O Barman
2 Capítulo 2
Notas iniciais
QUARTO DE LLOYD
Diferente de muitos dos funcionrios do Hotel Overlook que moravam no povoado localizado no pé da montanha, Lloyd tinha seus aposentos no hotel. Eram acomodações humildes. Quarto, sala e cozinha em um único cômodo, sem divisórias. A única dependência separada era um pequeno banheiro. O lugar era pequeno, mas extremamente limpo e organizado.
Naquela noite, Bonnie aceitou o convite do barman para descansar no seu quarto. No momento em que os dois entraram, ele disse.
LLOYD
- Não é exatamente o tipo de quarto a que você esta acostumada, mas dá para descansar.
BONNIE
- Você não sabe o tipo de quartos em que já dormi, Lloyd (diz com amargura na voz).
LLOYD
- Se estiver com sede, eu tenho suco na geladeira.
BONNIE
- Obrigado, mas não.
LLOYD
- Tudo bem então. Nós vamos fazer o seguinte. Você dorme na cama, e eu na poltrona. Não se preocupe quanto ao colchão, é bem confortvel.
BONNIE
- Lloyd, eu não posso...
LLOYD
- Por favor, não discuta.
BONNIE
-Tudo bem. Como quiser.
Lloyd arrumou a cama para Bonnie, lhe dando lençóis limpos, e depois se acomodou como pôde na poltrona. Não demorou muito, e o barman caiu no sono.
Ele sonhou que estava no Salão Dourado durante um baile, servindo as bebidas. Gienelli chegava e lhe pedia um drinque. Lembrando-se do que o desgraçado fizera com Bonnie, o Barman pegava uma garrafa rotulada como Acido Sulfúrico debaixo do balcão, e servia uma dose em um copo para o italiano. Gienelli bebeu sorrindo, mas logo começou a tossir. Uma fumaça avermelhada começou a sair de sua boca, enquanto ele se levantava, levando as mãos a garganta. Ele se ajoelhou, e vomitou sangue. Nenhuma das pessoas em volta parecia preocupada com o ocorrido, e continuavam bebendo e conversando. Gienelli olhou para Lloyd com os olhos saltados, e regurgitou uma grande quantidade de sangue e pus pela boca.
Lloyd abre os olhos soltando uma pequena exclamação. Ele olha para frente, e percebe que Bonnie esta sentada na cama, olhando para ele.
BONNIE
- Sonho ruim?
LLOYD
- No sei. Eu não lembro (mentiu ele).
BONNIE
- Você parece tenso (diz ela se levantando e andando até atrás da poltrona). Eu sei fazer uma boa massagem (ela coloca as mãos nos ombros do barman e começa a massage-los).
LLOYD
- Bonnie (diz ele sentindo as mãos delicadas dela passearem pelos seus ombros), eu não acho que seja uma boa idia.
BONNIE
- E por que não?
LLOYD
- Eu não quero que você pense que eu a trouxe pra cá para...
BONNIE
- Ter alguma coisa comigo? (Sussurrou ela em seu ouvido)
LLOYD
- ... Algo assim.
BONNIE
- Eu sei quando algum homem me leva pra algum lugar com segundas intenções, Lloyd. E este não é o seu caso.
LLOYD
- Fico feliz que saiba disso.
BONNIE
- A questão Lloyd é que eu quero você (Diz ela se inclinando, e lhe beijando a boca). Por que não vêm pra cama comigo? (ela contorna a poltrona e pega a mão dele).
LLOYD
- Bonnie, eu gosto de você. Mas você não precisa fazer isto.
Ela olha no fundo dos olhos dele, com seus olhos verdes, e um discreto sorriso.
BONNIE
- Lloyd, há mais de um ano eu não faço isto por que eu quero. Mas esta noite é diferente. Eu quero, Mas se você não quiser, eu vou entender.
Os dois se encararam em silêncio, e sem dizer mais palavra alguma, o Barman levantou-se da poltrona, e com Bonnie, foi para a cama.
ALGUMAS HORAS DEPOIS
Lloyd e Bonnie estavam deitados na cama, abraçados. Ele esta sem camisa, enquanto ela esta coberta com os lençóis. O Barman ostentava um sorriso bobo no rosto.
BONNIE
- Foi muito legal (diz ela sorrindo).
