O Baralho do Mágico Demônio
1 Que a Escuridão seja meu Ás...
Passos ecoavam pelos corredores longos e brancos do prédio, pessoas dando e seguindo ordens, em uma caça continua pelo fugitivo que se esgueirava sorrateiramente pelo local. Dentro de um dos dutos de ventilação, dois grandes olhos espiavam de uma abertura, com uma expressão preocupada.
“Eles nunca desistem, que droga. Não era pra eu estar numa situação dessa!” O pequeno ser sussurrou para si mesmo, sua aparência pequena, parecido com um coelho de pelúcia. Pelos brancos, olhos grandes e multicoloridos entre roxo e azul, além de um sorriso largo, redondo e cartunesco. Seu corpo coberto por nada além de uma pequena capa preta com o interior vermelho, com um pequeno chapéu de mágico entre suas orelhas longas. “Você me deve uma...” Ele adiciona, antes de pular de volta para o corredor, aproveitando o caminho livre no momento para correr em busca de uma saída.
“Alvo está nos corredores da Ala Leste! Indo em direção a saída, Esquadrão Beta e Gama, cerquem a área!” Os passos se aproximavam, dificultando a situação do coelho, que corria o mais rápido que podia.
“Droga, eu tinha que ter pernas curtas logo agora!” Ele já estava próximo da saída quando múltiplos soldados a cercaram e aos dois corredores próximos. “Eu não recebo o suficiente pra isso...” O coelho pegou sua cartola de sua cabeça, puxando algo de dentro. “Com o poder de Copas em minha mão, que seja mudado seu coração!” De dentro ele puxou uma carta de baralho, a lançando contra os soldados na saída. O Ás de Copas girou no ar, brilhando com uma luz avermelhada, antes de lançar uma onda de energia rosa. Os soldados pararam, abaixando suas armas tempo suficiente para que o coelho pudesse escapar livremente. “Perdi uma carta, mas não importa, eu tenho que fugir daquiiiii!” Ele exclamou, deixando o prédio para trás apressado.
HORAS DEPOIS
CIDADE DE DAHLIA, NEW KINGDOM
ENTARDECER, COLÉGIO DE DAHLIA
“Minha mãe vai me matar!” Uma jovem choramingou, sacudindo a prova na frente do rosto da amiga. “Eu tirei três! Como eu consegui tirar três?” Ela não devia ter mais que 14 anos, pele clara, cabelos negros curtos no estilo bob cut e olhos verdes, além de estar vestida com o uniforme feminino da escola, camiseta de botões branca com uma jaqueta social roxa por cima com o brasão da escola — uma flor de dália — no lado esquerdo do peito, além de uma saia cinza, meia calça branca, a única peça diferente sendo um all star nos pés.
Sua amiga apenas suspirou, inclinando sua cabeça para o lado para olhar sua amiga. “Sinceramente, Arya... Provavelmente se você tivesse estudado mais ao invés de ficar no Fliperama. Ou talvez ter vindo estudar comigo no outro dia ao invés de ficar jogando até a madrugada. Ou quem sabe-” A garota tinha a mesma idade, pele escura, cabelos negros ondulados até os ombros, olhos roxos e óculos de armação roxa que caiam até a ponta do nariz, além de usar o mesmo uniforme, incluindo all star nos pés.
Arya cruzou os braços, fazendo beicinho. “Foi completamente justificado! Eles colocaram uma máquina nova de dança no Fliperama, você devia ter ido junto ao invés de ser chata, Eli!” A garota tentou se justificar. “E tive que jogar, senão eu perderia a chance de conseguir a carta nova do meu marido!”
“Eu já disse que ia com você depois das provas, mas você não consegue sossegar nunca.” Eli responde, rolando os olhos. “E só você pra se ferrar numa prova dessas tentando pegar uma carta de um personagem 2d, sinceramente. Espero que seja boa ao ponto de valer a pena a bronca que você vai levar.” Ela adiciona, guardando as coisas em sua mochila para ir embora. “Sinceramente, uma prova básica de conhecimento gerais. Literalmente sobre coisas que a gente aprendeu no ano passado. Como você conseguiu falhar tão miseravelmente?”
