O Best Seller de Emily Taylor
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O celular despertou e eu não pude acreditar que já era de manhã, pensei seriamente em não levantar, ignorar o despertador e fingir que nada aconteceu, mas no instante em que eu estava me programando para dormir de novo, meu celular tocou.
— O que é?
— Acorda Emily. Eu sei que você está indo dormir de novo.
— Ás vezes é um saco você me conhecer tão bem, Katie.
— Nossa, caramba, eu nunca tinha ouvido isso. Ah, não espera, acho que ouvi isso ontem de manhã.— ela deu uma pausa dramática. – Levanta!
Resmunguei mais algumas coisas sobre melhores amigas e manhãs e levantei. Naturalmente, meu primeiro pensamento foi meu livro. Vasculhei minha mente atrás de um sonho, alguma epifania para começar a escrever o meu querido e sonhado best-seller, devo ressaltar que foi em vão. Me olhei no espelho e repeti a mesma frase de todo dia de manhã: Emily Taylor, você é mais do que capaz, você é linda e nem todo mundo gosta de você, mas nunca esqueça quem é e o que quer. Respirei fundo e fui tomar um banho. Existem vários pontos positivos em morar sozinha, como a independência de fazer o seu horário, comer o que quiser e não ter ninguém te regulando, mas tirando isso, todo o resto é um saco. Tipo, ter que fazer o seu próprio café da manhã. Coloquei uma música pra tocar e fui fazer minha vitamina, chequei as minhas mensagens e emails, eu escrevia um artigo por semana para uma revista online e gerenciava um perfil no Instagram com textos e poesias.
Respirei fundo mais uma vez (eu fazia muito isso), eu não queria ter que ir pra faculdade. Não me entenda mal, eu amava a faculdade, mas tem dias que você não tá afim, sabe? E hoje era um desses dias. Eu queria ficar em casa e escrever. Eu tinha mandado um esboço de um livro para uma editora que por conta do nome que eu já tinha na internet, aceitaram publicar o meu livro, mas caramba, não tava sendo nada fácil. Eu precisava termina-lo no prazo, mas eu estava sem inspiração. Claro que fazer Literatura Inglesa na faculdade não só ajudava como me dava uma boa bagagem para escrever. Além, é claro de Nova York. Ela tinha um ar de cinema que poucas cidades ao redor do globo tinham. Meu celular tocou desesperadamente mais uma vez, eu não precisava nem olhar pra saber quem era.
— Sim, eu estou atrasada.
— Com todo o respeito, Emily, eu estou começando a me cansar de você, sabia?
— Sabe, Katie, eu acho que já ouvi isso antes? Ah não, espera, foi ontem.
— Está ficando com um humor ácido, senhora Taylor.
— Aprendi com a melhor, senhora Evans.
— Estou pegando o elevador, chego aí em segundos.
— Mal consigo conter minha animação.
Katie era de longe a minha melhor amiga da vida, nós nos conhecemos no Ensino Médio e depois nunca mais desgrudamos. Fomos aceitas juntas na New York University e nos mudamos para o mesmo prédio. Nossos pais eram um pouco obcecados e não queriam que ficássemos no dormitório da faculdade, então graças ao meu trabalho na revista e no Instagram dava pra bancar o aluguel sem problemas
— Acho bom você abrir a porta pra mim, Emily Taylor. – Katie parecia que ia derrubar a minha porta.
— Alguma vez eu não abri a porta pra você? – perguntei enquanto ela entrava me fuzilando com os olhos azuis.
— Não e eu espero que nunca tenha essa audácia. – não pude deixar de revirar os olhos.
— Fica a vontade, vou só escovar os dentes e pegar minha bolsa.
— Tá bem e vê se não demora.
Era inverno em Nova York, a neve preenchia a calçada e por isso resolvemos pegar um táxi. Enquanto esquentávamos nossos corpos no aquecedor do carro, Katie segurou minha mão.
— Conseguiu escrever alguma coisa? — suspirei.
— Eu não sei mais o que fazer, Katie. Eu já tenho o nome dos personagens, tenho o local, mas não tenho uma história. Não uma concreta pelo menos. Tenho apenas uma ideia básica do que eu quero que aconteça.
— Parece que quanto mais você tenta forçar essa história pra sair, mais ela foge da sua cabeça.
