O Barman

3 Capítulo Final


Notas iniciais
Demorou, mas a quem interessar possa, aqui esta o ultimo capitulo da fic. Espero que gostem.

UM MÊS DEPOIS

Lloyd Turket acreditou que seria simples jogar Nino Puzo contra Vittorio Gienelli e sair de mãos limpas. Os filmes inventam muitas mentiras sobre mafiosos, mas uma coisa é verdade: com a máfia, nunca é simples. Puzo disse a Lloyd que só poderia pegar Gienelli no lugar onde ele era mais vulnerável, e que esse lugar era sua suíte no Hotel Overlook. A tarefa que o Barman recebeu de Puzo não era nada simples. Ele deveria conseguir uma cópia da chave do quarto em que Gienelli sempre se hospedava. Homens de Puzo ficariam de prontidão no povoado no pé da montanha, aguardando o momento certo. Quando este momento chegasse, o Barman deveria avisá-los.

O momento certo chegou uma noite, pouco mais de um mês depois do encontro de Lloyd com Puzo na floresta. O Barman quase deixou uma garrafa cair, quando viu Bonnie entrando de braço dado com Vittorio Gienelli no salão. O casal ocupou uma das mesas próximas do balcão. O italiano não chamou o garçom, como Lloyd pensou que faria, mas se levantou, e dirigiu-se até o balcão.

GIENELLI

- Ola Barman (disse sem olhar direito para Lloyd).

LLOYD

- Ola, Sr. Gienelli. É bom te-lo de volta em nosso hotel. (Disse no tom mais profissional que conseguiu)

GIENELLI

- Engraçado, como sabe meu nome? (perguntou o mafioso agora olhando com atenção para o empregado do hotel).

LLOYD

- Um bom barman deve saber reconhecer hospedes ilustres (responde calmamente). Então senhor, o que vai ser?

GIENELLI

- Um Martini seco pra mim, e uma taça de Champaigne para minha namorada.

LLOYD

- É só aguardar um instante.

O Barman preparou os drinques mais rápido do que de costume, e logo colocou as duas taças diante de Gienelli.

GIENELLI

- Uma gorjeta (Disse depositando algumas notas sobre o balcão).

LLOYD

- Muito amável, senhor (diz recolhendo as notas).

Gienelli se vira para ir para a mesa quando Lloyd o chama.

LLOYD

- Pretende ficar muito tempo conosco, senhor?

GIENELLI

- Não creio que seja da sua conta (responde sem se virar).

Naquela noite, Lloyd uma vez mais ficou observando Bonnie e Gienelli de longe. O casal se retirou cedo. Assim que seu expediente acabou, o Barman ligou para os homens de Puzo no povoado.

LLOYD

- Gienelli esta aqui (disse ao telefone)

HOMEM DE PUZO

- Muito bem, Turket. Já conseguiu a chave do quarto do cara?

LLOYD

- Ainda não. E como eu disse ao Sr. Puzo, eu não sei como...

HOMEM DE PUZO

- Te vira, cara. Lembra que a recompensa é boa. Nós vamos nos hospedar ai amanhã. Você tem que conseguir essa chave antes do Gienelli ir embora, Lloyd. Lembre-se que desperdiçar o nosso tempo é desperdiçar o tempo do Sr. Puzo. E ele detesta que desperdicem o tempo dele.

O fone foi desligado do outro lado da linha.

SALÃO DOURADO: NOITE SEGUINTE

A noite acabara de cair nas montanhas do Colorado. O Salão Dourado acabara de abrir as suas portas. Lloyd esta limpando os copos no bar, quando vê Bonnie entrando. Ela se dirige até o balcão.

BONNIE

- Oi Lloyd. O de sempre, por favor.

LLOYD

- Claro, senhorita (Diz em voz demasiadamente alta)

Enquanto serve o Champaigne na taça, Lloyd fala quase em um cochicho para ela.

LLOYD

- Preciso ver você de novo.

BONNIE

- Não me parece boa idéia (responde sem olhar diretamente para ele).

LLOYD

- É importante pra mim, por favor.

Ela bebe um gole de seu Champaigne, parecendo estar considerando a idéia.

BONNIE

- Tentarei ir ao seu quarto depois do seu expediente, mas não prometo nada.

