O Brilho do Corvo, a Explosão da Argila
4 Capítulo 4: Faíscas e Reflexos
A missão havia sido um sucesso técnico, mas um desastre para o sistema nervoso de Deidara. Eles estavam agora em uma caverna escondida nos arredores do País do Fogo, esperando a chuva torrencial passar antes de retornarem à base. O único som era o crepitar de uma pequena fogueira que Deidara insistira em acender — "luz natural para uma mente artística", ele justificou, embora o verdadeiro motivo fosse o frio que parecia emanar do silêncio de Itachi.
Deidara estava sentado de pernas cruzadas, moldando distraidamente um pedaço de argila entre os dedos. Seus olhos, no entanto, não estavam na escultura. Eles estavam fixos em Itachi, que estava sentado contra a parede oposta da caverna.
O Uchiha parecia... diferente. Sem o manto da Akatsuki, que ele havia retirado para secar, Itachi parecia menor, mais humano. E, para o horror de Deidara, ele parecia ferido. Um corte profundo no antebraço, cortesia de uma armadilha de vento que eles enfrentaram, ainda sangrava levemente através da bandagem improvisada.
— Por que você não usa aquele seu olho para curar isso logo, hm? — Deidara perguntou, sua voz ecoando mais alto do que ele pretendia.
Itachi abriu os olhos lentamente. Eles não eram vermelhos agora; eram de um castanho tão profundo que pareciam mogno polido sob a luz da fogueira.
— O Sharingan não cura feridas físicas, Deidara. Ele apenas consome quem o usa — Itachi respondeu com uma voz que soava mais exausta do que o normal.
Deidara bufou, levantando-se com movimentos bruscos. Ele caminhou até Itachi e se ajoelhou à sua frente, ignorando o sobressalto interno que sentiu pela proximidade.
— Deixe-me ver isso. Você é um desastre cuidando de si mesmo para alguém que se diz um gênio, hm.
Ele pegou o braço de Itachi com firmeza. A pele do Uchiha era fria, um contraste absoluto com as mãos quentes de Deidara. Enquanto limpava o ferimento com um pano úmido, o loiro percebeu que suas mãos — geralmente tão estáveis para criar micro-detalhes em bombas — estavam tremendo levemente.
Itachi não protestou. Ele apenas observava Deidara com uma intensidade que fazia o ar parecer rarefeito.
— Você está me olhando de novo — Deidara resmungou, sem levantar a cabeça. — Pare com isso. É irritante.
— Estou apenas observando sua técnica — disse Itachi suavemente. — Suas mãos são muito precisas. Mesmo quando não estão criando destruição.
Deidara sentiu o rosto queimar. O elogio de Itachi era como uma faísca caindo em um barril de pólvora. Ele terminou de enfaixar o braço e, em vez de se afastar, hesitou. Seus olhos subiram pelo braço de Itachi, passando pelos ombros tensos, até encontrarem o rosto do Uchiha.
Pela primeira vez, Deidara viu além da "arte suprema". Ele viu as olheiras profundas, a palidez doentia e a solidão que parecia uma segunda pele em Itachi. A "explosão" de sentimentos que ele vinha contendo — aquela mistura de inveja, admiração e algo novo e assustadoramente terno — ameaçou transbordar.
— Você é tão... egoísta, hm — Deidara sussurrou, a voz carregada de uma frustração que ele não conseguia mais nomear.
— Por que diz isso?
— Porque você carrega tudo sozinho. Como se ninguém mais fosse digno de ver o seu cansaço. Você quer ser a estátua perfeita, intocável... Mas estátuas são frias, Itachi. E a arte... a arte tem que queimar!
Deidara estendeu a mão, o polegar roçando quase por acidente a bochecha de Itachi. Foi um toque fugaz, mas o calor da pele de Deidara pareceu deixar uma marca invisível ali. Por um segundo, a máscara de Itachi vacilou. Suas pupilas se dilataram, e ele inclinou a cabeça minimamente em direção ao toque, um reflexo de quem busca calor no meio de um inverno eterno.
— O fogo consome o que toca, Deidara — Itachi disse, sua voz agora apenas um sussurro que vibrava no peito do loiro. — Eu não quero que você se queime por minha causa.
— Eu sou o mestre das chamas, idiota — Deidara rebateu, embora seu coração estivesse batendo tão forte que ele tinha certeza de que Itachi conseguia ouvir. — Eu nasci para queimar.
Eles ficaram ali, suspensos no tempo, entre a luz da fogueira e a escuridão da caverna. Deidara sentiu que, se ficasse mais um segundo, ele faria algo verdadeiramente explosivo — como beijar aquele homem ou gritar que o odiava por ser tão irresistivelmente belo.
Ele se afastou bruscamente, voltando para o seu lado da fogueira.
— Durma logo, hm. Temos que sair cedo amanhã.
Itachi fechou os olhos, um leve suspiro escapando de seus lábios.
— Boa noite, Deidara.
Deidara não dormiu. Ele passou o resto da noite observando os reflexos das chamas no rosto adormecido de Itachi, percebendo que a maior explosão de sua vida não seria feita de argila, mas daquele sentimento que estava, pouco a pouco, destruindo todas as suas defesas.
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