O CEO que Eu Paguei
71 Cuido de você
— Tá me olhando por quê? — Helena murmurou, ainda nua sob o lençol, virando o rosto pra ele.
Heitor a observava, deitado de lado, com aquele sorriso que misturava safadeza com encanto genuíno. A mão dele deslizava distraída pela cintura dela, traçando caminhos invisíveis na pele.
— Porque eu gosto. Porque eu não acredito que você é real. E porque, porra… você é minha. Certeza.
Helena bufou e se escondeu um pouco mais no travesseiro.
— A gente vai se atrasar. E eu… — ela franziu o nariz — ...eu tô me sentindo nojenta. Nem tomei banho ontem. Dormi… grudada em gozo.
Heitor soltou uma risada baixa, colando o peito nu nas costas dela.
— Eu também não tomei banho. Tamo dois sujos. Um casal sujo, apaixonado e satisfeito. Olha que bonito.
— Ai, Heitor… — ela tentou esconder a risada. — Você é ridículo.
Ele deu um beijo no ombro dela.
— Quer ajuda no banho?
Ela hesitou.
— Não… Melhor não. Minha avó tá aqui, esqueceu?
— Não tem problema. A gente fecha a porta, liga o chuveiro no máximo e finge que tá lavando a alma.
— Eu vou primeiro. Você espera. Sem safadeza.
Heitor ergueu as mãos, teatralmente.
— Juro solenemente me comportar.
Helena se levantou, prendeu o cabelo de qualquer jeito, catou algumas roupas no armário, colocou em cima da cama e foi até o banheiro. Enquanto a água caía quente sobre a pele, ela fechou os olhos por um instante.
"O que é que eu tô fazendo da minha vida?"
Mas antes que pudesse responder, veio outro pensamento:
"E o que é que eu tô fazendo com a do Heitor?"
Saiu do banho, enrolada na toalha. Ele ainda estava deitado, preguiçoso, o lençol mal cobrindo a cintura.
— Vai tomar banho. Antes que eu me arrependa de ter deixado você dormir aqui.
Heitor se levantou devagar, esticando o corpo forte. Quando passou por ela, entregou a chave do carro.
— Tem uma mochila preta da Nike no porta-malas. Minha bolsa de academia. Tem uma troca de roupa lá. Pega pra mim?
— Tá. Mas só porque se você aparecer na cozinha da minha avó com essa cara de sexo e essa toalha ridícula… ela vai benzer a casa.
— Relaxa. Ela gosta de mim.
Antes de ir, ele a puxou pela cintura e colou a boca no pescoço dela.
— Ainda tô sentindo a sua bucetinha apertando meu pau. Você foi feita pra mim, sabia?
— Para de gracinha! Vai logo! — ela riu, se livrando dele com um empurrão no peito.
Ele deu um tapa na bunda dela com a mão cheia, ela o olhou com cara de indignação. Heitor então saiu do quarto, entrou no banheiro e trancou a porta.
Helena vestiu a roupa de trabalho, passou um batom rápido e desceu devagar. Tentou não fazer barulho.
Ouviu o som da televisão vindo da cozinha. Dona Olívia provavelmente estava distraída com o jornal.
Saiu pela porta da frente, desceu a pequena escada, abriu o carro de Heitor e pegou a mochila preta.
Era maior do que esperava.
Voltou para o quarto e o zíper revelou pelo menos três trocas de roupa dobradas, cuecas, desodorante, perfume, e até uma escova de dente.
Ela franziu o cenho.
— Isso aqui tava todo esquematizado, né?
Mas pegou uma camisa azul-marinho linda — de linho, com um caimento elegante —, uma calça preta e uma cueca preta básica.
Ligou o ferro e começou a passar.
Ele saiu do banheiro minutos depois, só de toalha, com os cabelos pingando, o peitoral à mostra e aquele sorriso de quem sabia exatamente o efeito que causava.
— Tu tá passando minha roupa agora?
— Não quero que ande desarrumado por aí. Dá má impressão.
— Ah, então agora você cuida da minha aparência também? O que vem depois, Helena? Vamos juntar as escovas de dente?
Ela fingiu irritação, mas ele viu o canto da boca tremendo.
— Fica quieto e veste logo. Tô tentando te ajudar.
Ele pegou a cueca e a calça, vestiu ali mesmo, devagar, só pra provocar.
Quando foi abotoar a camisa, ela tomou a frente.
— Deixa. Eu abotoo.
Ele ergue os braços, obediente, mas com o olhar pregado nela.
Conforme ela ia subindo os botões, os dedos dele também subiam, passando pela cintura dela, contornando as curvas, explorando como se ainda estivessem na cama.