— Mas eu preciso escrever essa história até o final do ano que vem, foi o prazo que a editora me deu. Já estamos em novembro. — ela suspirou e me encarou de modo compreensivo.
Eu queria parar a faculdade para me concentrar só no livro, mas eu não podia complicar mais as coisas. Ficamos em silêncio durante todo o resto do caminho, conversar sobre isso só me deixava mais irritada. Depois de descer do táxi, caminhamos juntas até a metade do caminho, Katie fazia Arquitetura e por isso raramente nos víamos pela faculdade, nos despedimos com um abraço e seguimos nosso caminho.
>>o
Meu dia passou mais rápido do que eu planejei e mal percebi quando chegou a hora da última aula. Eu estava em uma fase que cada aula sugava uma parte de mim. Minha última aula era de Ortografia, ou seja, mortalmente entediante. Mas como sempre eu lutava para prestar a máxima atenção, até porque eu já vivia disso e gostaria de continuar por um bom tempo.
Assim que a aula acabou, saí sem muito entusiasmo pelas ruas de Nova York, se fosse verão eu estaria indo a Long Island para respirar, mas a neve caía e eu não estava animada a ir muito longe. Mas o inverno tinha suas vantagens, pois deixava as ruas mais interessantes e poéticas. As decorações para o Natal já tomavam as ruas, e parecia que elas ficavam cada vez mais cheias. Sem pensar duas vezes, fui andando até a minha cafeteria preferida, para relaxar e encarar o notebook em busca de novas ideias.
— Senhorita Taylor, o de sempre? – perguntou a garçonete que sempre me atendia.
— Por favor, Olivia. — falei e sentei em uma mesa na janela para encarar as pessoas no Central Park e o vai e vem das pessoas buscando fugir do frio e da neve.
Olivia chegou com o meu café e assim que bebi senti cada pedacinho do meu corpo sendo aquecido, era extremamente tranquilo. Abri na página de sempre do notebook, aquela que estava escrito apenas Capítulo 1 e nada mais. Conectei o fone de ouvido e coloquei a primeira playlist de músicas acústicas do Spotify para tocar, como sempre.
Depois de vinte minutos, eu estava do mesmo jeito que antes e a página do mesmo jeito, em branco. Suspirei fundo e coloquei a cabeça nas mãos em sinal de derrota total, eu não sabia mais o que fazer. Mas eu não podia desistir, ainda não, eu tinha que insistir até o final. Que escolha eu tinha? Me ajeitei na cadeira, bebi mais um gole da minha bebida, coloquei a minha música preferida da playlist e respirei fundo. Agora eu estava muito mais confiante e estava totalmente concentrada quando uma movimentação na mesa da frente chamou a minha atenção de uma forma assustadora. Era um cara, não espera, não era nem de longe, qualquer cara. Era O cara. Ele sentou na mesa a minha frente, e não percebeu que eu o encarava surpresa.
— Com licença, poderia me trazer um chocolate quente? — perguntou com uma voz meio rouca, firme que fez minhas pernas tremerem ligeiramente e os pelinhos da minha nuca se arrepiarem.
— Com prazer. — falou Olivia sem jeito, ela também notara sua beleza incomum.
Ele tinha o cabelo castanho claro e pele morena, seus olhos eram de um cinza penetrante que faz você ficar constrangida, seu rosto era absurdamente lindo de um jeito incomum e totalmente desconcertante. O Adônis a minha frente tinha um sorriso aberto, cativante com os dentes brancos, aqueles tipo de sorriso que te faz ficar olhando por horas abobada que ficava perfeito com a barba por fazer. Ele usava uma blusa branca com um cachecol caramelo que caiam nele perfeitamente. Parecia que sido tirado de um livro e eu sei até de qual, do meu. Ele era exatamente como eu queria que meu personagem fosse: inebriante e impossível de não olhar. Ele pegou um livro e um óculos preto que não estragava em nada seu rosto, só o deixava mais lindo.
Assim que seu chocolate chegou, ele largou o livro de lado e agradeceu a Olivia sorrindo, o que fez as mãos dela tremerem um pouco. Eu ainda o encarava quando ele olhou pra frente, na hora eu fiquei constrangida, mas não tirei os olhos dele, eu acho que não conseguia. Ele era irritantemente perfeito. Ficamos nos encarando por um tempo, pra mim, pareceram horas. Por fim, ele levantou, pegou o livro, o chocolate e andou na minha direção, apontou para o banco a minha frente e perguntou:
— Posso? — eu não encontrei minha voz para responder, então só balancei a cabeça confirmando, e isso parecia diverti-lo. Tirei os fones de ouvido, enquanto ele se acomodava.