“Claro que é! E animada aind- Ei, me espera!” Arya junta suas coisas apressadamente em sua mochila, antes de seguir sua amiga. “Vou te mostrar depois, era evento exclusivo, quase perdi. Foi cansativo, mas qualquer coisa por ele!”
Eli ri levemente, sacudindo sua cabeça, enquanto as duas finalmente saiam da escola. “Você não muda mesmo, não te entendo as vezes, sinceramente.” Arya puxa seu celular, abrindo o jogo para mostrar a sua amiga. “Okay, não é tão ruim também...” Eli comenta, ajeitando seus óculos.
“Viu! E depois me zoa por causa do meu jogo, você adorou também!” Arya ri, trombando de leve na amiga de brincadeira, que cora levemente de vergonha.
“Óbvio que não! Só quis dizer que a arte era bem feita... Cala a boca. Não sou uma besta que fica babando pra personagem 2d igual você!” Ela se defende, olhando para o outro lado.
“Como se você não tivesse um crush no personagem daquele gacha que vive jogando! Hipocrisia.” Arya rebate, cutucando a bochecha da amiga.
“Não é a mesma coisa!” Eli responde, puxando a mão da amiga para longe. “Ele é 3D, é diferente.” Ela continua fracamente, começando a rir pela própria desculpa usada.
Arya ri junto, se curvando de tanto rir. “Realmente, muuuuuuito diferente.” Ela diz sarcasticamente. “Duas bestas babando por personagem fictício, admita, assim que funciona pra gente mesmo.”
As duas caminhavam através do parque público, conversando mais sobre seus hobbies e fazendo possíveis planos para o fim de semana, quando um som de arbustos chamou a atenção delas. Antes que pudessem reagir, um ser parecido com um coelho de pelúcia pulou da vegetação, apressado.
“Socorrooooooooo!” Ele grita, se escondendo atrás das duas, que se entreolharam confusas e surpresas.
“É um coelho? De pelúcia? E fala?” Arya tenta olhar para ele, mas o coelho continua agarrado em sua perna, se recusando a se mostrar.
“Isso é algum tipo de brinquedo? Como uma coisa dessa consegue fazer isso?” Eli pergunta confusa, se agachando para vê-lo melhor. “Oi? É controlado por controle remoto ou o quê? Tem alguém ouvindo?”
“Eu não sou um brinquedo, humana idiota! Eu sou Joker Rabbit, o assistente do maior mágico que já existiu, Daemon Ashburn!” Ele se apresenta, com ar de superioridade e orgulho.
“Quem?!” Arya e Eli perguntam em uníssono, inclinando suas cabeças de forma sincronizada, completamente confusas. “Não era algo tipo o Houdini ou sei lá?” Arya pergunta. “Acho que é David Copperfield, não é?” Eli continua. “Sei lá, só pensei em Houdini mesmo, sei nada disso.” Arya dá de ombros.
Joker Rabbit franze o cenho, emburrado. “Óbvio que humanas idiotas como vocês nunca saberiam o que é verdadeira mágica!” Antes que ele pudesse continuar suas reclamações, sons de múltiplos passos se moviam apressadamente mais próximo de onde eles estavam. “Me protejam, eu não posso ser capturado!” Ele exclamou, rapidamente pulando sobre a cabeça de Arya, puxando sua cartola para baixo, desaparecendo dentro, deixando apenas a cartola sobre a garota.
“Espera, como assim? Volta aqui!” Arya reclamou, pegando a cartola, mas ao olhar dentro não havia nada. “Quê? Como ele desapareceu assim do nada?”
Antes que pudessem entender o que estava havendo, elas já se viam cercadas, múltiplos soldados completamente cobertos de equipamento tático pesado fechavam ambos os lados do caminho do parque.
Uma figura passou pelos soldados, uma mulher alta, usando um traje tático parecido com o dos soldados, mas sem o capacete. Ela parou em uma postura perfeita, as fitando com uma expressão severa. “Me entreguem ele imediatamente, crianças. Vocês não sabem com o que estão lidando aqui.”