LLOYD

- Muito obrigado (Diz ele tambem sem olhar pra ela enquanto ela se afasta do balcão)

QUARTO DE LLOYD: MAIS TARDE

Lloyd espera ansioso em seu quarto. Seu expediente já acabou há meia hora, e Bonnie ainda não deu sinal. O Barman começa a ficar nervoso. Subitamente, alguém bate em sua porta. Lloyd abre a porta, e se depara com Bonnie Bordeaux. Esta noite, ela esta com uma saia bem comportada, e uma blusa verde. Ainda assim, o Barman a acha incrivelmente linda e atraente.

LLOYD

- Que bom que pôde vir (diz deixando-a entrar).

BONNIE

- Vim por que achei que te devia isso depois de ter me ajudado naquela noite.

Ele fecha a porta, e a convida a se sentar na poltrona, enquanto ele se senta na cama, de frente para ela.

BONNIE

- E então Lloyd, o que posso fazer por você?

LLOYD

- Eu... Só queria estar com você, Bonnie.

Ela respira fundo, parecendo estar constrangida.

BONNIE

- Olha Lloyd, o que aconteceu entre a gente foi ótimo, mas é melhor não levar isto adiante.

LLOYD

- Se pensasse assim mesmo, você não teria vindo aqui.

Ela desvia o olhar por um instante.

BONNIE

- Você faz eu me sentir bem, Lloyd.

LLOYD

- Então (diz ele levantando-se e indo até ela) o mínimo que você merece é se sentir bem. (Ele envolve as mãos dela nas suas).

BONNIE

- Mas Vittorio...

LLOYD

- Esquece o Gienelli. Eu prometo que ele não vai fazer nada com você.

Bonnie vai dizer algo, mas é calada pelo beijo do Barman. Ela não resiste quando ainda a beijando, ele a envolve nos braços, e a leva para cama.

MAIS TARDE

Bonnie esta dormindo ao lado de Lloyd. Cuidadosamente, ele se levanta da cama, e se veste. Por um instante, ele tem a impressão de que ela vai acordar, mas ela simplesmente se acomoda, voltando a dormir. Ele vai até a bolsa dela, e encontra o que procura, a chave do quarto de Gienelli. Com cuidado, Lloyd deixa seus aposentos, deixando Bonnie dormindo sozinha.

SALA DE JOGOS

A sala de jogos do Hotel Overlook era usada na maior parte do tempo por crianças. Mas quando a noite caía, os adultos que procuravam um local mais silencioso que o Salão Dourado, se refugiavam por lá. Nas madrugadas, era tambem um recanto para os insones depois que o Salão Dourado fechava.

Enquanto se aproxima da Sala De Jogos, Lloyd ouve um ruído que dá minúsculas pausas antes de começar de novo. Quando enfim adentra a sala, o Barman se depara com dois homens disputando uma partida de Pingue Pongue. Ambos eram altos, musculosos e muito bem penteados, mas enquanto um era loiro e de rosto liso, o outro era moreno, e tinha a barba por fazer. Ao perceber a presença de Lloyd, o loiro colhe a bola no ar.

LOIRO

- Estávamos começando a achar que você não vinha mais, Sr. Turket.

LLOYD

- Consegui o que vocês pediram (Diz tirando a chave do bolso).

O moreno se aproxima, e arrebata as chaves do quarto das mãos do barman.

MORENO

- Bom trabalho, cara. O resto é com a gente.

O loiro larga a raquete na mesa, enquanto o moreno dá as costas para o barman. Ambos pegam o que parecem serem caixas para violão, que estavam encostadas na parede.

LLOYD

- Vocês... Vão fazer esta noite? (perguntou quase gaguejando).

LOIRO

- Sim. Vá para a saída da ala leste imediatamente Sr. Turket. E para o seu bem, não se atrase. (Os dois vão embora, deixando Lloyd sozinho).

SUITE DE GIENELLI

Vittorio Gienelli dorme tranquilamente em sua cama. É uma cama enorme, com lençóis de linho, e uma grande coberta para proteger do frio das montanhas. Dois grandes vultos surgem diante da cama de Gienelli. Eles têm o rosto coberto por meias. A dupla esta carregando caixas para violão. Os dois mascarados abrem as caixas, retirando duas metralhadoras de dentro delas. Com o ruído, Gienelli acorda em alerta, e arregala os olhos de terror ao ver o que esta em sua frente.