— Então, você estava me encarando curiosa. Por quê? — perguntou direto ao ponto e eu procurei a voz novamente.
— Eu poderia dar vários motivos, como os olhos cinza, ou talvez a curiosidade de descobrir o nome do livro, mas seria tudo mentira. – ele sorriu.
— E qual seria a verdade?
— Se eu te contar, terei que matá-lo.
— Vou correr o risco.
— Bom, você é lindo. – ele parecia desapontado.
— Só por isso?
— Na verdade não, mas é o motivo nº 1. – mais uma vez, ele sorriu e me deixou sem ar.
— E por acaso eu poderia saber os outros?
— Talvez, vou pensar se você merece entrar na minha mente.
— E tem alguém que já conseguiu essa proeza? De penetrar nos labirintos da sua mente?
— Sim, apenas uma. A Katie, minha melhor amiga. Ela me conhece muito melhor do que eu.
— Interessante. Bom, agora que eu sei o nome da sua melhor amiga e que você ameaça de morte pessoas que nem conhece, posso saber seu nome? – Sinceramente, esse cara não era real.
— Emily. Emily Taylor e o seu?
— Logan Blake. — sua voz parecia ser sempre confiante.
— Por que você sentou na minha mesa, Logan Blake? — então vamos trabalhar com a sinceridade.
— Bom, você estava me encarava de um modo bastante penetrante, quase desafiador e me deixou curioso. Faz um tempo que eu parei de me importar se eu pareço louco ou não. Você não acha que as pessoas deveriam fazer mais o que tem vontade?
— Talvez. Não sei se seria bom deixar as pessoas que querem matar ou roubar coisas, matar e roubar mesmo.
— Justo, é um pensamento coerente. Mas eu acho que o maior problema é que se não permite nem um resquício de insanidade hoje em dia. Um minuto de loucura inocente pode fazer maravilhas. – não pude deixar de sorrir.
— Tipo?
— Tipo sentar na mesa de uma garota que claramente me encarava como um serial killer. – não pude deixar de soltar uma gargalhada.
— E qual foram as maravilhas que aconteceram com esse seu minuto de loucura?
— Ainda não sei, mas estou curioso pra descobrir.
(Aqui faço uma pausa para falar que naquele instante percebi que a personificação da beleza estava flertando comigo.)
— Sabe, Logan Blake, você está me deixando constrangida.
— Sabe, Emily Taylor, eu tenho total consciência disso. – não sabia o que dizer, então voltei a encará-lo. Logan sorriu e tirou o óculos. – Emily, você está me encarando de novo. Qual é o motivo dessa vez?
— Estava pensando onde você pretende chegar.
— Com você ou em relação a vida no geral?
— Primeiro comigo. – ele pareceu pensar.
— Não sei bem, quer sair comigo? – levantei uma sobrancelha e ele sorriu.
— Uau.
— Uma pergunta direta pode, mas não uma resposta direta?
— Você só me pegou de surpresa.
— Por quê? Eu sentei na sua mesa, não foi? Você deveria saber que isso ia passar pela minha cabeça?
— E se eu tivesse namorado?
— Você tem namorado?
— Não.
— Então, que diferença faz?
— Ah, bem, eu poderia ter.
— Você também pode ser uma psicopata, uma serial killer, ser contra relacionamentos, ou simplesmente não querer sair comigo, são infinitas possibilidades. Eu só precisava fazer uma pergunta. – sorri, eu estava fazendo isso demais por conta dele.
— Sim, eu quero sair com você. – seu sorriso de canto de boca, foi sem dúvida uma das coisas mais sexy que já vi.
— Então, vamos ao museu?
— Ao museu? — perguntei surpresa e ele sorriu.
— Sim, ao museu. Saiba, senhora Taylor, eu não gosto de coisas óbvias e comuns.
— Acho que é perceptível, senhor Blake.
— Ótimo. Sábado, às 15 horas, pode ser?
— Perfeito.
— Onde eu te pego? – levantei a sobrancelha mais uma vez.