LLOYD
- Aquele italiano maldito não te merece.
BONNIE
- Vittorio Gienelli não merece muita coisa, o que nunca impediu que conseguisse. E eu tambem não sou nenhuma santa, Lloyd.
LLOYD
- Não importa. No vou mais deixar que ele machuque você.
Bonnie ri diante da afirmação.
BONNIE
- Lloyd, nós tivemos uma noite ótima, mas melhor eu ir indo (diz ela esticando o braço e pegando o sutiã no cho). Eu gostei mesmo de você, por isso melhor você não se meter com o Vittorio.
LLOYD
- Gente rica não me intimida.
BONNIE
- Vittorio não é só rico. Ele é um dos mafiosos mais perigosos deste país.
LLOYD
- Um mafioso? (Surprendeu-se ele) Mas como você foi se meter com ele?
BONNIE
- Eu namorava um dos capangas dele, Arnold (diz ela se levantando da cama, e começando a se vestir). Ele logo se interessou por mim e comeou a me cantar. Quanto ao pobre Arnold, acabou sofrendo um acidente (Ela deu um riso amargo). Acidente, que besteira. Vittorio obviamente estava lá pra me consolar. A verdade Lloyd, é que eu vendi minha alma ao diabo. Em troca da boa vida e de conforto, eu me tornei dele. E acredite, não há como voltar atrás.
LLOYD
- Talvez possamos encontrar um jeito de...
BONNIE
- No seja estúpido! Não há jeito, Lloyd (diz ela abotoando o vestido). Não há como se meter com Vittorio Gienelli sem alguêm acabar morto. Como eu disse, foi muito legal, mas acho melhor terminarmos por aqui.
LLOYD
- Eu... Eu acompanho você até o salão (diz começando a se levantar)
BONNIE
- Você não vai se arriscar mais do que já se arriscou (fala ela terminando de se vestir). Alguêm pode nos ver juntos esta hora, o que não seria bom. Eu conheço o caminho (ela se inclina, e planta um beijo na face do homem). At qualquer dia, Lloyd. Você foi muito gentil.
Ela lhe deu as costas, abriu cuidadosamente a porta do quarto, e saiu para o corredor.
SALÃO DOURADO: DUAS SEMANAS DEPOIS
Mais uma vez, Bonnie Bordeaux deixara o Hotel Overlook juntamente com Vittorio Gienelli. A principio, o Barman tentou tirar a garota da sua cabeça e se concentrar no trabalho, mas quanto mais tentava afastar a lembrança da noite que passou com Bonnie de sua mente, mais ela lhe vinha á memria.
Naquela noite, mais um dos suntuosos jantares do Overlook tinha lugar no Salão Dourado. Lloyd estava tão atarefado que foi obrigado a esquecer qualquer outro problema que pudesse ter, e dedicar toda sua concentração ao trabalho. Como já era de praxe nestes jantares, logo Charles Grondin apareceu para tomar drinques com hospedes importantes, embora desta vez, tenha ido ao balcão apenas depois do horário de maior movimento. O gerente vinha acompanhado de dois homens. Um já idoso, exibindo um bem aparado bigode grisalho, e cabelos muito bem penteados. O outro homem era um rapaz mais jovem, de cabelos pretos, e barba muito bem cortada.
GRONDIN
- Boa noite Lloyd, como vai? Três Bourbons com gelo, por favor.
O Barman repetiu aquele gesto já tão conhecido seu, coletando os copos dentro do balcão, para em seguida pegar a garrafa de Bourbon, e depositar uma dose do liquido em cada um dos copos. O velho que acompanhava Grondin pegou o seu copo, e depois de dar um gole, sorriu para o gerente, dizendo com sotaque italiano.
PUZO
- Excelente Bourbon este o seu, Charlie. Excelente Bourbon.
Aquele sotaque italiano soou como um arranhar de quadro negro nos ouvidos do Barman. Tudo que ele não queria ver agora era um italiano. Mas ele sabe que um bom profissional não deixa os sentimentos pessoais interferirem em seu trabalho, e não demonstrou qualquer emoção.
Quando os três se foram, Lloyd guardou a garrafa de Bourbon atrás do balcão, e ao se levantar, reparou que Brad Crowe, o homem com quem conversara outra noite, estava sentado em frente ao balcão, olhando para ele.