Gienelli rola para o lado segundos antes de seu colchão ser crivado por balas. Desesperado, o mafioso corre em direção ao banheiro, mas uma nova rajada de metralhadoras é disparada, acertando em cheio as costas do italiano. Sangue espirra para todo lado no momento em que o corpo de Vittorio cai no chão.

A porta da suíte é arrombada, e dois homens entram de armas em mãos. Os mascarados rapidamente se viram e fuzilam os dois, fazendo com que o tiro disparado por um deles se aloje no teto. Os dois atiradores rapidamente guardam suas metralhadoras nas caixas e passam por cima dos dois cadáveres sangrando no chão do corredor. Eles correm para a escada de incêndio, e a descem rapidamente.

Após descerem vários andares em uma velocidade impressionante, os dois homens chegam ao chão, e começam a correr. Eles encontram Lloyd esperando na saída da ala leste, como ordenado. O barman não tem tempo de falar nada, pois um dos mascarados o empurra no chão, e continua a correr. Lloyd Vê as duas figuras sumirem na escuridão. Sem perder tempo, o Barman volta para o hotel. Não entendeu o motivo daquele brusco encontro até apalpar os bolsos. Estava com a chave da suíte de novo.

QUARTO DE LLOYD

O barman entra apressadamente no quarto. Bonnie esta terminando de se vestir, e olha para ele com medo no olhar. Ao longe se podem ouvir gritos e correria.

BONNIE

- O que esta acontecendo lá fora, Lloyd?

LLOYD

- Me escuta, você tem que sair daqui o mais rápido possível. Dia que estava tomando um ar, e que não sabe de nada.

Ele começa a puxá-la para fora do quarto.

BONNIE

- Mas o que aconteceu?

LLOYD

- Gienelli esta morto.

BONNIE

- O que?!

Ele a agarra pelos ombros, olhando diretamente para ela.

LLOYD

- Eu vou explicar tudo depois, mas agora você tem que confiar em mim. Agora vai! (Disse a colocando no corredor, e fechando a porta atrás dela).

MAIS TARDE

Não demorou muito para que Robert Norman, o assistente de Grondin, reunisse todos os funcionários presentes no saguão do hotel. O Detetive Benjamim Moorer foi um dos primeiros policiais no local. Todos os presentes foram interrogados. A sala de gerencia serviu como sala de interrogatório improvisada. Lloyd aguardou ansiosamente, até que enfim Norman o chamou para interrogatório.

SALA DE INTERROGATÓRIO

O Detetive Moorer estava sentado atrás da mesa, lugar normalmente ocupado pelo gerente. O assistente de gerencia sentou em uma cadeira do lado da porta de entrada. O detetive conferiu uma lista que tinha em mãos, sem dar atenção imediata para o barman.

MOORER

- Você é Lloyd Turket, barman daqui, certo?

LLOYD

- Correto, senhor.

MOORER

= O Sr. Norman é o funcionário no comando, Sr. Turket, por que seu gerente, o Sr. Grondin esta viajando, como bem deve saber.

LLOYD

= Sim senhor.

MOODER

- Houve um triplo assassinato aqui esta noite, Sr. Turket. O senhor esta ciente sobre quem eram as vitimas?

LLOYD

- Não senhor.

MOODER

- Um deles era Vittorio Gienelli, mafioso que manda em metade do crime organizado de Las Vegas. Os outros dois eram Benjamim Moorer e Roger Macassi. Pelo que ouvi, eles viajavam junto com Gienelli e cumpriam a função de guarda costas. Os três foram mortos a tiros na suíte presidencial. Você ouviu os tiros, Sr. Turket?

LLOYD

- Infelizmente não, senhor. Eu estava no meu quarto e não ouvi nada.

MOODER

- Depois do seu expediente, você foi direto para seus aposentos e permaneceu lá?

LLOYD

- Bem, eu... Dei uma volta pelo hotel, pois não estava conseguindo dormir.

MOODER

- Entendo. Diga-me, Sr. Turket, conhece a Srta. Bonnie Bordeaux?

A pergunta atinge Lloyd como uma marreta.

LLOYD

- Sim, eu.,, Eu creio que conheço a Srta. Bordeaux. Ela é a acompanhante do Sr. Gienelli, correto?

MOODER

- Precisamente (Disse parecendo prestar mais atenção ao barman). Diga-me, Sr. Turket, o senhor por acaso viu a Srta. Bordeaux durante esta sua caminhada noturna?