— Por acaso você é um assassino de mulheres e pediu meu endereço para me matar? – ele sorriu e piscou.
— Acho que você vai ter que descobrir. – o encarei por alguns segundos e peguei um guardanapo.
— Nesse endereço. — escrevi o endereço do meu apartamento, além do meu celular.
— Tudo bem. — ele pegou outro guardanapo e anotou o celular dele. — Eu te ligo para confirmar.
— Estarei esperando. — falei. Logan bebeu seu chocolate em uma golada só, pegou seu livro, sorriu e piscou pra mim antes de sair.
Assim que ele fechou a porta, encarei o Central Park para repassar na minha mente o que tinha acabado de acontecer. Não era possível que eu tinha acabado de marcar um encontro com um cara perfeito. Parecia um dos meus sonhos loucos depois que eu bebo muito refrigerante vendo uma comédia romântica adolescente. Enquanto pensava, minha mente apitava para um fato incontestável, eu não poderia ter um novo relacionamento. Eu sou o tipo estúpido de garota que não tem o menor equilíbrio quanto estou apaixonada, esqueço todas as minhas prioridades, e no momento escrever meu livro deveria ser minha prioridade. Foi aí que eu tive uma ideia, que tinha muitas chances de dar errado, mas era o melhor que eu tinha no momento.
Logan Blake sentia que estava diante de uma enorme aventura, embora não soubesse nem o nome dela. Agora eu já sabia sobre o que escrever.
>>o
— Sim, estou em casa. Vem pra cá agora! Tenho que falar com você. – mesmo sem poder ver, eu sabia que Katie franzia a testa.
— O que aconteceu? — perguntou ela curiosa
— Tenho coisas pra te contar, e é importante.
— Tem haver com o seu livro?
— Também. Vem logo! — falei e ela riu, desligando o telefone.
Katie morava dois andares acima do meu apartamento e provavelmente, chegaria em menos de cinco minutos. Eu queria estar no escritório escrevendo minha história, mas não conseguia fazer isso sem antes contar tudo para ela. Bateram na porta assim que desliguei o forno onde eu estava fazendo o jantar, e eu já sabia que era Katie. Ela não perderia uma boa história por nada.
— Pode contar tudo. — começou antes mesmo de entrar na minha casa.
— Comecei a escrever a minha história. — falei animada. Katie sorriu, mas o seu olhar demonstrava decepção (mas ela não sabia que o melhor ainda estava por vir).
— Estou feliz por você, Emily. Quando começou? — perguntou sentando no sofá.
— É aí que começa a história que eu quero te contar. Eu estava na Coffee Time, bebendo uma bebida quentinha, com a playlist acústica do Spotify tocando no fone de ouvido e o notebook aberto...
— Isso não é um livro, Emily. Não precisa descrever a cena. – revirei os olhos
— A descrição de cena é importante para se entender o contexto da história.
— Mas eu gosto da versão curta das histórias. – suspirei.
— Pois bem, eu estava sem inspiração quando eu vejo sentado na minha frente o meu personagem. — falei e Katie me encarou confusa.
— Como é?
— Katie, ele era exatamente igual o personagem que eu tinha imaginado. Cabelo castanho bem claro, olhos cinza desconcertantes, pele morena, sorriso absurdo, sério, Katie, você nunca viu um sorriso como aquele.
— E você encontrou esse cara na Coffee Time? — perguntou numa mistura de desconfiança e surpresa, e claro uma pitada de curiosidade.
— Sim. Eu comecei a encará-lo surpresa, depois ele me encarou de volta e por fim, ele veio sentar na minha mesa.
— E qual foi a coisa brilhante que você disse?
— Não tive a oportunidade de falar nada, porque ele veio logo me perguntando por que eu estava o encarando.
— Desse jeito insolente?
— Não, de um jeito lindo. – Katie revirou os olhos.
— Isso foi nojento, mas enfim, continue a história.
— Nós conversamos um pouco, ele disse que seu nome era Logan Blake, fora outras coisas como loucura e serial killers...
— Como é?
— Isso não importa, a questão é que ele me chamou pra sair no sábado e eu aceitei.
— Você contou essa história toda só pra falar que vai sair com um cara lindo?
— Em primeiro lugar, ele não é só lindo, ele tá mais para Adônis. Segundo lugar, não é só isso. Eu tive uma ideia.