“Não mesmo, que tal explicar? Eu tô confusa até agora.” Arya concordou, com uma mistura de confusão e nervosismo, ainda sem cair a ficha da situação. “Você é idiota, Arya? Não responde a doida com um monte de cara com arma!” Eli brigou. “Não chama essa maluca de doida também né, vai que ela fica brava!” Arya discute. “Você chamou ela de maluca também! Cala a boca, você vai ferrar a gente ainda mais.” Eli continua, empurrando seus óculos para cima.
A mulher suspira, claramente perdendo a paciência com as duas adolescentes. “Vocês não precisam saber de nada, não se metam em coisas de adultos, agora me entreguem a cartola de uma vez.” Ela comanda com autoridade e impaciência.
Arya e Eli se entreolham, nervosas. “Okay, tudo bem. Aqui-” Arya tentou oferecer a cartola para a mulher, mas antes que conseguisse, ela pulou de sua mão de volta para sua cabeça. “Ei, calma ai! Sai!” Arya tentou puxar a cartola de sua cabeça, mas não conseguia, Eli tentando ajudar, mas sendo completamente inútil. “Me solta, desgraça!’
“Não, eu não posso ir com eles!” A voz de Joker podia ser ouvida de dentro da cartola. “Se eles conseguirem me levar as consequências vão ser grandes demais, eu não posso!”
“Huh? Consequências? Que tipo de consequências?” Arya parou de tentou tirar a cartola, curiosa e preocupada.
“Nacional definitivamente, global extremamente possível, todo mundo tá ferrado se eles conseguirem o que eu estou protegendo!” O coelho exclamou. “Eu explico depois, mas a gente tem que fugir!”
Arya olhou para a mulher, depois para a amiga, nervosa. Eli a olhou nervosa, mas determinada, assentindo. A garota respirou fundo, antes de olhar para a mulher com uma expressão determinada e confiante. “Eu não vou entregar nada, sua babaca mal-amada!” Arya exclamou, séria, fazendo a mulher a olhar com uma expressão de raiva.
“Certo... Se vocês querem tanto brincar de adulto e se intrometer em coisas com a qual não deveriam.” Ela se virou, desaparecendo entre os soldados. “Vocês vão aprender da forma difícil, pirralhas.” Os soldados assumindo posição de combate, apontando as armas para elas.
“Talvez xingar ela tenha sido exagero.” Eli repreendeu.
“Desculpa, foi no calor do momento!” Arya responde.
“Aqui! Usa isso!” Uma pata de Joker saiu da cartola, segurando uma carta de baralho, um Ás de Espadas, a carta era estranha, prismática, emitindo um brilho sombrio e sobrenatural. A parte de trás carregava um símbolo estranho, uma cartola, com o que pareciam chifres a cercando. Quase como um emblema. Vários tubarões minimalistas ao redor.
A garota pegou a carta, inconformada. “Eu vou fazer o que com isso, jogar Paciência?” Ela perguntou, incrédula.
“Não, idiota! É uma carta mágica, só usar ela.” Joker explicou, pulando de Arya para Eli. “Só coloque na frente de um dos olhos e diga: Que a escuridão seja meu Ás, e eu receba o poder de Espadas!”
“Tá de brincadeira?” Arya sacudiu a cabeça, mas fez o mandado, segurando a carta entre dois dedos, na frente do olho direito. “Que a Escuridão seja meu Ás, e eu receba o poder de Espadas!”
Imediatamente, o brilho emanado pelo item aumentou, a carta flutuando e crescendo até um tamanho humano sobre Arya, antes de descer horizontalmente, passando através do corpo de Arya como uma espécie de portal. Uma energia escura espectral cobriu o corpo da garota, formando um traje complemente diferente do anterior antes de desaparecer.
Arya olhou pro próprio corpo, ficando vermelha de vergonha. “QUE MERDA É ESSA?” Ela estava usando um vestido rosa estilo lolita, luvas brancas e longas de cetim, meia calça branca acima dos joelhos e sapatilhas rosas. “Virei uma garota mágica genérica, é sério isso?”
