DIAS DEPOIS

BIBLIOTECA LOCAL


“Eu não acredito que tô sendo forçada a isso, eu queria testar mais dos meus poderes! Nem consegui pensar no melhor uniforme ainda.” Arya reclama, inclinada sobre a mesa, cheia de tédio e preguiça. Seu notebook a sua frente, junto com livros e seu caderno ao lado. “Ei... Bem que a gente podia jogar algo no PC, né?” A garota sugere para a amiga.

Eli suspira, negando com a cabeça. “Você já teve sorte que sua mãe confia em mim pra te ajudar a estudar, senão você estaria sozinha no seu quarto até agora. É o que dá ficar de gadisse ao invés de focar no que importa.” Ela comenta, ajeitando seus óculos, seu foco no próprio notebook.

“Bom, tecnicamente eu tô em perigo por ter a carta, então testar meus poderes seria algo responsável e importante a se fazer.” Arya argumenta, abrindo um sorriso convencido. “Então talveeeeez a gente pudesse ir pra algum lugar mais isolado e testar o que eu consigo fazer, não acha?”

A outra garota suspira novamente, tirando seus óculos e esfregando seus olhos. “Tudo bem, MAS você vai ter que solucionar os problemas que eu te dei mais cedo primeiro.”

Arya fez beicinho, aborrecida, antes de puxar o notebook para mais perto, tentando focar em resolver o dever recebido. “Chata.” Ela murmura, Eli apenas rolando os olhos, mas sorrindo depois.

“A gente toma um milkshake no caminho.” Eli sugere, Joker Rabbit imediatamente pulando de dentro da mochila de Arya ao ouvir a sugestão da garota.

“Eu quero também! Um de morango com chocolate, cauda por cima e flocos, e também-” Antes que pudesse continuar, Eli e Arya o empurram de volta para a mochila apressadamente. “Ei- Agressão contra um animal frágil é crime!”

“Shiu, seu tapado!” As duas garotas sussurram em uníssono, olhando em volta da biblioteca cautelosamente. “Você não pode sair em público assim, você sabe.” Eli lembra, ao ter certeza de que ninguém os havia visto. “Você não é um coelho de pelúcia? Sequer pode comer ou beber alguma coisa?” Arya adiciona.

“Claro que eu posso, eu sou um coelho mágico, faço o que quiser. Não sou só um boneco qualquer, sinceramente, não era óbvio?” Ele rebate, irritado, sua voz abafada pela mochila. “Vocês têm que aprender muito ainda, humanas, eu nasci muito antes de vocês!”

“É sério? Você é tipo aqueles seres ancestrais? Viu muita coisa? Como era tudo antigamente?” Eli questiona continuamente, seus olhos brilhando com a possibilidade de saber sobre o passado com um ser antigo.

“Ei, não tão velho também... Eu tenho 25 anos, mas sou mais velho de qualquer forma!” Joker diz de forma presunçosa, as duas garotas cruzando os braços, o fitando indiferentes.

“Coelho idiota. Coelho tapado. Coelho trouxa.” As duas dizem, o cutucando continuamente, aborrecidas e desapontadas. “Rabinho de algodão doce. Pernalonga de baixo orçamento.”

“Ei, para! Sou o assistente do maior mágico do mundo, vocês têm que me respeitar!” Ele reclama, empurrando as mãos das garotas para longe, antes de ajeitar sua cartola no lugar.

“Aliás, você falou desse cara, mas quem é? Nunca ouvi falar dele.” Arya pergunta curiosa. “Você também disse que ele que criou a carta da Arya, como ele fez isso?” Eli complementou.

Joker sorri presunçosamente, tendo certeza de estar tudo livre antes de pular sobre a mesa, fazendo uma pose com as patas na cintura, capa fluindo com vento inexistente. “Daemon Ashburn, nada menos que o maior mágico do mundo! Ele era um dos Anjos de Lúcifer, servindo diretamente sobre as ordens da deusa da morte e líder do submundo. Ele é o mágico mais famoso de todo o submundo, com truques sem igual, que nenhum humano ou demônio consegue se comparar!” Ele explica orgulhosamente, um largo sorriso confiante no rosto.

