O CEO que Eu Paguei
72 Só ele pode falar assim
Heitor abriu a porta do carona com um gesto largo e cheio de intenção, os olhos colados nos dela.
— Sério isso? — Helena ergueu uma sobrancelha, rindo sem acreditar. — Vai abrir a porta agora?
— Tu merece. E não precisa ter medo, Helena. Agora eu tô contigo.
Ela parou por um segundo, o pé ainda fora do carro.
O coração deu uma batida mais forte do que devia.
— Ah é? É pra me sentir mais segura assim?
Ele se aproximou e deu um beijo demorado no rosto dela, os lábios encostando devagar, quentes.
— É pra tu entender que eu tô aqui. E não vou embora.
Ela entrou no carro sem responder, tentando esconder o sorriso.
Mas por dentro… estava toda boba.
Ele deu a volta, entrou, ligou o motor.
No caminho para o trabalho, o celular de Heitor começou a tocar — uma chamada do WhatsApp.
Helena olhou o nome na tela.
Jonas🍻
E logo abaixo, uma foto que saltava aos olhos.
Um homem com camisa de time, fazendo careta e gesto obsceno com a língua de fora. O rosto era bonito — lábios cheios, olhos expressivos, o tipo que sorria com o olhar. Cabelos castanho-claros, ondulados, volumosos, meio bagunçados com propósito. Tinha aquele tipo de beleza jovem e sacana. E um corpo que, apesar de atlético, ainda não se comparava ao de Heitor.
Heitor era outra categoria. Outra densidade.
— Que esse pivete quer me ligando essa hora? — Heitor disse, aceitando a ligação de áudio.
— Se falar merda, eu desligo na hora. Tô no carro com a minha mulher.
Helena virou o rosto tão rápido que quase travou o pescoço.
— Ô, pivete! Ouviu? — a voz do Heitor saiu alta e animada. — Tô no carro com a minha mulher. Nada de falar besteira, hein.
A voz do outro lado respondeu alto, com aquele sotaque do Rio também, mas mais leve, moleque.
— Pooooorra, Heitor! Tu sumiu, mano! Agora entendi o motivo. Bom dia, mulher do Heitor!
Helena corou na hora, olhando de canto pra ele.
Ele deu aquele sorriso convencido e assentiu, incentivando:
— Vai, responde ele.
— Oi. — Helena disse, tímida, a voz baixa.
— Ahhhh, tá mesmo acompanhado! — Jonas riu alto. — Caralho, Heitor, tirou sorte grande, hein!
— Tô muito bem acompanhado. — Heitor respondeu satisfeito, jogando uma piscadela pra ela.
— E amanhã tem jogão do Flu, hein! Não some não, caralho!
— Tô dentro. E vou levar a Helena para assistir comigo. Tu vai conhecer ela depois.
— Traz ela pra cá! Quero ver ao vivo! Manda foto depois.
De repente, o telefone mudou para uma solicitação de vídeo.
— Ah, vai tomar no cu, Jonas! — Heitor resmungou. — Tô dirigindo, porra.
— Não quero ver tu, irmão! Quero ver a mulher! Quero ver se é real mesmo essa deusa!
— O nome dela é Helena. Fala direito.
Helena sorriu de canto, sem saber onde enfiar a cara.
— Eu não me importo. Pode atender, se quiser — ela falou passando a mão no cabelo.
Heitor torceu o nariz.
— Ah, agora que tu quer aparecer?
Ela deu de ombros. Ele aceitou a ligação.
A imagem carregou e Jonas apareceu no banco de trás de um carro, todo estiloso, óculos escuros no topo da cabeça, camiseta justa, colar no pescoço e um sorriso safado no rosto.
— Uau. Heitor, onde tu tá que tem mais dessas? Gostosa pra caralho.
Helena travou, sem saber onde enfiar o rosto.
Heitor nem pensou.
— Ô, Jonas! Nunca mais fala assim dela, entendeu? Se eu ouvir de novo tu se referindo desse jeito, eu arrebento tua cara.
Jonas levantou as mãos.
— Tá, tá… foi mal. Relaxa. Mas, porra, ela parece ter minha idade, mano. Tu não dá conta de uma novinha assim, não.
— Cala a boca. Vai tomar no cu. Tô desligando.
— Ô, Heitor! Fala pra ela que eu…
Chamada encerrada.
Silêncio no carro.
Helena ajeitou a postura, tentando processar.
Heitor segurou o volante com força.
— Desculpa. Jonas é moleque ainda, fala merda mesmo. Mas ninguém fala assim de você. Só eu posso… e ainda assim, do meu jeito.
Ela olhou pra ele, o rosto vermelho, mas os olhos cheios de brilho.
— São amigos?
— Desde sempre. Jonas é como irmão mais novo pra mim. O pai dele é o governador do Rio. Melhor amigo do meu pai. A gente cresceu colado.
— E eu vou conhecer ele?
— Tu vai conhecer todo mundo. Quem importa. E até quem não importa tanto assim.
Helena levantou uma sobrancelha, fingindo desdém:
— Tá querendo que eu conheça sua família já?
Ele sorriu, aquele sorriso safado e firme ao mesmo tempo.
— Tô querendo te mostrar o meu mundo, Helena. E deixar ele saber que agora você é o meu lugar.
Ela não respondeu de imediato. Só olhou pela janela.
Mas sorriu.
E muito.
Fale com o autor