BRAD
- Ola Lloyd, amigo velho! (Saudou com entusiasmo)
LLOYD
- Sr. Crowe, que bom revê-lo. Então, o que vai ser?
BRAD
- O que o cavalheiro italiano estava bebendo?
LLOYD
- Bourbon com gelo, senhor.
BRAD
- Boa escolha. Vou querer um.
Lloyd realizou o velho ritual, colocando o copo diante de Brad, e servindo-lhe uma dose da bebida.
BRAD
- Então Lloyd, como ficou o seu flerte com aquela linda moça na outra noite?
O Barman lançou um olhar de censura para o homem.
LLOYD
- Creio não saber do que esta falando, senhor.
BRAD
- Perdão, Lloyd. Como sempre acabei sendo indiscreto. é que ao observar aquele cavalheiro italiano,acabei me lembrando da moça e de seu companheiro. Nino Puzo é o nome dele, e assim como o companheiro da moça, ele tambem italiano, e... Bem, você sabe... Seus negócios não so exatamente lícitos.
LLOYD
- O senhor esta me dizendo que o senhor Puzo ...
BRAD
- O que acha que é este lugar, meu amigo? Você sabe que o velho Charles Grondin e companhia estão falidos. Acha que mesmo com as diárias exorbitantes deste hotel, ele conseguiria se manter? Não, com certeza não. Por isso o bom Sr. Grondin arranjou outra fonte de lucro, e transformou o Hotel Overlook em um ponto de encontro da máfia. Digamos que o Salão Dourado funciona como uma espcie de zona neutra.
LLOYD
- Zona Neutra?
BRAD
- Muitos destes mafiosos se odeiam, mas o crime organizado não é chamado assim á toa. s vezes, eles devem colocar as diferenas de lado, e se reunir para estabelecer as regras do jogo deles. Claro que isto não muda o fato de gente como Nino Puzo e Vittorio Gienelli estarem loucos para matar um ao outro.
Do outro lado do balcão, um homem já meio embriagado se senta, e chama pelo Barman.
HOMEM
- Barman, me serve um copo de cerveja.
LLOYD
- Agora mesmo, senhor.
Lloyd foi até o cliente, e serviu-lhe o copo de cerveja, o qual o homem bebeu metade em um gole só. Ao olhar para o outro lado do balcão, o Barman percebe que Brad Crowe se foi, mas deixou o copo de Bourbon intocado no balcão.
QUARTO DE LLOYD: MAIS TARDE
Naquela noite, Lloyd Turket não conseguiu dormir, pensando no que Crowe lhe contara. Então Nino Puzo, um mafioso perigoso, detestava Vittorio Gienelli. O Barman sabe que Bonnie tem razão quando diz que ele não pode fazer nada contra Gienelli, mas alguêm como Puzo com certeza pode.
SALÃO DOURADO: TRS SEMANAS DEPOIS
Lloyd sabia que só um homem era capaz de sanar as suas duvidas, e este homem era Charles Grondin. Mas por mais ansioso que estivesse para fazer ao gerente as perguntas que queria, O Barman sabia que deveria esperar o momento certo, para não gerar uma situação que crie desconfiança no chefe. Este momento apareceu em uma noite mais calma, quando Grondin veio sozinho ao bar do Salão Dourado.
GRONDIN
- Boa Noite, Lloyd.
LLOYD
- Boa Noite, Sr, Grondin. Então, o que vai ser?
GRONDIN
- Uma boa taça de vinho, Lloyd, por favor.
LLOYD
- Como queira.
Lloyd serve a taça de vinho ao gerente, que degusta o liquido lentamente.
GRONDIN
- ótimo vinho esse, Lloyd.
LLOYD
- italiano, senhor. Creio que por isso muitos hospedes gostam dele.
GRONDIN
- verdade (diz Grondin rindo do comentrio). A italianada é freqente por aqui, Lloyd.
LLOYD
- Mas são todos cavalheiros muitos distintos, Senhor. Como o Sr. Puzo, por exemplo.
GRONDIN
- verdade. O Velho Nino é mesmo uma pessoa muito legal. Pena estar passando por um momento difícil.
LLOYD
- Momento difícil, Senhor?