— Isso nunca é bom. — perguntou um pouco receosa.
— Eu não posso sair com ninguém de verdade até acabar esse livro porque eu não posso me distrair e caras lindos me distraem. Então eu vou oferecer a ele uma proposta. Podemos fazer coisas de casal, se beijar e tudo mais por um ano até eu terminar meu livro e em troca eu dou uma parte do dinheiro do livro pra ele. — falei e Katie piscou.
— Não entendi. Você vai sair com ele porque não pode sair com ninguém?
— Mais ou menos. Eu vou usá-lo para escrever meu livro. Vamos sair e viver pequenas aventuras para que eu possa escrevê-las em um livro. – Katie piscou algumas vezes e ficou me encarando em um silencio mortal.
— Você está falando sério?
— Claro que sim. Eu não posso deixar o personagem principal da minha história sair de perto de mim, mas também não posso me envolver com ele. Então eu vou usá-lo até terminar o livro. Depois que eu terminar, quem sabe, a gente não tenha alguma coisa?
— Caramba, Emily, que ideia brilhante. Não tem como dar errado. – da sua fala pingava sarcasmo.
— Você pode ser mais otimista, por favor?
— Isso é impossível. Porque a sua ideia é usar o cara por um ano.
— Não vou usá-lo, vai ser um acordo, Katie. Eu vou pagar.
— Ah claro, você não vai usá-lo. Você vai pagar, como uma prostituta. — revirei os olhos.
— Katie!
— Isso não vai dar certo. E é loucura. O cara te chamou pra sair e você vai oferecer dinheiro pra ele. – sentei no sofá ao seu lado.
— Você acha mesmo que vai dar tudo errado?
— Óbvio. Porque você vai acabar percebendo que está se apaixonando quando ele for embora, e ele não vai gostar de você. Isso é doideira e clichê. É uma mistura de Uma Linda Mulher ao contrário, só que é claro, esse tal de Logan não é prostituto. Ou é?
— Katie! Presta atenção, se liga. Isso não é um livro e nós vamos ao museu. — falei e ela revirou os olhos.
— Em um encontro?
— Ele é meio diferentão.
— Então quem sabe ele não aceita esse seu plano maluco?
— Katie, eu sei que parece ser louco, mas eu não posso ter um namorado agora, não quando a minha vida está uma loucura...
— Então não tenha. Ignore esse ser, e volte ser a surtada de antes.
— Não posso porque ele me deu inspiração para escrever. Eu tenho que usá-lo para fazer da minha história um best-seller.
Katie levantou, pegou o celular e começou a discar um número me deixando confusa.
— Pra quem você está ligando? — perguntei.
— Para o hospital psiquiátrico, você precisa ser internada urgentemente. – eu não pude deixar de rir pegando o celular da sua mão.
— Deixa de ser ridícula, vai dar tudo certo. Quando você conhecê-lo vai entender porque eu tenho que ter ele por perto.
— Quando acontecer todo o clichê, eu vou ser a pessoa que vai falar o famoso "eu te avisei".
— Não vou discutir mais com você. Venha comer a minha deliciosa macarronada italiana.
— E eu tenho escolha? — falou sentando na bancada da cozinha.
>>o
Quando Katie foi embora, ela me deu o que pensar. E se o que eu estava fazendo era loucura? E se tudo isso fosse maluco demais para ser feito? E se no final acontecesse o clichê? E a gente ainda estava em Nova York. Eram perguntas demais para as quais eu não tinha resposta, mas mesmo assim eu tinha que arriscar porque eu precisava de um livro maravilhoso, de uma história nem tão inovadora, de um romance digno de Nicholas Sparks (mas sem todo aquele drama). Sentei no meu escritório e continuei digitando enquanto eu colocava a minha playlist nova pra tocar. Por um tempo, eu fechei os olhos e visualizei Logan novamente, o jeito que ele fechava ligeiramente os olhos enquanto sorria, o olhar avaliativo que ele lançava, e a sua voz séria e ao mesmo tempo meio rouca. Digitei até ás três da manhã sem parar, e o primeiro capítulo estava pronto. Eu abri um sorriso involuntário diante das primeiras páginas do meu romance, repito: meu romance. Eu nunca mais ia parar de rir.
Fale com o autor