O CEO que Eu Paguei
47 Conquistar a vó foi fácil. Sobreviver ao vestido, não.
Eles entraram juntos. Helena ainda de rosto quente, e Heitor com a cara mais lavada do mundo.
— Preparei o jantar com a sua vó! — anunciou ele, sorridente, como se tivesse feito um grande feito heróico.
Helena parou no meio da sala, cruzou os braços e lançou aquele olhar dela — o que ele começava a reconhecer como "você só pode estar de sacanagem".
— Jantar? Você? — perguntou. — Não tem casa, não? Vai ficar por aqui agora?
Heitor fez uma pausa dramática. Apoiou a mão no peito e virou o rosto com expressão de sofrimento, como um ator de novela mexicana.
— Vó… a senhora tá ouvindo isso?
Helena quase engasgou com o próprio ar.
— Vó?!
Dona Olívia cruzou os braços, de queixo erguido.
— E você tá achando ruim por quê, menina? Ele é educado, sabe conversar, cozinha... é raro hoje em dia. Deixa o rapaz.
Helena olhou da avó para Heitor. Ele já estava com aquele maldito sorrisinho cínico brotando no canto da boca, o olhar todo sapeca por cima do ombro.
Ela não ia aguentar aquilo.
— Eu vou tomar banho.
Subiu as escadas com passos firmes, ignorando o jeito satisfeito com que ele a seguiu com os olhos.
Quando ela voltou…
Vestido vermelho soltinho com estampa de flores pequenas, o tecido leve caindo sobre o corpo com a elegância de quem não se esforça para ser bonita — mas é. Os cabelos soltos, ainda úmidos do banho, moldavam o rosto dela com naturalidade, e a pele morena reluzia. Nada além de uma sandália baixa.
Heitor a viu surgir e congelou.
O olhar dele percorreu cada detalhe do vestido. E quando passou para as coxas, os olhos quase saltaram.
O calção azul denunciou tudo.
Ele segurou a almofada ao lado no sofá como quem buscava apoio espiritual — e disfarçou, colocando-a no colo com naturalidade fingida. Quase com dor.
Helena reparou. E sorriu. Maliciosa. Cruel.
Seus olhos desceram lentamente até a almofada, e depois voltaram para ele, arqueando uma sobrancelha.
— Vai ficar aí? A comida vai esfriar.
Virou as costas, e... começou a andar.
Não simplesmente andar.
Desfilar.
O vestido, apesar de soltinho, não escondia o movimento das coxas grossas e da bunda grande, redonda, que se mexia no ritmo exato de quem sabia que estava sendo olhada. O tecido colava e desgrudava com cada passo.
Heitor quase caiu do sofá a seguindo com o olhar.
A almofada não era mais suficiente. A decência também não.
— Misericórdia... — murmurou entre os dentes, quase sem ar.
Na cozinha, Helena sentou-se com um sorrisinho calmo, fingindo inocência.
— Heitor, vem logo! — chamou Dona Olívia. — Cê também vai comer!
— Já tô indo, só responder uma mensagem... — Ele digitava qualquer coisa no celular, só pra fingir que se ocupava. Na verdade, estava tentando meditar com os olhos abertos.
Quando finalmente apareceu, estava todo sem graça. Sentou-se à mesa com aquele olhar de cachorro pidão que ele lançava quando sabia que tinha perdido o controle da situação.
E Helena?
Sentada de frente pra ele, com aquele vestidinho subindo quando ela cruzava a perna. Pegou a colher de sobremesa e, quando levou à boca, passou a língua devagar pelo cabo, lambendo de um jeito que não havia motivo técnico algum. Só perversão.
Heitor prendeu a respiração.
Tentou puxar outro assunto com Dona Olívia — perguntou sobre o tempo, novela, como fazia o feijão... qualquer coisa pra não ficar olhando Helena com cara de "vou te comer em cima dessa mesa agora".
Mas quando Dona Olívia se levantou pra pegar algo na pia, Helena também levantou.
E Heitor viu.
Ela estava sem calcinha.