LLOYD

- Não (disse o barman aliviado por poder responder sinceramente) não a vi. Com certeza eu a teria notado. Afinal, cá entre nós, ela é uma moça bem bonita.

MOODER

- Sim, ela é (Disse o detetive sem demonstrar simpatia). Por enquanto acho que isso é tudo, Sr. Turket. Se precisar, mando chamá-lo de novo.

MANHÃ SEGUINTE

Lloyd foi direto para seus aposentos após o interrogatório, mas não conseguiu dormir pelo resto da noite. Achou que se saiu bem na conversa com Mooder. Na manhã seguinte, Lloyd já estava no bar do Salão Dourado. O assunto entre os hospedes e os funcionários era o triplo homicídio cometido na noite anterior. A noticia do fuzilamento de um dos maiores chefões do crime ocorrido no Hotel Overlook tambem foi parar nas manchetes de jornal.

Uma vez mais, Lloyd viu Bonnie passar pelas portas de entrada do Salão Dourado, e se dirigir a uma das mesas. Entretanto, ela estava extremamente abatida. Os hospedes que tomavam café da manhã olhavam com curiosidade para “viúva”. Bonnie pediu seu café da manhã ao garçom e o tomou sem olhar uma vez para Lloyd. Quando a moça terminou o café da manhã, ela se dirigiu ao balcão.

BONNIE

- Um coquetel fraco, por favor.

LLOYD

- É pra já, senhorita.

Enquanto Lloyd prepara o coquetel, Bonnie olha para os lados, e ao se certificar de que não há ninguém por perto

BONNIE

- Me diz que você não teve nada com aquilo (diz baixinho),

LLOYD

- Você não precisa se preocupar com nada (diz servindo o copo sem olhar pra ela) Em breve, eu vou receber uma boa quantia, e a gente vai poder ficar junto.

BONNIE

- Eu estou com medo, Lloyd.

LLOYD

- Não fique (diz botando o copo na frente dela) Tudo vai dar certo.

BONNIE

- Você esta louco. (diz bebendo o coquetel em um gole só) Escute, Lloyd, eu estou indo embora esta tarde. A policia deve ficar na minha cola por um tempo, então, não ouse me procurar.

LLOYD

- Tudo bem, eu devo receber uma grana em breve e...

BONNIE

- Obrigado Barman (diz ela em voz alta).

Ela se levanta e deixa uma gorjeta no balcão, indo embora a seguir. Bonnie Bordeaux foi embora naquele mesmo dia, sem que Lloyd tivesse chance de falar com ela outra vez.

MAIS TARDE

Naquela mesma noite, o Barman estava trabalhando, quando o garçom veio lhe avisar que havia alguém ligando para ele.

LLOYD

- Quem é?

GARÇOM

- Diz que é seu padrinho.

Lloyd foi até a cabine telefônica, e pôs o fone no ouvido. Estava estranhando, pois seu padrinho estava morto há anos.

LLOYD

- Alo?

PUZO

- Alo Sr. Turket. Liguei para parabenizá-lo pelo bom trabalho. Estamos depositando uma generosa quantia em sua conta particular, pelos serviços prestados.

Ao ouvir aquela conhecida voz com sotaque italiano, Lloyd ficou sem saber o que responder.

LLOYD

- Sr. Puzo, eu...

PUZO

- Não se preocupe com o imposto de renda. Eu já cuidei de tudo. Adeus, Sr. Turket, e obrigado.

Tão repentinamente como havia chamado, Puzo desligou.

TRÊS SEMANAS DEPOIS

No dia seguinte a ligação de Puzo, Lloyd foi à cidade, e confirmou no banco. Haviam sido depositados 500 mil dólares na sua conta. Dava para começar uma vida nova. Uma vida com Bonnie. Só esperaria a poeira baixar, pediria demissão, e então iria atrás de sua garota.

O triplo assassinato não fez nada bem para a reputação do Overlook. Charles Grondin encontrou o caos ao voltar de viagem. Tentava fugir das embaraçosas perguntas dos repórteres que queriam saber como um crime daqueles era cometido na suíte presidencial, e por que o hotel parecia ser o preferido entre conhecidos chefões do crime de todo o país.

