O Brilho do Corvo, a Explosão da Argila

3 Capítulo 3: Missão em Dupla: O Silêncio Compartilhado


O aviso de Pain fora curto e direto: uma vila fronteiriça no País do Fogo estava guardando um pergaminho com informações sobre selamentos de Jinchuurikis. Kisame estava ocupado com um rastro do Quatro-Caudas, o que deixou Deidara com a única companhia que ele tentava evitar e buscar ao mesmo tempo.

A caminhada pela floresta era torturante. Para Deidara, o silêncio era uma afronta. Ele estava acostumado ao som das explosões, ao estalo da argila sendo moldada, à sua própria voz exaltando a efemeridade. Itachi, no entanto, caminhava como uma sombra. Seus pés não faziam barulho nas folhas secas, e sua respiração era tão ritmada que parecia inexistente.

— Você nunca se cansa de ser tão... sem graça, hm? — Deidara finalmente explodiu, chutando uma pedra no caminho. — Estamos andando há seis horas e você não disse uma palavra sobre o plano. Ou sobre a paisagem. Ou sobre qualquer coisa!

Itachi não parou. Ele apenas desviou um galho baixo com a elegância de quem executa uma dança.

— O plano é simples: infiltração silenciosa, extração e retorno. Palavras desnecessárias apenas gastam energia.

— Energia?! — Deidara voou para a frente dele em seu pássaro de argila, forçando o Uchiha a parar. — A vida é sobre expressão, Itachi! Se você não coloca sua alma para fora, você é apenas um cadáver que caminha. Minha arte é um grito! E a sua? O que é a sua arte? Aquele truque de olhos vermelhos que me faz sentir um idiota?

Itachi parou e olhou para cima. Pela primeira vez na missão, ele focou totalmente em Deidara. O sol filtrava-se entre as copas das árvores, criando padrões de luz e sombra no rosto do Uchiha.

— Minha arte... — Itachi repetiu as palavras lentamente, como se estivesse provando um conceito estranho. — Talvez seja a preservação do que resta.

Deidara sentiu um nó na garganta. Ele esperava um insulto, uma demonstração de superioridade, mas não aquela resposta melancólica. Ele desceu do pássaro, a argila voltando para sua bolsa. O impacto visual do primeiro encontro ainda ecoava, mas ali, sem o calor da batalha, Itachi parecia vulnerável de uma forma que Deidara não conseguia explicar.

— Preservação é o oposto de arte, hm — Deidara rebateu, embora com menos convicção. — A arte tem que brilhar e sumir. Como uma estrela cadente.

— E quem fica para contar a história da estrela depois que ela apaga? — Itachi perguntou, dando um passo à frente.

Eles estavam perigosamente próximos. Deidara conseguia ver o reflexo das nuvens vermelhas do seu próprio manto nas pupilas escuras de Itachi. O ar parecia ter ficado mais pesado. Deidara sentiu o impulso de gritar, de criar uma explosão ali mesmo apenas para quebrar aquela tensão elétrica que o fazia querer tocar o rosto do outro para ver se ele era feito de carne ou de mármore.

— Eu fico — Deidara sussurrou, quase sem perceber. — Eu fico para que todos saibam que eu fui o maior.

Itachi permitiu que um esboço de sorriso surgisse no canto dos lábios. Foi tão sutil que, se Deidara tivesse piscado, teria perdido.

— Então você entende a importância de permanecer. Sua arte tem uma luz única, Deidara. Seria uma pena se ninguém estivesse aqui para vê-la.

Deidara travou. O elogio veio sem aviso, como uma detonação silenciosa dentro de seu peito. Ele sentiu o rosto esquentar e, pela primeira vez na vida, a loquacidade do mestre das explosões desapareceu. Ele abriu a boca para retrucar, para dizer que não precisava da aprovação de um Uchiha, mas as palavras morreram em sua língua.

— Vamos — disse Itachi, voltando a caminhar como se não tivesse acabado de desestabilizar todo o mundo interno de seu parceiro. — Estamos quase chegando.

Deidara o seguiu, mas agora ele não estava mais chutando pedras. Ele observava as costas de Itachi, a forma como o manto da Akatsuki balançava com o vento, e sentiu uma nova forma de silêncio se instalar entre eles. Não era mais o silêncio do desconforto, mas um silêncio compartilhado.

Ele percebeu, com um susto, que o "amor" que ele sentia pela explosão estava começando a mudar de forma. Estava se tornando algo que ele queria preservar... algo que ele queria que Itachi visse.

"Sua arte tem uma luz única", ele repetiu mentalmente. Naquele momento, Deidara decidiu que a missão não era mais sobre o pergaminho. Era sobre garantir que Itachi continuasse olhando para a sua luz.