Joker riu, espiando de dentro da cartola, junto de Eli que também ria da situação. “É o traje padrão, esqueci de falar pra você pensar em um traje também.” O coelho explicou entre risadas.
“Coelho babaca, vou te vender num pet shop, idiota!” Arya exclamou, envergonhada, apontando para o coelho com um item que ela não havia percebido que estava segurando até o momento. Era uma adaga, a empunhadura negra com uma lâmina encurvada e prateada, o que mais chamava atenção era o símbolo do naipe de Espadas encravado na guarda da arma, o símbolo negro emanando um brilho espectral. “Okay, isso é bem legal. Gostei.” A garota admitiu, examinando o item.
“Isso aí, agora mata eles!” Joker disse, apontando pros soldados.
“Matar? Quer que eu saia matando um monte de soldado fortemente armados, usando um vestido e uma adaga? Você tá achando que eu sou quem, o John Wick?”
Joker bufou, fazendo um facepalm. “Você tem os poderes da carta agora, vai lá que você consegue. E esses soldados não estão vivos de verdade, são marionetes! Seus instintos vão te guiar, só confia e vai!”
“Se eu morrer, eu juro que volto pra te puxar comigo pro inferno!” Arya exclamou, antes de respirar fundo e avançar.
A garota se surpreendeu com a própria velocidade, avançando com uma agilidade surpreendente contra os soldados próximos. Em um movimento rápido com a adaga, ela conseguiu atravessar a lâmina em um, que se desfez em pétalas de flor negras.
“Caramba, não era humano, ainda bem, por um instante achei que ia virar uma assassina.” Ela disse aliviada, antes de perceber as outras marionetes a encarando. “Hã... Oi?” Arya saiu correndo pelo parque com os soldados a perseguindo e atirando tentando acertar ela. “EU SOU JOVEM DEMAIS PRA MORRER, CALMA AI! VINTE SOLDADOS CONTRA UMA CRIANÇA É APELAÇÃO DESGRAÇA!”
“Usa sua adaga! Você consegue usar magia com ela!” Joker gritou para Arya, a garota olhou para Eli e ele, que estavam olhando tudo enquanto escondidos em um arbusto.
“VOCÊS PODIAM ME AJUDAR AO INVÉS DE FICAREM ESCONDIDOS AI, CARAMBA!” Arya deu um pulo para trás, dando um mortal e parando no meio dos soldados, conseguindo eliminar mais três com cortes rápidos e precisos, a lâmina os atravessando com uma facilidade surpreendente. Ela se abaixou de um ataque, cortando um quarto também. Outro tentou dar um tiro a queima roupa, mas com um tempo de reação surpreendente, a garota usou a lâmina da adaga para desviar o tiro contra outro soldado, antes de matar o atirador, eliminando mais dois.
Um grupo de soldados assumiu formação, prontos para atirar em Arya, que deu uma pirueta, usando a adaga para desviar múltiplos tiros, logo após ela apontou a lâmina contra os soldados. O símbolo na adaga brilhando, várias adagas feitas de sombras se formando ao redor da garota antes de voarem em alta velocidade e eliminando mais cinco soldados.
“Que maneiro!” Mais confiante que nunca, Arya pulou novamente para a batalha, sombras se formando ao redor da lâmina, criando uma espada de trevas, facilitando para que ela cortasse outros três soldados. “Toma essa, aprende a não mexer comigo, seus trouxas!”
Os últimos soldados estavam junto da mulher de antes. Ela estava com uma expressão de ódio e frustração, claramente irritada por estar sendo vencida por uma adolescente. “Ataquem ela imediatamente!” A mulher ordenou.
Arya pulou na batalha, eliminando os últimos soldados rapidamente, mas quando ela se virou para enfrentar a mulher, ela havia desaparecido completamente. “Covarde! Vem pro pau, sua babaca!” A garota reclamou, cheia de energia pra continuar ainda.
“Calma, Arya, você já acabou com todo mundo.” Eli disse, se aproximando com cuidado, tendo certeza de não estarem mais em perigo. “Você foi incrível! Correndo e pulando por aí, cortando eles, até desviando balas e usando magia, que maneiro!” Os olhos da garota estavam praticamente brilhando de animação.