GRONDIN
- Sim, Lloyd. O coitado perdeu a filha mais nova recentemente em um assalto em Denver. A coitadinha foi baleada (diz terminando a taça de vinho).
LLOYD
- Aceita mais uma dose, senhor?
GRONDIN
- Por que não? (diz animadamente estendendo o copo)
Lloyd lhe serviu mais uma dose.
LLOYD
- Mais alguns destes italianos não parecem gostar um do outro, Senhor. O Sr. Gienelli e o Sr. Puzo são um exemplo.
GRONDIN
- Você não faz idéia. Os dois se detestam. Pra você eu acho que posso falar, Lloyd. É o melhor Barman que eu já conheci. Daqui até Portland, Maine. Aqueles dois são inimigos mortais nos negócios. Vivem disputando território pelo estado inteiro. Eles têm um acordo de paz, mas a verdade é que um acordo bem frágil.
LLOYD
- Entendo. Mais um gole senhor?
UM MÊS DEPOIS
Lloyd Turket agora sabia que se existia alguêm que poderia tirar Gienelli do seu caminho, este alguêm era Nino Puzo. Precisaria esperar pela próxima visita de Puzo ao Overlook para entrar em contato com ele de alguma forma. Mas precisava agir com cautela, afinal era apenas um barman, e Puzo deveria ser um homem desconfiado. Lloyd aproveitou o tempo para pesquisar em jornais na biblioteca do povoado localizada perto do Overlook sobre o assassinato de Sofia Puzo, a filha de Nino Puzo. Um mês depois da conversa com Grondin, Nino Puzo estava de volta ao Hotel Overlook juntamente com seu filho.
Na primeira noite em que desceu para jantar, Lloyd não teve chance de falar com o mafioso. A chance veio na noite seguinte. Ele veio juntamente com o filho, e fez um pedido. Não havia ninguêm por perto do balcão.
PUZO
- Duas taças de vinho, por favor.
LLOYD
- Em um instante, Sr, Puzo.
O barman serviu as bebidas para os dois hospedes.
LLOYD
- Sr. Puzo, eu gostaria que soubesse que sinto muito pela sua filha.
Puzo imediatamente para de beber, e pousa o copo em cima da mesa, fitando o barman com olhos atentos.
PUZO
- O que disse, rapaz?
LLOYD
- Que sinto muito pela sua filha, senhor. Na minha opinião, filhos nunca deveriam morrer antes dos pais.
PUZO
- Você fala muito para um Barman (diz com uma raiva mal disfarçada).
LLOYD
- Sinto muito se estou sendo intrusivo, senhor (Diz tentando escolher bem as palavras). Mas em minha profissão acabamos ouvindo coisas. O senhor conhece o provérbio, não? A bebida entra, a verdade sai.
PUZO
- E o que você ouviu, Barman?
LLOYD
- Não creio que seja um assunto pra ser discutido aqui, Senhor. Mas tem a ver com sua falecida filha... E com o Sr. Vittorio Gienelli.
O filho de Puzo deu um passo á frente, mas o pai o parou com um aceno de mão. Apesar de aparentar calma, Lloyd reparou que Nino Puzo estava com os punhos cerrados.
PUZO
- Que tal nos encontrar depois do seu expediente? Atrás do Hotel parece um bom lugar. O que me diz?
LLOYD
- Estarei lá, Sr. Puzo.
LADO DE FORA DO HOTEL: ALGUMAS HORAS DEPOIS
Lloyd Turket esperava do lado de fora do hotel, vestindo um casaco, devido ao vento frio de outono. O nervosismo toma conta do Barman. Sabe que agora já foi longe demais para desistir, mas era impossvel não sentir medo lidando com pessoas tão perigosas como os Puzo. Lloyd tem seus pensamentos interrompidos quando uma voz o chama.
CAPANGA
- Ei Barman. Aqui.
Lloyd se virou, e viu um homem usando paletó e gravata. Ele era grande, e aparentava ser bastante forte.
LLOYD
- Veio a mando do Sr. Puzo?
CAPANGA
- Exatamente. Agora me acompanhe, por favor.
O Barman andou até onde o capanga estava, mas subitamente, dois outros homens saltaram da escuridão, e envolveram o seu corpo até a altura da cintura com um saco plástico. Lloyd começa a se debater, mas é jogado com força contra a parede. Uma mão agarra sua cabeça e a pressiona contra a parede.