“Quê?” As duas garotas olham para o coelho complemente confusas, inclinando suas cabeças para o lado, não entendendo absolutamente nada do que ele havia falado. “Anjos de Lúcifer? Deusa da Morte? Submundo? Demônios?”

Joker Rabbit as olha, frustrado, dando um longo suspiro. “Humanos.” Ele rola os olhos, as encarando. “O que importa é que ele é um mágico incrível, o baralho dele foi feito usando materiais divinos, como eu havia dito antes. Espadas e Ouros foram criados usando as sombras e a luz do deus do caos respectivamente, Copas usando a forte energia inocente do deus do amor, e Paus com as próprias folhas da árvore da vida, Eva, criada por Perséfone, a deusa da vida e mãe natureza.”

“Ele realmente tá falando de deuses e demônios?” Arya sussurra para Eli.

“Depois de tudo não duvido de mais nada também.” A outra responde baixinho.

“Existem no total 53 cartas de baralho, a maioria delas com efeitos únicos, ligados a fonte da própria matéria prima. Por exemplo, Espadas que Arya possui, em sua maioria, tem poderes de sombras como os que ela utilizou na batalha.” Joker Rabbit continua, muito focado em sua explicação para sequer ver se as adolescentes estão entendendo. “As cartas de 2 a 10 são mais fracas, mas tem poderes únicos, não tendo armas ou transformações por exemplo. Enquanto isso, as cartas Às, Valete, Rainha e Rei são as mais fortes, com armas e transformações próprias.”

“Você entendeu alguma coisa? Eu entendi que tem muita carta e poderes legais.” Arya sussurra para a amiga.

“É, entendi algo assim também. Pelo jeito você pegou uma boa pelo menos.” Eli concorda.

O coelho cruza os braços, as encarando emburrado. “Eu não vou explicar de novo, se tiver perguntas é seu problema. Independente, uma última coisa importante, quando você se conecta a uma carta, a única forma de ser desconectado a ela é um portador de uma carta subjugando o outro, ou com uma magia que só meu mestre conhece. Além de que um portador de carta não pode se conectar a outra carta que seja de um naipe diferente, você por exemplo pode absorver outras cartas de Espadas, ficando mais forte e ganhando as habilidades da carta, mas nunca conseguiria absorver uma de Copas e seu poder.”

“Espera, quer dizer que eu posso ficar mais forte ainda se pegar as outras cartas de Espadas? Você tem mais delas? Eu quero elas também!” Arya pede, animada.

“Eu tenho, mas eu não vou te entregar assim! Eu só te entreguei aquela outra porque eu fiquei desesperado. Se eu te entregar elas, vai ser por necessidade e merecimento.” Ele explica, surpreendentemente sério. “Ainda mais que eu preciso proteger as poucas delas que eu consegui juntar. Já perdi mais do que eu gostaria.”

“Espera, você não tem todas elas? Por quê? Como perdeu cartas tão importantes?” Eli questiona, confusa, levantando uma sobrancelha.

“É uma longa história, mas basicamente o baralho foi roubado, além do meu mestre ter sido aprisionado. Eu tenho tentado achar elas, mas é difícil sozinho. No momento eu tenho o Ás de Ouros, além de algumas de número dos quatro naipes, mas só. Conseguir as mais fortes é quase impossível pra mim, eu estava sendo perseguido por tentar roubar uma delas, mas só consegui perder uma carta importante...” Joker diz, claramente frustrado com suas falhas em coletar as cartas.

Arya acaricia sua cabeça, sorrindo gentilmente, surpreendendo o coelho. “A gente disse que ia ajudar, né? Mesmo que ainda não tenha entendido tudo direito, eu posso usar meus poderes pra ajudar, certo? Então a gente vai fazer isso juntos, nós três!” Ela afirma, abrindo um sorriso animado.