“É óbvio! Os poderes dessas cartas não são qualquer coisa, elas foram criadas pelo meu mestre usando materiais divinos e tem muito poder.” Joker explicou, pulando de volta ao chão, não mais escondido na cartola.
“Se você tem essas coisas mágicas por que você não lutou ao invés de me arriscar, seu idiota?” Arya reclamou, indignada. “E como eu volto ao normal? Tô de saco cheio dessa roupa!”
“É só se concentrar no seu poder e imaginar ele voltando a ser uma carta.” O coelho ajeitou sua cartola em sua cabeça. “Mas agora ela está conectada a você, é sua responsabilidade, então a proteja bem.”
Arya se concentrou, voltando ao seu uniforme escolar, sentindo o cansaço a afetar depois da batalha. “Ótimo, finalm-” A ficha finalmente caiu, a garota encarando a carta em sua mão, depois o coelho. “A carta que aquela babaca quer? Eu tenho que proteger? POR QUE VOCÊ NÃO DISSE ISSO ANTES?” Ela segurou Joker Rabbit, o sacudindo irritada. “Você devia ter me explicado isso antes que eu botasse minha vida em risco! Eu vou fazer ensopado de coelho com você, bola de pelo desgraçada!”
“Calma, Arya!” Eli parou a garota, colocando a mão no ombro da amiga. “A gente concordou em ajudar afinal... E você ganhou poderes bem legais também. A gente pode dar um jeito nisso, só pensar um pouco.”
“É fácil você falar, não tá em risco igual eu!” Arya solta o coelho, cruzando os braços. “O que eu faço pra esconder isso? Ficar carregando por aí? Se esconder em algum lugar eu sequer consigo me transformar sem?”
“Sossega um pouco garota, sinceramente, você fala demais.” Joker limpou a poeira de seus pelos, depois ajeitou sua capa, antes de encarar Arya. “Só segura a carta e sacuda sua mão.” Ela obedeceu, a carta desaparecendo em um passe de mágica. “Truque mais básico de um mágico, é só fazer o mesmo pra puxar ela de novo. Assim você pode a esconder e usar a qualquer momento. Claro, com consciência, os poderes que você tem não é para se usar sem motivos.” Ele alertou, antes de perceber a garota completamente distraída fazendo a carta aparecer e desaparecer, animada. “Humanos...” Joker rolou os olhos, mas não pode evitar um sorriso. “Vai dar tudo certo... Eu espero.”
Cidade de Dália, New Kingdom
Local desconhecido
A mulher respirou profundamente, antes de bater na porta, entrando cautelosamente na sala ao ouvir a voz familiar dizendo “entre” do outro lado. Ela se aproximou lentamente, seu olhar focado completamente na mesa a sua frente, coberta de relatórios e livros, especialmente um livro aberto com inscrições antigas, sobre ele, a carta do Ás de Copas que Joker havia deixado para trás para poder escapar.
O olhar da mulher se desviou para a cadeira do outro lado da mesa, virada de costas para ela. Ali havia uma figura sentada, olhando para a cidade através dos largos painéis de vidro que cobriam toda a parede, enquanto cantarolava calmamente.
A mulher se ajoelhou, abaixando a cabeça em submissão. “Minha rainha, eu... Eu falhei. O coelho escapou, e além disso, ele entregou uma das cartas para uma garota. Ela eliminou os soldados que foram comigo. Eu sinto muito.” Sua seriedade e autoridade haviam desaparecido, substituídos por receio e medo.
A figura parou de cantarolar, suspirando levemente. “Então, ele decidiu dividir a responsabilidade com alguém mais, hã? Curioso... Isso realmente pode se tornar um problema.” A voz era calma, feminina, com certo ar de superioridade. “Mas nada que não possa ser lidado. Vá agora e chame minha filha aqui, eu tenho um plano para lidar com essa situação...” Ela ordenou, pegando e examinando o Ás de Copas em sua mão, a carta prismática, transmitindo uma aura quente e suave. “Vamos ver por quanto tempo vocês podem fugir de mim...”
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