O vestido subiu o suficiente pra mostrar o que estava lá embaixo. Tudo à mostra. Tudo molhado.
— Puta que pariu — escapou dele, alto demais.
Dona Olívia se virou na hora.
— Que foi, menino?
— Nada! Nada! — disse ele, tentando disfarçar com uma tossida. — A pimenta do molho... é forte, né? Bateu aqui na garganta.
Dona Olívia franziu os olhos, desconfiada.
Helena fingia que nada tinha acontecido, já de volta à cadeira, mastigando com calma.
Ele a encarou, vermelho até a orelha. Ela piscou. Um sorrisinho. Diabinha.
E Heitor sabia que ela ia matá-lo. A pergunta era se ia ser na cama, no sofá... ou ali mesmo.
O jantar terminou com mais suor que comida para Heitor.
Helena continuou o torturando em silêncio, passando a perna na dele por baixo da mesa, roçando a pele quente e macia contra a canela dele com movimentos lentos e maldosos. Ele parava de falar no meio das frases. Engolia seco. Às vezes tossia só pra disfarçar o calor que subia do estômago pra garganta.
E ela sabia.
A pele dela estava toda arrepiada. Soltou até um suspiro mais longo enquanto tomava um suco — e ele notou. Claro que notou. O corpo dela estava em chamas. E o dele?
Explodindo.
Depois do jantar, os três foram pra sala. TV ligada na novela, Dona Olívia em sua cadeira de balanço com um cobertor nas pernas.
Heitor se sentou no sofá, Helena do outro lado. Mas a distância não adiantava. Ela cruzava a perna, esticava o pé e encostava de leve no dele. Aquilo bastava pra deixar o sangue dele pulsando no lugar errado.
Pegou o celular. Não dava mais. Era uma questão de sobrevivência hormonal.
Heitor:
Que porra você tá fazendo comigo?
Tô duro desde o arroz.
Tô te olhando e o pau tá BABANDO.
Se tu passar essa perna de novo, eu juro…
Helena (digitando devagar):
Ué, não tô fazendo nada.
Só jantando.
Vai ver é problema de circulação sua. 🤷♀️
Heitor:
Circulação não.
É maldição.
Você vai me matar do coração e com tesão junto.
Helena:
Você que não aguenta nada.
Homem fraco. 😌
Heitor:
Fraco é o caralh0.
Se eu te pego agora nessa sala, tua vó tinha que benzer a casa depois.
Não encosta mais em mim.
Ou eu te puxo por esse vestido e falo que foi reflexo.
Helena:
Duvido.
Você não tem coragem.
Aliás, não tem nada agora, né? Só coragem no WhatsApp mesmo.
Heitor:
Ah é?
Levanta e passa de novo na minha frente rebolando com esse vestido de demônio.
Eu levanto junto — e não é pra ficar em pé.
É pra te sentar no meu colo.
Helena:
Faz.
Duvido. 😈
Heitor largou o celular no colo com força, pegou o travesseiro do sofá e jogou por cima da calça com pressa, escondendo a saliência visível que já ameaçava virar escândalo nacional.
Dona Olívia, com um olho na TV e outro neles, resmungou:
— Vocês dois são um casal muito esquisito. Tão aqui sentados e só sabem mexer nesses celulares. Não sabem conversar mais, não?
Heitor fez a cara mais inocente do mundo.
— A gente tá falando sobre o trabalho, vó… coisa séria.
Helena tossiu do outro lado, segurando o riso. Depois levantou lentamente do sofá e foi até a cozinha pegar água. O vestido subiu com o passo.
Heitor a acompanhou com os olhos como um condenado. Quando ela virou o rosto e lançou um olhar direto, sem nenhuma palavra, ele soube: estava ferrado.
Ela voltou com o copo na mão e se sentou — dessa vez um pouco mais perto.
O celular dele vibrou.
Helena:
Tá com saudade do que fiz com a boca ontem?
Heitor:
A pergunta é:
Quantas vezes por semana eu posso vir jantar na sua casa?
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