“Você devia perguntar antes de colocar os outros no meio das coisas, sabia?” Eli reclama, antes de abrir um leve sorriso. “Mas é, a gente dá um jeito, juntos.” Ela concorda, acariciando as orelhas do coelho levemente. “E quem sabe não consigo uns poderes legais também?”

Joker Rabbit lacrimejava, surpreso pela bondade das garotas de ajudá-lo em uma tarefa tão importante. Ele limpou suas lágrimas com sua capa, antes de abrir um largo sorriso. “Bom, não garanto nada, mas talvez. Você definitivamente parece mais de confiança que a Arya, isso não tem dúvida.”

“Ei! Coelho tapado!” Arya exclama, fazendo beicinho, fazendo os outros dois rirem. “Dois idiotas.” Ela adiciona, antes de perder a compostura e rir também. “Isso aí, a primeira coisa a se fazer agora é sair para treinar meus poderes, vamos nessa!” Rapidamente ela se levanta, apressada para sair.

“Arya... Volta e termina os problemas que mandei você solucionar, ou eu conto pra sua mãe que você tá tentando escapar. Não vai fugir tão fácil assim não!” Eli diz de forma autoritária, ajeitando seus óculos, seus olhos com um brilho sério e ameaçador, dando um arrepio na amiga.

“Aff, okay... Só porque você dá medo quando leva algo a sério.” Arya volta a se sentar, voltando para seus estudos sob a vigilância constante de Eli. “Chata.”

HORAS DEPOIS

As duas garotas caminhavam pelas ruas, conversando casualmente enquanto tomavam seus milkshakes. Arya saboreando seu milkshake de morango com calda de morango e chocolate com granulado colorido por cima, enquanto Eli tomava um de limão com calda de limão e cobertura de flocos. Joker Rabbit dentro de sua cartola na mochila de Arya, aproveitando seu próprio de morango com chocolate e cobertura de flocos.

Sem que elas soubessem, uma figura jovem as observava escondida de trás de uma parede, as espiando e seguindo cuidadosamente, concentrada em suas ações. Em pouco tempo as amigas haviam chegado em um outro parque da cidade, indo para uma clareira mais isolada do local, perfeito para testar suas habilidades e conversar livremente.

“Ótimo, agora é hora de mostrar meu novo uniforme!” Arya exclama de forma animada, terminando seu milkshake num forte gole. “Ai, ai, congelou o cérebro, calma.” Ela reclama, esfregando a cabeça.

“Tapada.” Eli ri, jogando os copos vazios em um lixo próximo. “Bom, você encheu o saco sobre isso o tempo todo, então é bom ser legal.” A garota continua, Joker Rabbit colocando parte do corpo para fora da mochila, também curioso para ver a nova transformação.

“É isso ai, vamos nessa!” Arya invoca sua carta, a colocando em frente ao seu olho direito, determinada. “Que a escuridão seja meu Ás, e me dê o poder das sombras de Espadas!” Ela exclama, sua transformação sendo ativada novamente. Ela agora usava um vestido franzido solto da cor branca com detalhes em verde e acabamento dourado, um cinto preto ao redor de sua cintura com a fivela em forma do naipe de Espadas, luvas curtas de cetim brancas em suas mãos, o naipe de Espadas nas costas da mão com detalhes dourados, meia calça branca acima do joelho, e all star nos pés, além da já familiar adaga em sua mão. “A extraordinária garota mágica, Arya, está aqui!” Ela termina, fazendo uma pose.

“Ela levou isso mais a sério do que eu esperava.” Joker sussurra para Eli. “E mudou a frase, ela nem precisa dizer mais, é só pra primeira vez.” Ele ri levemente, admirado. “Mas realmente ficou incrível.” O coelho diz mais alto dessa vez, aplaudindo.

“Realmente, você tá incrível, Arya! Agora tá preparada pra quebrar a cara de qualquer vilão.” Eli concorda, antes de encarar os tênis da garota. “Mas um all star?”

“Claro! Quer que eu saia correndo e chutando vilões usando sapatilhas? Meus pés tavam me matando depois da última vez! Agora é mais confortável.” Ela explica à amiga, dando uma pirueta para mostrar seu uniforme completamente. “Agora ninguém mais me para!” Arya termina, fazendo um sinal de V na frente do olho.