CAPANGA
- Isso pode ser feito do jeito fácil ou do jeito difícil, meu amigo. Se quiser o jeito fácil, recomendo que fique quietinho.
Lloyd parou imediatamente de se mexer, deixando o corpo mole como o de um boneco de pano. Sentiu alguêm agarrar suas pernas e ergue-las no ar, as ensacando tambem. Então sentiu sendo-se posto no ombro de alguêm, e começar a ser carregado, tal como um saco de batatas.
Por alguns minutos tudo o que Lloyd viu foi a escuridão, e tudo o que ouviu foram os passos de seus captores. O medo invadiu-lhe a mente. Deve ter ofendido Nino Puzo de alguma maneira, e agora pagaria caro por isto. Pelo som dos passos dos homens que o carregavam, Lloyd percebeu que haviam deixado o asfalto que circundava o hotel, e que agora estavam na floresta. Neste momento, teve certeza que havia cometido um grande erro, e que iria morrer por isto.
Foi quando sentiu seu corpo ser posto em um lugar macio, como uma poltrona. O som de uma porta de carro batendo se fez ouvir.
PUZO
- Pode descobri-lo (disse a voz do Sr. Puzo).
Lloyd tem subitamente o saco plástico arrancado do seu corpo. Nino Puzo o encara sentado em um banco de couro, tendo o filho a seu lado.
PUZO
- Ola Barman. Espero que sua viagem até mim não tenha sido tão truculenta.
LLOYD
- Isso era mesmo necessrio?
PUZO
- Pra não restar duvidas de que caso você tenha mexido nesta ferida sem uma boa razão, posso fazer você sumir em dois tempos. é dá memória da minha filha que estamos tratando aqui, e levo isto muito a sério. Entendido?
LLOYD
- Sim senhor (responde em voz baixa),
PUZO
- Muito bem, então. Agora me diga qual o seu nome e por que estou ouvindo você.
LLOYD
- Meu nome é Lloyd Turket, senhor. E sei quem foi o responsvel pela morte de sua filha.
PUZO
- Minha filha morreu em um assalto na rua (disse friamente).
LLOYD
- De fato, senhor. Mas o assaltante nunca foi encontrado, não é mesmo? Isso por que não foi um assalto comum, Sr. Puzo. Foi um crime encomendado, e eu sei quem foi o responsvel.
PUZO
- Supondo que esteja falando a verdade, o que ganha com tudo isto, Sr. Turket? Dinheiro?
LLOYD
- Com todo o respeito, senhor, sei que algumas vezes um favor pode ser mais interessante que dinheiro. E ter alguêm como o senhor me devendo um favor me parece muito interessante.
O mafioso fita Lloyd em silencio por algum tempo, e então pergunta
PUZO
- Você citou o nome de Vittorio Gienelli em nossa conversa anterior. Ele teria... (pela primeira vez, Lloyd percebe que a calma de Puzo foi abalada). Teria algo a ver com a morte de minha filha?
LLOYD
- Temo que sim, senhor. Certa noite, o Sr. Gienelli apareceu com um grupo de amigos no bar, e começou a beber sem parar. Começaram a se gabar, citando nomes de homens que nas palavras deles, haviam despachado. Então alguêm lamentou que Gienelli ainda não houvesse conseguido despachar o senhor. O Sr. Gienelli riu, e disse que ainda conseguiria, e que até lá, podia se dar por satisfeito, pois havia feito o senhor chorar no travesseiro ao encomendar o despacho de sua pimpolha, nas palavras dele.
PUZO
- Voc ouviu isto mesmo, Sr. Turket?
LLOYD
- Juro que sim.
Nino Puzo desviou o olhar. O Barman podia jurar ter visto uma lagrima se formar naqueles olhos frios, mas ao olhar de novo não havia nada ali. Logo o mafioso olhou de novo para Lloyd.
PUZO
- Muito bem, Sr. Turket, acredito no senhor. Mas acho que vou lhe dever dois favores.
LLOYD
- Por que, senhor?
PUZO
- Pois vai me ajudar a matar o desgraado do Gienelli!
Notas finais
Quem puder, deixe um review.
Grande Abraço!
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