O Best Seller de Emily Taylor
2 Capítulo 2
Eu estava tão empolgada que resolvi não ir pra faculdade pra conseguir escrever. Eu já estava no capítulo 3 e estava muito orgulhosa do resultado, tudo estava caminhando como o esperado e só uma coisa me preocupava: Logan Blake. Passei o dia todo a base de café ouvindo as melhores músicas românticas da história. Mesmo pensando bastante no que escrever, eu não sabia se o Logan iria aceitar, eu só conseguia pensar na cena de Uma Linda Mulher. E para o meu choque, no momento que eu estava quase desistindo dessa ideia insana, meu celular tocou.
— Alô?
— Olá, Emily Taylor. — na hora meu coração deu um salto.
— Logan Blake.
— Como você está?
— Muito bem e você?
— Perfeitamente bem. Eu queria confirmar o encontro de amanhã.
— Confirmado.
— Ótimo. 15 horas, tá? — sorri.
— Tá bem. Voce vai passar aqui não é?
— O plano é esse.
— Eu espero que você não seja um serial killer.
— Eu também. — e desligou. Como eu poderia me afastar desse garoto? Ele era aparentemente perfeito.
>>o
Contrariando todo o meu bom senso, eu convidei a Katie para jantar comigo e conversar sobre o que eu poderia fazer para resolver essa situação.
— Desistiu da ideia do prostituto? — revirei os olhos.
— Katie, por favor.
— Desculpe, foi mais forte do que eu. Pois bem, em que situação estamos?
— Eu não sei como fazer essa história dar certo. Pela primeira vez eu estou conseguindo escrever, Katie, a história está mesmo fluindo e foi o Logan que me deu essa inspiração. Não posso mandar minha Mona Lisa para longe.
— Pois bem, conte a verdade pra ele.
— Como é?
— Emily, se ele é tão perfeito como você diz, talvez ele aceite.
— Não acho que vai dar certo.
— E pagar daria?
— Não sei, só que...
— Emily, você não tem escolha. Não pode simplesmente começar um relacionamento com uma pessoa baseado em uma mentira. Ninguém decente brinca com os sentimentos de alguém assim.
— Tudo bem, Katie, já entendi. Falar a verdade.
— A verdade.
— Isso não será fácil.
— Acredite em mim, é melhor do que pagar. — sorri.
— Esquece essa história.
— Nunca. É o meu dever como melhor amiga lembrar você dessa loucura para que nunca mais você tenha uma ideia absurda dessa.
— Agora eu estou ansiosa com esse encontro. Antes eu só pensava no livro, mas agora eu...
— Ei, relaxa aí. Você já teve encontro antes, princesa do drama.
— Mas esse é diferente, Katie. Tem muita coisa em jogo.
— E você vai para um museu. Fala sério, quem vai em um museu no primeiro encontro?
— Pessoas intelectuais.
— Você não é uma pessoa muito intelectual. — dei de ombros.
— Claro que sou, eu faço Literatura Inglesa. — Katie sorriu.
— O fato de gostar de ler não te faz uma pessoa intelectual.
— Talvez eu aprenda um pouco mais com meu personagem.
— Pessoa, Emily. Não esqueça que o Logan é uma pessoa.
— Sim, pessoa. — Katie me olhou preocupada.
— Presta atenção até onde você vai com essa história. O Logan é um cara real, com sentimentos, família, trabalho, faculdade, essas coisas. Vida real.
— Sim, eu sei...
— Mas você esquece.
— Não vou esquecer.
— Acho muito bom, já tem coisas demais para darem errado.
>>o
Acordei com uma dor de cabeça e decidida a ficar mais alguns minutos na cama, mas eu tinha um encontro e precisava fazer muita coisa antes de 15 horas. Sentei para tomar um suco com pequenos pãezinhos integrais e digitar o artigo que eu tinha que postar no domingo, como eu já tinha começado a escrevê-lo, não foi muito difícil. Depois corri para o mercado para comprar algumas coisas que estavam faltando no apartamento (lembra o que disse sobre morar sozinha?), no final só deixei as compras em casa e fui correndo para o salão. Eu já tinha marcado de fazer o cabelo e não queria perder a hora. Cheguei ao salão em cima da hora, mas me permiti relaxar. Dei total liberdade para a Megan brincar com o meu cabelo, era minha fada madrinha das madeixas. Coloquei o fone de ouvido e fechei os olhos, só abri quando ela terminou.
— Megan, ficou incrível. – ela deixou bem cabelo bem mais curto e com um volume que não existia antes. Meu cabelo era não muito liso e castanho escuro.