— Heitor…Você tá me desconcentrando.
— Tô só agradecendo o cuidado. Você passando minha roupa, me vestindo, me alimentando de manhã… Daqui a pouco tu me pede em casamento.
— Cala a boca e bota perfume, vai.
— Você já é minha esposa, sabia?
— Mais uma dessa e você dorme no carro hoje.
Ele riu. Mas o olhar dele continuava ali: fixo, quente, presente.
E Helena, por mais que tentasse parecer impassível… tava cada vez mais entregue.
Ajeitou o último botão da camisa dele — o peito dele ainda quente, o cheiro do perfume recém-passado subindo até o pescoço dela —, e soltou um suspiro.
— Pronto. Agora você tá com cara de ser humano.
— Eu tava lindo desde que acordei. Agora só tô mais formal pro julgamento.
— Julgamento?
— O da Dona Olívia. Bora descer. Quero ver a cara dela me vendo de camisa passada pela neta.
Helena rolou os olhos, mas sorriu.
Desceram juntos. Helena na frente, Heitor vindo logo atrás, com aquele andar preguiçoso, confiante, como se já fosse dono da casa — ou pelo menos da mulher que vivia nela.
Quando entraram na cozinha, o cheiro de café fresco e pão de queijo quentinho já preenchia o ar.
Dona Olívia estava sentada na ponta da mesa, jornal dobrado ao lado, xícara na mão, olhar atento.
Ela ergueu os olhos devagar, com aquele sorrisinho escondido de canto de boca.
— Bom dia, meus filhos.
— Bom dia, vó. — Helena respondeu, tentando soar casual.
— Bom dia, vó. — Heitor disse, com aquele charme educado, a mão já indo pegar uma xícara como se fosse neto antigo.
Ela observou os dois por um instante e soltou:
— Primeira vez que vejo a Helena deixar um homem dormir aqui.
Helena paralisou por um segundo com a xícara a meio caminho da boca.
— Vó…
— Tô só dizendo. Teu ex, aquele rapaz…
— Ninguém precisa lembrar. — Helena respondeu rápido, corando.
— Pois é. Aquele rapaz ia embora tarde, no frio. Cê não deixava dormir nem no sofá.
Heitor mordeu o sanduíche no pão de forma, mas o olhar já tava afiado.
— Frio? Tarde? O cara vinha aqui de noite?
Helena ergueu uma sobrancelha, desconfiando do tom.
— E você tá com essa cara por quê?
— Só tentando entender… Porque agora que sou eu, você deixa dormir sem reclamar. E ainda passa a camisa.
Dona Olívia segurou o riso e tomou outro gole de café.
— O mundo dá voltas, né? Uns ficam no frio, outros dormem na mesma cama e ganham café da manhã.
— Vó! — Helena quase engasgou.
Heitor abriu um sorriso satisfeito, olhando pra Helena com aquele brilho perigoso nos olhos.
— Então quer dizer que agora é diferente?
Helena respirou fundo, tentando disfarçar o rubor.
— É. Agora é diferente.
— Eu sabia. — disse ele, mordendo outro pedaço do pão com ar vitorioso.
Dona Olívia observava a cena como quem assiste novela das boas.
— Ele é bonito. E educado. Mas tem aquele jeitinho… que não engana ninguém.
— Que jeitinho? — Heitor perguntou, encarando a matriarca com respeito e desafio ao mesmo tempo.
— Jeito de quem sabe muito bem o que quer. E não disfarça.
Helena quase respondeu, mas Heitor foi mais rápido.
— E eu sei mesmo. E o que eu quero tá sentado bem aqui, tomando café, tentando fingir que não tá sorrindo com o canto da boca.
Helena apertou a xícara, tentando manter a compostura.
Dona Olívia se levantou com a xícara na mão e passou por eles.
— Se for pra te fazer feliz, Helena... Eu deixo dormir aqui mais vezes. Mas a cama... pode dar um jeito no barulho.
Helena engasgou de verdade dessa vez.
Heitor arregalou os olhos e tentou conter a gargalhada.
— Vó!!!
— Eu não sou surda, minha filha. Só sou discreta.
Ela saiu da cozinha rindo baixinho, deixando os dois sozinhos.
Helena apoiou a testa na mesa.
— Eu vou morrer.
— Se morrer… — Heitor disse, se aproximando, encostando os lábios no ouvido dela — morre como minha mulher.
Ela virou o rosto, ainda vermelha, mas com os olhos brilhando.
— Você é um problema, Heitor.
— E você adora me resolver.
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