Lloyd, entretanto não estava preocupado com isso. Até que certa noite, três semanas depois do crime, quando o Salão Dourado estava prestes a fechar, Grondin veio beber no bar. Somente um casal de velinhos que queriam aproveitar o ar da montanha permanecia no Salão Dourado. Grondin se aproximou do bar, e se sentou.

GRONDIN

- Me dê o que tiver de mais forte, Lloyd.

LLOYD

- Como queira, senhor.

Lloyd pegou uma garrafa de uísque escocês, e começou a servir ao gerente.

GRONDIN

- Estamos arruinados Lloyd. Depois do que aconteceu na suíte presidencial, a maldita imprensa não sai do meu pé.

Mal Lloyd serviu a bebida, Grondin avançou para o copo, e bebeu tudo de um gole só.

GRONDIN

- Mais um.

O barman serviu mais sem dizer nada. Os dois velinhos, ao ver o comportamento do gerente, se levantam e vão embora.

GRONDIN

- Agora, estou sendo investigado. O caso chamou a atenção da receita. Que droga, quem não sonega imposto?

Mais um gole, servido de nova dose.

GRONDIN

- E os malditos repórteres! Gostaria de pegar um machado e dar cabo todos eles! Já faz três semanas e eles não encontram um escândalo novo. E agora com o que houve em Los Angeles é que eles não vão esquecer mesmo. Devem voltar pra cá em peso.

LLOYD

- O que houve em Los Angeles, senhor? (pergunta curioso).

GRONDIN

- Você não soube? (Pergunta secando seu ultimo copo). Mataram a garota do Gienelli. Alguém atirou na cabeça dela quando ela estava entrando no prédio. A polícia acredita que foi gente do próprio Gienelli, achando que ela teve alguma coisa a ver com aquilo. E cá entre nós, acho que teve mesmo.

Lloyd deixa a garrafa de uísque escapar de suas mãos. O vidro se espatifa no chão, espirrando uísque nas calças do barman.

GRONDIN

- Droga, Lloyd! Vou ter que descontar isso do seu salário! Nossa, você esta pálido!

LLOYD

- Eu... Eu não me sinto muito bem. Importa-se de ir para que eu possa fechar o salão, Sr?

GRONDIN

- Tudo bem. Eu já bebi demais esta noite mesmo.

Enquanto o gerente do hotel se retirava, Lloyd Turket correu para o banheiro, e vomitou. Lagrimas escorriam fartamente do seu rosto. Ele não podia acreditar que ela estava morta, simplesmente não podia. Ele fez tudo o que fez pra poder ficar com ela, não para que ela acabasse morta.

O barman sai cambaleante do banheiro, e percebe que há alguém sentado em um dos bancos em frente ao balcão. Ele reconhece o homem como sendo Brad Crowe, o hospede com quem conversou algumas vezes.

LLOYD

- Estamos fechados, Sr. Crowe (diz ele com a voz engrolada).

BRAD

- Mas eu prometi que voltaria para tomar um de seus drinques, Lloyd. Alem do mais, com todo o respeito, você não me parece em condições de ficar sozinho.

LLOYD

- Tudo bem (diz o barman irritado indo para detrás do balcão) eu sirvo o seu drinque, e depois o senhor vai embora, ok?

BRAD

- De acordo (responde sorrindo).

Brad observa em silencio Lloyd preparar o drinque com as mãos Trêmulas. O barman termina o drinque, e coloca o copo na frente do cliente.

BRAD

- Ao que vamos beber?(diz pensativo) Já sei! (Ele pega o copo e o ergue no ar) a alma da Srta. Bonnie Bordeaux, que descanse em paz!

LLOYD

- O que foi que disse?! (pergunta o barman, abandonando qualquer traço de polidez).

BRAD

- Nossa, este nome te afeta mesmo (diz o homem bebendo um gole do drinque, e botando o copo sobre o balcão). Mas tambem, não é de se admirar depois do que você fez.

LLOYD

- Do que esta falando?

BRAD

- Ora, Lloyd. Estamos apenas você e eu aqui. Estou falando da torta de morango que ajudou a preparar na suíte presidencial.

As lagrimas marejavam os olhos do Barman. Suas mãos tremiam. Ele pegou a garrafa que usou para preparar o drinque, e quebrou no balcão, apontando a garrafa quebrada para Crowe.

LLOYD

- Quem é você?

