ele insistia em permanecer acordado para acompanhar o movimento.
Parecia ter medo de perder alguma coisa.
Eu entendia.
E, sinceramente, por mais preocupada que estivesse com a comida, era difícil manter qualquer foco quando Heitor estava por perto.
Toda vez que passava por mim, acabava encontrando uma desculpa para me tocar. Às vezes era uma mão na minha cintura. Às vezes um beijo rápido no alto da minha cabeça. Às vezes simplesmente me puxava para um abraço no meio da cozinha.
E eu não ajudava.
Nem um pouco.
Porque bastava ele passar os dedos pelos meus cabelos para eu esquecer completamente o que estava fazendo.
O resultado foi que demoramos mais do que deveríamos.
Mas ninguém precisava saber disso.
Quando finalmente terminamos tudo, a cozinha parecia ter sobrevivido a uma pequena guerra. Heitor olhou para o relógio, olhou para mim e praticamente me expulsou dali.
— Vai se arrumar, tá na hora.
— Ainda tenho que...
— Helena.
Cruzei os braços.
— Eu só...
— Helena.
Bufei só para manter a dignidade e subi para me arrumar.
No fim, ele fez a mesma coisa depois.
Ou pelo menos essa era a teoria.
Porque, quando terminei de me arrumar, achei justo oferecer uma pequena “ajuda” ao noivo enquanto ele se vestia.
Uma ajuda muito caridosa e muito prestativa, absolutamente incompatível com a quantidade de trabalho que ainda existia naquela casa.
O atraso de alguns minutos foi totalmente culpa minha e eu não me arrependia nem um pouco.
Quando tudo finalmente estava pronto, olhei para o relógio e sorri.
Meio-dia em ponto.
Como se o universo tivesse decidido colaborar, exatamente naquele instante que a campainha tocou e eu já sabia quem era.
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