“Acho que você assistiu mais anime do que deveria. Independente, vamos ver o que mais você pode fazer.” Eli coloca suas mochilas de canto, antes de se juntar a amiga, junto de Joker Rabbit.

Ao longe, entre as árvores, a figura continuava a as observar curiosamente, focada em suas ações, principalmente em Arya e suas habilidades como garota mágica. Tudo enquanto o trio se divertia e explorava essas habilidades juntos.

“Lâminas Negras!” Arya cria cinco lâminas de sombras, apontando sua adaga para uma árvore ao longe, apenas duas acertando o alvo e as outras desaparecendo entre arbustos. “Aaaah, por que é tão difícil acertar?’ Ela reclama frustrada.

“Tenta focar mais em um ponto e se concentrar! Se você conseguir, porque nunca consegue sossegar também, sinceramente.” Eli tenta sugerir, cruzando os braços.

Sem que o trio soubesse, a pessoa desconhecida estava escondida atrás da árvore, suando frio depois de quase ter sido acertada. Depois de observar um pouco mais, ela decidiu ir embora por segurança, apesar de tudo, a jovem figura estava mais interessada do que nunca em Arya e o que mais aquela garota poderia alcançar com seus poderes. Com um sorriso no rosto, a pessoa desapareceu entre as árvores, com o trio nunca descobrindo sobre sua presença.

“Ei, o que mais dá pra fazer com essas sombras, Joker?” Arya questiona curiosa, imbuindo sua adaga em sombras, a transformando em uma espada de trevas. “Só sei isso até agora.”

“Isso depende da sua experiência e criatividade, mas você pode conseguir fazer mais quando tiver outras das cartas de Espadas. 2, 6 e 10 por exemplo são cartas que te dão um buff de poder, isso vale para as dos outros naipes. As outras cartas têm poderes diferentes, tanto físico, quanto mágico, passivas e tudo mais, mas você vai precisar conseguir ter a posse delas primeiro.” O coelho explicou. “A gente precisa achar as cartas ou portadores delas, mas não vai ser como aqueles minions, daqui pra frente os inimigos vão ser muito mais ameaçadores e poderosos, você não pode abaixar a guarda.”

“Bom, seria mais fácil se você deixasse a Eli usar o Ás de Ouros, só dizendo...” A garota comenta.

“Duas são melhores que uma não é verdade?” Eli continua.

Joker suspira, cruzando os braços. “Eu sei, mas não quero colocar vocês em risco ainda mais. Duas só atrairia mais atenção também, então espera um pouco, suas vidas estão em risco real, sabia?”

As duas garotas suspiram, desistindo por enquanto, mas já pensando em formas de convencê-lo no futuro. “Melhor ir pra casa agora, tá ficando tarde.” Arya sai de sua transformação, esticando seu corpo. “Ainda cansa um pouco manter a transformação, tô cansada, principalmente depois de estudar tanto mais cedo também.”

Eli entrega a mochila de Arya de volta para ela, colocando a própria nas costas. “Você mal começou, se isso já é muito pra você, imagina quando tiver que estudar a sério.” Ela balança a cabeça, ajeitando seus óculos. “Você sabe que se ficar de recuperação a sua mãe não vai te deixar viajar com a minha família nas férias de inverno. Então vê se foca nos estudos uma vez na vida, sua tapada.” A garota termina, dando um peteleco na ponta do nariz de Arya.

“Ai! Okay, okay... Eu vou tentar, que coisa.” Arya concorda, massageando o nariz. “Chata. Bom, eu tenho que farmar pro próximo evento no jogo, então tchau!” A garota diz, correndo para casa, acenando para a amiga antes de sumir na distância.

“Ela não tem jeito mesmo em?” Joker pergunta, confortável na mochila de Eli. “Talvez, mas ainda assim, ela é confiável quando precisa. Agora vamos pra casa, vê se não chama atenção até lá.” A garota avisa, o empurrando de volta para dentro, antes de seguir o próprio rumo.