— Só fiz o meu trabalho.
— E fez muito bem. Obrigada de coração.
— Sempre que precisar.
Ainda fiz a unha e a sobrancelha antes de ir embora. Eu estava cada vez mais ansiosa e não sabia como lidar com isso, nunca tinha acontecido comigo antes. Resolvi cozinhar para relaxar, eu até pensei em fazer uma comida mais light, mas eu precisava mesmo era de uma lasanha. Levei um tempo maior preparando, mas valia a pena.
Quando eu finalmente parei, me permitir pensar no que dizer pra ele e como dizer. Eu o imaginava totalmente diferente de todos os garotos que eu já tinha conhecido e isso me deixava... inquieta. Não consegui parar por muito tempo, era hora de escolher a roupa. Eu ia acabar explodindo.
>>o
Estava quase na hora, faltavam exatos 10 minutos para às 15 horas e eu estava praticamente pronta. Me olhei no espelho: saia, meia calça, coturno e sobretudo preto, apenas com blusa e moletom liso vermelho, soltei o cabelo e coloquei uma touca, finalizei com os óculos de leitura e a luva, eu me sentia pronta para ir ao museu. Passei perfume e fechei a bolsa no momento que a campainha tocou, respirei fundo e a abri com um sorriso.
— Emily Taylor.
— Logan Blake. — ele estava estonteante. Seu calça jeans era escura, sua blusa era cinza com uma blusa branca que aparecia por baixo, seu casaco preto e touca também cinza. Ele parecia um modelo da coleção de inverno. E seu sorriso... nossa!
— Você está linda.
— Obrigada.
— Você fica bem de óculos.
— Costumo usar só para ler e escrever, mas achei apropriado para um museu. — ele sorriu.
— Perfeitamente. Vamos? — ele me ofereceu o braço e eu prontamente aceitei.
— Vamos andando?
— Eu gosto muito de andar por Nova York, mas se não quiser podemos pedir um táxi.
— Não, tudo bem. Eu também gosto de andar por aqui.
— Pois bem. Diga-me, senhora Taylor, você faz faculdade?
— Faço Literatura Inglesa.
— Isso explica a sua expressão de concentração na cafeteria.
— Eu estava escrevendo. — ele sorriu.
— Escrevendo o quê? — eu pensei se deveria contar logo o que eu estava pretendendo, mas achei melhor esperar um pouco mais.
— Meu primeiro romance. — Logan me olhou surpreso.
— Sério?
— Sim, tenho até o final do ano que vem para entregar para a editora.
— E é isso que você quer? Ser escritora?
— É o que eu mais quero. E você? Faz faculdade de quê?
— Direito. — e foi a minha vez de olhar surpresa.
— Sério?
— Por que a surpresa?
— Não era meu primeiro palpite.
— O que você pensou?
— Não sei. – O que caras lindos fazem? – Modelo, talvez.
— Com certeza não. – falou com um sorriso.
— Seu pai é advogado, ou algo do tipo?
— Não, meu pai é escritor. — arregalei os olhos.
— Escritor?
— Sim, e minha mãe é estilista. — arregalei os olhos mais ainda.
— Não está falando sério.
— Sim, eu estou. Não gosto muito de contar isso para as pessoas, não é algo muito comum.
— Não é nada comum, mas é fascinante. — ele sorriu.
— De certo modo.
— Mas por que Direito?
— Quero diminuir o tamanho de injustiças cometidas por quem deveria representar a justiça americana.
— É uma frase pronta? – ele riu.
— Você não tem ideia da frequência com falo isso.
— Mas não deixa de ser... altruísta. – ele deu de ombros.
— E por que quer ser escritora?
— Quero tocar o coração das pessoas. Quero fazê-las sentir algo verdadeiro.
— E isso não é de certo modo altruísta também?
— Acho que sim. De certo modo. – toda vez que ele sorria, meu coração dava um salto e minha consciência implorava pra deixar esse lance de não se envolver pra lá.
— Acabei de me ligar que não perguntei a sua idade, talvez eu esteja cometendo pedofilia nesse momento. — sorri.
— Isso não é possível já que eu faço faculdade.
— Você podia estar mentindo pra mim. — dei de ombros.
— Posso mentir a idade também.
— Justo, estou pensando seriamente em pedir seu documento.
— Precaução nunca é demais. – peguei minha carteira de motorista e o entreguei.
— Seu nome é Emily Bryan Taylor. Interessante. Tem 20 anos, e olha só, é de Seattle.