BRAD

- Ah não Lloyd, Grondin vai descontar esta do seu salário tambem!

LLOYD

- Quem é você?! (Repetiu quase gritando)

BRAD

- Abaixe o tom de voz meu amigo (disse adotando um ar sério) não vai querer que outros ouçam o nosso segredo.

Lloyd abaixa a garrafa.

LLOYD

- Você quer me chantagear?

BRAD

- Por favor, não me ofenda. (Diz dando mais um gole em seu drinque). Eu nunca o chantagearia, Lloyd. Aliás, eu o ajudei muito. Dei o empurrãozinho que você precisava pra tomar coragem, e conversar com a falecida Srta. Bordeaux.

LLOYD

- Me responda por favor, quem diabos é você?

BRAD

- Um funcionário do hotel, Lloyd. Como você.

LLOYD

- Trabalha pra Grondin?

BRAD

- Não, trabalho pro hotel. Há bastante tempo diga-se de passagem.

LLOYD

- Por que não o vejo todos os dias?

BRAD

- Por que trabalho numa sessão muito especial. Recrutamos hospedes que a casa deseja.

LLOYD

- Como Gienelli (Diz quase num sussurro).

BRAD

- É, como o italiano. Mas nunca te pedimos nada, Lloyd. Foi seu amor obsessivo que fez tudo. Alias, pessoalmente creio que a Srta. Bordeaux gostava de você, mas não te amava, meu amigo. Ela só estava carente, sabe. Era uma boa moça. Um pouco atiradinha, é verdade, mas uma boa moça. Sabia que ela tinha uma mãe doente que dependia dela?

Lloyd volta a erguer o caco de vidro, apontando para a garganta de Brad.

LLOYD

- Maldito, você a matou!

BRAD

- Eu não, Lloyd (Diz terminando o drinque), você. Cá entre nós, não planejou isso muito bem, né? Achou mesmo que mataria o mafioso malvado, e seria feliz com sua dama para sempre? Achou que não suspeitariam dela? Ela te avisou. Não se mexe com Vittorio Gienelli sem que alguém acabe morto.

As lagrimas agora rolam fartas pelo rosto do barman.

LLOYD

- Cale a boca!

Ele golpeia o rosto de Brad com a garrafa, abrindo um corte no rosto do homem. Brad passa a mão no rosto, não parecendo abalado.

BRAD

- Alguns ficariam muito bravos com esta sua atitude, Lloyd. Mas acho que posso conviver com isso (diz esfregando o rosto. Ao tirar a mão da bochecha, não vê mais o corte). E você, meu amigo, pode conviver com o fato de ter causado a morte da mulher que ama?

O barman parece transtornado. Ele dá alguns passos pra trás, batendo as costas na prateleira. Varias garrafas despencam no chão. Ao olhar para baixo, tudo o que o barman vê é um liquido vermelho e espesso. Sangue. Lloyd coloca o caco de vidro no pescoço, fecha os olhos, e o empurra para cima.

BRAD

- Foi o que eu pensei.(Diz Brad se levantando) Eu volto outro dia, Lloyd. Seus drinques são mesmo maravilhosos.

MANHÃ SEGUINTE

Charles Grondin estava em pânico na manhã interior. O maldito barman não só havia quebrado metade do estoque, como cravou uma garrafa quebrada no próprio pescoço. Um suicídio. Mais um escândalo em menos de um mês. O gerente sabia que precisava abafar o caso. Isso não podia chegar à maldita imprensa. Era o que dava contratar loucos. Talvez fosse bom começar a pensar em vender o hotel.

VINTE ANOS DEPOIS

Jack Torrance entra no Salão Dourado. O local esta completamente vazio. Jack esta muito cansado. Ele não consegue escrever porcaria nenhuma. O pior é que não conseguia confessar isso a sua esposa. O atual zelador do Hotel Overlook daria qualquer coisa por um copo de cerveja. Venderia a alma por um drinque. Ele se senta diante do balcão vazio, e apóia a cabeça na madeira nobre. Ao erguer a cabeça, Jack vê um homem usando paletó vermelho e uma camisa branca, tudo impecavelmente limpo. Ele observa Jack com um sorriso.

LLOYD

- Ola Sr. Torrance. Meu nome é Lloyd. Em que posso servi-lo?

Notas finais
Espero que tenham gostado. E quem puder por favor, deixe um review. Obrigado!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!