— Sim, eu sou. E o seu documento, onde está? – ele sorriu e me entregou.
— Los Angeles, hein. Já se acostumou com o frio?
— Nunca. – sorri.
— Logan Edward Blake, 22 anos. Aparentemente não parece um serial killer.
— Se eu fosse você, não abaixaria a guarda.
— Não faria isso. Mas me conta, como veio para Nova York?
— Embora morasse em Los Angeles, vinha muito pra cá por causa da minha mãe. Com todos os desfiles e tal.
— Por isso você se veste tão bem? — Logan abriu um sorriso enorme. Eu acho que nunca ia me acostumar com isso.
— Acho que sim. Agora é automático, mas antigamente o filho de Natasha Blake não andaria por aí com qualquer roupa. — eu parei e ele me encarou surpreso. — O que foi?
— Você é filho de Natasha Blake? — ele deu de ombros.
— O que é que tem?
— Eu amo as coleções dela. Eu simplesmente... espera, se você é filho da Natasha Blake, seu pai é Edward Blake, certo?
— Sim.
— Ah meu Deus, Logan, eu amo os livros do seu pai. — ele sorriu.
— Eu sei, são incríveis.
— Eu estou muito surpresa. Nossa, sua infância deve ter sido fantástica. — Logan fez uma careta.
— Nem tanto. Mas não quero falar disso agora, pelo menos, não no primeiro encontro. E você? Como veio para cá?
— Me mudei pra cá há um ano quando entrei para faculdade, além de que eu precisava estar para os encontros com o pessoal da revista online.
— Para qual revista você trabalha?
— W'Teen. Escrevo artigos para eles toda semana.
— Sério? Minha irmã adora essa revista.
— Ah, você tem uma irmã?
— Sim, de 16 anos. E você, tem irmãos?
— Tenho, um irmão de 29 anos.
— Devo me preocupar? — sorri.
— Sim, ele está atrás de você. Seu eu fosse você não abaixaria a guarda. – ele soltou uma gargalhada.
— Nunca.
— Mas falando sério, ele é casado e tem a família dele, um filho lindo de 1 ano.
— Eles moram em Seattle?
— Não, moram em Connecticut.
— Você os vê com frequência? — dei de ombros.
— Eu via mais quando morava com meus pais, mas ainda não os vi depois que me mudei pra cá.
— Então não conhece seu sobrinho?
— Só por foto.
— Por quê?
— Eu ainda não tive tempo. Com a faculdade, a revista e o meu livro sobra pouco tempo para viajar, sabe? Quando foi a última vez que viu seus pais e sua irmã?
— Semana passada. — senti uma pontada de culpa.
— Ah...
— Eu tive um tempinho e resolvi ir pra lá, mas com certeza eu faço menos coisas que você.
— Fala sério, você estuda Direito. — ele sorriu.
— É uma faculdade superestimada.
Logan parou e foi só então que eu percebi onde estávamos, não pude deixar de sorrir.
— O museu que nós vamos é o Madame Tussauds? – ele sorriu.
— Sim, o melhor museu de cera do mundo.
— Cara, de onde voce saiu? – ele deu uma piscadela de leve.
— Los Angeles. Agora vamos.
Como todo museu de Nova York, ele é cheio. Muito cheio. Turistas do mundo todo fazem fila para tirar fotos com seu personagem e artista preferido. Logan pegou a minha mão e foi me guiando para tirar fotos de praticamente tudo. Tirei uma foto com meu querido E.T, com os Beatles, Angelina Jolie, Barack Obama e outros. Tirei todas as fotos possíveis naquele lugar, fora algumas que tirei com o Logan (ressalto aqui que todas as mulheres do museu olharam para ele pelo menos uma vez, o que me dava mais certeza de que ele era a pessoa certa para o meu livro).
— E então, o que achou? – perguntou.
— Eu amei de todas as formas possíveis. Sério, mesmo.
— Que bom. Você já o conhecia?
— Não, ainda não. Mesmo estando há um tempo em Nova York, eu não saí muito.
— Bom, o ponto positivo é que eu posso te levar há vários lugares por aqui que vão ser novidades pra você.
— Isso é verdade.
— Pois bem, gostaria de comer? Ou talvez beber um café?
— Leu a minha mente.
— Mas já? Achei que eu fosse demorar mais pra conseguir esse feito.
— Não precisa ficar se gabando, é muito fácil saber que eu quero café no frio.
— Um homem pode sonhar não é? – não pude deixar de sorrir.
— Cofee Time? – Logan fez uma reverência.
— Primeiro as damas.
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